Notas iniciais
Oi pessoas. Estou aqui por que minha internet está uma frescura só, então não saberei se conseguirei entrar amanhã. Fiquem felizes. Bem, quero agradecer as lindas e belíssimas recomendações das queridíssimas Maíza e Sophie. Maravilhosa, quase rachei de tanto chorar. Obrigada mesmo, garotas. Espero que o nosso querido casal continue agradando vocês. Este capitulo não terá confusões, mas vocês conhecerão um pouco a familia Smith. Terá uma ceninha de romance do casal, mas nada demais. Apenas para aumentar o clima. O proximo será bombastico, prometo. Boa Leitura.

– Claire acorda. — Ele puxa o meu lençol enquanto permaneço no mundo dos sonhos. – Claire levanta. Vamos perder o voo.

– Não, vamos não. – resmungo com o rosto contra o travesseiro. – O nosso voo só é à tarde.

– Eu remarquei. Quando chegarmos a Nova Iorque ainda teremos que comprar as roupas. – ele tira o lençol por completo do meu corpo.

Viro a cabeça e abro os olhos. John está no pé da cama com os braços cruzados. Ele parece aliviado e não carrancudo como estava ontem. Não tinha o sentimento de raiva nos seus olhos. Abro um sorriso amplo, ele está vestido com uma das roupas de Demitri que estavam guardadas no closet. Uma calça jeans surrada e uma camisa polo preta.

– Por que o sorriso?

– Você acordou primeiro que eu.

– É, sei disso. – diz sorrindo torto. Ele se encaminha para a porta. – Você tem uma hora para tomar banho e arrumar a mala.

Ele sai do quarto me deixando a vontade. Levanto-me preguiçosamente e vou até o closet. Pego uma mala pequena. Passaríamos apenas um dia, não precisava de tanta coisa. Ponho roupas simples e depois vou tomar um banho. Seco o cabelo rapidamente enrolando-me na toalha. Visto um vestido tubinho azul escuro e botas de cano curtas pretas sem salto. Coloco meus pertences pessoais na mala e fecho o zíper.

Saio puxando a mala a deixando na sala de estar. Vou para a cozinha e encontro o inexplicável. John e Gregory conversando normalmente. Normalmente não, por que John permanecia com a sua carranca de sempre. Contudo eles estavam dialogando sobre o caso de Gregory, já meio caminho andado. Aproximo-me silenciosamente para ouvir o que conversavam.

– Onde você estava no dia do assassinato?

– Estava em casa. – Gregory responde. – Aposto que foi aquele canalha do Forbes.

– Não sei. Estou com medo pela Claire, não quero que ela se envolva nisso. – John parece desnorteado.

– Tarde demais. Aquela mulher é decidida, soube disso quando ela te salvou de mim e ainda teve coragem de voltar naquele lugar sem saber do perigo.

– Ela é teimosa, isso sim. – John cospe.

– Mas você gosta.

– O que você disse?

– Nada. Continue. – Gregory muda de tentativa.

– Tem mais alguém por trás disso tudo e vou descobrir quem é.

– Pode ser algum inimigo antigo seu em busca de vingança ou até mesmo a própria primeira dama.

– Tenho essas hipóteses em minha mente e comprovei ontem que foi a primeira dama. – John volta a ser o Sherlock Holmes de sempre. – Ontem quando estava no shopping com o Kyle foi para ampliar umas fotos e passar os vídeos, e o que descobrir não revela muito, mas o suficiente.

– E o que foi?

– Os mesmos carros que perseguiram a mim e a Claire são os mesmos que protegem o prefeito e sua câmara. Mas não entendo onde o prefeito se encaixa nisso.

Congelo onde estou. Então foi isso que o John foi resolver quando sumiu ontem dizendo que resolveria coisas do seu apartamento. Bem, ele resolveu. As reformas irão começar na terça-feira. Todavia, ele resolveu coisas a mais do que isto. Fico feliz por isso, entretanto um pouco magoada. Por que ele não me levou junto com ele? Talvez precisasse resolver isto sozinho, digo a mim mesma. Mas ele levou o Kyle. Kyle.

