Notas iniciais
Oi, pessoas. Aqui está como prometido. Este capitulo é bem grandinho para compensar o anterior. Só postarei o próximo se tiver uma quantidade generosa de comentários. Não é por nada, agradeço quem já comenta. Mas para uma fic que tem mais de 80 acompanhamentos e só recebo menos de dez comentários por capitulo. Isso me deixa meio triste, gosto de saber da opinião de vocês. Bem vinda Ani, você não precisou esperar tanto para o próximo capitulo, não foi? Vamos ver mais uma aventura do não casal Jaire (adorei a junção dos dois nomes que você, Sophie Gray, fez. Ficou lindo). Boa Leitura.

Acordei cedo, eram apenas 06h30min da manhã. Levantei um pouco disposta hoje, não digo muito disposta por que a sonolência continua. Vou para o banheiro tomar um banho. Ainda sinto o cheiro da cidade de Nova Iorque em minha pele. Demoro um pouco no banho e depois indo para o closet. Não fiquem admiradas, por incrível que pareça eu tenho um closet. Visto uma lingerie preta. Pego uma calça jeans cinza e uma regata branca. Volto para o quarto e pego a bota azul escuro com salto que o John comprou e as calço. Deixo o cabelo solto mesmo, essa cascata negra não tem jeito.

Visto um sobre tudo preto e pego minha bolsa saindo do quarto. Que cheiro gostoso de café. Hoje não é o dia de a Amélia fazer faxina, aquela senhora é a única que tem disposição para fazer café para mim. Vou até a cozinha a passos rápidos. Paro abruptamente vendo um homem cozinhando na cozinha do meu apartamento. Esse cara me é familiar.

Gregory vestia um roupão que fica no banheiro do quarto de hospedes. Vou mandar Amélia lava-lo imediatamente quando o folgado sair daqui. Seu cabelo estava uma bagunça.

– Que invasão é essa?

– Claire, que bom que acordou. – saudou sorridente me entregando uma xicara com café quente.

– Você é um intruso na minha casa e ainda mexe na minha cozinha. – pego a xicara de café e me sento em um dos bancos do balcão da cozinha.

– Por falar em mexer. Você só tem pó de café no armário e a sua geladeira só tem latas de ervilhas. – olho-o indignada enquanto senta ao banco do meu lado. – Como você sobrevive?

– Vai me dizer que vou ter fazer compras por sua causa?

– Vou passar um tempo aqui não posso ficar verde.

– Além de folgado é mandão – resmungo tomando o café da xicara por inteiro.

Gregory ri e toma seu café em silencio. Pego minha bolsa e saio da cozinha para enfrentar mais um dia.

– Tenha um bom dia. – Gregory grita da cozinha.

– Como se eu fosse ter um bom dia com aquele idiota. – grito de volta.

Saio do edifício e pego um taxi já que meu carro continua no estacionamento do shopping. Esqueci-me totalmente ontem a noite de voltar com a BMW para casa. O jeito era o taxi. Vou para a agencia e encontrando Stephanie que rapidamente corre para dar-me um abraço. Estranho rapidamente sua atitude, no entanto retribuo.

– Você sumiu. – diz segurando-me pelos ombros – Esteve em alguma praia do caribe com o John?

– Vou fingir que não ouvir isto e vou trabalhar que é o melhor que eu faço. – digo sendo sínica – Estávamos resolvendo um caso importante.

Conversamos mais um pouco. Ela me disse que conheceu um cara incrível e que iria ter um encontro com ele amanhã à noite. Fico feliz por ela, pelo menos ela tem uma vida fora deste escritório. Já eu, faz um bom tempo que não saio nem com os meus amigos. Demitri vive me cobrando isso. Despeço-me e a desejo um bom dia.

Subo as escadas e vou direto para o escritório de John. Comprimento todos os outros detetives da agencia pelo caminho e me deparo com quem não queria conversar no momento. Bem, com que não queria conversar nunca. Não estava a fim de ouvir cantadas baratas hoje. Não que o Kyle fosse feio, seus olhos castanhos hipnotizariam qualquer mulher. Porém seu jeito me deixa desconfortável e irritada. Levanto a cabeça para ser simpática.

