Estava dirigindo o meu carro até o orfanato, faltava mais ou menos 30 minutos para a aula começar, tinha que me apressar antes que chegasse atrasada.

Finalmente cheguei no local, entrei no estacionamento e parei o meu carro perto da porta da porta que levava a cozinha.

Desci do carro, e fui pegar as sacolas que precisaria usar na aula de hora, no banco de trás do carro.

— Senhorita Mikoto, pensava que não viria hoje – ouvi a Senhora Chiyo falando escorada no batente da porta que dava para a cozinha.

— Claro que eu viria Senhora Chiyo, sabe que nunca falto – falo, lhe dando um sorriso enquanto caminhava até ela com as sacolas.

— Oh querida, deixe-me te ajudar – disse, fazendo menção de pegar as sacolas de minha mão esquerda.

— Obrigada pela a ajuda, mas não precisa. Eu já vou ir entrando, até depois – digo-lhe agradecendo pela a ajuda enquanto caminhava para dentro.

Caminhei pelo o corredor, até chegar na sala em que eu dava aula.

Deixei as sacolas em cima da mesa, e comecei a preparar tudo para a aula.

Quando tudo estava finalmente estava pronto, comecei a ouvir as crianças correndo para cá.

— Tia Mikoto! – exclamavam todas alegres.

— Olá crianças, podem entrar, vamos começar a nossa aula de hoje. – falei com um sorriso gentil no rosto.

Logo todos começaram a se sentar nas mesas, e eu comecei com minha aula.

[...]

— Ok criançada, já é hora do almoço, vamos todo mundo se lavar para poder comer – falei, enquanto batia palmas para chamar atenção.

Os pequenos logo foram correndo para o banheiro se lavar, as monitoras estavam com eles, então não tinha que me preocupar.

Comecei a arrumar toda a sala, que estava uma verdadeira bagunça, e quando eu terminei, guardei as coisas em um armário que tinha ali na sala, e fui para o banheiro me lavar também.

No banheiro, limpei minhas mãos e meu rosto, também retoquei um pouco do meu batom que já estava saindo.

Sai do banheiro e fui em direção ao o pátio, sabia que as crianças estariam brincando por lá.

Chegando lá, me sentei no banco em que as monitoras estavam sentadas, e começamos a conversar sobre coisas banais.

— Mikoto! E como foi sua aula? – Rin, uma das monitoras me perguntou.

— Ah, foi ótima como sempre, as crianças são uns amores – digo sorrindo.

— São mesmo, elas- – ela própria se interrompeu, olhando para um ponto atrás de mim – Hideki cuidado! Você vai se machucar – ela se levantou, e foi em direção de uma criança que estava tentando subir uma arvore.

Dou uma olhada pelo o pátio, até meu olhar parar em um ponto especifico.

Um menininho de cabelos pretos, estava sentado num balanço afastado, sozinho.

— Quem é aquele menino? – pergunto, enquanto aponto para a criança.

Elas olharam na direção em que eu apontei.

— Ah, é o Sasuke, ele tem 5 aninhos, foi transferido para cá essa semana, parece que ele sofria bullying no outro orfanato, e veio para cá – falou Matsuri.

— Como ele veio parar no orfanato? – pergunto curiosa em relação aquela criança.

— Os pais dele eram dois viciados, o maltratavam muito, a policia viu eles fazendo isso na rua, e o trouxeram – ela falou com certo pesar na voz.

Fico o observando por um tempo, até que decido que vou lá e me levanto.

— Aonde você vai?

— Vou falar com ele, já volto – e comecei a ir em direção a Sasuke.

Paro em sua frente, vejo ele levantar a cabeça para me olhar e me olhar estranho.

— Oi! Tudo bem? – perguntei, enquanto me agachava em sua altura.

Ele apenas balançou a cabeça, confirmando, de maneira tímida.

— Sabe, eu estava te vendo de longe, por que esta aqui sozinho? Não quer brincar com as outras crianças? – pergunto de maneira curiosa.

— Eu não quero brincar com elas... – ele falou bem baixinho, com a cabeça para baixo – Elas vão falar coisas ruins para mim – vejo que seus olhos já começam a marejar.

— Ei, ei, ei, ta tudo bem, não precisa brincar com elas – digo, secando uma lágrima que escorreu em seu olho direito.

Ele apenas balança a cabeça para cima e para baixo.

Fiquei pensando um pouco, e tive uma ideia.

— Sabe... – falo, fazendo um ar de mistério, e percebo que Sasuke me olha curioso – Você não quer brincar comigo? – vejo ele franzir o cenho.