Não acho que o prefeito tenha alguma coisa envolvida com tudo isto. Para mim, o dedo podre daquela mulherzinha está no meio. No começo, no meio e no fim. Agora que sei daquelas informações que o senhor Sherlock não quis compartilhar comigo e agora eu sei, não me manterá longe desta investigação.

– Que bom, estão interagindo. – bato palmas me fazendo de idiota para não desconfiarem que ouvi a conversa. – Quando foi que amenizaram a tensão?

– Tivemos uma conversinha hoje de manhã. Café? – Gregory me oferece uma xicara com café fumegante.

– Fico feliz por isso. – digo me referindo a paz entre eles.

– Por incrível que pareça, achei ingredientes nesta cozinha e fiz panquecas, omelete e bacon. – diz Gregory me dando um prato cheio.

Sento-me na bancada ao lado de John apreciando o que é um café da manhã decente. Os rapazes me acompanham na refeição. Terminamos e fui ajudar Gregory com a louça, porém John me puxa pelo braço.

– Pronta?

– Sim.

– Vamos ou iremos nos atrasar. Tchau Gregory. – John se despede saindo da cozinha.

– Gregory! – ele para com a louça olhando para mim. – Nada de festas na minha casa e nem de vagabas, vagabundas e vacas. Entendido? – ele sorri com a minha repreensão acenando com a cabeça. – Acho bom. Voltaremos amanhã à noite. Tchauzinho.

Dou um abraço rápido nele indo para a sala de estar. John está com a minha mala na mão e uma mochila nas costas.

– Para que uma mala desse tamanho? Só passaremos um dia lá. – reclama.

– Essa é a menor mala que eu tenho.

– Não quero nem imaginar qual é a maior.

Ele vai para o elevador enquanto eu sigo pelas escadas. Chego à garagem encontrando Demitri com uma cara chorosa. Corro até ele para saber o que está acontecendo. Tudo de pior passou pela minha cabeça. Não deve ser grave por que Ryan ria de sua cara ao seu lado.

– O que aconteceu, Demitri?

– Você vai embora. – ele me abraça apertado.

– Será apenas um dia Demitri.

– Eu sei, mas sentirei sua falta. – diz se recompondo. – Viemos dar uma carona a vocês já que os dois estão sem carro.

– Não será naquela sua lata velha que parece que vai explodir a cada cinco segundos, é? – John pergunta com medo.

– Vai ser no meu, John. – Ryan suaviza.

– Deus existe. – riu quando John eleva as mãos para cima. Depois Demitri o fuzila com os olhos. Se Demitri tivesse visão raio laser a cabeça de John já estaria torrada.

– Essa roupa. – Demitri passa os olhos em John dos pés a cabeça.

John apenas aponta o dedo para mim como se eu fosse à culpada que tivesse feito algo errado.

– Que foi? Não podia deixa-lo andando pelado por aí. – defendo-me.

Seguimos para o aeroporto no carro de Ryan. Despedimo-nos dos dois e seguimos viagem. Pegamos as passagens no balcão, passamos pelo detector de metais e agora estamos sentados em nossas poltronas. Fiquei com a cadeira da janela e John ao meu lado. Já estávamos no ar

– Quer algo senhor? – uma aeromoça com os cabelos castanhos amarrados em um coque baixo.

– Não obrigada. – John responde.

A mulher simplesmente vai embora sem nem me perguntar o que quero. Ela não queria me oferecer nada ou não sabe trabalhar? Estou com uma leve impressão que é a primeira opção.

– Ela nem me perguntou o que eu queria.

– Se você quer alguma coisa por que não pediu? – John reclama.

– Eu pediria se ela tivesse ficado para me ouvir. – revido. – E eu sei por que ela não me atendeu por que tem o idiota sedutor do meu lado.

– Não tenho nada a ver com isso.

– Ah fala serio. Ela olha para você a cada cinco segundos.

– Mentira.

– Presta atenção. – viro sua cabeça para ver a aeromoça que dá uma olhadela para ele e depois desvia. – Um, dois, três, quatro, cinco. – a aeromoça olha para ele novamente depois desvia os olhos. – Não disse.

