Meu Querido Cupido

6 A Hospede Fugitiva


Notas iniciais
Oiiiii! Mil desculpas pela minha demora. Estive sem meu computador esse tempo todo! Mas sempre consigo dar um jeitinho de voltar e postar para vocês. E foi uma surpresa maravilhosa a recomendação que ganhei da minha companheira "Miss Pepper", muitooooo obrigada ♥ ♥ ♥ Você sabe que eu te amo. Boa leitura, amores.

— Ela vai acordar a qualquer momento, o que você vai dizer?

— Eu estou pensando.

Naquele exato momento eu abri os meus olhos mais uma vez, e agora eu já não estava mais no mesmo local de que me lembro, amarrada à uma cadeira. Agora eu estava deitada, em um conforto comum. Me parecia muito com a cama do David e eu tinha a leve impressão de estar ouvindo a voz dele e eu tinha quase certeza de que era real e não um sonho.

Quando consegui recuperar minha visão completa, tomei um leve susto ao ver Bruce e David à minha frente. Eles pareciam preocupados, ansiosos para que eu acordasse. Assim que os vi, me sentei rapidamente na cama.

— David? — Perguntei preocupada, olhando para os lados para verificar se havia mais alguém ali. Mas eram somente ele e Bruce.

Ambos se olhavam, talvez procurando a coisa certa a me dizer.

— Cassandra, nós te trouxemos aqui porque... Porque houve um imprevisto e você não pode ficar em sua casa. Na verdade, em lugar nenhum. — David dizia com uma mão na testa, analisando as minhas expressões.

— Você está bem? — Bruce me perguntou.

Cocei minha cabeça, tentando me lembrar de alguma coisa.

— Eu me lembro de ter atendido a porta ontem à noite. — Eles se entreolharam mais uma vez — Me lembro também de um cara... Ele entrou de repente, e depois... Depois eu estava amarrada e vocês discutiam. — Apontei para o David — O que eu estou fazendo aqui? — Me levantei da cama rapidamente, ajeitando minha blusa.

— É... Cassandra, nós te trouxemos porque, bom, você está há dois dias... Apagada. — Bruce continuou, porque David parecia não ter coragem de me contar.

Estufei meus olhos e meu coração deu uma leve acelerada.

— Apagada? O que fizeram comigo?

— Não dá para explicar agora. Você precisa ir para casa urgentemente, pegar suas roupas e voltar para cá. — David se manifestou.

— Voltar para cá? — Caminhei em direção à porta, mas David e Bruce barraram a passagem. Me vi indefesa diante de dois rapazes absurdamente bonitos, que tinham algo em si que nenhum outro cara comum já teve. São cupidos. Criaturas diferentes e que ainda tento acreditar que são reais.

— Você não pode sair sem a presença de algum de nós.

Respirei fundo.

— Alguém pode me dizer o que está acontecendo? Eu preciso ligar para o Dolph... — Olhei para os dois ainda tentando me readaptar.

Os dois fizeram que não com a cabeça.

— Olha aqui, o negócio é sério! — Bruce me segurou pelos ombros — Tem um cara atrás de você. O mesmo que você viu na noite em que foi sequestrada por ele. Ele pensa que você já está morta e que David te matou. O motivo? Você sabe toda a verdade sobre os cupidos. Esse cara é o braço direito do nosso chefe, entendeu? É ele quem coloca tudo em ordem, e se ele descobrir que você ainda está viva e que David não te matou, vai todo mundo pro beleléu e não queira saber como é lá, ok?

Eu assenti rapidamente, fazendo uma expressão de horror e tentando raciocinar o que ele disse.

David respirou fundo.

— O que o Bruce quer dizer, Cassie, é que quando você nos viu voando e descobriu toda a verdade sobre nós, sua morte já foi decretada. Jason, o cara que foi até sua casa, pensa que você está morta, e se você sair por aí e ele descobrir que não fizemos o que ele pediu, todos vamos morrer. A sociedade dos cupidos é um segredo que não deve ser descoberto por humanos, você é a única que sabe, mas não deveria.

Engoli a seco.

— O que está acontecendo comigo?... Isso só pode ser um pesadelo. — Sussurrei.

David acariciou meus ombros.

— Você vai ter que viver aqui por um tempo, em nossa casa, até nós quatro darmos um jeito de resolver essa situação, está bem?

Eu assenti, com uma leve tremedeira.

— Tudo bem, agora vamos até a lanchonete para você avisar o seu chefe que vai ficar um tempo fora. — David foi me guiando, ainda com as mãos em meus ombros.

