Meu Querido Cupido
22 Não desisti de você
Notas iniciais
É dia de festa. Estamos todos muito orgulhosos do Colin. Ele encontrou a alma gêmea de sua escolhida! Eu não acreditei quando me disseram! Ele chegou gritando, abriu a porta de casa, abriu as gigantescas asas e levantou um arco e flecha magnífico para os altos, em sinal de comemoração.
Naquele momento eu não soube o que fazer. Era a primeira vez que eu via um cupido segurar um arco e flecha! Era lindo... Parecia ser feito de metal. O arco tinha um desenho delicado, e a flecha combinava com o mesmo. Era grande e sua ponta prateada era extremamente afiada. Fiquei me perguntando como aquilo funcionava.
— Consegui. Minha escolhida finalmente desencalhou! — Colin gritou outra vez, exibindo suas asas. Os rapazes apareceram para lhe dar parabéns. Era a primeira vez que Colin formou um par.
— Já sabem o que isso significa, né? — Franklin disse. — Festa hoje à noite.
Era assim que os cupidos comemoravam quando formavam um par. Davam uma festa. Ou, pelo menos os cupidos que conheço, fazem isso.
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Fiquei admirada com a quantidade de cupidos que apareceram na casa. Sim, os meninos convidaram uma quantidade infinita de cupidos para a nossa casa. Isso significa olhares intimidantes para todos os lados, garotas sendo atraídas até aqui, e muita, muita bebida.
Os convidados foram chegando quando a lua apareceu. Eu atendi a porta e eles foram entrando. Rapazes altos, fortes, e vestidos com roupas escuras. Cabelo muito bem cortado e penteado, todos exalando sua beleza. Nunca me senti tão intimidade em toda a minha vida!
Eles fizeram apertos de mão e parabenizaram o Colin.
A casa ficou cheia em questão de poucas horas. Eu não sabia para onde ir! Eram cupidos para todos os lados, música alta e risadas. Algumas meninas começaram a chegar em seguida. Pareciam cheias de energia, prontas para depositá-las nos cupidos.
Meu espirito de garçonete falou mais alto, e acabei servindo bebidas para alguns deles. Eles eram extremamente educados comigo! Alguns sabiam que eu era a escolhida do David e talvez por causa disso me tratavam de forma especial. Acho que eu podia contar com eles.
Durante a festa, fiquei um pouco acanhada, e confesso que com um pouco de medo de algum cupido superior aparecer e querer acabar com a minha raça. Então fiquei procurando pelo David, o caçando com os olhos. Mas havia muita gente na casa. Passei pelos cupidos, cheguei até a sala de estar e no sofá estava Franklin, algumas meninas e alguns cupidos, bebidas e conversas afobadas. Bruce provavelmente deve estar em algum lugar por aí, com Stacy. Também não vejo Louis há um tempo. Acho que ele está extremamente focado em ajudar sua escolhida.
— Se divertindo? — David apareceu por trás de mim. Levei um susto, me virei e o olhei. Era como se tivesse aparecido ali em fração de segundos.
— Um pouco.
— Um pouco? — Riu. Era tão bom ouvir sua risada. — Então veja isso. — David continuou por trás de mim, se aproximou um pouco mais de forma que sua cabeça ficou bem próxima à minha. Ele se concentrou, olhou na direção do Franklin e cerrou os olhos.
Fiquei me perguntando o que ele estava fazendo. Em questão de segundos seus olhos brilharam, como fogo. E de repente, um copo de bebida, que estava na mão do Franklin, se despejou inteirinho na própria cara dele.
— Porra! — Franklin gritou, sentindo o líquido gelado escorrer por seu rosto e blusa — Quem fez isso? — Ele começou a procurar, olhando de um lado para o outro. David se virou, fingindo que nada aconteceu, enquanto os outros cupidos tiravam sarro do Franklin.
— Como você fez isso? — Dei um leve empurrão em seu ombro.
Antes que David respondesse, me surpreendi quando vi Hayley entrando. Ela estava linda, usava uma blusa branca com as mangas caindo, metade da barriga estava à mostra e vestia um jeans exuberante. Assim que a vi, não pude deixar de notar que ela procurava por alguém, em seus olhos estava claro. E quando ela encontrou David, seus olhos brilharam. Ela caminhou até nós dois com um sorriso.
— Oi! — Disse empolgada, logo abraçando o David. Em seguida me olhou e com apenas um gesto rápido me cumprimentou.
— Como está? — David perguntou. Não pude deixar de notar que ele também a olhava com carinho.
— Bem. Que bom que decidiram dar uma festa. O bar às vezes enjoa. — Comentou, olhando ao redor e observando os outros rapazes. Porém, quando Hayley olhava para David, era diferente. Eu podia sentir o quanto Hayley White é apaixonada pelo meu cupido.