— Mas você é adulta...

— Oras, só por que sou adulta eu não posso mais brincar? – digo com um ar mais descontraído, tentando o fazer sorrir.

— Mas é estranho...

— Que estranho nada! Vamos lá, do que você quer brincar? – o pergunto.

Ele parece pensar um pouco, quando parece que ele escolheu, Sasuke fala um pouco tímido:

— Pega-pega

— Vamos brincar de pega-pega, então – digo com um sorriso – Ta com você! – falo, tocando em seu braço e me afastando logo em seguida.

Ele se levanta do balanço, e começa a correr atrás de mim, me esquivo de algumas tentativas dele me pegar, mas logo ele conseguiu.

— Ta com você! – ele fala visivelmente mais alegre.

Conforme brincávamos, outras crianças entravam na brincadeira, e quando menos percebo, todos já estavam brincando com a gente.

Ouvimos o sino que dona Chiyo tocava, dizendo que já era para entrar.

— Vamos crianças! A brincadeira estava boa, mas já acabou – ela falava enquanto todo mundo resmungava enquanto entrava.

Sasuke e eu estávamos mais atrás de todos, olhei para ele, e ele parecia chateado que a brincadeira acabou.

— Ei! Não fica chateado não, semana que vem eu vou voltar e a gente brinca de novo, ok? – digo, sorrindo para ele.

Ele olhou para mim e sorriu, o sorriso mais lindo que eu já o vi dar até agora.

— Obrigado por não me deixar sozinho tia – ele falava tímido.

— Que isso! Somos amigos agora, amigos nunca deixam o outro – falo, bagunçando um pouco seus cabelos.

Entramos no refeitório, olho para o meu relógio, e vejo que já está na hora de ir.

— Tenho que ir Sasuke, a gente se vê pequeno. – digo acenando para ele, enquanto vou para a saída do orfanato.

[...]

Conforme as semanas passavam, percebia que em vez de ir só em um dia, eu ia em três dias da semana. Nesse tempo o Sasuke mudou bastante, estava cada vez mais alegre, social, agitado, e ele até conseguiu alguns amiguinhos, e mesmo sem querer, percebia que a cada dia eu me apegava mais a ele, até que uma ideia passou pela minha cabeça, sei que isso mudaria toda a minha vida, mas eu estava disposta a fazer, e era sobre isso que eu vim tratar hoje.

Estava na sala da Senhora Chiyo, ela estava me explicando sobre todo o processo de adoção, eu estava querendo adotar Sasuke.

— Entendeu Mikoto? – Chiyo me perguntou.

— Sim. Mas antes de eu tomar qualquer decisão, eu vou falar com ele – a encaro.

— Tudo bem, você já sabe aonde fica o quarto dele.

— Obrigada Senhora Chiyo – falo me levantando junto com ela, e pegando sua mão.

— Sei como você se sente Mikoto, já passei por isso – ela dizia, sorrindo para mim.

Me despeço dela e saio de sua sala. Enquanto caminhava até o quarto de Sasuke, uma ansiedade me tomava por inteiro, eu já o via como meu filho, só me restava saber se ele me via como sua mãe.

Paro em frente a sua porta e respiro fundo antes de dar uma batidinha e entrar, o encontrado na escrivaninha desenhando.

— Sasuke – o chamei.

Quando ele olhou para mim, ele abriu um grande sorriso, e veio até mim, me abraçar.

— Tia Mikoto! – ela falava abafado por causa do abraço.

Retribui o abraço dele, e logo nos afastamos.

— Eu vim conversar com você Sasuke – falo séria para ele.

Ele fez uma expressão de confusão em seu rostinho, me sentei na sua cama e dei um tapinha no espaço ao meu lado, o chamando para sentar.

— O que foi tia? – ele me perguntava confuso.

— Sasuke... – respiro fundo antes de começar a falar – Nessas últimas semanas, você se tornou uma pessoa muito importante para mim e... – pauso um pouco antes de continuar – Eu andei pensando muito sobre o assunto nesses últimos dias e eu... eu... quero adotar você. – falo por fim.

Eu olho para o seu rosto, eu via um pequeno brilho se formar em seus olhos.

— Você... me aceitaria como sua mãe? – pergunto esperançosa.

Por fim, ele me abraça, fico parada por um tempo, mas logo retribuo o abraço.

— Você já é minha mãe... – ele falou para mim.

Não consigo me segurar, e logo já estou chorando, o abraçando forte.

— Eu vou cuidar de você, meu pequeno. Eu prometo – falava com minha voz embragada pelo choro.

— Eu acredito em você.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!