Meu Primeiro Amor ?!
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Notas iniciais
Glimmer estava parada ao lado do carro me encarando com preocupação, não é possível o que eu fiz para humanidade para merecer tal castigo, justamente a ultima pessoa que gostaria de ver na face da terra será a pessoa a me ajudar? Abaixo o vidro e seco inutilmente as lagrimas.
– Você está bem Katniss? – ela pergunta assustada. E sinto outra forte fisgada.
– Não. – eu não tinha outra saída, precisava que alguém me levasse para a maternidade, ou ao menos ligasse para a ambulância. Eu não poderia ser egoísta e fingir que eu não precisava da ajuda dela, tenho que engolir o orgulho. – Estou com muitas contrações, acho que a Lorena vai nascer. – disparei a falar, e vi seus olhos arregalarem quando disse o nome de minha filha, com certeza Peeta não contou a ela sobre nome de nossa filha. – Você pode chamar a ambulância, por favor? – pedi e ela saiu de seu estado de transe.
– Não, quero dizer sim, ou melhor, não... Eu te levo pra maternidade. – ela disse confusa.
– Não precisa, se chamar a ambulância já me ajudaria e muito.
– Katniss até eu chamar a ambulância sua filha já nasceu no carro, agora para de ser teimosa e vem aqui. – ela abriu a porta do carro me ajudando a descer e sentar no banco do passageiro.
Chegamos a maternidade em menos de dez minutos, e agradeci mentalmente por ela não ter chamado uma ambulância, com certeza demoraria mais. Logo que chegamos enfermeiras nos recepcionaram com uma cadeira de rodas, pois Glimmer já havia ligado para o hospital no caminho, anunciando nossa chegada, em pouco tempo eu já estava no quarto acomodada na cama e medicada, enquanto ela fazia minha ficha na recepção. É eu devo uma para Glimmer, nunca pensei que diria isso, mas ela não é tão ruim quanto parece ou quanto era, ela poderia estar fazendo tudo isso pelo Peeta e não por mim, mas ainda assim tenho muito a agradecer, pela minha filha.
– Katniss, nós estaremos monitorando os batimentos cardíacos do bebê e suas contrações. Você esta com dois dedos de dilatação e sua bolsa ainda não rompeu. Eu volto em poucos minutos para checar os aparelhos. – a enfermeira disse e eu não sabia se ficava mais aliviada ou mais preocupada, ela saiu e Glimmer entrou.
– Tudo certo Katniss... O único problema é que não consigo falar com Peeta, nem com meu pai e meu irmão. – ela diz ainda preocupada.
– O Peeta esta com seu pai né?
– Sim, com ele e com meu irmão. – como assim? Quase perguntei, sorte que ela respondeu antes disso. – Eles foram em uma reunião em Los Angeles, mas é claro que você já sabia. – ela disse para si mesma, e é claro que eu não sabia. Ela não percebeu que eu não sabia, ou fingiu muito bem. – Pai, me liga urgente estou com a Katniss na maternidade. – ela deixou recado na secretaria eletrônica de Haymitch e repetiu a mesma mensagem para Peeta e Cato.
– Obrigada Glimmer, muito obrigada mesmo. – digo e a pego de surpresa.
– Imagina Katniss nem precisa agradecer. – ela diz sem jeito. – Quer que eu avise sua família? – meu pai ficara furioso se souber que Peeta não esta aqui comigo, minha mãe então nem se fala depois da conversa que tivemos a pouco.
– Não, quando o Peeta chegar ele avisa. – digo pouco convencida de que ele chegará a tempo do nascimento de nossa filha.
