Meu Primeiro Amor.
6 Falsas expectativas
Sério que o amor era isso? Era uma noite inteira sem dormir, chorando, e se cortando?
Bom, vou explicar tudo caso vocês não tenham entendido.
Quando eu entrei nessa confusão toda, já sabia pelo que me esperava. Mais não quis acreditar, nunca quis acreditar que tudo um dia acaba. Que o "para sempre" é coisa que a Disney coloca na sua cabeça, que o final de tudo é sempre você chorando e sozinha.
Mesmo assim, acreditei que podia ser diferente com a gente, aliás, nós éramos diferentes, especiais, e o casal mais amigos e fofo que eu já tinha visto (Podem me chamar de melosa se quiser)
Não, não foi diferente.
Depois que sai daquele lugar, fui para casa e me tranquei no quarto. Eu, um coração partido e uma pequena lâmina, lágrimas, muitas lágrimas. Não aguentei, fiz o meu primeiro corte, nunca tinha feito um na vida, mas naquele momento a dor era tanta que não resisti. Deixei me render pela dor que sentia por ter perdido o meu primeiro amor, e que eu mal sabia que seria o meu grande amor para sempre. Fui fazendo mais e mais cortes, minha mãe batia na porta para perguntar se estava tudo bem e eu respondia com voz de choro:
- Claro.
O sangue escorria pelo meu braço e pingava no chão junto com as lágrimas, mas o que doía não eram os cortes, e sim as lágrimas. Aquelas eram as lágrimas mais pesadas e fáceis de sair dos meus olhos que já chorei. Realmente estava doendo muito.
No outro dia, os cortes estavam bem evidentes, minhas olheiras estavam enormes e estava com uma expressão realmente triste e horripilante. Meu corpo inteiro doía, então decidi que deveria sair do meu quarto como se nada tivesse acontecido, ninguém poderia desconfiar. Então fui até o banheiro, lavei bem meu rosto, passei lápis, rímel, pó, batom, perfume, penteei bem os cabelos, e parece que o tempo estava me ajudando: estava frio. Ótimo, tinha uma desculpa para cobrir os pulsos o dia inteiro.
Estava totalmente sem fome, passei pela mesa de café da manhã e a única coisa que disse foi:
- Bom dia, estou indo para a escola.
Saí por aquela porta e me lembrei de mais ou menos um mês atrás, estava saindo por aquela porta também, só que havia uma diferença: Eu não conhecia Bill Jones, eu não conhecia o amor, eu não era triste, eu não me cortava, eu só pensava em coisas que uma garota de 12 anos normal pensa.
Caminhei algumas quadras até a escola e chegando lá não pude evitar olhar para o nosso lugar, só que Bill não me esperava lá com um sorriso enorme no rosto, lá estava vazio e parecia sombrio como nunca parecera antes, então segui em frente e fui encontrar meus velhos amigos que havia abandonado para ficar com meu melhor amigo-namorado.
Eles pareceram surpresos ao me ver, mais mesmo assim me trataram normalmente. Ferdinand até havia me elogiado:
- Você está mais bonita do que o normal hoje Julli, o que aconteceu?
Respondi com um leve sorriso, ainda assim forçado:
- Nada não, apenas quis me arrumar um pouco mais.
Então seguimos para a sala, estranho, Bill não estava la. Meu coração parou por um momento e pensei em tudo de ruim que podia ter acontecido com ele. Mais me lembrei que isso "não era mais da minha conta" e fui me sentar, só que era meio difícil não pensar nessas coisas quando se senta ao lado da pessoa.
As aulas se passaram devagar, por mais que eu não visse a hora de voltar para o meu quarto e começar com tudo que aconteceu na noite passada de novo, de poder botar tudo para fora e chorar tudo que estava ali, quase para ser chorado mais eu tive que segurar para ninguém perceber e para eu não perder a fama de "forte".
Assim que cheguei em casa, subi para o meu quarto e me tranque la, já estava quase pegando a lâmina quando minha mãe abriu a porta, que eu havia esquecido de trancar.
- Querida, você não come desde ontem a tarde. O que está acontecendo? Estou preocupada...
- Nada não, mamãe. Só não estou com fome!
- Você sabe que precisa comer, Julliane. Se não poderá passar mal!
- Ok mamãe, depois eu desço e como alguma coisa. Agora só quero descansar, por favor.
- Tudo bem, meu amor.
