Notas iniciais
Olá amores e amoras... haha

Gente eu literalmente dei pulinhos de alegria com as TRÊS RECOMENDAÇÕES que recebi, como diz a Lary estou vomitando arco íris... hahahaha

Muito obrigada minhas lindas "Leitora Anonima", "Ana Mellark" e "Lizze", pelas lindas recomendações.. Que me inspirou a escrever este capítulo, e o dedico a vocês e a todos os lindos que comentaram também...

Pessoas lindas, eu ia postar antes, mas a semana foi super corrida pra Lary e pra mim também... Mas já sabem como me incentivar a escrever e postar mais rápido né... kkkk

Sem mais delongas... Espero que gostem do capítulo.. hihi

A ficha ainda não caiu, olho no espelho analisando meu corpo e não há nenhum indicio que estou gravida... Gravida! Uma palavra difícil de dizer em voz alta, difícil porque ainda tenho 18 anos ha menos dois meses de fazer 19, meu corpo me diz que sou uma mulher, mas minha cabeça diz que sou uma menina assustada, uma menina que irá brincar de casinha, de mamãe e papai, a diferença é que a brincadeira não vai acabar quando eu estiver cansada, na verdade ela não vai acabar nunca, ter um filho é algo pra vida inteira, e não sei se estou preparada pra isso, ainda sou muito dependente da minha mãe e do meu pai...

Aborto nunca passou pela minha mente, sempre repudiei pessoas que pensavam em fazer, não as julgo cada um tem seus motivos, mas acredito que a partir do momento que você começa a ter uma vida sexual ativa, você está sujeito a uma gravidez, ou seja, sabe das consequências dos seus atos, bom pelo menos que pensava isso quando não tinha uma vida sexual. Quando passei a ter, tive a consciência de que isso poderia acontecer comigo, por isso no inicio sempre usávamos preservativo, até porque Peeta não era virgem, ele alegava que nunca havia transado sem, mas melhor prevenir do que remediar... Minha medica me encaminhou para uma ginecologista, e eu a agradeci profundamente, pois não precisei falar que precisava de uma. Peeta e eu fizemos exames preventivos e passei a tomar anticoncepcionais, minha médica disse pra não confiar plenamente no remédio, pra continuar usando preservativo, eu ficava um pouco constrangida por falar de sexo com ela, mas ela é minha ginecologista, viu lugares do meu corpo que nem eu mesma ou até Peeta viu, então conversar com ela sobre este assunto era “fichinha”, depois de um tempo que eu já estava habituada com o remédio, transamos pela primeira vez sem preservativo, e este é um dos motivos por eu estar gravida hoje, descobrimos o quanto era bom e prazeroso, péssima ideia a nossa... Meus pensamentos voltam pro meu quarto e pior volto a pensar no meu pai, como será sua reação quando descobrir que será avô, e minha mãe... Tento afastar esses pensamentos e me concentrar em fazer o que disse que faria...

Faz uns dez minutos que Peeta saiu do meu quarto, não conseguimos conversar muito depois da bomba que joguei em suas mãos, ele disse que tomaria um banho e iria preparar algo para eu comer, afinal desde que sai da padaria não comi mais nada, e meu estômago começou a reclamar por estar vazio a tanto tempo, disse a ele que me trocaria e iria espera-lo na cozinha. Não há necessidade de colocar outra roupa, a casa não esta fria devido ao aquecedor, mas sinto uma necessidade fora do comum em esconder meu corpo, mesmo não tendo o que esconder. Coloco um velho moletom muito maior que eu, me sinto confortável com ele, costumava usa-lo sempre, mas acho que Peeta nunca me viu usando, calço minhas pantufas e saio do quarto, tenho a impressão de que se passaram horas e horas e a casa parece estar vazia, mas assim que começo a descer as escadas escuto vozes, acredito que estão vindo da cozinha, penso em voltar pro meu quarto me trancar e nunca mais sair de lá, mas preciso parar de chamar a atenção pra mim, não sei quando vou contar a novidade, mas com certeza não será hoje, quem sabe consiga esconder a gravidez por alguns dias, meses, ano que vem estarei na faculdade, quem sabe meus pais nem descubram... Okay viajei legal, mas o fato é que preciso desviar o foco e fingir que esta tudo bem, até criar coragem e contar ou fugir.