– Sim você tem razão. – ela da um sorriso tímido. – Katniss, eu sei que o momento é inapropriado, mas não sei se terei outra oportunidade e nem quando. Eu queria te pedir perdão pelo que fiz na nossa infância e adolescência. Eu era uma menina mimada, acostumada a ter tudo que eu queria, mas quando eu não podia ter eu meio que forçava a barra, e eu te enchia porque gostava do Peeta e ele de você. – ela sorria fracamente, eu não estava a fim de ouvir nada que ela tinha a me dizer, mas era o mínimo que eu podia fazer depois de tudo que ela fez por mim hoje. – Lembro-me da Lorena, mãe do Peeta perguntando a mim como você era, e se eu era sua amiga. Ele falou de você pra ela, e toda vez que ela ouvia seu nome se derretia, teve uma vez que ela nos deixou no colégio somente para te ver, e quando Peeta te mostrou a ela, ela passou a te chamar de norinha. Eu fiquei brava com os dois, eu queria ser a norinha dela, foi ai que comecei a implicar com você e a forçar um “relacionamento” com ele, e quando a tia faleceu nos aproximamos muito mais, ele precisava de alguém para apoiá-lo e eu queria me tornar indispensável na vida dele. Mas com o tempo tudo foi se desgastando, eu não conseguia mais agradar ele, pelo ao contrário só brigávamos e brigávamos. Foi ai que tive a estúpida ideia de fingir uma gravidez, eu sabia que mesmo Peeta não querendo ficar comigo, assumiria a responsabilidade, ele sempre foi assim. Mas foi insuportável, ele me tratava com cordialidade, com carinho e simpatia, mas não tinha amor nem ao menos paixão, eu não aguentava mais aquilo e contei toda a verdade. Minha família ficou louca comigo, principalmente Cato que já não gostava dele, e agora o culpava por ter me feito tão mal a ponto de eu inventar uma história dessas, tentei isenta-lo da culpa que Cato pensava que ele tinha, mas ele não queria saber, pra ele o único culpado era o Peeta. De certa forma eu não o culpo, não que eu culpe meus pais, mas eles erraram bastante na nossa criação, e quando tentaram consertar já era tarde demais, já havíamos cometido muitos erros e aprendido errando, meu pai sempre foi muito ausente sempre trabalhando muito e o Cato era o meu protetor, meu pai tentava compensar sua ausência com presentes, o que pra minha mãe era suficiente mas para Cato e para mim não, nunca foi. – ela falava com olhar distante quando falou do pai, com um certo ressentimento do pai, porém creio que ela percebeu que eu havia notado a mudança no seu tom de voz e logo voltou ao assunto de antes — Me afastei de Peeta por respeito a ele também, ele ficou furioso comigo não queria me ver de jeito algum, então quando nos mudamos foi a melhor escolha que fizemos, mas ainda assim sentia a necessidade do perdão de Peeta, e ele me perdoou. – eu a encarava incrédula de tudo que acabara de ouvir, sinceramente não sabia se sentia raiva ou pena. – Me desculpe contar tudo isso pra você agora, é que eu estava me sentindo sufocada sentia que você me odiava, e eu sabia que tinha razão de ter tal sentimento por mim. Não que eu tenha me tornado a melhor pessoa do mundo, mas também não sou a pior, eu quero que saiba que jamais daria em cima do Peeta, ainda mais ele sendo casado e prestes a ser pai. Não sou uma destruidora de lares. – ela secou uma lagrima, e eu estava sem reação, eu não confio nela, mas também não posso ignorar tudo que ela esta dizendo, pois bate perfeitamente com tudo que Peeta falou. – Acho que você se lembra daquele dia no restaurante que você chegou e nos pegou conversando. – assinto com a cabeça. – o Peeta já havia deixado claro com atitudes que não queria ter muito contato comigo, e eu imaginava que era por causa de você, mas eu justamente queria puxar assunto com ele, para poder entrar em um assunto delicado que era você, eu não queria ficar naquele clima, principalmente porque sabia dos planos do meu pai para com ele, e sabia que nos veríamos com mais frequência, até porque meus pais já te amam e minha mãe sempre pergunta porque não somos amigas. Ela é um pouco sem noção. – um pouco? Ela disse tímida. Não acredito que acabei de ouvir tudo isso dela, se alguém me contasse com certeza não acreditaria, mas aqui estou eu boquiaberta com tais revelações de minha até então arqui-inimiga. Não que agora seremos as melhores amigas da face da terra, mas com certeza ela ganhou ao menos um pouco do meu respeito, precisa ser muito mulher pra admitir que errou.