Jogo-me na cadeira virando a cabeça para a janela. Vejo as nuvens do lado de fora. Aqui dentro parece tão calmo apesar de estarmos a milhões de metros do chão. Terei que enfrentar toda a família de John desta vez, inclusive os irmãos. Adoro seus irmãos, são engraçados, carinhosos e espontâneos. É uma família unida e compreensível. O que faz lembrar-me da minha. Sinto uma falta enorme dos meus pais, malucos ou não, eu os amos. Acho que depois que resolvermos este caso, pedirei férias e irei para a Austrália visita-los.

Viro-me para John para perguntar sobre as minhas férias. Ele dorme serenamente. Se ele não fosse bastante rico diria que era preguiçoso, mas apenas deveria ser o cansaço desta semana. Semana nada agradável para minha mente e meu corpo principalmente. Tiro seu cabelo de seus olhos e o observo dormindo. Fico o observando e riu quando mexo em sua olha e ele coça-a fazendo careta.

A aeromoça me lança um olhar raivoso e eu mostro o dedo do meio para ela. Ela não é tão assustadora quanto os bandidos que eu e John enfrentamos durante anos. Eu perto dessa mulher sou a mulher maravilha em forma de secretaria.

Passo o voo todo olhando pela janela e revezando John dormindo. Chegamos à frente da casa dos Smiths um pouco depois das duas da tarde. John paga ao motorista do taxi enquanto espero por ele no final da escadaria.

– Chegamos. – diz.

– Percebi.

Subimos a escadaria e quando pensei em tocar a campainha John já foi esburacando o lugar. Pessoa sem modos está aí. Entro atrás dele um pouco me escondendo com a vergonha da invasão.

– Ei bando de cambadas. Chegamos.

Ouço um grito agudo e um corpo feminino correr abraçando John pelo pescoço. Seu cabelo preto cobre seu rosto, contudo sei que é Brenda, sua irmã mais nova. Ela era apenas um ano mais velha que eu. Beth sempre disse que John e os gêmeos aprontavam tanto que ela demorou oito anos para ter paciência quando chegasse outro.

– Claire. Há quanto tempo. – ela solta John e vem me abraçar, seus olhos azuis expressavam a alegria em nos ver.

– Pensei que seria mais um ano sem vir aqui, John. – Paul aparece acompanhado pelo seu irmão gêmeo, Alan.

– Apareceu a margarida. – Alan brinca.

Todos os traços são idênticos, o rosto, o cabelo castanho. Menos os olhos, Alan tem os olhos azuis elétricos de Beth e Paul os olhos verdes do pai. Alan segurava uma menininha de dois anos nos braços com um lindo vestido rosa.

– Tio John.

Um menininho vem correndo abraçando as pernas de John. Ele parecia fugir de alguém. John o pega no braço e o garoto o abraça no pescoço. John sorri para o menino. Sempre adorou crianças e sempre foi bom com elas.

– Scott venha tomar banho agora.

Ela para quando nos vir e dá um largo sorriso.

– John não te esperava aqui hoje. Oi Claire.

– Oi, Mia. – retribuo. – Como estão as coisas?

– Um desafio tentar fazer esse menino tomar banho. – diz olhando seriamente para o garoto que esconde o rosto no pescoço de John.

– Ei, garotão. – repreende Alan. – Ouviu sua mãe, já para o banho.

– Papai. – suplicou Scott. – Eu já tomei banho ontem.

– Tem que tomar banho todos os dias, Scott. – Alan explica.

– Vai lá, Scott. – John o coloca no chão. – Não vou embora. Te esperarei na sala.

– Tá bem.

Ele vai embora pelo corredor batendo o pé no chão. Sorrio com aquela cena de malcriação do garoto. Mia vai atrás dele para ajuda-lo no banho. Paul fecha a porta da entrada e seguimos para a sala de estar. Beth e Walter conversavam com Anne, que segurava seu filho recém-nascido nos braços. Ela sorrir para mim e eu retribuo. Paul senta-se ao seu lado e coloca um braço em seus ombros e outro acaricia o filho.