Entro na cozinha e pego minha mãe e a Joh numa conversa animada, e Prim ensinando Rue a fazer alguma coisa.

- Nossa a desaparecida apareceu? – Joh disse, sabia que teria uma pegação no pé por causa do meu sumiço.

- Ah Joh, eu não desapareci, só não atendi o celular... Vocês que são desesperados demais. – digo tentando parecer normal, enquanto pego uma fruta.

- Desesperados nada dona Katniss, preocupados... E espero que isso não se repita. – Minha mãe diz me repreendendo.

- Ainda bem que eu não falei nada para seu pai, ele ficaria louco de preocupação. – Johanna diz, enquanto eu me contraio, mas logo alivia o ambiente. – Mas ainda bem que você esta viva e em casa... – ela diz e todos rimos – Tudo isso por causa de uma DR... Cuidado hein trata muito bem o padeiro, tá difícil arranjar namorado, bonito então raridade no mercado... – rimos da constatação da Joh, e eu particularmente porque agora estou esperando um mini Peeta, ou Katniss...

- Eu já falei isso pra ela... Ela que não tome cuidado não... Ele é lindo e...

- Quem é lindo?... – Peeta pergunta entrando na cozinha e interrompe o que Prim estava falando.

- Você... – ela diz toda animadinha. Peeta que não esperava a resposta dela cora, o que o deixa mais lindo, e eu o fico encarando... Eu sempre o achei lindo, seus olhos azuis e expressivos, seus cabelos loiros, adoro quando ele deixava crescer um pouco mais e começava a formar cachos nas pontas de seus cabelos, o corpo dele me leva a insanidade, ombros largos, braços fortes, peitoral definido e barriga tanquinho, ele não é aqueles caras enormes e musculosos, ele é proporcional a sua altura e ao seu porte.

- Ah tah... – ele diz sem graça enquanto Prim ainda ri, me tirando de meus devaneios sobre meu namorado. – Amor você já comeu alguma coisa? – ele pergunta se aproximando de mim, ainda tímido pelo elogio de Prim, antes mesmo que eu pensasse em responder, Johanna diz:

- Ah já fizeram as pazes... Que bonitinhos... – ela diz apertando minha bochecha e a dele também. – Já que está tudo bem, eu vou pra casa falar pro seu pai que você desapareceu e apareceu novamente... Então prepara a orelhinha gatinha e já vai pensando numa desculpa bem convincente, porque senão seu pai vai matar o Peeta. – ela termina de falar e eu entro em choque.

- Porque ele vai matar o Peeta? – pergunto e sinto ele se retrair a meu lado. Ela arqueia a sobrancelha estranhando minha pergunta.

- Não sei... Pelo que pude entender vocês brigaram e você fugiu dele... Não foi isso que aconteceu? – ela pergunta confusa.

- Sim foi isso que aconteceu, nós nos desentendemos, a culpa foi minha... – ele começou a dizer me defendendo, mas eu o interrompi.

- Não... – eu não sabia muito bem que falar. – Mas nos já estamos bem neh amor... – digo pedindo confirmação em seus olhos, e ele assente com a cabeça.

- Tudo bem crianças, já percebi que vocês estão bem... Mas mesmo assim vou ter que falar com seu pai Kat, se ele descobre por outra pessoa do seu “sumiço” – ela abre aspas no ar – ele vai ficar doido é comigo, então não há escapatória. – ela diz e me da um beijo na testa. E me deixa com mais uma preocupação, com certeza meu pai vai me ligar e exigir uma explicação, o que direi a ele?

- Come um pouco amor, enquanto eu preparo o jantar... — Estava tão submersa em meus pensamentos que nem percebi quando Peeta colocou um sanduíche na minha frente.

