Meu Querido Chefe
26 Vinte e seis
Notas iniciais
John rapidamente me empurra para trás de si. Estou com bastante medo, mas quero saber o porquê desta perseguição toda. Já estou cansada dessa palhaçada de rato e gato. Quero estar em paz na minha casa sem ter o que fazer como o Demitri. E talvez encontrar alguém para ficar comigo o resto de minha vida. Mas quem estou querendo enganar, a pessoa que quero que esteja comigo está tentando inutilmente me proteger.
Os homens armados descem do carro e nos rodeiam bloqueando nossa possível escapada. Quase chorei ao ver uma belíssima BMW preta chegar. Que falta faz o meu carrinho. Preciso comprar outro. Bem, preciso sim. Contudo, não vou comprar porra nenhuma. O dinheirinho sairá do bolso do meu querido chefe.
Paro minha linha de raciocínio quando meus olhos negros avistam o Sr. Forbes descer do carro. Esse velho não desiste, mesmo. Ele abre um sorriso diabólico ao nos ver. Forbes se aproxima ficando só um pouco distante de nós. Usava um terno elegante e luvas pretas. Boa coisa esse homem não estava fazendo.
– Ora, ora, ora. – detesto a voz desse cara. Praticamente tudo que seja dele. – John Smith. Há quanto tempo.
– Não tanto quanto gostaria. – John responde.
– Não fale assim, Smith. Walter não iria gostar que você falasse assim com um amigo da família.
– Não ponha o nome do meu pai nessa sua boca suja.
Sinto John tremer de raiva. Aperto com as mãos as costas de seu terno fazendo com que ele se acalmasse. Tínhamos um pouco mais de uma dúzia de armas apontadas para nós. Não podemos morrer aqui. Não assim.
– Mas veja quem deu a graça de sua ilustre companhia. – Forbes se curva um pouco para o lado para ver melhor. – Gregory, você não pegou vinte anos de cadeia. Saiu por bom comportamento ou uma boa fuga?
– Creio que não seja da sua conta, Forbes. – responde Gregory.
– Ao contrario do que você pensa, eu tenho interesse em quem vai para a cadeia em meu lugar, MacLaine. – ele abre mais um de seus sorrisos maléficos.
– O que você quer? – John é curto e direto.
– Quero apenas uma conversa com você, Smith.
– Não seria mais fácil ter mandado um e-mail.
Meu Deus. Demitri não tinha aberto a boca até agora, e quando o faz só sai besteiras. Forbes lhe lança um olhar matador e Demitri apenas se encolhe em seu canto.
– E se eu não for? – John arrisca a pergunta.
Forbes não responde. Apenas faz um sinal com a mão e seus capangas erguem mais as armas e reativam o gatilho. Aperto-me contra John esperando pelo final de nossas vidas.
– Está bem, eu vou. – John aceita. – Mas tem que deixa-los ir.
– Fechado. – concorda. — Podemos?
Ele dá um passo para o a lado abrindo caminho para que John passasse. Seguro ele para impedi-lo de fazer aquela loucura. Sinto as lágrimas caírem e continuo segurando seu terno. John solta minhas mãos carinhosamente e virasse me dando um beijo na testa.
– John, não faça isso. – soluço enquanto as lagrimas caem. – Ele pode te matar.
– Tenho que fazer isso, Claire.
Ele me dá as costas e segue o Sr. Forbes até a BMW. Todos sobem nos carros e vão embora. Fico com a maior cara de tacho que consigo imaginar. Sinto a mão de Demitri segurar o meu pulso me puxando de volta para o carro destruído.
Gregory se senta no banco do motorista. Sento-me no banco de trás sozinha. Não queria papo com ninguém e não estava com a mínima concentração para dirigir. O caminho para casa foi feito em absoluto silencio. Não tinha o que ser dito. Todos estavam preocupados com o que pode ou está acontecendo com o John.