– Bom dia, Kyle. – digo com um sorriso forçado no rosto.

– Bom dia, Claire. Continua bonita como sempre. – retribui com um sorriso amarelo. – Você e o John andaram sumidos.

– Estávamos resolvendo um caso importante, mas já estamos de volta. – dou a mesma desculpa que dei para Stephanie. Abro a porta do escritório tentando terminar aquela conversa chata.

– Onde está o John? – entra no escritório junto comigo. Que droga, o cara já quer grudar. – Deve estar dormindo com uma mulher agora.

– Você quer alguma coisa? – pergunto começando a arrumar a mesa de John.

– Não, só quis dar bom dia mesmo. – finalmente o encosto sai da sala.

A mesa de John não estava bagunçada, nem trabalhamos aqui nos últimos dois dias. Seu telefone continha alguns recados que retornei para marcar reuniões. Passei a limpo todas as papeladas dos casos antigos e os atuais. Descartei todos os novos casos de infidelidade passando-os para Kyle e Jack. Depois deste caso com a primeira dama acredito que John não vai querer estes tipos de caso novamente.

Se bem que se ele gostou desta aventura de descobrir a infidelidade do Sr. Forbes vai achar que todos serão iguais. Poderia ser mais calmos do que os anteriores, contanto que não teríamos que nos disfarçar depois. Só que isso é impossível. As confusões sempre davam um jeito de nos achar e quebrar a nossa cara ou os corpos. Não vou dizer que não gosto, entretanto me estressa ficar com a vida em perigo quase toda vez. Paro meus pensamentos quando o telefone toca.

– Alô?

– Alô, John? – uma voz conhecida por mim fala.

– John não se encontra quer deixar recado?

– Claire, sou eu, Walter, pai do idiota que é seu chefe. – riu da sua referencia para falar do John.

– Sim, Sr. Smith o que deseja?

– Só queria lembrar a minha festa de aniversario no sábado. Você virá, não é?

– Acho que John não irá gostar. – tento fugir.

– A festa é minha e quero minha família, meus amigos e pessoas que querem o bem nela e você é uma dessas pessoas Claire. – sua voz fica autoritária – Quero você e o John aqui no sábado e sem discussão, entendeu?

– Sim, estarei aí. – digo suspirando frustrada.

– Que bom estamos entendidos. Não se esqueça de avisar ao John, esperamos vocês. Tenha um bom dia.

– Está bem. Tchau.

– Tchau. – desliga.

Que maravilha, tinha esquecido completamente deste aniversario que agora terei que comparecer. O pior que não tenho roupa para ir. Nem sei se tenho tempo para fazer compras. E ter que enfrentar a família Smith inteira dizendo o quanto eu e o John combinamos e devíamos ficar juntos não é legal. Todavia prometi que iria e agora não tem como voltar atrás.

Que merda. Já são 11h25min e John ainda não apareceu. O mais tarde que ele chega é as dez ou onze e nunca a mais que isso. Pego a minha bolsa e saio do escritório. Não acredito que ele se atrasou novamente. Pego um taxi e vou direto para o edifício onde John mora. Felix me reconhece de imediato e abre a porta para que eu entre.

Quando chego ao corredor estranho com a porta do apartamento de John aberta. Ando até a porta muito lentamente, vai que John tenha sido sequestrado de novo. Não quero sofrer isso novamente, já basta uma vez, se for duas já é perseguição.

Abro a porta lentamente e fico de queixo caído. O apartamento além de estar revirado estava tudo quebrado. Penas de almofadas voavam para tudo que é lado. Os moveis quebrados e os sofás rasgados. A Tv que só se encontrava os cacos no chão. Os objetos quebrados. Não se encontrava nada inteiro no recinto. Meu coração dá uma acelerada. Se fizeram aquilo com o apartamento o que fizeram com o John.

– John? – chamo esperando alguma resposta.