– Glimmer eu estou chocada com tudo que me disse, não imaginaria que havia acontecido um terço do que me contou, mas não acho que eu esteja em uma posição de perdoar ou não. Você foi muito má comigo admito, mas nos éramos crianças e imaturas, não posso te julgar pelo que aconteceu há anos atrás, ambas somos mulheres maduras agora e acredito que podemos lidar com nossas diferenças. – foi o máximo que consegui falar antes das contrações chegarem com força total novamente, fazendo-me contorcer na cama.
– Eu vou tentar ligar para o Peeta novamente. – ela disse desesperada pegando o celular na bolsa.
– Faz um favor pra mim. Meu celular esta na minha bolsa, liga pra minha mãe e meu pai. Liga pra Madge e a Annie também por favor. – eu disse enquanto respirava com dificuldade tamanha era a dor. – Ah liga pro meu médico antes, por favor, o nome dele é Cinna.
– Sim pode deixar que eu ligo, vou chamar a enfermeira também. – ela pegou meu celular, e tocou a campainha ao lado da minha cama e em menos de 2 minutos a enfermeira já estava no meu quarto. Ela checa os aparelhos, mas não consigo identificar sua expressão, ela apenas fica encarando visor, enquanto eu tenho outra contração.
– Katniss, eu vou chamar a doutora que esta de plantão, para te examinar melhor. Os batimentos cardíacos do bebê estão caindo a cada contração e ela não esta se recuperando muito bem. – a enfermeira diz, e eu encaro Glimmer, que também parece estar assustada, só não mais do que eu.
– Estou ligando para o médico dela. – Glimmer anunciou, acho que para me acalmar, assenti com a cabeça e ela foi para o canto do quarto.
Eu tentava me acalmar, mas tudo que eu pensava era que não conseguiria sozinha, não sem Peeta, sem minha mãe, meu pai, o Tom, sem a Prim e a Rue. Sem nem mesmo meus amigos. As lagrimas começaram a cair sem minha permissão.
– Katniss, liguei para o doutor Cinna e ele esta vindo pra cá. Consegui falar com sua mãe e seu pai, eles disseram que vão tentar pegar o primeiro avião, falei com a Madge e a Annie e elas estão vindo também, porém não estão na cidade e vão demorar um pouco pra chegar. E eu não consegui falar com o Peeta, nem com meu pai e com o Cato. – ela também chorava ao falar.
– Obrigada Glimmer, não sei o que eu faria sem você. Muito obrigada mesmo. – segurei sua mão e a apertei. Quem diria que seria ela a me dar apoio no momento em que mais preciso, mundo louco e pequeno.
– Olá Katniss, sou a doutora Paylor e vou te examinar, tudo bem? – ela não aparenta ser tão simpática quanto esta sendo, mas transmiti confiança e seriedade.
– Oi doutora, tudo bem. – digo enquanto ela já se prepara para me examinar.
– Foi você que a trouxe? – a doutora pergunta a Glimmer.
– Sim, eu trabalho com o marido dela. Não estou conseguindo contatá-lo, mas o médico dela já esta chegando. – a doutora não gostou muito da noticia.
– Katniss, nos teremos que fazer uma cesárea de emergência, seu bebê não esta recuperando os batimentos cardíacos e o cordão umbilical esta enrolado nela, não podemos perder muito tempo. Vou mandar preparar a sala e...
– Doutora, muito prazer sou o doutor Cinna. A Katniss é minha paciente. – Cinna chega me trazendo uma grande sensação de alivio. A doutora Paylor, passa a lhe contar tudo que esta acontecendo e a cesárea de emergência, e o deixa a vontade para me examinar novamente.
– Como eu estava dizendo doutor, a sala já esta sendo preparada somente esperando pelo senhor. – ela disse gentil antes de se retirar.
– Bom Katniss é isso que a doutora Paylor disse, teremos que fazer uma cesárea de emergência. – Cinna me encarava.
