Meu Querido Amor...

6 Capítulo 5- Os Águias e os Tigres


Notas iniciais
Boa leitura :)


O primeiro dia de aula sempre era muito cansativo; tinha que ficar ligado às informações, aos lugares. A tudo.

Henry já tinha alguns professores de quem não gostava e o seu colega de mesa, que era Charlie, nas aulas de francês e história, e, na de geografia, aquele garoto com aparência fria. A única coisa boa nisso era que, na maioria das aulas, ele ficaria perto de Oliver.

No momento em que Henry carregava as bolsas, a dele e a de sua dupla, e seguia pelo corredor de vidro, seu amigo apareceu atrás dele.

— Olá — disse Charlie. — Como foi o primeiro dia de aula?

— Foi bom — respondeu. — E o seu?

— Também foi. O que você vai fazer agora? Nós poderíamos ir ao jardim e… sei lá… conversar?

— Acho que não. Eu vou ao campo de futebol com minha dupla.

Eles estavam no terceiro ano, parados diante da porta do quarto de Charlie.

— Você joga futebol? — Charlie pareceu animado demais.

— Não. O Oliver me convidou para ir.

A alegria no rosto de Charlie sumiu quando seu colega disse o nome de Oliver.

— Olha — começou Charlie, dando um passo e ficando bem perto de Henry. — Sei que Oliver é seu colega de quarto, mas, nas horas livres, não acho que seja bom você ficar muito perto dele.

Henry escutou tudo, atento.

— Você é o tipo de garoto que ele pode… zoar… e depois…

— Eu sei que você está me dando um conselho — a raiva pulsava nas veias de Henry pelo que acabara de ouvir. — Mas eu sei muito bem cuidar de mim mesmo. Se ele me machucar, eu sei muito bem me cuidar.

Deu as costas para seu amigo e subiu a escada.

Será que Oliver é o tipo de pessoa que me zoaria? — perguntou-se quando abriu a porta de seu quarto. Ele não é assim!

Mas, infelizmente, Henry não conhecia ninguém em quem pudesse confiar.

Então, sentou-se em sua cama e se virou para a janela, onde o sol se punha. Ele conteve suas lágrimas.

Não se sentia forte o bastante.

Em toda sua vida, ele teve que fingir que era algo que não era para agradar às pessoas.

Tinha que ser uma pessoa… de mentira.

Uma pessoa que ele teve que criar para ser aceito pelos pais.

Pela mãe.

Nunca pôde assumir que gostava de outros garotos. Nunca.

Nunca.

Ele se afogava em lágrimas todas as noites por conta disso.

Tirando-o do foco, alguém bateu na porta.

Henry secou os olhos rapidamente e gritou:

— Entra!

Era Charlie.

— Posso entrar? — perguntou, meio tímido.

— Pode.

Charlie fechou a porta e caminhou até onde Henry estava.

— Olha — começou, limpando a garganta. — Me desculpe por ter me intrometido. Eu não queria te magoar. Essa é a minha última intenção.

Ele se sentou ao lado de Henry.

— Tudo bem — respondeu. Ele era ótimo em disfarçar o choro. — Eu não devia ter falado com você daquele jeito. Me perdoe.

Charlie sorriu.

— Não tem problema. Amigos?

Isso foi muito fofo para Henry.

— Amigos.

Eles começaram a rir.

— Então, você ainda vai ao campo de futebol? — perguntou Charlie. — Porque vai ter um treino entre os dois times para o campeonato.

— Sério?

— Sim. E eu jogo em um time.

— Você vai jogar? — Henry perguntou, esquecendo-se de que havia chorado.

— Sim. Eu sou dos Águias.

— Então eu vou.

Logo, eles desceram e se sentaram nas arquibancadas. Henry não reconheceu ninguém. Até que os olhos de Oliver encontraram os dele, causando um sorriso em ambos.

Oliver usava uma camiseta de malha fina azul-escura, um short branco e chuteiras.

Henry se sentiu quente.

Que coisa mais bela que corria em sua direção.

— Oi.

— Oi — a voz de Henry era mole.

— Que bom que você veio — o sorriso de Oliver mostrava o quão feliz ele estava.

— Eu vim para ver vocês dois.

— Dois? — perguntou Oliver.

— É, você e o Charlie.

Parecia que o garoto tinha levado uma bolada na cara quando viu Charlie se sentando ao lado de Henry.

Charlie trocou de roupa e agora usava um uniforme vermelho: camisa, short e chuteiras.

— Olá, Oliver Xavier — a voz de Charlie carregava desprezo ao pronunciar o nome.

— Olá, Charlie — a voz de Oliver era a mesma, mas seu olhar não era o de sempre. Era feroz. — Está pronto para o jogo de hoje?

— Estou. Está pronto para perder?

Charlie se levantou e ficou a poucos centímetros do nariz de Oliver.

— Perder? Quer que eu lembre do jogo passado? Quem saiu chorando não fui eu.

Henry entendeu tudo: eles eram de times opostos.

Charlie era dos Águias e Oliver, dos Tigres.

Para quem ele torceria?

— Pessoal — alguém do campo chamou. — Vai começar. Bora!

— Que vença o melhor — propôs Charlie e correu para o campo, dando uma piscadela para Henry.

Oliver encarou Henry e sorriu.

— Você pode segurar meu celular?

— Posso, sim.

Ele pegou o celular da mão de Oliver.

— Bom jogo para você.

— Obrigado.

E correu de volta para o campo.

Henry não entendia nada de futebol.

Só viu que o tempo estava passando devagar.

Mas, se você acha que Oliver ou Charlie vai marcar um gol e dedicá-lo para Henry, está enganado.

Ele pegou o celular de Oliver para ver o horário, que era oito da noite. Porém, uma mensagem chegou naquele momento.

BELLA ❤️

E aí, gatinho. Será que nós poderíamos nos encontrar? Para… conversar?

Quem era Bella?

Henry perguntou, sentindo-se… tonto.


Notas finais
Obrigado por ler
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.