- Não estou com fome. – digo pois já havia perdido a fome novamente pensando em como falar com meus pais e quando. Peeta para do meu lado, passa a mão pelo meu rosto e levanta meu queixo para que eu o olhe, ele me encara, um olhar profundo e intenso como já estamos acostumados, ele consegue ler cada um dos meus olhares e sorrisos, eu também o conheço de “cor e salteado”, e seus olhos me dizem “Você precisa comer por você e por nosso filho também”... Suspiro contrariada e me forço a comer o sanduíche, o que me faz muito bem pois o apetite retorna...

Volto a pensar em nosso bebê, esse pequeno serzinho que está crescendo dentro de mim... Um filho do Peeta, se não fossem as circunstâncias, isso seria maravilhoso, ter um mini Peeta, um menininho com cachinhos loirinhos e olhos azuis, talvez não seja tão ruim assim, só adiantamos um pouco as coisas, quero dizer adiantamos muito as coisas... Nós iríamos nos casar um dia... Não iríamos? Fico encarando ele que está distraído preparando o jantar. Como estamos sozinhos na cozinha, vou até ele e o abraço por trás respirando fundo e sentindo o seu perfume, e isso deixa meus hormônios a flor da pele, mas tenho que me concentrar, precisamos conversar e conversar sério.

- Hum minha linda... Comeu todo o sanduíche? Ainda esta com fome? – ele pergunta sem se virar.

- Comi sim, o sanduíche abriu meu apetite mas não estou com tanta fome... – digo e dou um beijo em sua nuca, o que faz com que seus pelos se arrepiem, mas ele ainda continua concentrado no que está fazendo, ou pelo menos tenta – e precisamos conversar, com calma, sem interrupções... – termino de falar tentando soar calma, ele vira o corpo e me abraça.

- É você tem razão, precisamos resolver como e quando contar... Precisamos ir ao médico, e ver como ficarão nossas matriculas na faculdade. – ele inspira profundamente e solta o ar devagar – Vamos fazer assim, aqui nós não conseguiremos conversar direito, eu vou terminar o que comecei aqui e nós saímos, jantamos e tomamos aquele chocolate quente cremoso que você adora, aí poderemos conversar a vontade e nos distrair um pouco, há muita pressão aqui em casa. – eu amo o jeito como o Peeta sempre pensa em tudo e nos mínimos detalhes.

- Amor, eu amo jeito que você pensa em tudo e o jeito que cuida de mim.

- Eu vou cuidar pra sempre, vocês são minha família. – ele diz baixinho no meu ouvido, e sinto um imenso conforto em suas palavras.

- Está bem, vou me trocar... Quando estiver pronto passa no meu quarto pra me chamar... – dou lhe um beijo e saio da cozinha.

Decido passar no quarto da minha mãe antes, afinal ela queria conversar comigo, e estive tão ausente o dia inteiro que com certeza ela reclamaria por eu sair sem ao menos lhe dizer, bato levemente a porta de seu quarto e logo a ouço dizendo pra eu entrar.

- Oi filha.. Você esta melhor? – ela pergunta enquanto sai do banheiro de roupão e secando os cabelos com uma toalha.

- Estou sim mãe, na verdade passei aqui pra falar que Peeta e eu vamos jantar fora, precisamos conversar e aqui não temos muita privacidade. – opto pela sinceridade, pelo menos em partes, pois demos a entender que brigamos, então logo sairíamos para conversar sobre o nosso relacionamento.

- Hum... E está tudo bem com vocês, senti que não foi uma simples discussão de relacionamento. Vocês estão muito abatidos, precisam tomar cuidado com o que falam um pro outro pra não se magoarem. – ela diz evidentemente preocupada – O Peeta ficou desesperado por você não atende-lo, e eu não sabia se me preocupava com você ou com ele.

- Eu sei, é por isso também que vamos sair pra conversar... E não se preocupe, jamais falaria algo que machucasse o Peeta e ele também não faria isso.

- Mas eu me preocupo sim... Você é minha menininha também... E saiba que pode contar comigo pra tudo que precisar. – Ela diz, e eu a abraço... Ah mamãe espero que não mude de idéia quando souber que sua menininha, esta esperando outra menininha ou menininho.

