Meu Querido Amor...
4 Capítulo 3 - Oliver Xavier
Notas iniciais
O quarto era grande. Era três vezes maior que o quarto dele. Tinha duas camas, uma ao lado da outra — não encostadas, apenas próximas. Havia um quadro na parede com os horários de aula, regras do dormitório, dentre outras coisas.
Henry percebeu que havia malas na cama mais perto da porta. Pensou que eram do tal Oliver. Então colocou as suas na outra cama.
As paredes eram azuis. Sem teias de aranha. Seu pai devia ter dado tudo o que tinha para aquele colégio. Tudo era perfeito.
Ele não conseguiu conter um sorrisinho.
Até que um barulho estridente quase estourou seus tímpanos. Henry procurou qualquer lugar de onde aquele som pudesse estar vindo: celular, TV… Olhou pela janela, mas nada.
Até que uma voz feminina começou a falar, e ele percebeu que vinha de um megafone camuflado acima de sua cabeça.
A voz disse:
— Bom dia, queridos alunos. Sejam muito bem-vindos ao Colégio Ravenwood! Sou a vice-diretora, Sra. Clark. Quero comunicar que teremos uma reunião em dez minutos no salão principal. Obrigada.
Henry queria descansar um pouco, mas pegou um casaco na bolsa e saiu do quarto.
Novamente, achou muito estranho haver apenas uma sala no terceiro andar, mas ignorou e desceu as escadas até a sala dois, onde Charlie estava fechando a porta.
— Oi — disse ele, colocando as chaves no bolso.
— Oi — respondeu Henry. — Você sabe onde fica o salão principal?
— Claro. Estudo aqui há dois anos — respondeu, orgulhoso.
Então Henry o seguiu.
Um grupo de adolescentes, mais à frente, ria como se não houvesse amanhã, falando baixarias e zoando os colegas. Mas pararam assim que um professor os interrompeu, causando um pequeno engarrafamento no corredor.
— Uma pergunta — disse o professor, fechando ainda mais a cara. — Vocês são do berçário ou do terceiro ano?
Silêncio. Até um mosquitinho que passava por ali pareceu ficar em silêncio.
— Quem vai ser homem de responder à minha pergunta? — disse ele, quase gritando.
Até que um aluno levantou a mão.
Henry não conseguia ver seu rosto, mas sua voz era grossa e agradável de ouvir.
— Estamos no terceiro ano do ensino médio, professor.
— Ótimo — disse o professor, dando um salto para trás. — Xavier é um verdadeiro homem. O restante desse grupinho receberá detenção até aprender a se comportar adequadamente.
O silêncio continuou até o professor dizer que eles podiam seguir.
Henry se assustou um pouco ao passar ao lado do professor.
Assim que todos se sentaram em cadeiras de plástico no salão, a vice-diretora começou explicando que deveriam preencher suas fichas, que não deveriam se comportar de maneira mal-educada e todo o blá-blá-blá de sempre.
Henry reparou nos professores, que tinham uma cara bem fechada, mas não eram ameaçadores como ele havia pensado.
Henry não se sentia mais à vontade naquele salão e saiu rapidamente quando a reunião terminou. Foi direto para seu quarto; nem esperou por Charlie.
Ele andava em meio aos adolescentes com medo, mas gostava de estar lá ao mesmo tempo.
— Ei! Espera! — ele ouviu a voz de Charlie atrás dele, então parou.
Escorria suor pelo seu rosto.
— Cara, você nem me esperou! — disse ele, meio triste.
— Desculpe — disse Henry, sem sentimentos, e voltou a andar. — Uma pergunta.
— Manda.
— Esse colégio é mesmo militar? — essa pergunta corria pela cabeça de Henry desde o dia em que soube que ia estudar em Ravenwood.
Charlie parou e caiu na gargalhada, chamando a atenção de alguns alunos e deixando Henry meio envergonhado.
— Militar? — mais gargalhadas. — Claro que não. Esse é só um colégio para meninos. Aqui, os professores nos deixam na linha, como: nos orientam a não usar drogas, beber. As aulas militares servem só para “arrumar” a nossa postura. Não tem nada de chicote ou água gelada na cara.
A mente de Henry bugou. Seu pai tinha dito que era um colégio de roer as unhas.
— Ah… — disse ele. — Obrigado.
— Aonde você vai? — disse Charlie. — O refeitório é para lá.
— Estou sem fome — e deu as costas para o amigo.
Ele tinha comida em sua bolsa, então ia comer no quarto mesmo.
Depois de subir as longas escadas, Henry não hesitou em abrir a porta. Mas se arrependeu, pois tinha alguém dentro do quarto dele.
Era um garoto — óbvio, não tinha como ser uma menina. Era alto, tinha um corpo de atleta e um cabelo perfeitamente perfeito. Seu rosto era belo. Tinha aparência gentil e era muito, muito sex…
— Oi? — a voz dele trouxe Henry de volta para a Terra. — Quer ajuda?
Henry não soube o que responder.
— Não. É… esse quarto… é meu. Na verdade, eu estou aqui para…
— Eu entendi, eu entendi — disse ele, sorrindo.
Sua voz era muito prazerosa de ouvir.
Ele foi até Henry e estendeu a mão para o garoto.
— Prazer. Meu nome é Oliver. Oliver Xavier.
Ele apertou de leve aquela mão macia e gostosa, com medo de quebrá-la.
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