Ando para o corredor e vejo que tem coisas jogadas na porta do quarto de John. Fico receosa de como irei encontra-lo no quarto. Largo a bolsa no chão e vou com as pernas tremendo para dentro do quarto. Encontro John deitado na cama vestindo um terno preto. Deveria estar pronto para sair para trabalhar. Ele não podia estar morto. Não, não, não. Não pode ser. Acalme-se Claire. John é traiçoeiro, sempre arruma um jeito de ficar vivo, de se livrar das enrascadas.

– John? – não obtenho resposta novamente.

Chego perto o suficiente para ver seu corpo inteiro. Não tem nenhum sague, nenhum machucado. Já é um pouco de alivio. Porém podia ter sido enforcado ou asfixiado. Subo na cama e coloco a mão em seu pescoço para sentir a veia. Suspiro aliviada por saber que ainda está vivo. Chego perto de seu rosto para analisa-lo.

– Eu ainda estou vivo. – resmunga me dando um susto.

– Caramba, John. – dou uma tapa em seu peito – Por que não me respondeu?

– Gosto de saber que alguém se preocupa comigo. – diz com um sorriso no rosto. Poxa, como ele consegue sorrir vendo o seu apartamento naquele estado?

– Você está bem? – cruzo as pernas para ficar mais confortável.

– Bem eu estou, mas não posso dizer o mesmo do apartamento. – ele se senta e passa os olhos pelo quarto.

– O que aconteceu aqui? – olho para ele.

– Eu acordei faz alguns minutos. Fui acertado na cabeça e não me lembro de mais nada. Fim. – explicou de um modo irônico.

– Você tem alguma ideia de quem fez isso?

– Alguém que sabe do caso do Sr. Forbes com a primeira dama. Ou até mesmo um dos dois.

– Estamos correndo perigo? – pergunto já sabendo a resposta.

– Creio que sim.

– Quer dizer que roubaram a câmera fotográfica?

– Não. – diz se levantando da cama – Deixei-a em um lugar bem escondido.

– Posso saber? – curiosidade é o mal do ser humano.

– Não. – ele vem e se senta de frente para mim – Vai querer se demitir agora?

Sinto o medo em suas palavras. Não vou mentir que as palavras me comoveram porem não vou expressar isso de jeito nenhum. Sorrio da forma como ele parece desesperado. A coisa deve estar feia para ele estar me perguntando isso. Contudo, nunca o vi resolver casos sem altos perigos.

– John, já passamos por coisas piores. – digo tentando tranquiliza-lo – Você lembra quando perseguimos aquele homem horrível e acabamos sendo pendurados no helicóptero?

– Lembro – sorrir.

– O helicóptero voou quilômetros de altura e nós lá, pendurados. O cara te jogou lá de cima e eu nem sei como consegui pegar um para quedas e me joguei para te resgatar. – ele assente com a cabeça – Isso parece pior que aquilo?

– Me senti naquele filme Morte nas Alturas.

– Esse filme não existe. – digo cortando o seu barato.

– Mas se existisse seria dedicado a mim.

– Mas você nem morreu. – corto-o novamente.

– Iriamos morrer de um jeito nada legal quando atingíssemos o chão.

– Bote feio nisso. – sorrio. Ouço o barulho do que parece ser um trovão bem pequeno vir da barriga de John – Almoço?

– Aceito.

Saímos do quarto revirado. Pego minha bolsa no chão do corredor e saímos do apartamento sem pensar duas vezes. Também estava com fome. Não comi nada ontem e nem hoje, nem sei como estou de pé. Pegamos um taxi e fomos para o shopping pegar a minha BMW. John não queria almoçar no shopping, contudo disse a ele que só pegaríamos o meu carro e almoçaríamos em um restaurante de sua preferencia.

– Que saudades. – digo me jogando no capô da BMW a abraçando.

– Se rolar beijo eu vomito. – John resmunga atrás de mim.

Só para irrita-lo beijo o vidro do carro. Ele solta um suspiro de indignação. Desço do capô e vou para o lado do motorista. John escolhe um restaurante de comida chinesa. Disse que quer uma coisa esquisita para almoçar e nada mais do que comida chinesa. Nisso eu tenho que concordar com ele. Almoçamos em paz, por incrível que pareça.

