Meu Parceiro De Apartamento
34 Capítulo 34 - Alvoroço
Notas iniciais
Eu já não estava perto daquela aberração. Ao ver aquela foto, corri para os fundos da faculdade. Pouco me importava se haveria aula ou não. Obviamente eu seria motivo de chacota, e isso era algo que eu não admitia.
Enquanto eu pensava absurdos a fazer até que David visse aquilo era amedrontador. Pensei em ficar lá ate acabar o dia, ou não, minha cabeça girava.
Autora narrando
David corria desesperado até a sala de Peter, na cabeça de David, com certeza o culpado por tudo aquilo com Liza, era Peter. O ódio corria pelas suas veias, e era quase certo que ele não se responsabilizaria por seus atos.
Liza já havia dito que não tinha culpa do beijo, e ele acreditou, óbvio. Não tinha por que desconfiar da garota que ele amava.
Abriu a porta da sala de aula com força, arrancando gritinhos de algumas meninas que não pareciam ter visto a foto, pelo menos nem todos haviam visto, ele pensou.
– Cadê o Peter? – perguntou com ira na voz.
– E-Ele saiu faz um tempo, parecia com medo de alguma coisa. – respondeu uma loira.
David passou por outros lugares até encontrá-lo. O viu arrancando algumas fotos que havia em outro local mais longe da multidão. David foi até ele, queria uma explicação convincente. Puxou-lhe pelo ombro com certa rudeza.
– Ei, cara, o que é? – perguntou Peter, após o susto.
– Me diz, foi você que colocou esse pôster aqui, não foi, imbecil?
– Como é?! Óbvio que não! Ficou burro, por acaso? – perguntou com o cenho levemente franzido. – Eu fui a todos os lugares que tinha essa maldita foto para arrancá-las!
– Ah, é? Estou muito confiante em você. Não sou eu que forcei a beijá-la por que estava apaixonado.
– Eu já pedi desculpas a ela! E sei que você sabe a real história. Até Mary já sabe, e confia em mim.
– É, ela me disse, mas como eu não vou saber se você está de acordo com o dito cujo que bateu a foto de vocês?
– Ache o que bem entender. Eu estou do lado de vocês dois, se quer sab-
Peter foi interrompido por uma risada irônica de David.
– Você?! Aprovando nosso namoro?! Ok, minta para outro, sei que ainda gosta da Liza.
– É, eu gosto, mas como amiga! Você está paranoico, David, eu sei que ela te ama, e consequentemente você também. Não quero mais me intrometer na vida de vocês, que droga!
David, por algum motivo, estava até achando verdade o que ele dizia, mas se não foi ele, quem poderia ser? Não queria perder o tempo discutindo com essa pessoa, o mau já estava feito, agora era tentar amenizar o alvoroço dos outros alunos.
– Ah, droga! Que seja, espero que esteja falando a verdade. – suspirou. – Cadê a Liza?
– Não sei... ela provavelmente deve estar morrendo de vergonha em algum lugar.
– Vou procurá-la, tente se comunicar com o diretor, estou com sorte de não ter passado por ninguém.
– Ok, vou falar com ele.
Ambos se separaram. Agora o problema era saber onde Liza estava. Ela poderia estar em algum lugar escondido do resto. David pensou um pouco e resolveu procurar do lado de fora.
Enquanto isso, Peter chegava até a sala do diretor, mas foi barrado por alguns garotos.
– E aí, Peter? Quer dizer que você pegou a Liza?
– Calem a boca, não me venham dizer que tenho algo a ver com a foto!
– Ok, mas não me venha dizer que não a beijou. – disse um deles ironicamente, Peter respirou fundo.
– Sim, eu a beijei, mas não temos nada, já conversamos sobre aquilo.
– Mesmo assim, vai ser difícil convencer o resto do pessoal. – riram todos e retiraram-se para outro tumulto.
Pronto, agora era a hora. Peter bateu na porta do diretor e a abriu logo em seguida. Lá já havia três professores, e pelo que parecia, ele já estava para se levantar e sair de sala, não parecia feliz.
* * *
Liza narrando
Me sentei no chão, eu queria pensar, esperar, chorar, qualquer coisa. Mas eu estava com medo de David acreditar em alguma mentira e me encontrar para terminar tudo, comecei a chorar baixinho, tentando me controlar.
De repente escutei um barulho vindo de meu lado, fiquei com medo de quem poderia ser, então engoli o choro e fiquei quieta.
– Liza? – gritou David, parecia preocupado.
Minha vontade era abraçá-lo, mas tive um pouco de receio de ir até ele. Continuei em meu lugar, esperando que ele chegasse e brigasse comigo.
– Oh, Deus, Liza!