A única coisa que faço quando chego ao aconchego de minha casa é encolher-me em minha cama abraçada ao meu travesseiro. A preocupação transbordava por todo o meu o corpo, contudo não queria derramar lágrimas até ter a certeza do que aconteceu com ele.
Ouço a voz dos rapazes na sala de estar. Eles pareciam conversar sobre a situação em um tom baixo. Acho que com receio de que eu ouvisse. Entretanto, eu sabia que estavam falando sobre o acontecido. Do jeito que esses caras são escandalosos, a conversa deles é praticamente gritando.
Perco a razão de quanto tempo estou ali acordada. Vejo que está amanhecendo por causa dos raios avermelhados do sol dando seu ar da graça. Mas nem com esse tempo transcorrido os meus olhos querem fechar. Viro-me para ficar de costas para a porta e de frente para a janela. Queria ver o amanhecer para me distrair um pouco.
Passos no corredor chama minha atenção, mas não me viro para olhar quem é. Deve ser Demitri querendo saber como estou. Ele entra no quarto e sinto seu peso sobre a cama atrás de mim. O aroma que sinto não é do Demitri e viro-me para certificar-me do que meu cérebro acha que era.
– Oi. – ele dá um sorriso de canto de boca. Não resisto e sento-me apertando-o em meus braços.
– John, eu pensei que aquele velho maldito tinha feito coisas horríveis com você.
Não consegui controlar as lágrimas que descem pelas minhas bochechas. Estava tão aliviada que ele estava aqui. Ele me abraçou de volta. Estávamos quase nos esmagando. Como eu senti falta do seu cheiro, sua pele, de tudo dele. E pensar que não teria mais dele isso dói o meu coração.
– Claire, não precisa chorar. Eu estou aqui. – ele diz tentando me consolar.
– Por que você fez isso? – bati em seu peito. – Odeio ficar preocupada.
– Fiz um acordo com o Forbes.
Ele coloca uma mecha do meu cabelo atrás de minha orelha. Fiquei tão preocupada com ele que simplesmente esqueci que estava coberta de lama seca. Mas isso não me importava contanto que eu soubesse o tinha acontecido a ele.
– Que acordo?
– Ele pararia de nos perseguir com seus capangas idiotas e inocentar Gregory pelo crime que ele cometeu. Em troca, eu não ponho a publico as fotos com a primeira dama.
– Mas e a senhora Forbes? – protesto. – Ela precisa saber John.
– Eu sei. – responde acariciando meus ombros. – Também disse a ele para pedir o divorcio em uma semana.
– É melhor do que nada.
Fixei o meu olhar nos olhos que me encantavam. Ele se aproximou devagar de meus lábios e institivamente desviei. John era tudo para mim, mas já havia tomado minha decisão. Voltaria para Austrália esta semana. Ele resolveu o caso. Não tinha mais o que fazer aqui.
– Vá tomar um banho. – me dá um beijo na bochecha e levanta-se. — Vou fazer café da manhã para todos.
– Ué, os garotos ainda estão aqui?
– Sim, todos dormindo na sala. – ele ri.
Aceno com a cabeça e me dirijo para o banheiro. Tomo um banho bastante demorado. Tinha terra impregnada em lugares em que não dava para tirar. Mas fiz o possível e impossível. Lavei os meus cabelos, amaciando a bufa que precisava de cuidados imediatos. Terminei e me enxuguei, coloquei um short jeans qualquer e uma blusa de flanela verde.
Vou para o quarto e ouço uma grande discussão da sala de estar. Esses garotos não tinham limites. Parecia um bando de criancinhas. Chego à sala e vejo John e Fred discutindo. Ryan tentando acalmá-los e Gregory e Demitri apoiando John, incentivando-o a chutar a cara de Fred. Afinal, o que diabos Fred estava fazendo aqui?
– Por que estão brigando? – mas parece que perguntei para o vento. – Ei, o que está acontecendo aqui?