– Que bom que chegaram. – Beth levanta-se para nos abraçar. – Claire, eu e as garotas vamos às compras e você irá nos acompanhar. Precisamos estar lindas neste aniversario.

– Olha os biscoitos. – o marido de Brenda, Peter, entra na sala trazendo uma bandeja com biscoitos.

– Oi, John. Claire. – cumprimenta oferecendo os biscoitos. – Pensei que não viria este ano.

– Todos pensaram isto. – Alan exclama fazendo careta para a filha que dava gaitadas.

– Sentem-se. – Walter diz.

John e eu sentamo-nos em um dos sofás. Brenda e Peter sentaram em outro. Fico um pouco nervosa. Não faço parte da família Smith e me sinto como se estivesse atrapalhando o reencontro deles. Começo a tentar tirar este pensamento da minha mente. Ao menos só durante este final de semana.

– E aí, John como estão as coisas? – Paul pergunta. – Tem muita gente tentando te matar?

– Seria um favor para a humanidade. – Alan brinca.

– Agora sei quem está me perseguindo. – John revida também brincando.

A sala de estar cai na gargalhada. Fico sorrindo a cada brincadeira dos irmãos. Isso sempre é normal entre eles. Uma forma de não perder o bom humor, e por mais que se engarfam, sempre mantem o companheirismo.

Scott entra correndo na sala se sentando no colo de John. Mia entra e vai se sentar ao lado do marido. Eles conversam a vontade. Falando sobre a vida, trabalho, lazer, etecetera.

– Pessoas que eu amo. – Brenda fica de pé com o marido a seguindo. – Você também está entre elas Claire. – Sorrio em agradecimento. – Eu não ia dar a noticia hoje, mas tenho que aproveitar que a família está toda reunida. – ela dá um olhar sugestivo para John que apenas acena com a cabeça. – Bem, eu estou gravida. Vamos ter mais um membro na família.

A sala se explode em felicidade. Todos correm para abraçar o casal e desejar felicidades. Beth se derrama em lagrimas pela alegria da filha. John abraça a irmã e brinca com a sua barriga. A abraço dizendo que ela será uma ótima mãe e cumprimento Peter.

– Pena que não será um Smith. – John fala.

– Só por que não vai ter o sobrenome da família não quer dizer que não faça parte dela John. – Brenda responde emburrada.

– Eu sei maninha. – John a abraça.

– Gente sei que a conversa está maravilhosa, — Beth exclama. – Mas eu e as garotas precisamos ir às compras.

– Oh, é mesmo. – Anne coloca o filho nos braços de Paul e me puxa pelo pulso. – Voltaremos no horário da festa.

– Apenas compras, Claire. – John me repreende fazendo todos nos olharem curiosos.

– Eu sei. – sinto meu rosto esquentar. – Não vou fazer nenhuma investigação suicida.

– Ah quase esquecia. Precisamos de um carro? – Brenda estende a mão para os homens.

Eles levantam a cabeça assubiam fingindo que não escutaram, com exceção de John. As mulheres riem para aquela infantilidade. Brenda vai para o lado do marido e pega as chaves do carro do seu bolso da calça. Pegamos o carro e saímos pelas ruas de Nova Iorque.

– Que tal esse? – Anne pergunta saindo do provador pela milésima vez.

– Ficou bonito, mas preferia o anterior. – Mia diz.

Anne bufa e entra no provador novamente. Passo os olhos pelos vestidos. São todos tão lindos que fica sendo um desafio escolher um. Dou uma olhada nos que estão nos cabides. Varias cores e modelos que me deixam muito indecisa.

– Claire, você foi à única que não experimentou nenhum vestido.

– Ela quer escolher um de arrasar para matar John com um enfarto. – brinca Brenda.

Sinto meu rosto ficar em uma cor vermelho escarlate com aquele comentário. Não acredito que elas vão começar com a conversa que eu e John temos que nos casar. Isso não é nada bom para os meus neurônios que já estão bastante afetados com o magnetismo daquele homem.