– Vai levar a publico o caso? – pergunto colocando um pouco da comida esquisita na boca.

– Vou ter que leva-lo e urgentemente.

De repente lembro-me de Gregory. Ele tinha que investigar o caso de Gregory primeiro para depois levar o resto a publico. Tenho que tentar faze-lo agora.

– Por que você não investiga mais a fundo e descobre mais coisas.

– Claire, eu só fui pago para descobrir a infidelidade e mais nada. – resume desconfiado.

– E se ele tiver colocado a culpa de um crime que cometeu em algum inocente?

– O que você está aprontando, Claire? – pergunta largando os pauzinhos na mesa.

– Nada. – minto colocando mais comida na boca.

– Então por que entrou neste assunto? – ele não podia dar a conversa como encerrada.

– Eu só acho que tem mais coisa por trás desta historia.

– Mas você falou sobre colocar a culpa em um inocente. – parece que ele quer tirar tudo de mim.

– Eu só acho que se eu fosse uma criminosa, cometeria o crime e colocaria a culpa em uma pessoa qualquer para tirar as suspeitas sobre a minha pessoa. – revelo.

John para por momento. Parece pensar sobre o assunto. Espero que ele esteja lembrando-se do Gregory. Acho que o Gregory é inocente, que o desgraçado do Sr. Forbes fez sua falcatrua e colocou a culpa para Gregory. Porém se Gregory estiver mentindo e eu estiver perdendo o meu tempo conversando sobre este assunto com John, corto o pinto dele fora antes que ele saiba para que sirva.

– Você está certa. – John pronuncia de repente.

– Eu o que?

– Vou investigar mais a fundo isso, mas antes tenho que colocar as fotos na mídia.

– Que bom. Tenho certeza que ele é inocente. – comemoro.

– Quem é inocente? – franze a testa.

– Ninguém. – minto olhando para o outro lado do restaurante.

– Claire, você está mentindo. – agora sei por que o miserável é detetive. – Sabe que odeio quando você mente para mim.

– Eu não tô mentindo. – me defendo quase gritando.

– Você foi encontrar o Gregory, não foi? – ele olha diretamente nos meus olhos. Olhos verdes encarando os olhos negros.

Puta merda. Agora ele me pegou. Paro de comer para pensar numa resposta convincente. Sua expressão não parece nada legal. Uma mistura de raiva com indignação. Suspiro para falar e agora de uma forma convincente.

– Sua mãe me mostrou uma foto de vocês na adolescência e reconheci o Gregory. – caramba, acho que agora deveria ganhar o Oscar – Não tem como não reconhecer aqueles olhos de âmbar.

– Claire, não me diz que você ficou caidinha por ele. – pergunta com mais raiva e a voz alterada – Ele é um bandido.

– Eu não acho.

– Me promete que não vai atrás dele. – pede desesperado.

– Só se você prometer que vai procurar provas para inocenta-lo.

John me analisa por um instante tentando procurar alguma brecha no que eu disse. Olhei-o bastante seria para mostrar que o que eu disse era verdade.

– Está bem. Não quero vê-lo na minha frente se não acabo a investigação na hora. E lembre-se que você não pode vê-lo.

– Tá bem. Vou ficar quieta.

Ele me olha desconfiado, entretanto volta a comer. Balanço as pernas nervosa. Caramba, tava sendo mais difícil do que imaginava. Quando sairmos daqui vou voltar a este assunto com mais calma. John paga a conta e saímos do restaurante. Voltamos para o seu apartamento. Tiro o sobre tudo e sento-me no sofá rasgado que agora estava bastante desconfortável. Sinto um cheiro desconfortável, entretanto não o reconheço de imediato.

John anda de um lado para o outro. Parecia que estava tentando chegar ao andar de baixo de um jeito mais difícil. Os caras que fizeram isto com o seu apartamento não podem ser gente boa. Ele deve estar pensando como sair desta situação vivo. Além de tudo isso John não acredita na inocência de Gregory. Como não pode acreditar se foram grandes amigos na infância e adolescência. E aposto que fizeram faculdade no mesmo lugar. É um idiota mesmo.

