Meu Querido Amor...
2 Capítulo 1 - Cavalheiros
Notas iniciais
11/03/1999
O dia amanheceu ensolarado. Estava claro no quarto de Henry, o que fez com que ele acordasse às cinco da manhã, um pouco mais cedo que o normal.
Fez sua rotina matinal e vestiu sua roupa de corrida. Saiu de fininho de casa para não acordar a família.
Aqueceu-se e seu relógio começou a marcar o tempo. Corria lentamente, sentindo o suor escorrer pelas costas e pelo rosto. Ele amava aquilo. Aquela sensação o tirava do chão. Só ele existia no mundo — exceto pelo seu crush.
Pietro.
Ele era o tipo de garoto que fazia os cachorros latirem por causa do barulho das rodas do skate. Morava a duas quadras acima da casa de Henry, mas nem fazia ideia de que ele existia.
Henry quase tropeçou ao vê-lo passando no skate. Mas não havia a mínima chance de acontecer algo entre os dois, pois o pai de Pietro trabalhava com o pai de Henry. Então, zero chance.
O relógio marcava quarenta minutos quando Henry o parou diante da porta de casa. Dava para ouvir sua irmã falando com o namorado ao celular, mesmo estando no segundo andar. Seus pais discutiam por algum motivo, mas pararam no momento em que ele colocou os pés dentro de casa.
Eles o encararam juntos.
— Venha aqui — disse seu pai, em um tom totalmente grosseiro.
Henry obedeceu e se sentou na cadeira entre o pai e a mãe, secando o suor do rosto.
— Bem… — começou o pai, limpando a garganta. — Você vai para um colégio interno.
Você poderia pensar que Henry se sentiu triste ou com raiva. Mas não. Ele já estava ciente disso antes mesmo de seus pais falarem.
— Ah… — disse ele, apenas para quebrar o silêncio. — Nossa.
— Não está surpreso? — perguntou a mãe.
— Estou — respondeu imediatamente. — Mas ainda não consigo expressar, por causa do sono.
— Que maravilha! — disse o pai. — Assim, vamos ter um verdadeiro homem nesta família. Lá… — levantou-se e foi até a geladeira, mas não pegou nada. — Tem aulas militares. Vamos ver se você não volta para cá sendo uma cópia minha.
Aquelas palavras doíam mais do que agulhas perfurando seus olhos. O pior era que ele não podia dizer nada — e isso doía ainda mais.
— Vai ser bom para você, filho — disse a mãe, dando um tapinha em seu ombro antes de sair da cozinha.
Henry preparou seu café e o levou para o quarto. Enquanto tomava banho, lembrava-se do que estava escrito no papel da escola:
Colégio Ravenwood, para cavalheiros.
Aqui, seu filho irá se tornar um homem de mão cheia.
Quem sabe, pensou ele, enxaguando o shampoo dos cabelos,esse colégio me traga algo de bom.
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