David correu até mim e me abraçou. Não aguentei ficar mais tempo calada e retribui seu abraço, não era possível ele estar com raiva, não mesmo.
– V-Você não... está com raiva? – perguntei entre soluços.
– Como? Jamais, Liza. – beijou o topo de minha cabeça.
– E as pessoas? O que te disseram?
– Muita merda, mas não se preocupe, sei que você não mentiu pra mim – sorriu. – Peter já foi até o diretor, com certeza essa droga vai terminar.
– Obrigada, David, então você não brigou com Peter?
– Não, mas não vou te dizer que confio muito nele.
– Tudo bem...
– Vamos?
Afirmei com a cabeça e saímos. Eu ainda estava com muito medo, mas ao mesmo tempo queria saber quem era o responsável por tudo aquilo. Se eu soubesse, com certeza eu não o perdoaria. Até porque ela deveria me odiar por fazer isso.
Fomos até a entrada da escola novamente, me assustei ao ver o diretor com todos os alunos por perto. E o rosto dele não estava nada bom.
– POR ISSO, EU QUERO SABER QUEM FEZ ISSO! AGORA!
Meu sangue gelou. David me arrastou até a frente de todos, e claro, os alunos me encararam como se eu fosse um alienígena.
– Com certeza a Liza não deve estar nada feliz com isso! Peter já me explicou tudo, e claro, não há por que de se intrometer na vida dela. – ele havia cessado os gritos, mas a ira na sua voz era aparente.
– D-Diretor... – o chamei.
– Sim, Liza?
– Acho que não deveríamos pedir para quem fez isso se manifestar...
– Mas-
– Se essa pessoa tiver noção do que fez, ela com certeza vai ter a menção de aparecer – respirei fundo. – Eu só queria que todos não me atormentassem mais com isso, por favor.
Todos que estavam ao meu redor disseram alguma coisa como: Desculpa. Não vai mais se repetir, etc. Eu estava com muita vergonha, eu só queria me enterrar no chão e sumir, Peter estava perto do diretor, mas logo me deu um sorriso amarelo e eu retribuí.
– Estão suspensos por hoje. Não acredito que vocês me fizeram dizer isso, mas é o jeito – resmungou, mas logo voltou a falar. – E para todos, se eu descobrir quem fez isso, não será nada bom.
Até eu tive medo de seu modo de falar. David me acompanhou até minha sala para que eu pegasse minha bolsa. Chegando até lá, vi Luce, Nataly e Lionel, os três pareciam assustados, meio que arrependidos. Peguei minha bolsa sem falar com eles.
– Ei, Liza... – disse Nataly. – D-Desculpa...
– Não precisa se desculpar... – respondi, ríspida por conta da raiva. – Vocês não têm culpa de nada...
– Não está chateada com a gente? – perguntou Lionel, eu sorri fraco.
– Claro que não, jamais. Até amanhã. – e saí rapidamente.
Logo depois, fui com David até sua sala e ele fez o mesmo. Não nos despedimos de ninguém e fomos para casa.
* * *
Saí do banheiro após um longo banho, quando chegamos, almoçamos como o normal, logo cada um foi tomar seu banho. Ao sair, me vesti com uma roupa casual e me deitei um pouco. Pensei em tudo que havia acontecido, pareceu tudo tão rápido que nem percebi o que realmente tinha se passado.
23h25m
Acordei brutamente ao escutar meu celular que infelizmente me esqueci de deixar desligado. Peguei-o. Era uma mensagem com um número desconhecido. Pensei em não ver, mas poderia ser importante.
De: Desconhecido
Para: ****-****
Olá. Sei que o número é desconhecido, mas eu te conheço, e você também me conhece. Pois é, antes de tudo quero pedir que você até a praça perto da faculdade, e deve ser agora, mas por favor, não leve ninguém a não ser si mesma. Quero pedir muitas desculpas pelo que fiz com você em relação... a foto.
Arregalei meus olhos, assustada, apavorada. Como assim a pessoa que fez aquilo queria me encontrar? E se fosse uma mentira? E se fosse alguém querendo me fazer outro mal? Pensei rapidamente, aquela poderia ser minha única chance de descobrir quem era o mal feitor de tudo aquilo.
Coloquei um short e uma camiseta de manga média e saí lentamente do apartamento. Outro porteiro fazia o trabalho àquela hora, tentei parecer menos tensa ao sair.
Por sorte a praça era bem perto do apartamento. A rua estava deserta e eu tinha péssimas recordações. Corri até o ponto dito, mas levando comigo o celular para qualquer coisa.
Ao chegar, comecei a andar mais devagar, vi alguém sentado à uma das cadeiras. Provavelmente ela sabia que eu tinha chegado e se virou para mim, logo se levantando com um rosto triste, melancólico.
– Meu Deus, não acredito. VOCÊ?!
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