Assim que ela foi embora, tranquei a porta e peguei a lâmina, por mais que fosse um pequeno objeto, sentia o peso de um edifício nas mãos, não era tão fácil como parecia se mutilar. Um pequeno corte, mais tantos motivos, que certamente estavam acabando com você. Quando estava prestes a me cortar, Bill me mandou uma mensagem:
Não te ligo porque não tenho certeza se é minha voz que quer ouvir, não te procuro porque não sei se quer ser procurada, não fui a escola hoje porque estava ocupado demais chorando e me lembrando de todos os momentos que passamos juntos. Sabe, aquele seu adeus não foi convincente para mim, eu sei que bem ai no fundo, o nosso amor ainda vive. E eu faria de tudo para fazer ele reviver, mais isso não depende só de mim. Eu entendo se você não quiser mais saber de mim, só quero que saiba que o seu abraço, o seu beijo, a sua risada, o seu olhar, o seu toque, a sua voz, as suas brincadeiras, as suas piadas, o seu jeito, são perfeitos. Não a menina nenhuma nesse mundo que se compare á você, muito menos a Mary, ela é passado, foi meu primeiro amor, não tem como esquecer. Mais ela foi o meu primeiro amor, você é o atual, e o último. Eu nunca senti isso por ninguém, nem por ela. Eu só ficava triste, nunca derrubei uma lágrima pela Mary, mais com você não, quando eu te vi indo embora, vi minha vida inteira me deixando, todos os meus planos e sonhos indo embora com uma pessoa só. Saiba que eu sinto sua falta, e que vou te amar para sempre.
Conforme li aquele texto, meus olhos se encheram de lágrimas e me deu vontade de passar uma corda no pescoço, eu poderia ser durona mais nunca suportei ver ninguém sofrendo, muito menos por minha causa. Eu me arrependi de tudo que fiz, e de ter estragado tudo com Bill. Se não fosse pelo meus olhos inchados e minha bochecha completamente preta pelo rímel escorridos e pelo meu pulso sangrando eu teria corrido até a casa de Bill naquele momento. Mas respirei firme, e pensei que o veria no outro dia na escola, então estava tudo bem.
Como estava errada, Bill não apareceu. Eu me arrumei ainda mais e tinha até ido dormir "feliz" pensando que naquela manhã tudo se acertaria, mais não. Ele não aparaceu, e minha vontade foi de desabar ali mesmo. Mais esperei a aula acabar e fui até a casa dele, chegando lá toquei a campainha e a mãe dele me atendeu.
- Olá, Sr.ª Jones.
- Olá, querida. Você está procurando Bill?
- É....sim.
- Pode entrar, sua as escadas, o quarto dele é a segunda porta. Sinta-se a vontade!
- Muito obrigada.
Subi as escadas e bati na porta do quarto dele, Bill me atendeu com os olhos inchados, mortos, expressão triste e cabelo bagunçado, mas para mim, ainda continuava lindo.
Ele abriu um sorriso lindo ao me ver, e eu correspondi. Nos abraçamos por um longo tempo, depois eu disse:
- As coisas não terminaram muito bem entre a gente, não é mesmo?
- Poisé. — Ele respondeu com uma voz triste.
- Olha Bill, eu li a sua mensagem ontem a noite, mais não respondi porque esperei te ver na escola, mas você não foi. Minha vida não tem mais graça sem você, eu choro tanto, e estou me cortando também, ninguém sabe, mais de você eu não consigo esconder nada. Me desculpe por tudo que te disse, pelo jeito que te tratei, me desculpe por ser assim, complicada. Mais eu só queria que você soubesse que eu sinto sua falta, mais do que tudo. Que te dizer adeus foi a coisa mais difícil do mundo e que eu fiquei com ciúmes e com medo de te perder para Mary. Mais eu te amo, cada dia mais.
Vi uma lágrima escorrer pelo olho dele e percebi que também estava chorando, então ele me puxou pela cintura para dentro do quarto e me deu um longo beijo, que fez com que minha dor quase sumisse por inteiro.
Conversamos por muito tempo, até que a mãe de Bill veio até a porta do quarto e me avisou que minha mãe ligará e disse que viria me buscar. Tratei de me despedir de Bill e fui esperar minha mãe.
Assim que chegamos em casa, liguei para ele e conversamos mais e mais, rimos feito duas criancinhas, como se nada tivesse acontecido e aquela tempestade fosse apenas um sonho. Eu me sentia tão bem por ter Bill de volta comigo.
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