– Eles têm que aproveitar já que terão que dormir no mesmo quarto hoje. – Anne grita de dentro do provador.

– O que?

– Bem querida, — Beth explica. – Apenas temos um quarto para cada e um quarto de hospedes que ficaram para as crianças. Então você terá que dormir no quarto de John. Ele pode dormir no chão.

– Duvido muito. – Mia diz se olhando no espelho. – Eles querem uma noite de sexo gostosa.

Depois de ouvir aquilo derrubei uma pilha de vestidos arrancando gargalhada delas. Aquelas mulheres são malucas. E elas falam aquilo sem pudor algum. Levanto-me rapidamente pegando um vestido qualquer na pilha que caiu e entro em um provador. Elas não precisavam ver meu constrangimento em relação aquele assunto.

Cada uma escolheu seu vestido e sapatos e seguimos para um SPA. Se eu soubesse que tomar banho de lama e uma massagem fariam bem teria feito isto há séculos. Sem preocupação, sem estresse, sem John, apenas relaxamento. As garotas me obrigaram a fazer depilação. Tenho isto em dia, porém elas disseram que todas tinham que fazer. Então cedi.

Depois seguimos para o salão de beleza no embelezar. Fazia tanto tempo que não fazia as unhas que a pedecure olhou para o meu pé com nojo. Ela não disse, mas eu notei. Fiz um penteado simples no cabelo e uma maquiagem também simples, mas trabalhada.

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Olho-me no espelho mais uma vez. Cor clara não era a minha praia, porém as garotas me obrigaram a compra-lo. Disseram que realçou a cor dos meus olhos. Meu cabelo em um coque alto com alguns fios soltos. Não sou muito fã de batom então apliquei apenas um brilho labial incolor nos lábios.

Caminho pelo quarto tentando aliviar a tensão. O antigo quarto de John é completo com pôsteres dos The Beatles e Bom Jovi. Sorrio quando vejo uma coleção completa dos livros do Sherlock Holmes. A paixão veio desde a infância mesmo. O edredom de sua cama é xadrez, ele era fanático mesmo ou algum nerd.

Alguém bate na porta. Abro a porta e vejo Beth maravilhosamente elegante e linda. Seu vestido um verde oliva de arrasar.

– Beth, você está linda.

– Digo o mesmo a você, querida. – retribui. – Pronta?

– Sim.

– Que bom. Então vamos, só falta você.

Descemos as escadas e vejo Mia, Brenda e Anne vestida com seus vestidos e produzidas nas joias. Não tinha como dizer que aquelas mulheres são as mesmas que mangaram da minha cara a tarde toda. Percebo só estão elas no andar de baixo e estranho os homens não estarem presentes.

– Eu sei o que está se perguntando. Eles foram à frente, disseram que nós estávamos demorando demais. – explicou Mia.

– Vamos, meninas. – Beth abre a porta.

Saímos da casa e vejo uma limusine preta nos esperando. Fico encantada com aquilo. Quase me sinto importante. As garotas dão aquele gritinho de felicidade e comemoração. Definitivamente, essas mulheres são loucas. A ida até a festa foi rápida. Conversamos e rimos durante todo o tempo.

A festa é muito elegante. Cumprimento Walter lhe desejando feliz aniversario. Beth se junta a ele para dar atenção aos outros convidados. As garotas foram atrás de seus maridos para aproveitarem a festa. Os convidados eram das mais variadas idades. Corro os olhos pelo lugar à procura de John e não o encontro. Deve estar com alguma mulher por aí ou reencontrou algum conhecido ou conhecida.

Vou para o bar pedir alguma bebida. Festa sem bebida não é nada. Peço uma taça com champanhe ao barman que me entrega alguns segundos depois. Tomo apenas um gole para relaxar o corpo. Não pretendia ficar bêbada e passar mico em uma festa tão elegante como esta. É dessa vez que John me demite. Vou para uma mesa me sentando.

Descanso o cotovelo na mesa e o rosto em minha mão observando a festa. Não é uma pose nada elegante, mas é a melhor para o corpo agora. Bebo todo a champanhe da taça e peço mais. Não posso ficar bêbada, falo para minha cabeça novamente e ela tem que obedecer. Já o corpo eu não sei.