Saio do quarto da minha mãe, com o coração na mão... Queria contar pra ela, queria o apoio e o colo dela, me dizendo que ficaria tudo bem, mas não posso, tenho primeiro que decidir o que fazer juntamente com Peeta, entro no meu quarto e sinto um pesar por ter que tirar meu moletom larguinho e quentinho, sem muito tempo pra pensar o que vestir, pego uma meia calça grossa, um vestido de manga comprida que é justo no busto, e a partir da cintura solto, coloco minha bota e separo um casaco bem quentinho, cachecol de cashmere e luvas http://www.polyvore.com/12/set?id=96287033 não estou com muita vontade de me maquiar, mas ao me encarar no espelho, vejo que é uma necessidade me maquiar neste momento, faço o reboque como o Peeta diz, e deixo meus cabelos soltos, ainda bem que estão secos me poupa o trabalho, saio do meu banheiro e dou de cara com o Peeta sentando na minha cama, me preparo para o que vem em seguida, com certeza ele ira reclamar da minha demora, mas não é isso que acontece.

- Você esta linda amor... Alias a cada dia mais linda... – ele diz se levantando e pegando o meu casaco – Vamos?

- Vamos. – digo sorrindo pelo seu elogio, visto meu casaco, luvas e cachecol e saímos de casa enfrentando o frio.

Dessa vez não fomos aos lugares de sempre, Peeta escolheu um restaurante requintado, agradeci mentalmente por não estar de moletom, e até um pouco apresentável, não entendendo o motivo pra estarmos em um restaurante assim, pergunto a ele:

- A sua escolha me deixou curiosa... Você nunca me trouxe em um restaurante assim. – digo enquanto aguardamos não sei o que.

- A comida daqui é maravilhosa, tenho certeza que você vai gostar...

- Não duvido que seja, mas a reserva de um lugar assim tem que ser feito no mínimo um mês antes.

- A espera é de três meses... – ele diz como se estivesse falando do cardápio de uma lanchonete – mas pra nós, a espera é de 10 minutos...

- Por que? – pergunto curiosa.

- O dono é amigo do meu pai e me conhece desde que nasci, inclusive já me chamou pra trabalhar com ele várias vezes, além deste restaurante ele tem outros espalhados pelo país. – Isso me deixou impressionada.

- E porque você não trabalha com ele? – pergunto entusiasmada, pois seria uma ótima oportunidade para o Peeta.

- Bom eu ia, quando fosse pra faculdade... Faria um estagio no principal restaurante da rede... Mas eu sei que ainda vou conseguir abrir um restaurante assim... – sei que não tenho culpa, mas não consigo deixar de senti-la ao ver o olhar sonhador do Peeta, e saber que este sonho se distanciou um pouco mais devido a minha gravidez. Acho que ele percebe meu sentimento de culpa e diz. – Nos vamos conseguir... Juntos!

Assinto com a cabeça e a repouso em seu ombro, em pouco tempo o garçom nos chama e encaminha até nossa mesa, na verdade Peeta me corrige falando que ele não é o garçom e sim o maître, não faço a mínima ideia do qual seja a diferença, mas guardo isso para mim, depois procuraria saber a diferença.

- Amor, como você não comeu direito, acredito que esteja com fome, confia em mim pra escolher um prato diferente pra você experimentar? – é verdade estou com fome, mas não sei se confio nele no estado que estou, tudo me enjoa, não sei se é boa ideia experimentar.

- Não sei não amor, ultimamente venho enjoando com praticamente tudo que como, não sei como não desconfiei antes, mas enfim podemos tentar.

- Confia em mim, sinto que você vai amar o prato que vou pedir.

- Se for um super hambúrguer com batata frita, vou amar mesmo.

Conversamos um pouco sobre nada importante, enquanto ele faz mistério sobre o prato e eu morro de curiosidade... o nosso pedido ainda não havia chegado, porém eu sinto um cheiro delicioso que me faz encher a boca d'água, e meu estômago protestar... Pra minha alegria e surpresa o delicioso cheiro vem até nossa mesa com o garçom, ele nos serve e sai, a aparência do prato é apetitosa, espero que o gosto seja tão bom quanto o cheiro... Começo a degustar daquele prato cheiroso e vejo que estava errada, o sabor é muito melhor que o cheiro, a carne derrete na boca e molho é um pouco adocicado, mas não muito, na medida certa... continuo me deliciando quando levanto meu olhar e deparo com Peeta me encarando... Encaro meu prato e o dele.