Fiquei em silêncio. Eu não me sentia à vontade quando os dois estavam juntos. Era como se eu ficasse sobrando.
— Eu vou ali... — Interrompi os dois.
— Não. Eu preciso sair por um minuto. Por que as duas não ficam aqui e conversam? — David colocou uma mão em meu ombro e a outra no ombro da Hayley.
— Mas... — Hayley tentou impedi-lo, mas ele se retirou muito rápido. Fiquei me perguntando por que ele fez isso. David sabe que não nos damos muito bem!
Olhamos uma para a outra, em silêncio.
— Você quer ir para um lugar mais... Reservado? — propus.
— É... Claro. — Ela aceitou, sem entusiasmo.
Então guiei Hayley até a cozinha, meu lugar predileto. Ali estava mais silencioso, exceto pelos cupidos entrando de vez em quando para pegar cerveja.
— Eu gosto bem mais daqui. — Comentei, entrando na cozinha.
Hayley parecia desconfortável, como se não quisesse estar ali.
— É... A casa é legal. — Hayley se apoio na mesa de jantar, e acariciou a madeira.
— Nunca veio até aqui? — Perguntei, estranhando. Ela conhece David há mais tempo do que eu.
— David nunca me chamou. Hoje é a primeira vez, acho que é por isso que estou empolgada. — Ela riu, parecia nervosa.
Cerrei os olhos. Ficamos em silêncio mais uma vez, enquanto ela observava toda a cozinha. O armário, a geladeira... E abriu um sorriso.
— Como é viver com o David? E com mais três caras?
— É legal. — Respondi. Hayley já me fez essa pergunta, uma vez. Mas acho que não se lembra, porque estava bêbada.
Hayley estava inquieta. Observei seu visual mais uma vez. Estava toda maquiada, eu até podia ver purpurina em seus olhos. E os lábios estavam preenchidos por um gloss brilhante, que de certa forma chamava atenção.
— E aí? Como tem sido com o Dean?
— Que Dean? — Me fiz de desentendida.
— Aquele gato que jantou com a gente, se lembra? Até que fingi ser a namorada do David. Vai me dizer que não se lembra?
— Ah, sim. Dean Trent. É um cara legal... Só que não aconteceu como eu esperava.
— Jura? Que pena.
Após isso, nos calamos novamente.
— Estou me sentindo tão estúpida. — Ela falou de repente, depois de quase um minuto de silêncio. — Eu criei tantas expectativas para essa noite quando David me convidou.
Fiquei surpresa.
— Olha, Cassie... Estou sendo uma vaca com você. Tenho certeza que você pensa assim.
— Não! Por que eu pensaria isso?
— Não finja que não entendeu. Eu revelei para você meus sentimentos pelo David. Contei cada detalhe do que sinto, para você. — Hayley batia as unhas na mesa, frustrada. — Eu sei que naquele dia eu não estava muito boa da cabeça. Bebi uma boa quantidade de álcool, mas tudo o que eu disse, foi verdade. Não consigo me esquecer do David desde o momento em que ele me beijou lá no bar. — Ela respirou fundo.
— E-eu...
— Quando conheci você, logo de cara percebi o quanto você é legal e incrível, assim como o David me disse. Nunca passaria pela minha cabeça que você e ele poderiam ter uma coisa, sabe? Até que eu vi vocês dançando juntos no bar. E sei, foi só uma dança, mas quando eu olhei para vocês dois, e a forma como ele te olhava e te tomava nos braços... Eu desmoronei. Era como se eu já tivesse perdido o David sem nem mesmo ter tido uma chance de tentar lutar por ele, entende? Ele tinha algo nos olhos quando olhava para você!
— Hayley, você entendeu tudo errado. Naquele dia eu bebi mais do que devia! — Ri, preocupada. — Foi só uma dança, e você sabe disso. David e eu somos amigos, para mim ele é quase... Meu irmão! — Falei, e aquela foi a maior mentira que eu já contei para alguém.
Ela ficou em silêncio, me olhando.
— Olha, pode parecer loucura, mas você pensou errado. Eu nunca ficaria com o David. Não somos compatíveis, entende?
A expressão de Hayley mudou de garota-triste para garota-sorridente-cheia-de-esperança.
— Isso... Isso é demais. — Ela sorriu.— Eu sabia... Você realmente é diferente, Cassie. Eu sou uma idiota paranoica. Me perdoa por ter sido uma vaca com você?
— Claro. — Soltei outra risada nervosa. — Sem ressentimentos.
