Meu Ponto Fraco - Litor
19 Capítulo 19 - Apenas mais uma semana.
Lia(ao telefone): — O que você quer?
Lorenzo: — Calma filha, eu só tava pensando de você passar esse feriado aqui com a gente, o que acha?
Lia não estava nem lembrando que teria dois feriados na próxima semana, ou seja, emendaria a semana inteira.
Lia: — Você tá brincando, né?
Lorenzo: — Por que estaria? Poxa filha...a gente nunca se vê.
Lia: — Culpa sua.
Lorenzo: — Lia, por favor.
Lia: — Eu vou pensar, tá?
Vitor ouvia tudo o que Lia falava, só se perguntando quem era do outro lado da linha.
Vitor: — Quem é?
Lia: — Meu pai, ele quer que eu passe esse feriado com ele na cidade onde ele mora.
Vitor: — E qual o problema?
Lia: — Que eu não quero ir né.
Ele imediatamente se levanta e tira o telefone da mão dela.
Do outro lado da linha, Lorenzo falava praticamente sozinho, explicando todos os motivos pelos quais Lia deveria passar o feriado com ele.
Vitor(no telefone): — Alô?
Vitor tentava falar com Lorenzo, ao mesmo tempo em que Lia tentava de todos os jeitos tirar o telefone de sua mão.
Lorenzo: — Oi, quem fala?
Vitor: — Acho que você não me conhece...mas pode deixar porque a Lia vai passar o feriado com o senhor aí, sim.
Lia: — NÃO VITOR, ME DEVOLVE ESSE NEGÓCIO
Ele segurava os dois braços de Lia com um de seus braços e com o outro, segurava o telefone. Ela tentava de todos os jeitos e ria da situação ao mesmo tempo, o que fazia ele rir também.
Vitor(ao telefone): — Olha, eu tenho que desligar agora. Mas vou falar com a Raquel direitinho e aí ela te liga, tá?
Vitor desliga o telefone e vê Lia o olhando, irritada.
Vitor: — Não me olha assim.
Lia: — Eu não acredito que cê fez isso.
Vitor: — É pro seu bem, Lia.
Lia: — Como pro meu bem? Vitor, você não conhece meu pai. Eu não vou nessa viagem, entendeu?
Ele pega a mão dela e leva ela até o sofá.
Vitor: — Olha Lia, eu não sei nada do seu pai. Não sei por que ele não mora com vocês e nem porque você não quer ir visitar ele. Mas você precisa ir, ele é seu pai.
Lia: — Não preciso ir e nem quero ir. Cara, por que isso agora? Eu não vejo ele tem anos.
Vitor: — Você vai sim. Lia, ele pode ter feito o que for contigo, mas não deixa de ser seu pai e ele tá vivo, ao contrário do meu...passa esse tempo com ele, é melhor linda. Ele deve estar sentindo sua falta e eu tenho certeza que você sente a dele também.
Lia: — Mas eu não gosto dele.
Vitor: — Por que não?
Lia: — Tipo, ele traiu minha mãe cara.. Depois simplesmente foi embora e nunca mais veio ver a gente, ele liga no Natal e tudo, mas minha mãe sofreu tanto, minha irmã...eu não quero ver ele. E além disso, ele só fica bebendo o tempo todo, não liga pra mais nada, sabe?
Ele abraça ela.
Vitor: — Calma, você disse que não vê ele a anos...vai que ele mudou, sei lá.
Lia: — Eu tenho certeza que não. Eu não vou.
Vitor: — E se eu for contigo?
Lia: — Aí já é outra história (risos)
Vitor: — Então faz assim, você vê com sua mãe tudo certinho e depois só me fala o dia... aliás, onde ele mora?
Lia: — São Paulo. Tem certeza que a gente tem que ir?
Vitor: — Tenho. Vai ser legal, cê vai ver.
Lia: — Se você diz...
Vitor: — Vem cá, linda.
Lia estava confusa, mas quando Vitor a beijou, todos os pensamentos sobre seu pai desapareceram e no lugar só ficaram os pensamentos bons. Pensamentos de que se ele estivesse com ela, tudo iria ficar bem, por mais que ela detestasse seu pai e não quisesse vê-lo de novo aquilo não importaria, afinal, só seria mais uma semana...uma semana que ela passaria inteirinha com Vitor ao seu lado.
Dois dias depois...
A viagem havia sido ótima e o avião de Lia, Fatinha, Vitor, Paulina e Tatá tinha acabado de pousar, eles pegaram suas malas e Paulina pedia um táxi para ir à casa do pai de Lia, onde eles ficariam a próxima semana.
Vitor até tentou fazer a irmã ficar no Rio, mas na hora que soube que eles iriam pra São Paulo, Fatinha não quis saber e obrigou ele a levá-la também.
No táxi.
Lia: — Eu não acredito que tô aqui. Vitor, você ainda vai me pagar por isso (risos)
Vitor: — Cê ainda vai me agradecer um dia, anota aí.
Lia riu: — Veremos
Tatá: — Eu sinto falta do papai, ele era super legal com a gente, né Lia?
Lia: — Quando não estava bêbado ou traindo nossa mãe, era sim. Ou seja: nunca.
Vitor: — Revoltada (risos)
Lia: — Você fica mais bonitinho quando tá quietinho, sabe?
Fatinha olhava pelas janelas do táxi, hipnotizada com o número de pessoas na rua, os congestionamentos, os prédios, tudo.
Fatinha: — Cara, esse lugar é demais.
Lia: — É igual o Rio, tudo a mesma coisa.
Vitor: — Sabe que eu tenho uns amigos que moram aqui?
Fatinha: — Depende, o NOSSO conceito de amigo ou o SEU conceito de amigo?
Vitor: — Qual a diferença?
Fatinha: — No nosso conceito, amigo é aquele que te ajuda nas piores horas, tá sempre contigo e tudo. Agora, no seu conceito, amigo é aquele que te incentiva a usar...
Vitor(interrompendo-a): — TÁ, TÁ. A gente já entendeu, né.
Ele apontou com a cabeça para Tatá e Paulina, lembrando a irmã de que nenhuma das duas sabia da história.
Vitor: — Eu vou até mandar uma mensagem pra eles, pô...tanto tempo que não vejo esses caras.
Lia: — Graças a Deus né.
Vitor: — Cês querem parar com isso? Vocês nem conhecem eles.
Fatinha: — Eu conheço alguns.
Vitor: — Não os que moram aqui. Aliás, meu melhor amigo de Brasília mora aqui...ele até passou uns tempos no Rio e depois veio pra cá.
Fatinha: — Quem é?
Vitor: — Você não vai conhecer. Eu tinha 14 anos na última vez que vi ele, um tempo depois ele foi pro Rio e depois ele até fez umas viagens internacionais...mas agora tá morando aqui em São Paulo mesmo.
Fatinha: — Me diz o nome dele, vai que eu conheço.
Vitor: — Adriano.
Notas finais
Comentem o que acharam.
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