- O que foi? — digo preocupada, não que o olhar dele fosse de reprovação, mas senti vergonha, pois somente agora percebi que eu estava devorando meu prato, enquanto ele mal havia tocado no seu, devo estar parecendo uma morta de fome... Disfarçadamente olho em volto e me tranquilizo ao constatar que ninguém reparou na minha gula... Volto a encarar Peeta e ele continua com o mesmo olhar, me encarando como se não houvesse ninguém no mundo além de mim, se antes meu rosto já queimada agora então, está em chamas...

- Não foi nada amor, só estava pensando, se será um menino ou uma menina, se vai parecer comigo ou com você... — ele disse e eu sorrio com seu comentário ao lembrar que eu pensava o mesmo a pouco tempo atrás... — e também se ele ou ela terá o mesmo apetite da mãe.. — Ah sabia, estava demorando... agora ele passou a literalmente rir de mim... — Acho que você gostou do ensopado hein?

- Gostei pouco... Como você pode perceber... Esse molho é de quê amor? Ele é adocicado mas não muito, e a carne derrete na boca....

- Ensopado de carneiro ao molho de ameixas secas...

- Nossa é uma delícia... — confessei

- É sim.. mas o meu é melhor.. — ele disse fazendo careta...

- Se o seu é melhor, porque você nunca fez um desses pra mim? — pergunto indignada.

- Porque você não gosta de nada adocicado... oras.

- Acabo de mudar de ideia... — digo voltando a saborear meu ensopado de carneiro ao molho de ameixas secas.

Assim que acabamos de jantar peço minha sobremesa antes que Peeta invente de pedir algo estranho pra eu experimentar, não que ele tenha errado, muito pelo ao contrário acertou em cheio, mas vai saber neh.. Melhor não dar sorte ao azar... Peço o tradicional petit gateau e Peeta me acompanha, então ele começa o assunto...

- Amor temos que marcar uma consulta pra você....

- Já tenho uma consulta marcada pra semana que vem... mas sinceramente não sei se terei coragem de falar pra Cressida que estou grávida... Tenho certeza que ela contará pra minha mãe...

- Eu sei que não se sente confortável amor, mas você precisa fazer pré natal, e saber de quanto tempo você está também...

- É verdade... não faço a mínima ideia de quando tenha acontecido, esqueci de tomar remédio alguns dias, mas nós nos prevenimos também... — ele me encara incrédulo...

- A gente se prevenia quando? Há tempos não usamos nada... e eu pensava que você estava tomando o remédio direitinho... — Espera aí, é impressão minha ou ele está tentando me culpar por estarmos assim..

- Não entendi o seu tom Peeta, eu sempre tomei o remédio direito, somente nos últimos tempos que estive doente que tomava tantos remédios que acabava esquecendo de tomar o anticoncepcional as vezes... e mesmo se eu tomei certinho, se você não sabe os antibióticos que eu estava tomando cortam o efeito do anti, então mesmo assim eu corria o risco de engravidar, e ninguém mandou você se enfiar no meu quarto toda noite.... — pronto ele conseguiu, me irritei..

- Calma ai não foi isso que eu quis dizer...

- Mas foi o que pareceu...

- Mas não foi o que eu disse...

- Mas eu to falando que foi isso q...

- Xiu quietinha, minha vez de falar... – ele chamou minha atenção sutilmente e eu o deixei falar. — Eu quis dizer que não sabia que você não estava tomando o anti certinho, mas sei sim que o antibiótico corta o efeito, e nos relaxamos também... Portanto culpa dos dois... E voltando ao assunto, que bom que já tem consulta marcada, quanto a contar pra sua mãe, uma hora ela vai ter que saber, como o meu pai e o seu também.. — ele respira fundo... — só temos que decidir quando e como contar...

- Quanto antes melhor?

- Sim claro... Mas quando?