— Mas... Ele precisa de mim. Ele ajudou muito meu pai quando ainda era vivo. Trabalhar para o Dolph é um dever meu, David, o que ele vai pensar disso? O que acha que minha mãe vai dizer?

Os cupidos me ignoraram e me guiaram até o andar de baixo. Lá estava Franklin, o loiro oxigenado, e Colin, o rapaz bonzinho.

— A bela adormecida acordou! — Franklin gritou para os céus.

— Cala a boca, estamos tentando mantê-la em segredo, idiota. — Colin deu um chute nele.

Quando saímos da casa, David entrou no carro, Bruce sentou no banco de trás comigo. Eles ficaram o tempo todo atentos e até me emprestaram um óculos escuro. Ninguém podia me reconhecer.

Logo paramos de frente com o Kismet Diner.

Assim que desci do carro, corri com passos ligeiros até dentro da lanchonete. Me emocionei ao ver aquele local novamente, meu chefe, Dolph servindo os clientes. Aquele cheiro de óleo e batata, o grito das crianças e as conversas dos clientes. O meu Kismet... Realmente fiquei apagada por muito tempo, porque sinto isso. Sinto falta daqui.

— Dolph! — O chamei, mas tentei ser discreta.

Ele rapidamente me olhou, deixou um prato na mesa de um cliente e correu até mim feito doido.

— Onde é que você estava, menina! — Dolph me chacoalhou, aquilo foi quase um sermão. Rapidamente ergui os óculos escuros.

— E-eu gostaria de te contar, Dolph... É que muitas coisas têm acontecido comigo, não sei como te explicar e nem sei se posso...

Ele franziu suas sobrancelhas para mim.

— Não está envolvida com coisa errada, está, Cassandra Drayton?

Me segurei para não chorar naquele momento. Queria dizer para ele que um bando de rapazes loucos que têm asas estão me perseguindo e me dizendo que querem me matar. Queria pedir para Dolph me proteger e chamar a minha mãe, e se possível a policia também. Mas algo me dizia que essa não era a coisa certa a se fazer, algo realmente sério estava acontecendo.

— Eu vou ficar bem, Dolph. Vou sumir por um tempo e não sei quando volto.

— Logo você, Cassandra? Vai sumir com quem? Você nem tem amigos! A sua única família é sua mãe! Não quer me dizer o que está acontecendo?

— E-espero que encontre alguém para me substituir. Diga à minha mãe que mandei um abraço e que estou bem. — Naquele momento abaixei os óculos escuros e saí dali na maior pressa possível, antes que começasse a chorar e antes que o tal de Jason aparecesse e me matasse.

Entrei no carro com os garotos, meu coração acelerado e lágrimas nos olhos. Por sorte o óculos escuro escondia tudo.

David me olhava com pena, como se me compreendesse. Por algum motivo, ao lado dele eu me sentia segura, como se o conhecesse há anos. Talvez seja porque ele me disse que sempre me acompanhou a minha vida toda.

Bruce colocou sua mão em meu ombro mais uma vez, ambos pareciam sentir muito por mim. Apertei meus lábios para não chorar alto.

— Tem alguma coisa que quer nos dizer, Cassie? — David perguntou, com um tom suave e acolhedor.

— Seja o que for que estiver acontecendo... Obrigada por não ter feito o que esse Jason pediu. Obrigada por poupar a minha vida, David. — Ele abriu um leve sorriso — Aliás, obrigada a todos vocês, por decidir me acolher. — Olhei para trás e sorri para o Bruce. Mesmo não os conhecendo, sentia e sabia que podia contar com eles.

— Não é mais do que a nossa obrigação... Ninguém mandou esses dois otários saírem voan... — Colin foi dizendo mas Bruce deu um tapão na cabeça dele e ele parou imediatamente.

Comecei a chorar naquele momento, eles perceberam e decidiram se calar.

— Eu sei que sou uma idiota curiosa. Se eu não tivesse visto vocês dois voando naquela noite nada disso teria acontecido e minha vida não estaria em risco. Eu continuaria trabalhando normalmente e você continuaria sendo o meu cupido e coisas estranhas não aconteceriam comigo.

— Foi culpa nossa. Fomos descuidados, quebramos uma das regras dos cupidos. Colin tem razão, usar as asas é só em casos de urgências e usamos para nos divertir. Somos todos culpados. — Bruce disse.

David assentiu e eu decidi concordar também.

O carro acelerou e fomos até minha casa para tomar um banho e pegar minhas coisas, e logo em seguida, partiríamos para a casa dos cupidos.