Jogo a cabeça para trás cansada, sinto um cheiro nada agradável. O pior é que está tão forte que comecei a sentir agora. John para de andar e me olha assustado.

– John, isso é gás? – o medo toma conta das batidas do meu coração que ficam mais aceleradas.

– Corre Claire. – grita me puxando pelo braço correndo para fora do apartamento.

Só deu tempo de pegar a minha bolsa. Entramos no corredor e pegamos as escadas. Foi o suficiente para descermos apenas um lance de escada e a explosão acontecerem. Fomos arremessados para a parede com o impacto. As chamas tomaram conta de todo o andar. John rapidamente ficou lucido e me ajudou a levantar para voltarmos a descer os degraus. Os outros moradores do edifício saiam de seus apartamentos para saber o que aconteceu.

– Vamos no meu carro. – John diz quando chegamos à garagem.

– Não é melhor ir no meu?

– Não.

Ele vai em direção onde fica estacionado os seus carros. O sigo para não ter problema. Os carros estavam lá, intactos. Só que por pouco tempo. Estávamos a dois metros dos carros quando explodiram por completo. Nossos corpos foram arremessados novamente. Mas isso já sacanagem. O impacto com o chão foi forte e doeu pra cacete. Levantei-me com dificuldade ficando sentada. John fez o mesmo e ficamos admirando as chamas.

– John, eu acho que querem te matar.

– Você ainda acha? – olha para mim com se não já fosse obvio.

– É uma boa hora para dizer que é melhor ir no meu carro? – pergunto com uma carinha de inocente.

– Foi por isso que eu disse que era melhor ir no seu carro. – impressionante o seu poder de querer estar certo.

John se levanta e me a ajuda a ficar de pé. Entramos no meu carro e dou partida. Foi bastante difícil sair da garagem já que multidão da rua se amontoou para ver o resto da explosão. Buzino varias vezes pedindo passagem. Ninguém saia da frente e eu buzinando feito uma louca. Essas lesmas estão erradas e ainda ficam xingando a pessoa. Quando eu sair atropelando todo mundo aí sim vão ter motivos para me xingar.

Finalmente conseguimos sair dali e entrar em uma rua mais calma. Dirijo para o mais longe possível daquele lugar. Só de pensar que quase viraríamos churrasco me da calafrios. O John ainda deu preferencia aos imbecis dos seus carros.

– John, precisamos levar as fotos a publico, imediatamente.

– Só amanhã. – o quê?

– Por quê?

– Por que estamos sendo seguidos por três carros pretos. – diz tirando uma arma de dentro do paletó.

– Wow – grito desviando o olhar da arma para prestar atenção na estrada – Desde quando você anda com isso?

– Desde quando fui sequestrado e fui parar em Nova Iorque. – John recarrega a arma e vai para o banco traseiro – Continua dirigindo eu vou despista-los.

Afirmo com a cabeça incapaz de falar. Agora iriamos morrer de um acidente de carro ou baleados. Eu queria visitar meus pais mais uma vez. Faz dois anos que não os vejo. Oh meu Deus, não nasci para morrer em um acidente de carro. Continuo dirigindo e desviando dos outros carros. Acelero para ver se deixo os carros comendo poeira. Abaixo a cabeça quando ouço o barulho de tiros. Fico pasma quando olho pelo espelho retrovisor e vejo que John quebrou o vidro traseiro da BMW e o jogou longe.

– QUE MERDA VOCE FEZ? – grito.

– ESSE VIDRO TAVA ATRAPALHANDO.

– E O MELHOR JEITO É QUEBRA-LO? – viro a cabeça para olha-lo.

– CLAIRE, O CAMINHÃO.

Viro a cabeça de volta desviando o carro rapidamente antes que fizesse um estrago. Vejo que tem um carro preto me seguindo do lado com a mesma velocidade. Entro em desespero quando o vidro abaixa e um homem de terno aponta uma arma para mim.