- Depois que eu for ao médico, assim pelo menos saberemos de quanto tempo estou... vou pedir pra Dra não falar com ninguém antes de mim...

- Ok quanto a faculdade podemos esperar mais um tempo, até ele ou ela nascer e nós nos estabilizarmos...

- Hum... a teoria parece ser fácil, o problema é que na prática nunca sai igual... — digo desanimada e dessa vez ele não tem uma palavra de incentivo para me dar...

Voltamos pra casa quietos, como nunca aconteceu, cada um com seus pensamentos... Minha cabeça estava a mil, e tenho certeza que a do Peeta também, ao chegarmos a casa estava escura e silenciosa, com certeza todos já estavam dormindo...

- Amor, eu vou deitar.. Estou morta de cansaço... – digo enquanto subimos as escadas.

- Está bem, vou trocar de roupa e já venho dormir com você. – sorrio, pois esperava que ele falasse e viesse, preciso dele perto de mim.

Paramos na porta do meu quarto, e ele me puxa pela cintura, cola nossos corpos, e me beija, um beijo cheio de desejo, amor, promessas, futuro... Quando nos separamos do nosso beijo, estou completamente sem ar, e o desejando ainda mais, desejando mais beijos, mais toques, mais Peeta... Meu instinto quer agarra-lo e somente soltar quando estiver completamente saciada, mas ele se afasta indo em direção a seu quarto, entro no meu e penso, em fazer algo especial, ou melhor vestir algo especial, mas tenho que ser rápida pois logo ele estará aqui, retoco a maquiagem, escovo meus dentes e visto uma camisola rosa a mais comportada que tenho e vou para debaixo das cobertas esperar o lindo... Passam alguns minutos e o sono começa a me vencer, acho que ele não vira mais, deve estar tão cansado quanto eu, nosso dia foi longo, longo até demais, minhas pálpebras começam a ficar pesadas demais, pra manter meus olhos abertos, sou vencida pelo cansaço...

- Ih acho que demorei demais. – ouço sua voz quase como um sussurro em minha orelha, e sinto seu corpo se aconchegar me abraçando de conchinha, sinto seu beijo frio porem delicioso em minha nuca, sua mão que estava minha cintura começa a passear pelo meu quadril, coxas, ele passa a mão por dentro da camisola tocando minha pele, e reacendendo meu desejo, quando ele para na região do meu baixo ventre, penso que ele ira começar com a doce tortura de sempre, mas não, ele permanece com a mão imóvel sobre meu ventre, é impossível não sorrir ao constatar o significado daquele ato, ele esta aqui na posição de protetor, protegendo a mim e a nosso filho e assim adormeço novamente.

***

Acordo na mesma posição em que dormimos e Peeta ainda está apagado do meu lado, com muito cuidado para não acordá-lo, me viro e o fico encarando como tantas vezes o fiz, dou um selinho de leve em seus lábios, e saio da cama, o que me arrependo de imediato pois o quarto está um gelo só, pego uma manta que não estava cobrindo Peeta e vou em direção ao meu guarda roupa, coloco um moletom bem quentinho e vou até a janela checar o clima, não é somente um típico dia de inverno, as árvores e a rua esta coberta de gelo, a neve cai sem piedade e o céu esta cinza escuro, olho para o meu relógio no criado mudo tentando adivinhar que horas são, pois tenho a impressão que esta anoitecendo e não amanhecendo, o relógio acusa que são 9hs da manha... Volto pra cama e agarro Peeta, só de ver a neve senti mais frio ainda, minha delicadeza ao deitar acabou acordando ele.

- Bom dia meu amor... — digo sorridente enquanto ele tenta abrir os olhos.

- Bom dia. — Ele diz se espreguiçando. – Ta nevando muito ainda?

- Esta sim, como você sabe?

- Acordei há algumas horas atrás, ia pra padaria, mas esta impossível de sair de casa... Então ganhei a manha de folga.

- Ah sim... Está nevando muito e muito frio. – digo manhosa, o abraçando novamente e ele me dá um beijo no alto da cabeça.

- Imagino... Bom amor vou indo pro meu quarto, porque provavelmente metade da casa já deve estar de pé, por metade entendesse meu pai. – ele diz sorrindo enquanto levanta. Até me lembrar o quanto ele demorou pra vir dormir ontem a noite.

