Meu Ponto Fraco - Litor
1 Capítulo 1 - O primeiro dia de aula.
Notas iniciais
Lia chega no Quadrante com aquele seu mesmo jeitinho de sempre, blusa de frio amarrada na cintura, shortinho curto, não mudou nada. Ou será que mudou? Esse ano Dinho não estava mais no colégio e apesar de seu sofrimento não ter acabado por completo, estava diminuindo aos poucos.
Ela passou pelo portão e pra variar estava atrasada, do mesmo jeito que em todos os dias do ano anterior. Entrou na sala.
– Professora, posso entrar? – perguntou Lia, abrindo a porta da sala cautelosamente.
– Mas já está atrasada logo no primeiro dia de aula? – exclamou a professora Isabela — Não começou bem o ano, hein? Pode entrar.
Lia entra na sala.
– Ih professora, essa daí não tem jeito mesmo não. Vai chegar atrasada todos os dias, que nem no ano passado, né Lia? – disse Orelha.
– Cala a boca, idiota. – retrucou a garota colocando suas coisas na única carteira vazia.
A professora Isabela continuou com sua aula, que era a primeira do dia. Depois dessa vieram as aulas de física e história, tudo um tédio, como sempre.
Toca o sinal do intervalo. Lia, Ju e Fatinha vão para a lanchonete, pedem um lanche, sentam em uma mesa e começam a conversar até que o celular de Fatinha toca. Era seu irmão, Vitor.
– Alô? – atendeu Fatinha.
– Preciso da sua ajuda. – respondeu seu irmão.
– Han? O que você fez agora Vitor?
– Algum filho da mãe contou pra nossa mãe daquela parada lá. – exclamou Vitor.
– Que? Como assim? Você me disse que tinha parado, me prometeu e...
– Eu parei! – retrucou Vitor, interrompendo a irmã. — Eu juro, cara. Mas ela não acredita no que eu falo. Ela acha que eu continuo usando drogas, e eu não aguento mais falar pra ela que não faço mais isso. Ela chegou até a me expulsar de casa, e agora tá querendo me mandar aí pro Rio, quer que eu fique um tempo aí.
– O QUE??? FICAR AQUI? Olha eu já vou avisando que não vou tomar conta de você não hein, já tenho problema demais.
– Sei lá o que ela tá pensando, acho que como ela não tem tempo pra me "vigiar" por causa do trabalho, ela acha que se me mandar para aí você vai fazer isso por ela. Já até comprou passagem de avião pra mim e tudo, tá falando que eu vou morar com você e você vai ter que cuidar de mim. – Vitor começou a rir.
– Olha, tá bom. Mas você não vai me aprontar nada aqui não, né?
– Claro que não, eu já disse que parei com isso, mas que merd*
– Eu espero mesmo. Tenho que desligar, tá? Beijo. Ah, e quando você vem?
– Tô pegando o voo amanhã à tarde, vou estudar aí no Quadrante parece.
– Era só o que me faltava mesmo... amanhã eu te busco no aeroporto, tá? Mas se prepara, porque a gente vai pra minha casa de busão! Até mais, beijo
– Ok, ok,– risos do outro lado da linha. — beijo.
Ela desliga o telefone.
– Quem era? – perguntou Ju.
– Meu irmão...
– Irmão? Mas você nunca nem disse que tinha irmão Fatinha.
– História complicada até demais. Ele mora em Brasília, mas adivinha? Vai vir morar junto comigo, mereço.
– Vish...deve ser um pirralho. – exclamou Lia rindo.
– Nem tanto, ele é da idade de vocês. – Fatinha riu e logo tornou a falar. — Mas a mentalidade não vai muito longe mesmo não.
– Então ele é igualzinho a irmã né. Só falta ser repetente também. – gozou Ju.
Lia e Ju riram.
– Que nada, aquele lá estuda pra caramba.
– Então é o certinho da família? – indagou Lia.
– Na verdade não...
O sinal tocou novamente indicando que o intervalo havia acabado. Elas voltaram para suas salas e ao invés do professor, quem entrou foi Mathias, o diretor do colégio.
