Meu Querido Cunhado

41 Capítulo 41 - Chá de bebê


Notas iniciais
Vou postar a fic toda hoje. é/

– Não quero entrar aí. – disse baixinho, fazendo menção de dar meia volta. Igor me segurou pelos ombros, me empurrando em direção a porta.

– E vai fazer essa desfeita pra sua prima? Que vergonha, Maria de Lourdes. – Igor disse, imitando a voz de mim mãe. Idêntico.

– Tem crianças aí dentro! – justifiquei meu pesar, apontando para a porta. E o som de musica infantil que saía de lá de dentro. – Tenho medo.

– São crianças.

– Não são só crianças. São mini demônios. – resmunguei, enquanto ele me puxava pelo braço e tocava a campainha. Estávamos indo pra festa de 1 ano do meu primo e chá de bebê da minha tia. Depois de muita insistência por parte da minha mãe, acabamos vindo. Cecília já devia estar aí com Alexandre. É que eu, mais uma vez, me atrasei. E atrasei Igor também, que fora convidado pela minha mãe; ele aceitara totalmente animado. Uma. Droga.

Minha tia, com seu enorme barrigão e vestido amarelo canário abriu a porta. Com um tremendo sorriso. Ela tinha a mão pousava na barriga e seu vestido dava a impressão que ela poderia explodir. Igor parecia à vontade, sorrindo.

– Malu! Entrem, crianças. Entrem. – disse ela, animada. Tentei conter o pânico quando paramos na porta e antes mesmo que eu pisasse no tapete uma criança esbarrou e mim e eu só não caí porque Igor me segurou.

– Começou bem. – Ele sussurrou no meu ouvido. Bufei e virei para minha tia, lançando um meio sorriso.

– Então, Malu... Esse é?

– Igor. Um... Amigo. – sorri sem graça diante do olhar malicioso dela.

– Seja sincera... É seu namorado, Malu?

– Não, tia. – resmunguei. Constrangida. Evitando o olhar de Igor. – É claro que não.

– Certeza? Ele tem jeito de ser seu namorado... – Que maldita! Qual é o problema com tias? É algum tipo de contrato? “Tenho que deixar minha sobrinha envergonhada a cada vez que ela me visitar”. Aposto que era combinado. Senti a vergonha me deixar vermelha e minhas orelhas arderem. Quando fui responder, Igor me interrompeu:

– Porque esconder ainda mais, Malu? Não tenho vergonha de dizer que você é completamente louca e obcecada por mim. E que depois de semanas de insistências, muito choro eu finalmente decidi te dar uma chance. – Ele me abraçou pelo ombro e me deu um grande beijo estalado na bochecha. Depois se virou sorridente para minha tia. – Sim, senhora. Estamos namorando.

– Igor! – O olhei indignada que me sorriu brilhantemente.

– Awn, que lindo. Adoro essas paixões jovens. Me lembra meu casamento. – Ela suspirou, passando a mão pela barriga. Provavelmente tendo pensamentos... Nojentos. ECA. – Fique a vontade.

Quando ela se afastou, comecei a estapear Igor.

– Filho de uma p..

– Opa, amor. Pra que tanto estresse? – Ele se encolhei, rindo.

– Está mesmo querendo me humilhar assim no início da festa?

– É só o começo. – bufei, tentando ignorar a ameaça explícita. Depois de perambularmos pela casa, conversando com parentes, que estavam completamente encantados com meu ‘namorado’, argh. Acabamos afundados no sofá. Fugindo das crianças.

– Ei, o que estão fazendo aí sozinhos? – Minha prima apareceu, segurando seu filho recém-nascido nos braços. O ninando.

– Nada. – Alguém a chamou e ela olhou atrapalhada do bebê para mim e Igor. Cruzei os braços, já adivinhando o que ela ia fazer. Caminhou até Igor e esticou o bebê. – Segura um pouquinho, amor...

– E-eu... – Igor gaguejou, tarde demais. Ele já tinha o bebê nos braços. Ri de sua cara de atrapalhado e de sua boca se abrindo e fechando quando minha prima foi embora. Olhei para a criança em seus braços, olhava de olhos arregalados para Igor.

– Me ajuda, Malu. – Ele disse aterrorizado. Os olhos tão arregalados quanto o da criança.

– Se vira, papai.

– Venham, vai começar a brincadeira. – Brincadeira? Que brincadeira? Ah, aquelas do chá de bebê, percebo. Me levantei, resignada.

– Anda, Igor.

– Mas... Mas...

– É só não derrubar o bebê.

– Oh Meu Deus. Eu vou derrubar o bebê. E se eu derrubar o bebê? ME AJUDA.

– Deixa de ser bobo, vem. – Igor me seguiu atrapalhado e apavorado. O fiz parar na porta enquanto observamos, confusos, aquelas mulheres aos risinhos. A mamãe da festa estava com a barriga a mostra, pintado na barriga um grande sorriso com caneta hidrocor preta. Tinha uma plaquinha escrito filhote. Estranhei. – Filhote?

– É, Malu. Não pode dizer a palavra bebê a partir de agora. É proibido. Só filhote.

– Filhote? Ta chamando a tia Fran de cadela praticamente. Podia o chamar de Pokémon, seria melhor. Sério. Tadinho do bebê. Já sendo xingado antes de nascer e... – reparei que todos me olhavam maliciosos e tia Fran girava a caneta hidrocor preta nas mãos. – Porque ta todo mundo me olhando?

