Meu Pequeno Amor 2 - Segunda Geração
3 Não Estou Entendendo Nadinha
SCORPIUS
Tudo estava tão escurinho...
Esfreguei meus olhinhos, confuso. Uma dor chata ficava indo e voltando dentro da minha cabeça.
Levantei a cabeça, quase caindo deitado de novo, fosse lá onde eu estava.
Não gostava do barulho estranho ao meu redor.
— Acho que ele está acordando... chame os outros, Papoula.
— Outra reversão... será possível, Minerva?
— Não sabemos. Aconteceu há tanto tempo... embora seja o mesmo acidente...
Ouvi vários passos indo e voltando dentro da escuridão.
Pisquei, tentando enxergar alguma coisa.
Aos poucos, tudo começou a ficar claro na minha frente.
A primeira coisa que eu vi foi uma moça muito bonita, com olhos que pareciam duas gotinhas de água, me olhando assustada. O cabelo dela parecia uma fogueira de tão ruivo.
Franzi o cenho. Nunca a vira antes, mas, por algum motivo, ela não me era estranha.
Olhei ao redor. Não estava na mansão em que eu, papai e mamãe morávamos. Que estranho.
A boca da moça tremeu quando voltei a olhar para seu rosto.
— Scorpius?
Passei minha mãozinha na cabeça, sem entender nadinha.
— Como você sabe meu nome, moça?
Ela arfou baixinho, piscando e tremendo, como se fosse chorar.
Fiquei chateado... eu tinha falado alguma coisa ruim?
— Você não se lembra de mim, não é?
Fiz que não com a cabeça.
— Desculpa, moça. Lembro não.
A moça assentiu, ainda parecendo triste.
— Tudo bem. Não esperava... – engasgou – que fosse lembrar – respirou fundo, antes de continuar – sou Rose... Rose Weasley... pode me chamar de Rosie
Fiquei quase tão triste quanto ela estava. Não queria que a moça tão boazinha ficasse assim.
— Rosie – sorri, tentando animá-la – nome bonito – ri baixinho – ta bom, Rosie.
Rose sorriu também, parecendo menos chateada, e segurou minha mãozinha. A mão dela era bem maior do que a minha.
Havia uma bruxa mais velha, a alguns passos atrás de Rose, cuja foto eu já vira nos álbuns de escola de papai e mamãe.
Um homem e uma mulher, mais longe da gente, me olhavam de um jeito estranho, como se eu os estivesse assustando. O homem, de cabelos vermelhos, parecia muito com Rose.
Do outro lado, enxerguei dois vultos familiares.
Arfei, sorrindo,
— Mamãe! Papai!
Eles se aproximaram devagar, com o mesmo olhar surpreso de todos ali.
Senti meu sorriso diminuir, quando vi seus rostos. Pareciam bem mais velhos do que eu me lembrava.
O que havia acontecido?
Mamãe sentou ao meu lado, olhando para Rose, e de volta pra mim,
— Mamãe... – pedi colo com os braços, abraçando-a – o que tá acontecendo? Por que tá todo mundo assim...? – funguei – onde a gente tá?
Vi os olhos de mamãe olharem para meus dedinhos. Nunca tinha visto ela tão séria e assustada.
— Ah, querido... – ela fez carinho nos meus cabelos, e ficou com a mesma cara triste que a moça ruiva – eu queria poder explicar...
Ela virou a cabeça para a mulher idosa, engasgando.
A bruxa balançou a cabeça.
Mamãe voltou-se para mim, suspirando.
— Olha, Scorpy... você vai ter que ficar aqui um tempo, está bem? – senti seu braço tremer – o papai e eu vamos ficar um tempo longe... e você vai ficar com a Rosie.
Levantei a cabeça, chocado.
Ela nunca me deixaria com ninguém, exceto as babás da mansão. Não que a moça boazinha não parecesse legal... mas por que eu ficaria com estranhos?
— Mas mamãe... – choraminguei – por que não posso ir pra casa?
Papai se aproximou, me abraçando.
— É uma longa história, filho... – ele afagou meu ombro – vamos explicar tudo assim que puder, está bem? – ele se virou para Rose, que tremeu – queremos que você se comporte... e obedeça ela... até nós voltarmos para te buscar. Pode fazer isso, filhão?
Eu não conseguia entender. Papai e mamãe pareciam diferentes, estava num lugar esquisito, todo mundo me encarava com medo, e havia aquela menina que não me era nada estranha. Por que ninguém queria me explicar o que havia acontecido?
Porém, vendo o desespero no rosto de papai e mamãe, decidi que não iria discutir.
Se eles confiavam em me deixar com alguém que eu não conhecia, era por que era realmente muito importante. Então eu ia obedecer.