➴ ➵ ➶

Na casa deles, eu sentia o total desconforto de uma visita que não era bem-vinda. Me sentia uma intrusa pelo simples fato de que era a única garota no meio de quatro rapazes, digo, cupidos. Estávamos todos na sala, e eles me encaravam. Principalmente Franklin, que parecia odiar a minha presença.

— Então... — Franklin quebrou o silêncio — Isso significa: sem mais noites dos caras.

— É temporário. A Cassandra precisa ficar aqui até as coisas se acalmarem. — David me defendeu, enquanto Bruce estava sentado, frustrado e pensativo, e enquanto Colin bebia uma cerveja direto da garrafa.

— Se você tivesse cuidado direito da sua escolhida, nada disso teria acontecido! Você é sem dúvida o cúpido mais inútil que eu já conheci, David! E por causa dos seus erros, todo mundo se ferra junto! — Franklin gritou, chutando uma garrafa fazia, fazendo-a se quebrar. Me encolhi ainda mais no sofá, dei um pulinho e fechei meus olhos com o susto.

David correu até o Franklin mas Bruce se levantou rapidamente e o segurou.

— Vocês estão assustando a Cassandra. — Bruce gritou.

Os dois olharam para mim.

— Eu já deixo avisado, eu não estou de acordo com nenhum de vocês. Se o Jason e o chefe descobrirem que ela está viva, eu vou ser o primeiro a dizer que foram vocês! Eu não estou afim de morrer, preciso terminar meu trabalho, encontrar a alma gêmea da burra da minha escolhida e depois virar um humano outra vez. — Franklin fechou a porta.

— Desculpe, Cassie. — David olhou para baixo.

— Nós não costumamos ser assim. — Colin me olhou, deixando a garrafa de lado. — Pode acreditar que não existe casa melhor do que essa. Nós somos quatro gostosões que adoram se divertir, não precisa ter medo da gente. — Colin sorriu, erguendo a garrafa.

Bruce riu e balançou a cabeça negativamente.

— Está tudo bem. Só não quero ser o motivo da discussão de vocês. Eu prometo que logo vou embora.

— Tudo bem Cassie, acho melhor você dormir. Precisa descansar. — David disse — Você fica no meu quarto.

— Não, eu posso ficar aqui mesmo. — Recusei, apontando para o sofá.

— Cassie, nós gostamos de ficar acordados até tarde, conversando e bebendo na sala, falando sobre nosso passado. Vai por mim, você não vai querer ouvir. Eu durmo aqui e você lá.

Eu aceitei a oferta do David, ele me guiou até seu quarto e o deixou à toda disposição para mim. Todas as minhas coisas estavam ali, em um canto. Assim que David me deixou sozinha, subi em sua cama, contemplei a decoração mais uma vez e me surpreendi ao ver a decoração de garotinhos com fraldas, asinhas e flechas grudadas no teto. Era um tanto irônico. Se algum dia alguém me dissesse que os cupidos são rapazes extremamente sedutores e atraentes, eu não acreditaria. E existem um montão deles no mundo.

No silêncio daquele quarto, tentei me adaptar à tudo o que estava acontecendo comigo. Cada vez mais a ideia de que aqueles cupidos realmente existiam estava se tornando mais real para mim, tudo estava fazendo sentido. David sempre esteve presente em minha vida, escolhendo a dedo um por um dos garotos que não serviam para mim. E ainda está à procura da minha alma gêmea. Além disso, estou colocando todos eles em perigo, por culpa da minha curiosidade e teimosia.

E cá estou eu, escondida em um lar de cupidos, presa com quatro rapazes e me escondendo de um cupido que quer me ver sem vida. Não faço ideia do que acontecerá daqui para frente.

Notas finais
Como prometido, aqui estão as fotos dos cupidos para vocês ♥ :) u.u Franklin: https://68.media.tumblr.com/eebdcc06de20e40d7abb7c144fbede0c/tumblr_ok428jVVdJ1w411kbo1_540.jpg Bruce: https://68.media.tumblr.com/474053be4efb8d7a3855fdd99a4cd4bb/tumblr_ok4290xwrL1w411kbo1_540.jpg Colin: https://68.media.tumblr.com/caeb89a7d915601bddea28ac39f0f12b/tumblr_ok429t7zqY1w411kbo1_500.jpg David: https://68.media.tumblr.com/34f7bb493566a3d5276dba681da9ab41/tumblr_ok42a9YDGT1w411kbo1_540.gif Me contem o que acharam. Bjs e até logo :*