- Amor, porque você demorou pra vir ontem? – eu pergunto por curiosidade, mas ele me lança um olhar malicioso.

- Porque não sabia que tinha surpresa me esperando... Pensei que estava cansada demais... – eu estou corando? Sério? Porque isso ainda acontece comigo?

- Eu estava cansada... – digo tentando me explicar – mas é serio, aconteceu alguma coisa?

- Cansada sei... – ele fala e dou de ombros – Meu pai estava acordado, viu na hora que chegamos e quando fui pro meu quarto, ele veio me perguntar se você estava bem... Ficamos conversando um pouco e depois ele foi dormir, e eu vim pra cá.

- Ele não te viu entrando aqui? Mas o que ele queria saber de mim?

- Não, ele não me viu entrando... E ele já estava preocupado com você, com sua saúde, e agora se preocupou por te achar abatida.

- Mal sabe ele que estou bem e até demais de saúde.

Ele me lança um sorriso fraco e sai do meu quarto. Aproveito para tomar um banho e volto a vestir meu moletom quentinho e larguinho, desço para tomar café da manhã e encontro toda a família reunida em volta da mesa conversando e comendo, quando digo toda a família é toda a família mesmo incluindo meu pai e Johanna...

- Eita... Não era almoço? E não era na sua casa pai?...

- Bom dia pra você também filhinha linda do papai... Vejo que está de bom humor, perfeito teremos uma seria conversa mais tarde... — Faço uma careta e mostro a língua pra ele enquanto vou até onde ele está sentando... Então o abraço e parabenizo...

- Parabéns meu veinho... Quanto mais véio, mais rabugento fica... E fica mais lindo também né... só que não! — digo e todos caíram na gargalhada... — Mas então o que você está fazendo aqui? — não consigo ficar muito tempo sem pegar no pé dele.

- Filha alguém já te falou que você é um poço de delicadeza?

- Hoje ainda não... — digo me sentando ao lado de Peeta e pegando algo pra comer...

- Você é... Como eu sou um pai muito preocupado e dedicado... — encaro ele arregalando os olhos, descrente de suas palavras — Para de me olhar assim Katniss — ele não aguenta o riso — Continuando... Está muito frio e a neve não para, achamos melhor nos virmos pra cá, ao invés de deslocar todos vocês e com a metade do almoço que já estava sendo feito aqui... E também porque a Mellark’s não abriu hoje...

- Ou seja, ele ficou com medo de darmos a desculpa da neve e do frio e ninguém aparecer e é claro de morrer de fome.

- Agora ao invés de você ficar amolando o seu pai, porque não me entrega logo o meu presente hein?... – Não tem como não rir, meu pai é muito abusado.

- Quem disse que eu comprei alguma coisa por senhor? – pergunto

- Por que você não é doida de não me dar um presente... E agora me entrega logo. – Meu pai é pior do que criança quando se trata de presentes.

- Tio, eu também comprei um presente pro senhor, vou lá buscar... – Rue fala.

- Obrigada minha linda, não precisava... – ele falou com ela, e voltou sua atenção pra mim – Agora ficou feio pra você, se não tiver presente te deserdo, dou sua parte pra Rue. – levo a mão a boca fingindo estar chocada... será que é muito abuso da minha parte fazer Rue trazer o meu presente também, ela já vai pegar o dela mesmo.

- Rue gatinha, já que você vai subir, vai no meu quarto e pega o meu presente também... Você ouviu né, sem presente sem herança...

- Katniss como você é folgada... Vai lá você... – meu pai falou e todos concordaram.

- Ai mas eu acabei de descer, e estou cansada... E se ela não tivesse falado que havia comprado um presente, eu poderia te enrolar mais algumas horas... – digo rindo.

- Rue o presente esta no meu guarda roupa, é uma caixinha dentro de uma sacola... Pode trazer a sacolinha...

- Ta bom... – ela diz e sobe correndo.

- Hum deixa eu adivinhar o que vou ganhar... Mais uma gravata? – ele diz debochado.