Eles continuaram a não me dar atenção. Que raios! Aposto que é por um motivo bobo qualquer. A campainha toca e vou atendê-la. Abro a porta e Keenus está parado no batente.
– Que barulheira é essa? – ele pergunta preocupado.
– Aquilo responde sua pergunta.
Afasto-me para ele ver a discussão sem razão dos retardados.
– Posso ajudar?
– À vontade.
Saio do caminho para ele entrar. Ele se junta a Ryan tentando amenizar a situação. Fecho a porta e vou para a cozinha tomar café. Eles querem brigar, que briguem. Minha paciência ainda não foi esgotada. A mesa da sala de jantar está com bastante comida. Bacon, ovos, panquecas, torradas, suco de laranja, sonho. Não acredito que Ryan tenha trazido isto tudo, aposto que eles assaltaram a padaria da esquina.
Quando meu traseiro já ia para uma cadeira, a campainha toca novamente. Vou irritada para a porta, passando pela confusão que de discussão passou para tapas e pontapés. Abro a porta e dou de cara com o imbecil do Kyle.
– O que você está fazendo aqui?
– Eu estou aqui para buscar o John de volta para o trabalho. Aquele escritório está uma bagunça. Ele precisa colocar tudo nos eixo. – ele para inconformado. – Que barulheira é essa?
Mostro-lhe o que estava havendo na sala de estar. E sem nenhuma novidade ele se junta aos brutamontes. Fecho a porta com força. Agora sei por que dona Filomena do andar de baixo me chama de rodada. Com o barulho que está aqui, as pessoas vão achar que estou fazendo uma orgia. Não disse a ninguém que iria fazer uma convenção de machos na minha casa.
– PAREMMMM COMMMM ISSOOO AGOOOOOORAAAA.
Minha respiração acelera pelo esforço do grito. Que porra. Nem na minha casa eu tenho mais sossego. Eles param a confusão e se recomponham. Olho para eles com o olhar de indignação. Sete homens se comportando daquele jeito era desprezível. Respiro fundo antes de voltar a falar.
– Todos para mesa para o café da manhã. AGORA. – enfatizo quando eles abrem a boca para protestar.
Eles todos vão sem reclamar e sentam à mesa de jantar. Sorte que a mesa tem dez lugares. John me puxa para sentar ao seu lado. A possessividade dele me dá nos nervos. O café da manhã foi feito em silencio. Senti-me na própria Guerra Fria. Ninguém deu um pio, o que foi relaxante depois do estresse da baderna na sala de estar.
– Podem ir trabalhar. E tenham um bom dia.
– Mas eu não tenho trabalho. – Gregory avisa.
– Pois arrume um por que não quero ver a sua cara hoje.
– Claire, preciso conversar com você. – Fred intervém.
– Conversamos outro dia.
John lança um sorriso maléfico para Fred.
– E você também está no mesmo patamar, John. – aviso a ele. – Quantas vezes vou ter que dizer para sumirem.
Grito e todos eles correm em disparada. Menos Demitri que fica rindo da situação. Olho para ele e começo a rir também.
– Por que eles estavam brigando?
– Por você. O Fred entrou aqui derrubando quase tudo pelo caminho. John não gostando de nada foi tirar satisfação. E como você sabe que eu odeio aquele mauricinho ridículo, estava torcendo para John quebrar o focinho dele.
– Você não tem jeito, Demitri. – falo rindo.
– E aí, você e John conversaram? – perguntou.
– Sim.
– Então, quando vai ser o casamento?
– Não vai ter casamento. – corto-o.
– Sei que não vai haver casamento agora. Mas em breve, não é? – levantou a sobrancelha.
– Eu vou embora para Austrália, Demitri.
– O quê? – protesta. – Você não pode fazer isso, Claire.
– Já me decidi.
Dou a cartada final tentando admitir para mim mesma.
– Você não pode estar falando a serio. Não depois do beijão que aconteceu entre vocês ontem. – argumentou.