– Uau. Quem é a beldade a minha frente?

Um homem na base dos trinta anos senta-se na cadeira ao meu lado. Seu rosto demonstrava simpatia, entretanto não chegavam aos seus olhos que eram apenas cansaço. Levanto as sobrancelhas avisando que não gostei nada do modo como ele chegou.

– Também não está gostando da festa?

– Não é que não esteja gostando. – explico. – Só não conheço ninguém aqui além da família Smith.

– É uma pena. Sou Jeremy Hilst. – estende a mão.

– Claire McAdams. – aperto sua mão soltando rapidamente.

– Esse nome não me é estranho. – franze a testa pensando.

– É Jeremy, essa é a Claire de quem meus irmãos falaram.

Viro a cabeça tomando um susto ao ver John atrás de mim. Vestindo um smoking preto sob medida. Seus cabelos não estavam o ninho de cobra habitual e sim penteados para trás com alguns fios soltos que pendiam a ficar quietos. Ele segura uma taça de champanhe na mão e a outra dentro do bolso da calça do smoking.

Sorri para ele. Pensei que ele sumiria a festa toda. Meu coração deu certa acelerada, bati o pé no chão tentando frear os batimentos. Não podia ter este tipo de comportamento perto dele. É apenas o John, não preciso reagir assim.

– Oh meu Deus. Claire, a lendária secretaria de John Smith.

– Lendária? – o que aquilo significava.

– Você é a única mulher além da mãe dele e a irmã que passou mais tempo ao seu lado. – explica.

– Devo me sentir lisonjeada? – brinco.

– Acho que sim.

– Jeremy some daqui.

John pede em uma voz calma e firme. Nem parecia uma ordem, contudo Jeremy me dá um sorriso pegando minha taça de champanhe e saio de perto. John senta-se em seu lugar que deixou vago.

– Precisava disto?

– Ele iria encher o saco a noite toda.

– Onde você estava?

– Esperando uma coisa terminar.

– O que?

– Tenho uma coisa para você. – diz mudando de assunto.

– Você o que?

John nunca me deu algo por livre e espontânea vontade além do salario mensal. Que acho que ele me paga a pulso. Ele remexe em seu bolso e tira uma caixinha de veludo de dentro. Se meu coração já estava batendo rápido, agora ele pulava da caixa dos peitos.

– Eu fui com os meus irmãos comprar os smokings e passei por uma joalheria. Bem, vi isso na loja e tinha que comprar para você. Pedi para acrescentar uma coisinha também. – ele parecia nervoso durante a explicação. – Sei que nunca te dei nada além do salario mensal que você já merece e aquelas botas, — caramba, tinha esquecido as botas. – mas espero que goste.

Ele abre a caixinha tirando de dentro uma corrente fina e brilhante. Havia pingentes na corrente branca. Percebo que são perolas e meu coração dá o alarde que irá enfartar em breve. Ele não podia me dá um presente daqueles. Não a mim que não represento nada para ele.

– Não posso aceitar isso John.

– Pode e vai. – insiste.

Ele puxa meu pulso esquerdo que está nu e coloca a pulseira nele. Prendo a respiração durante o contato de nossas peles. Parecia um choque elétrico o contato. Quando ele me soltou senti um formigamento na pele.

Olho para meu pulso e vejo os pingentes com mais clareza. A corrente era diamante puro e os pingentes em safira. Um paraquedas, um pinguim, uma galinha, um cachorro, uma BMW em miniatura, uma bota, um revolver e uma lata.

– Uma lata?

– A lata de lixo Claire.

– Revolver?

– Tiroteio.

– Era isso que você estava esperando terminar.

– Sim. – afirma tomando um gole de seu champanhe.

– Isso é para me lembrar do horror que passamos essa semana?

– Não. – nega. – Isso é para lembrar que ainda estamos vivos e também para te agradecer por estar comigo depois desta semana terrível que tivemos. Sei que este não é o melhor emprego do mundo, mas eu tenho sorte de ter você por perto. De todos os horrores que aconteceu que já me aconteceu, te contratar foi o melhor caso que já resolvi em toda minha vida.