– Se você fala a palavra proibida... Você recebe um castigo. – Ela caminhou até mim.

– Não! Não! – protestei energicamente. – Nem pensar!

– É a brincadeira, Malu. Não seja chata.

– Olha aqui, mulher... Eu to pagando as fraldas do seu filho. Pacote de sei lá quantas fraldas. Então, esqueça. Nãaao. – Tarde demais. Com o riso dos convidados ao fundo, Tia Fran desenhou na minha cara. Cruzei os braços, quando ela terminou o trabalhinho. Indo abrir os presentes.

– Você ta muito lindinha com a cara pintada. Uma obra de arte. – Igor disse, ainda com o bebê no colo. Tomando cuidado pra não rir e balançar o bebê agora adormecido.

– Cala a boca. – Me olhei no espelhinho que minha prima me entregou. Pegando seu bebê. Vi a cara de frustração/alívio de Igor ao se livrar do bebê. Meu rosto tinha um grande coração desenhado na bochecha direita. Florzinhas na esquerda. E pintinhas no nariz. Absolutamente ridícula. – Jesus, estou ridícula.

– Eu gostei. – Ele me sorriu triunfante. Dei um leve soco em seu braço. As brincadeiras continuaram, algumas bobas, outras que nos fizeram rir. Até que chegou uma que eu A-DO-REI. Era só com homens e Igor acabou na rodinha de homens assustados da casa.

– Funciona assim. Vamos colocar papinha de... filhote... nos seus pratinhos. E vocês tem que descobrir os ingredientes. – Minha tia soltou uma risadinha e Igor me lançou uma careta de superioridade.

– Moleza. – Alguns homens resmungaram. Minha tia colocou a papinha de bebê e eles começaram a comer. As caretas foram hilárias. Comecei a rir quando Igor mostrou a língua, ficando levemente verde.

– Que desnaturadas. Vocês dão isso pras suas crianças? – acabei rindo do que eles diziam que devia ter naquelas papinhas. Igor disse massa corrida. O que fez os homens concordarem. No final, praticamente nenhum acertou. Mas fizeram muitas caretas. Quando voltou para meu lado, Igor ainda resmungava.

– Nunca mais me deixe a mercê dessas doidas. Aquilo era nojento! Me lembre de nunca deixar nosso filho comer um treco desses. É tortura infantil.

– Nosso? – rngasguei e vi Igor ficando vermelho.

– D-Desculpa, é que... Eu... Confundi. Eu quis dizer. Não me deixe dar isso pro meu filho. Ele vai ser meio seu, porque você vai ser madrinha dele. Por isso o nosso e... Ér... Eu... Droga. – Ele abaixou a cabeça, confuso e eu dei risada.

– Ah ta que eu vou te aguentar até lá. Esqueça. – murmurei, cruzando os braços. Sentindo uma pontinha estúpida de satisfação. O puxei de volta ao sofá e ficamos os dois, conversando baixinho. Até que um silêncio desconfortável se interpôs entre nós e Igor me olhou atentamente. Percebi que viriam perguntas desconfortáveis a vista.

– Malu...

– Sim?

– Como foi que eu comecei a namorar Cecília? – Opa. O olhei assustada. Porque estava me perguntando isso? Sabia que eles estavam bem mais próximos ultimamente, e Igor aparentava interesse. Embora Cecília estivesse realmente firme com Alexandre. O que deixava o mesmo muito irritado com Igor. – Isso pode me ajudar a lembrar.

– Pergunte a ela.

– Ela disse pra eu perguntar pra você. – Filha da mãe, essa minha irmã.

– Não é da minha conta. Não vou responder.

– Ah, qual é, Malu! O que é que te custa?

– Porque está fazendo essas perguntas? – Comecei a respirar sofregamente, irritada e magoada. Fiz a pergunta que eu saberia que não devia ter feito. – Está gostando dela?

Ele não respondeu. Só continuou me encarando. Me senti quase como que traída. Sentindo a indignação correr entre as minhas veias.

– Quero me lembrar da minha vida. Preciso de ajuda.

– Não te ajudo o suficiente?

– Claro que sim. Claro que ajuda. – Ele colocou a mão sobre a minha e eu a puxei rapidamente. Abraçando meus joelhos. – Só, que... Essa história com Ceci me confunde. Mais do que o resto das coisas.

– Não quero falar sobre isso.

– Mas...

Não vou falar sobre isso. – Me levantei do sofá. Caminhando até o banheiro e fechando a porta com força. Olhei meu reflexo no espelho. Patética. Mil vezes patética. Tudo parecia tão bem... Do jeito que deveria ser. Mas estava tudo dando errado. Igor apaixonado por Ceci e ela o esquecera de vez. E eu aqui, ainda presa a ele. Sendo magoada de novo e de novo. E o pior, a tonta prometera não desistir. Respirei fundo, prometendo a mim mesma não levar isso ainda mais para o lado pessoal. Ele era meu amigo, no final das contas. E eu tinha que me apegar a isso.

Molhei a nuca e os pulsos, me acalmando. Voltei a sala, o encontrei sentado com as mãos na cabeça. Sem notar a minha presença. Mordi o lábio.

– Igor... – Ele me olhou, esperando. – Eu quero ir embora.


Notas finais
Reviews?