– Você acha?
– Totalmente. — ele se vira e segura as minhas mãos. – Claire, o John te ama. Todo mundo vê isso. A única cega da historia é para quem o sentimento dele importa, e é você Claire.
– Mas ele prefere as louras e altas. – dou uma desculpa.
– Que loura o que.
Ele me puxa levando-me em direção ao quarto.
– O que você vai fazer?
– O que você vai fazer é mostrar o que uma morena gostosa, sexy e deliciosa como você tem a oferecer.
– Do que você está falando?
Ele me empurra para dentro do banheiro.
– Espera, Claire. Estou acabando, só falta a bunda. – Demitri anuncia.
– Quem já viu passar hidratante, — procuro a palavra certa. – nesse lugar.
– Vai que vocês comecem a transar loucamente em cima da mesa do escritório e ele queira apertar no seu traseiro. – argumenta. – Tem que estar macio e perfumado. Talvez ele queira fazer outras coisas com este pedaço de carne.
– Demitri, vou fingir que não ouvi isso. – digo olhando para o meu reflexo nu no espelho.
– Pronto, terminei. – ele me abraça por trás. – Ai, Claire. Se eu não fosse duzentos por cento gay, eu te agarrava de jeito em cima dessa pia.
Não consigo segurar a gargalhada. Demitri me faz usar uma lingerie preta quase fio dental, mas bem sexy. Demoramos um século para escolher a roupa, mas finalmente chegamos a um acordo. Demitri me maquia me deixando bem fatal deixando os olhos bem esfumaçados. Solta meu cabelo deixando-o bem revoltes.
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– Agora sim. – ele diz me olhando orgulhoso. – Vai lá e agarra seu homem.
– Pode deixar.
Saio apressada do apartamento. Nunca fiquei tão ansiosa e tão nervosa como estou agora. Será que ele irá gostar? Essa pergunta é o que me deixa mais desesperada. Demitri me convenceu a tentar um relacionamento com John. Mas será que vale a pena? Ele não pode me descartar tão facilmente, não é? Isso seria loucura. Tentar ficar com um homem que nem sei se gosta de mim.
Pego um táxi já que não tinha carro. Minhas mãos começam a tremer incondicionalmente. Precisava ficar mais calma para ser a leoa predadora que Demitri disse para eu ser. Tinha que chegar lá e fingir que não tinha nada diferente. Quando ele comentasse ou reclamasse tacar-lhe-ia um beijo, como diz Demitri, “de matar”. O resto deixaria por ele mesmo.
Pago o táxi e saio correndo do veiculo sem esperar o troco. Antes de entrar no prédio tento relaxar um pouco. Precisava estar concentrada no que iria fazer. Agarrar John e nunca mais soltar. Entro no prédio andando poderosamente poderosa.
O som dos saltos no mármore chamava atenção, mas não ligo. O único que quero chamar atenção é para quem quero que ele tire as botas. Meu deus! Já estou pensando pecaminosamente. Claro, não sou nenhuma puritana, contudo pensar deste jeito não é comum para mim.
– Claire! – Stephanie chama minha atenção na recepção. – Você está incrível.
– Obrigada. – agradeço. – John chegou?
– Sim. – ela me dá um sorriso malicioso. – Boa sorte.
Aceno com a cabeça como se estivesse entendido o que ela queria dizer. Subo as escadas. Cada andar que subia parecia uma tortura. Tinha que dá certo. Não podia falhar. Seria humilhação demais. Chego ao andar e passo por todos desejando um bom dia, apesar de que já era quase meio dia.
Chego ao corredor da sala do John. Diminuo o passo e respiro fundo antes de abrir a porta.
Juro por Deus que de todas as arruinações da minha vida, eu não esperava por isto. Lá estava ela. A mulher que eu mais odeio acima da primeira dama. Morgana. A loura alta que mais me dá nojo e repugnância. Nos braços de John. Beijando-o.
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