- Deveria... E nos próximos será, para o senhor deixar de ser abusado... – digo provocando... Durante uns três anos seguidos eu dei gravata pra ele quando criança, seria ótimo presente, se não fosse o simples fato de ele não usar terno, portanto ele não as usava, mas eu achava as gravatas tão bonitas, que pedia pra minha compra-las pra eu dar de presente a ele, no quarto ano que também compraria uma gravata, minha mãe conversou comigo, perguntando se alguma vez eu já o tinha visto usando... Pensei, pensei e respondi que não, nunca o vi usando-as, então minha mãe disse que ele amava ganhar as gravatas mas ele não tinha onde usa-las, a partir daquele dia nunca mais comprei gravata pro meu pai... Mas ele acha graça até hoje e sempre pega no meu pé.

Continuamos com as brincadeiras quando Rue voltou entregando seu presente e dando um beijo no meu pai... Estava distraída comendo pão de queijo, quando ele disse.

- Que brincadeira é essa Katniss? – olho pra ele não entendendo sua pergunta e sua mudança de humor, até focalizar em sua mão estendida, o motivo da pergunta...

Não acredito que fiz isso, escondi a embalagem do teste de gravidez em uma sacola de uma loja qualquer no meu guarda roupa, fiquei com medo de jogar no lixo e alguém ver, e como minha mãe não mexe nas minhas coisas e a Prim já sabia, pensei que estava segura, mas não...

- Pai eu... – eu não consigo falar, minha garganta está seca, minha cabeça esta girando e os pães de queijo voltando...

- Katniss você esta... – minha mãe começa, mas acho que não tem coragem de concluir.

- Peeta... – o Tom também começa a falar – Você sabia?

- Sim pai... Descobrimos ontem...

- Espera ai do que vocês estão falando?... — minha mãe pergunta confusa.

- A Katniss está gravida. — Peeta anuncia... E parece que o mundo desabou...

E desabou mesmo, o meu mundo caiu sobre minha cabeça... As lagrimas começam a cair sem minha autorização, continuo com a cabeça baixa, não consigo levanta-la e encarar quem quer que seja, sinto medo, medo da rejeição dos meus pais, da rejeição do Tom, medo que eles rejeitem meu bebê, medo de perde-los para sempre...

- Katniss, por que você não me falou nada? Eu sou sua mãe, você deveria ter me dito... — minha mãe parecia atordoada.

- Peeta, como isso foi acontecer? Vocês foram muito irresponsáveis... Vocês são duas crianças... — O Tom disse...

- Quando vocês iriam nos contar? Quando estivessem na faculdade?

- Se é que agora eles iram pra faculdade...

Enquanto o Tom e a mamãe falavam sem parar... O que mais me incomodava era o silencio do meu pai, preferia vê-lo esbravejando do que como esta agora, crio coragem e levanto meu olhar, e ele esta olhando para mim, me encarando, seus olhos estão semicerrados e a mandíbula contraída, mesmo eu o encarando ele não afasta o seu olhar, e aquilo me machuca, depois de um tempo nos encarando ele sai de seu estado de transe, desvia seu olhar do meu, levanta-se, pega seu casaco e vai em direção a porta...

- Pai... – eu digo chamando a atenção de todos, ele faz uma pausa, mas logo começa a dar passos lentos até a porta.

Tudo parece acontecer em câmera lenta, eu o chamo novamente dessa vez um pouco mais alto, ele não para e levantando-me vou em sua direção, ele abre a porta e a bate com muita força, se eu já estava chorando agora estou em prantos, meu pai nunca vai aceitar o meu filho, e pior ele nunca vai me perdoar... Meu coração esta apertado me deixando sem ar, minha cabeça dói e minhas pernas tremem, olho novamente para porta, mas agora não consigo ver mais nada além da imensa escuridão, ouço vozes mas não consigo mais distinguir de quem são, minhas pernas não obedecem mais aos meus comandos, elas falham me fazendo cair e mergulhar na inconsciência.

Notas finais
Eai genteeeeeem???

O que acharam???

Mandem reviews e recomendem também!!

Bjão os amo demais e um fds maravilhoso!!