Meu Pesadelo

1 Capitulo Único


Notas iniciais
Muito curto, eu sei, mas eu precisava escrever, essa historia é, literalmente, um pesadelo que eu tive, com algumas poucas modificações.

Não me lembro muito bem do dia em que morri. Nada estava claro e tudo estava muito confuso naquele dia, os pássaros nadavam, os peixes pulavam, as pessoas voavam. Respirar doía e o coração não batia.

Por algum motivo eu estava sentindo algo confuso e claro ao mesmo tempo; melancolia, tristeza, ódio, solidão, e muitos outros sentimentos tão novos em mim que nem mesmo o nome eu conhecia.

Notei então que eu estava deitado. Deitado em algo macio, mas que estranhamente me machucava. Com uma lentidão digna de pena, abri os olhos, tudo estava escuro, mas mesmo assim eu conseguia ver o meu próprio reflexo, não o reflexo de um espelho, e sim o reflexo de toda uma vida, a minha vida. Entendi então a cruel verdade: eu estava morto, mas toda a minha tristeza não era por causa disso, a morte parecia algo banal. Percebi uma silhueta se aproximando, mas eu não via com clareza, parecia apenas uma mancha escura.

Antes das perguntas ecoarem em meus próprios pensamentos, a mancha escura respondeu em minha mente: “Eu sou a morte, e você esta em seus próprios pesadelos, nunca conseguirá sair, e ao mesmo tempo nunca esteve”.

Então todo o cenário mudou, mais rápido que a luz, eu estava em um quarto de hospital, de pé ao lado da cama vazia, e, embora estivesse claro, a morte ainda era apenas uma mancha escura. Literalmente do nada, uma pessoa apareceu sentada do lado da cama, a bela garota que havia aparecido era a visão mais perfeita que eu já havia visto, ainda que não me lembrasse de muita coisa antes de acordar. A garota segurava o nada, como se segurasse a mão de alguém invisível que estivesse na cama de hospital, e chorava muito, seus olhos estavam tão vermelhos quanto o sangue. Instantaneamente senti que já conhecia aquela garota, e que eu a amava e que ela me amava.

“De fato, ela esta chorando por você”, a morte disse em meus pensamentos.

Novamente o cenário mudou, agora eu estava no alto de um prédio, e prestes a se jogar, a bela garota estava. O instinto me disse para impedi-la, mas havia algo em mim que desejava que ela se jogasse.

“Se a ama, não a impeça”, novamente a morte disse.

Então a garota se jogou, mas antes dela chegar ao chão, o cenário novamente mudou, eu estava de volta ao lugar escuro, sentado com a bela garota dormindo em meus braços. Eu sussurrei em seu ouvido:

– Agora seremos felizes...

Mas para a minha surpresa, a bela garota e a morte responderam simultaneamente e com exatamente a mesma voz:

– Não, nós nunca seremos.

E não me lembro de mais nada, porque me perdi em pesadelos.

Notas finais
Me digam o que acharam.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!