– Ahhhhhhhhhhhhh — Freio rapidamente o carro fazendo-o parar sobre fumaça e poeira quando ainda ouço o tiro passar de raspão pelo carro. Ao frear, John é jogado para trás e bate as costas no porta luva ao meu lado.

– Por que você fez isso? – perguntou sem entender.

– O cara estava com uma arma apontada pra mim. – John assente com a cabeça e abre os olhos com espanto para trás do carro.

– PISA, PISA, PISA... – grita varias vezes.

Sem pensar duas vezes ligo o carro novamente. Quando o carro começa a andar sinto uma batida na parte traseira. Por um momento perco o controle do carro, contudo consigo recupera-lo. Sinto o mesmo carro me seguindo do lado. Numa rapidez desconhecida por mim, pego a arma que o cara aponta para mim e a jogo longe.

– FOI VOCE QUE JOGOU AQUELA ARMA? – John grita ainda atirando contra os carros.

– FOI.

– POR QUE VOCE NÃO ME DEU?

– DÁ PROXIMA VEZ EU LEMBRO – digo ironizando.

O cara do carro não satisfeito coloca metade do corpo pra fora e tenta aperta meu pescoço. Tento soca-lo com o cotovelo, no entanto ele desvia com facilidade. Sinto suas mãos em meu pescoço e a dificuldade de respirar tava ficando difícil. John abaixa o vidro traseiro e dá um soco no rosto do homem fazendo-o soltar meu pescoço.

– Você está bem? – John pergunta massageando meu pescoço.

Afirmo com a cabeça e abaixamo-nos quando ouvimos mais tiros contra o carro. John volta para o banco traseiro. Ouço-o resmungar porque a munição havia acabado. Agora estávamos mortos. Mortíssimos da silva. Vejo um cara entrar com metade do corpo no lado do passageiro. O homem no processo deixa a metralhadora cair no carro. John rapidamente pega a metralhadora e atira na cabeça do homem espalhando sangue para tudo que é lado. Ele joga o corpo do homem que fica pendurado no outro carro.

– John, o que você fez?

– Éramos nós ou ele. Quem você prefere? – fico calada depois daquilo.

John volta para o banco traseiro e começa a atirar com a metralhadora. Jogo o carro com tudo para o carro preto do lado com a esperança de fazê-lo perder o controle. Todavia a única coisa que fiz foi alguns arranhões.

– PUTA MERDA! – John abre a porta traseira que é arrancada e joga alguma coisa para o lado de fora que explode em questão de segundos. – Estão jogando granadas agora.

– AI MEU DEUS.

– Claire, depois de vem a nós o vosso reino o que é que vem? – John pergunta abaixado perto de mim.

– Que foi, começou a rezar a agora?

– Nunca é tarde.

Ele volta a tirar e jogar para fora do carro às granadas que atiravam dentro do carro. Um dos homens entra no carro pelo lado que a porta traseira foi arrancada. John rapidamente abre a outra porta que também é arrancada e joga o homem na pista. Com a chance, um homem dentro do carro puxa John para dentro do carro preto pela cabeça. Puxo as pernas de John com uma das mãos enquanto a outra dirigia.

– ME PUXA DE VOLTA. ME PUXA DE VOLTA.

– VOCE ACHA QUE ESTOU FAZENDO O QUÊ? – tento puxa-lo com mais força.

Vejo John dar uns socos nos homens dentro do carro e quando ficaram desorientados o suficiente para solta-lo ele volta para dentro da BMW. Ele segura duas armas que conseguiu pegar dos assassinos. John volta a atirar nos carros.

– JOHN ATIRA NOS PNEUS!

John faz o que digo com um dos três carros. O carro perde o controle ficando em círculos e para no meio do caminho com apenas dois carros nos seguindo. Sinto a BMW dar uma tremedeira e ouço um estouro.

– CLAIRE, EU ACHO QUE ELES PENSARAM NA MESMA COISA.

– VOCE AINDA ACHA?