— Tudo bem, papai – desci do colo de mamãe, indo para o chão – vou ficar com a Rosie.
Eles sorriram, embora eu ainda soubesse que estavam preocupados.
Me virei para Rose, sorrindo, e fui correndo ao seu encontro.
Ela se abaixou, me segurando e me levantando para seu colo. Ela pareceu desajeitada, como se nunca tivesse segurado uma criança antes. Mas poucas vezes vira alguém me pegar no colo com tanto cuidado.
— Bem, então está decidido – a bruxa mais velha falou para meus pais – Rose ficara com Scorpius – ela me olhou, tossindo ligeiramente – até a data que nos será estipulada. Vou notificar os demais Weasleys – disse, olhando Rose – incluindo seus primos e seu irmão. Pedirei que, caso seja necessário, a ajudem nos cuidados do Sr. Malfoy.
Rose pareceu muito aliviada, me abraçando animadamente.
— Obrigada, Diretora. Muito obrigada.
Embora parecesse brava até àquela hora, a senhora, enfim, sorriu para Rose.
— Tudo vai se arranjar com o tempo – ela murmurou – enquanto isso, vamos retomar nossas rotinas. Nenhum aluno, além dos Potters e Weasleys, deve saber o que aconteceu.
E nem eu, pelo jeito, bufei, magoado.
Fazer o que. Se não tinha jeito...
Apesar de tudo, mesmo que não estivesse entendendo nadinha, estava até feliz por poder ficar com a tal Rose. Parecia ser uma pessoa muito legal.
Mas aqueles nomes... Potter. Weasley... eu tinha certeza de que já tinha os ouvido em algum lugar...
— Tudo bem – mamãe concordou, se levantando e dando as mãos com papai – melhor irmos agora. Draco e eu estamos trabalhando com o voluntariado de St. Mungus.
Papai se aproximou da gente, bagunçando meus cabelos e me fazendo rir.
— Se comporte, filho – ele olhou para Rose, parecendo segurar a vontade de sorrir para ela.
— Vou cuidar bem dele, Sr. Malfoy. Eu prometo – Rose falou, séria, apesar de eu poder sentir a tremedeira em sua mão.
Papai só piscou, abrindo um pequeno sorriso.
— Sei que vai – ele riu – disso eu tenho certeza.
Rose pareceu muito espantada, enquanto papai me dava um último abraço e saía daquele lugar estranho, com mamãe acenando para mim.
Quando os dois sumiram porta afora, senti um medinho se mexer em minha barriga, como um bichinho apavorado.
Eu já confiava naquela garota que acabara de conhecer. Então esse medo não era por me ver sozinho com uma completa estranha.
O medo era de que fosse lá o que tivesse acontecido fizesse com que eu nunca mais os visse á partir daquele dia.
Rose pareceu perceber minha preocupação, pois afagou minha bochecha, condoída.
— Vai ficar tudo bem, Scorpius – ela sussurrou – você vai ver...
Achei que Rose disse aquilo mais para ela do que para mim.
O casal que eu vira antes passou por ela, se despedindo.
— Pai... mãe...
Eles se entreolharam, de mãos dadas.
— Rony... não seja tão duro com ela – a mulher disse.
O homem ruivo suspirou.
— Embora ainda censure... – ele desviou do cotovelo da mulher, agoniado – tudo bem... desculpe, Rose. Acho que você já estava abalada o suficiente, sem ter que ouvir nosso sermão... eu... – ele pareceu tentar tirar algo irritante da garganta — eu não quis...
— Tudo bem, pai — Rose suspirou – vocês tem razão. Nós... – por que todo mundo estava engasgando daquele jeito? – eu... realmente me arrisquei. Foi culpa minha também.
A mulher de cabelos castanhos deu um meio sorriso.
— Às vezes esqueço como você se parece com sua mãe – o homem balançou a cabeça, olhando para a mulher e de volta para Rose. A mulher riu – tudo vai dar certo. Não se preocupe.
Rose acompanhou-os saírem do lugar onde estávamos, pela mesma porta que papai e mamãe haviam saído há um tempinho atrás.
Só ficamos eu, Rose e a bruxa idosa ali.
— Diretora – ela balançou a cabeça, voltando a estremecer – vou levar Scorpius para a Torre da Grifinória.
A mulher concordou com a cabeça.
— Faça isso, Srta. Weasley. Enquanto isso, notificarei os demais professores.
Senti Rose me descer para o chão, segurando minha mãozinha em seguida.
— Aonde a gente tá indo, Rosie? – perguntei, curioso, enquanto saíamos dali.
Rose me encarou, fazendo os olhos azuis brilharem nas sombras do corredor em que entramos.
— Estou te levando para conhecer minha família... – jurei que o som que ela soltou foi um choramingo – e contar á eles a presepada em que me meti dessa vez...
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