Fiquei sem palavras depois daquilo. O que deveria considerar com aquelas palavras. Não sei se era uma declaração ou uma forma de agradecimento pelos sete anos de trabalho. Se toca Claire, digo a mim mesma, John nunca se declararia para uma pessoa problemática como você. E se ele visse um dia se declarar para alguma mulher, ela não seria você. Ele prefere louras.

Aquele pensamento caiu como uma bigorna em cima da minha cabeça por que era verdade. Todas as mulheres com quem ele transa ou sai algumas vezes são louras. Essa é a sua preferencia. Não morenas com cabelos e olhos negros. A única coisa que tenho em comum que tenho com essas mulheres é a pele pálida e branca.

Sorrio falsamente para ele não transparecendo o conflito interno que estava tendo comigo mesma.

– Vamos dançar?

Ele se levanta e estende a mão. Muito a contra gosto aceito. Dançaria com ele para não dar uma de insatisfeita com o presente. Sei o que o presente significava. Uma forma para não me demitir. Ou eu mesma pedir demissão.

John põe sua mão direita em minha cintura enquanto coloco a minha esquerda em seu ombro. Entrelaçamos as outras mãos e começamos ao que dizem a dançar. John é super mais alto que eu, mas por causa dos saltos tomei um pouco de altura. Olhava para seu peito revezando para o salão cheio de pessoas evitando seus rosto e olhos arduamente.

– Eu fiz alguma coisa? – perguntou preocupado.

– Não.

– Claire, por favor, olhe para mim.

Levanto a cabeça encontrando esmeraldas transbordando transtorno. Ele estava com medo da minha reação. Dava para sentir. Suas mãos ficaram tensas apertando minha cintura e mão. Sorrio para ele apaziguando a situação. Não queria deixa-lo magoado, todavia para isto teria que me magoar.

– Nada. Só estou pensando nas coisas que aconteceram.

– Não pense nelas já que te deixam assim. – diz tentando me tranquilizar.

– Tudo bem.

Sentir sua respiração em meu rosto dificultava minha linha de raciocínio. Por que ele tinha que ser tão perfeito? Não bastava ser ele mesmo longe de mim. Seria mais fácil. Muito mais fácil. Não desviamos o olhar. Meu pescoço já doía pela cabeça levantada, contudo não me importava. Não queria quebrar aquele contato e parece que ele também não.

– Sentia falta da minha família. – desabafa. – Revê-los novamente foi como tirar um peso das minhas costas. Mas o ruim é que o resto ainda pesa, e muito.

– Eu disse a você. Família é tudo John, não perca isso. – digo com uma pontada no peito. — A distancia entre você e sua família é bem menor que a minha.

Abaixo o rosto desviando para algum ponto da festa. Meu olhar se concentra em um senhor na base de cinquenta anos. Ele olha para os lados constantemente. Parece querer se certificar que ninguém o está observando. Ele abre uma porta e entra sem ser percebido pelos outros convidados. Um flash de conhecimento passa pela minha mente.

– Oh meu Deus. – exclamo chamando a atenção de John. — John, acho que vi o Sr. Forbes entrar por aquela porta.

– O Sr. Forbes? – pergunta para ter certeza.

– Sim. E acho que ele não irá fazer boa coisa pelo modo como entrou.

– Vamos ter que dar um de Sherlock Holmes hoje? – pergunta rindo.

– Creio que sim.

John me puxa pelo pulso e saímos atrás do Sr. Forbes. Minha intuição me diz que mais uma confusão estar por vir. Está por vir não, está para acontecer. E estou vendo que vou me ferrar nessa história. Vou me ferrar e no final terei que salvar esse idiota. Um idiota que me deixa nervosa. Mas que droga!

Notas finais
Bem, e aí? Gostaram? Odiaram? Me digam nos comentários. Por favor, quero saber suas opiniões. Postarei o próximo segunda feira. bjoks para todos e comentem.