– Eu não consegui falar com o Peeta, doutor, ele esta em uma reunião e... – eu não conseguia falar, o medo tomara conta de mim.
– Calma Katniss, vai dar tudo certo. A enfermeira logo estará aqui para te anestesiar e em alguns minutos a Lorena estará em seus braços. – Cinna me confortou. – Eu vou me preparar e logo nos vemos. – ele deu um beijo carinhoso em minha testa e afagou meus cabelos.
– Glimmer, posso te pedir mais um favor?
– É claro que pode. – ela disse se aproximando e segurando minha mão
– Você pode ficar comigo durante o parto? – fiz o pedido sem nem ponderar minhas palavras, simplesmente saio de meus lábios. E uma lágrima caiu de seus olhos.
– É claro que eu posso. – disse antes de me abraçar.
Logo a enfermeira já estava no quarto dando-me a anestesia e poucos minutos depois eu não sentia mais nada, nem mesmo a mão de Glimmer que ainda apertava a minha.
– Doutor a Glimmer pode entrar comigo? – pedi assim que ele entrou.
– Bom Katniss, pelas normas do hospital somente parentes de primeiro grau podem acompanhar o parto. – a doutora Paylor que entrou logo após Cinna disse.
– Eu me responsabilizo doutora. – Cinna disse e eu sorri para ele, não somente eu, mas Glimmer também.
– Tudo bem então. – ela disse satisfeita.
Glimmer foi se trocar enquanto eu era levada para a sala de cirurgia. Eu estava preocupada com minha filha, e com medo também, jamais imaginei passar por isso sem Peeta ao meu lado, sem minha família e meus amigos. É doloroso ver que inconscientemente estava certa em meu sonho, ele seria um pai ausente, preocupado com o trabalho ao invés da família, a maior prova disso é ele não estar comigo nesse momento. É o momento mais importante de nossas vidas e não pude contar com ele, quem me garante que ele estará presente em outros momentos igualmente importantes ou nem tão importantes assim. As lagrimas não pedem mais licença vem com intensidade, agora de fato estou sozinha, cercada por pessoas estranhas, que não me amam e que eu não amo, vejo que Cinna já esta na sala.
– Calma Katniss ficara tudo bem. – ele repete o gesto que fez no quarto, dando-me um beijo na testa.
Glimmer afaga meus cabelos e estendo minha mão a ela, mas não é ela quem segura minha mão com tal firmeza e sim Peeta, seus olhos vermelhos, a roupa esterilizada do hospital, uma touca escondendo seus cabelos loiros. Ele se abaixa e sela nossos lábios, só então tenho plena convicção de que ele esta aqui, que não é minha mente pregando-me peças.
– Me perdoe meu amor. – Peeta diz baixinho somente para que eu escute. Ainda não sei se posso perdoá-lo.
– Peeta, que bom que você conseguiu chegar a tempo. – Cinna nos interrompeu para meu alívio, e explicou a ele tudo que havia acontecido e porque teria que fazer uma cesárea de emergência.
Peeta sentou-se na cadeira a meu lado e abaixou a cabeça como se o peso do mundo estivesse sobre seus ombros, passei a mão por sua face instintivamente e ele a segurou na altura de seus lábios, beijou-a e entrelaçou nossos dedos, aproximou-se de mim selando novamente nossos lábios em um selinho rápido e ficou encarando-me, enquanto o doutor Cinna iniciava a cirurgia e nos comunicava passo a passo.
Eu podia sentir tudo que ele estava fazendo, senti minha pele sendo cortada e a forte pressão quando ele finalmente tirou minha pequena de dentro de mim, eu não ouvia nada, nada além do que Cinna dizia a sua equipe, não ouvi o choro de minha filha e isso me desesperou. Peeta já havia se levantado, buscando por algo ou alguém que dissesse que nossa filha estava bem, com nossas mãos ainda entrelaçadas, apertei-lhe a mão com toda força que pude reunir, sabia que não seria muita já que estava anestesiada, ele me encarou alguns minutos depois, seus olhos cheios de lágrimas, cheios de dor, cheios de desespero.
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