Tento dirigir com o carro mesmo ele estando com o pneu furado. Sinto um cheiro de gasolina e vejo que o carro está perdendo gasolina gradativamente.

– Eu sei. Estamos perdendo gasolina.

– Então qual a solução?

– Dobra pra esquerda. – John aponta e eu faço o que ele pede.

Fico desesperada quando vejo que dobramos em uma rua fechada.

– John, o que você está pensando em fazer?

– Quando eu disser agora você tem que pular do carro. – sorriu do seu comentário enquanto John se abaixava para desviar das balas – Do que você está rindo?

– Pensei que você tinha dito para agente pular do carro em movimento.

– Mas eu disse isso.

Olho para ele desesperada. Isso era pior que cair em uma caçamba de lixo. John vem para mais perto de mim. Enlaça seu braço em minha cintura e com a outra abre a porta do carro. Nem tive tempo para piscar quando sinto nossos corpos sendo jogados para o chão. Nós rolamos pelo chão, John continuava com os braços ao meu redor me segurando junto a si.

Ouço o barulho de mais uma explosão e vejo uma fumaça nada bonita subir para os céus. Faço uma cara de choro por que sei que o que explodiu foi o meu carro. O meu belíssimo carro. Agora vou ter que andar só de taxi por um bom tempo. John olhou para mim como se procurasse algum machucado. Ele não havia me soltado que estava deitada embaixo do seu corpo.

– Você está bem? – pergunta com preocupação.

– Nós estamos falando essa frase demais. – resmungo.

– Isso é verdade. – diz. Ele olha para mim profundamente e um medo toma conta de seus olhos – Vai se demitir agora?

Fecho a cara para ele. Caramba, parece que nunca ficamos em perigo na vida. Se tivesse que me demitir teria me demitido no primeiro dia que trabalhei para ele.

– Se você me perguntar isso mais uma vez você vai morrer. E não são os caras que nos perseguiram que vai te matar sou eu mesmo.

John dá um sorriso torto.

– Conseguimos despista-los. Eles devem achar que explodimos com o carro e foram embora.

– Graças a Deus! – falo aliviada.

– Ei, vocês estão bem? – ouço um homem de uma multidão que se formou ao lado dos destroços perguntarem.

– Sim, estamos.

John olha para mim uma ultima vez e se levanta devagar. Segura minha mão me ajudando a ficar de pé. A multidão olha para nós esperando alguma coisa. Todos olhavam para nós e eu abaixei a cabeça. Fomos quase mortos e agora eu estou com vergonha. Que lindo.

– Vocês estavam no carro? – perguntou uma senhora se aproximando.

– Não. Só estávamos passando por essa rua quando o carro bateu e explodiu. – mentiu.

– Que bom que ficaram bem. – ela diz.

John assente com a cabeça. Pega minha mão e saímos daquela rua. Ele ia à frente segurando a minha mão me guiando para algum lugar. Fomos o caminho em silencio. John não dizia nada apenas me guiava o que me incomodava. Entramos e saímos de rua quando comecei a reconhecer para onde íamos.

– Por que estamos indo para a minha casa?

– Por que como você sabe a minha foi explodida.

Sofri vários atentados de morte hoje e tudo que preciso é de um banho. Perdi minha bolsa, meu casaco, meu carro. Só falta perder minha dignidade que não sei como ainda estou com ela. E que continue assim. Sorte de que não ando com documentos na bolsa, por que fazê-los novamente seria um saco.

Andamos mais um pouco até que chegamos ao edifício onde moro. Toco a campainha para o porteiro que me deixa entrar sem pensar duas vezes. Subimos para o nono andar e seguimos para o meu apartamento. Abro a porta sem me importar com nada até que John pergunta:

– Você deixou a televisão ligada?

Olho para ele sem entender nada. Entro primeiro e vejo Gregory se jogar para trás do sofá. Caramba, eu tinha esquecido completamente do intruso na minha casa. Daqui a pouco esse apartamento vai virar uma pensão. Por que um refugio já é.

Notas finais
Espero comentários. Seria demais pedir favoritamentos ou recomendações?