– Bom dia alunos. – Mathias começou a dizer. — Só passei pra lembrar vocês da festa que irá ocorrer neste sábado a noite, para os alunos e os pais comemorando os 30 anos do colégio Quadrante, contando com a ilustre presença do responsável pela senhorita Morgana, Nando Rocha.
O diretor deu seu recado e saiu da sala.
Três aulas depois. O sinal toca e a aula acaba.
No dia seguinte, na hora da saída, Fatinha se aproximou de Lia e Ju, que estavam conversando com Gil.
– Olá meu povo. – saudou ela.
– Eaí Fatinha. – os três responderam lhe dando atenção.
– Então, eu e a Lia vamos no shopping mais tarde, tô precisando de um sapato novo por causa da festa sábado, vamo com a gente? – convidou Ju.
– Vish, não sei se vai dar, preciso buscar meu irmão no aeroporto mais tarde. Mas eu também tava precisando de umas roupas novas, vocês sabem né... repetir roupa não cola – ela riu da própria piada.
– Sinceramente não sei por que vocês tem essa frescura toda, é só uma festa da escola gente. – resmungou Lia. — Só vou pra tomar sorvete, já tô avisando! – todos riram.
– Faz assim então ó, vocês vão comigo buscar meu irmão no aeroporto e depois a gente junta um pouco de dinheiro e pega um táxi, fechou?
– Ok então. Mas que horas? – perguntou Ju.
– Ah, ele deve pegar o avião hoje lá pelas 15h e acho que umas 16h30 já deve estar aqui...
– Então vamos todo mundo lá pra casa agora e a gente fica lá até dar a hora, aí minha mãe leva a gente no aeroporto e depois a gente pega um táxi, ok?
– Hm, depende. – exclamou Fatinha.
– Do que? – perguntou Ju.
– O Bruno vai estar lá? – indagou Fatinha inocentemente, arrancando risos dos outros.
– Vai sim, Fatinha, – risos — idiota.
– Posso ir com vocês? Não tem nada pra fazer lá em casa. – perguntou Gil assim que pode.
– Claro que pode. Vamos. – Ju deu de ombros.
Eles foram a pé até a casa da Ju e ficaram lá conversando com Bruno até dar a hora de ir para o aeroporto.
A mãe de Ju levou Fatinha, Lia, Ju e Gil para o aeroporto, os deixou lá e voltou para casa.
Vitor desceu do avião procurando por Fatinha, odiava a sensação de ter que se mudar, mas sempre quis conhecer o Rio.
Fatinha também procurava por Vitor, mas não achava de jeito nenhum.
– Gente, me ajuda a achar ele. – resmungou ela frustrada.
– Como? A gente nem sabe como ele é Fatinha. – disse Lia rolando os olhos pela idéia da amiga.
– É moreno e tem olhos azuis, na verdade se não fosse meu irmão eu confesso que pegaria. – exclamou Fatinha olhando para todos os lados e arrancando risadas dos amigos.
Vitor avistou Fatinha de longe e logo foi em direção a irmã, que estava de costas para ele. Então ele veio de mansinho e foi chegando mais perto do ouvido dela, sem ela notar.
– AAAAAAAAAAAAAAH – gritou ele na orelha da irmã.
Fatinha deu um pulo, e todos os outros também se assustaram e viraram imediatamente, menos Lia, que na verdade estava tão distraída que não notou nada. Quando notou, virou também.
– Você quer me matar de susto, seu retardado? – reclamou Fatinha abraçando o irmão.
Lia e Ju imediatamente se olharam, e elas sabiam que estavam pensando a mesma coisa.
– Então gente esse é meu irmão, Vitor. – Fatinha começou as apresentações. — Vitor, esse é o meu povo, ok? Gil, Ju e Lia.
Vitor cumprimentou Gil, Ju e por fim Lia, que não conseguia parar de olhar para aqueles lindos olhos azuis.
Notas finais
Enfim, comentem o que acharam...
Talvez a noite eu poste mais, espero que tenham gostado desse primeiro capítulo.
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