Me surpreendendo, Hayley caminhou até mim e me abraçou por longos segundos. Fiquei sem saber o que fazer, enquanto todo o cabelo loiro dela e seu perfume estavam enfeitando meu rosto.
— Ok. — Ela respirou fundo e meditou. — Preciso me concentrar. Sabe, eu quero dar o próximo passo com o David. Acho que quero que ele note o que sinto por ele. Quero... Sentir seus lábios outra vez. Foi a melhor sensação que já provei em toda minha vida!
Arregalei meus olhos enquanto a observava falar. Antes que ela percebesse minha expressão de pavor, mudei de expressão rapidamente, fingindo estar entendendo, enquanto assentia.
— Obrigada, Cassie. Não vou voltar a duvidar de você. Em mim você vai ter uma amiga.
Sorri. Era bom conversar com uma garota, finalmente.
— Que bom.
— Agora preciso descer. Te vejo depois? — Hayley me olhou. Apenas assenti, enquanto a observava abrir a porta e caminhar em direção à festa. Admitir isso para mim mesma chega a ser frustrante, mas era difícil observá-la caminhando em direção ao meu cupido, e não poder fazer nada a respeito. No fundo, Hayley também não podia se meter nessa. No final, eu sabia que ela também sairia machucada. Ela se apaixonou pela pessoa errada, e acho que está mais do que na hora do cupido de Hayley tomar as devidas providências.
Me lembrei de algo que os cupidos me disseram uma vez: As garotas gostam de insistir em pessoas erradas. De correr atrás de pessoas erradas, e os cupidos não podem fazer nada em relação a isso.
Após a conversa com Hayley, me senti indisposta para participar da festa. Acho que não devo me importar com Hayley e com o que ela pretende com o meu cupido. David tem todo o direito de se divertir... Eles se conhecem há bastante tempo e não devo me intrometer.
Mas, de qualquer forma, e mesmo negando para mim mesma, a simples ideia de imaginar Hayley e David juntos, me machuca.
Decidi ir até o quarto do David e me trancar ali pelo resto da noite, até a festa acabar. Abri a porta, entrei, e quando a fechei, me assustei como nunca. Ali dentro estava Dean. O que Dean fazia ali?! Como ele entrou na casa e como sabia que era esse o meu quarto?
— Dean? — Gritei, horrorizada.
— Oi, Cassie. — Respondeu. Observei a sua imagem, ali, imóvel, no meio do quarto, iluminado pela luz alaranjada. Alto, forte, vestido com um casaco grande, carregando um sorriso, uma expressão tranquila e travessa no rosto.
— O que está fazendo aqui? Quem te deixou entrar? — Já coloquei uma mão na maçaneta, assustada. Nunca mais o vi e nem ouvi falar dele depois do buquê de flores.
— É uma festa. — Respondeu como se fosse óbvio — Então eu fui entrando. — Sorriu outra vez, caminhou até o ursinho de pelúcia que ele havia me presenteado e o acariciou.
— Você tem que ir. — Abri a porta, enquanto o encarava, brava.
— Não seja rude. Podemos ao menos conversar? Prometo sair logo em seguida.
David poderia aparecer a qualquer momento.
— Então seja rápido. — Fechei a porta e cruzei meus braços.
Dean deu dois passos até mim, ficou em minha frente, me olhou e abriu um sorriso.

— Senti sua falta.
Encarei e não pude dizer nada.
— Recebeu os presentes?
Continuei calada, apenas olhei para baixo, suspirei e assenti.
— Dean, preciso que saia daqui.
— Não estou querendo te assustar... É errado um cara se apaixonar?
— Nós mal iniciamos algo! Foi tudo muito rápido. E agora eu tenho certeza de que não vai dar certo, Dean. É melhor cortarmos o nosso contato, não quero te machucar ainda mais.
— E quem disse isso para você? David? — Dean riu. — Vai deixar um cara mandar em você? Dizer o que você deve fazer? — Ele franziu as sobrancelhas enquanto falava, e tocou em meu rosto, suavemente.
Desviei.
— Você não sabe do que está falando. Por favor, vá embora. — Abri a porta outra vez.
Dean me encarou, ainda com aquele mesmo sorriso encantador e perigoso no rosto. Passou por mim, me olhando nos olhos, e caminhou até a porta.
— Torça para que o David não te veja. Você já sabe onde fica a saída. — Falei.
— Ainda não desisti de você. — Falou, e depois de me encarar por mais alguns segundos, se virou e andou pelo corredor. Observei sua silhueta se desaproximar, então fechei a porta, tranquei e me encostei nela, enquanto meu peito subia e descia.
Aquilo foi mais assustador do que pensei. Dean está diferente, e sinto que essa não é última vez que vou vê-lo.
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