Meu One Piece

1 Meu One Piece


Notas iniciais
Sempre recomendo que leiam minhas songfics ao som da música que a inspirou.
Aqui segue o link da música no YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=1G0c8awOY2Y

Boa Leitura!

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Gostaria de agradecer IMENSAMENTE à Luly (Akemihime) pela ajuda com relação aos acontecimentos do anime/mangá, foi graças à ela que consegui escrever. E obrigada também por ter sido minha cobaia, Lulyts! KKKKKKK

Enfim, tudo pra ti, Mays querida!♥
Espero que goste.

Meu One Piece



Mal havíamos zarpado de Dressrosa e o “caos” já se instaurava no Thousand Sunny. Era aniversário do capitão. Uma festa estava sendo preparada na proa do navio e só se via o pobre do Sanji correndo de um lado pro outro, tentando dar conta de montar uma mesa decente sem que o aniversariante a esvaziasse por completo antes mesmo da festa começar.


Franky ajudava com as bebidas (Supeeer Cola, claro). Brook afinava seu violino para a hora do “Parabéns”. Zoro bebia calmamente uma garrafa de sakê enquanto Robin bolava o discurso para as homenagens do dia. Usopp se divertia contando suas histórias mirabulosas para o pequeno Chopper.


Debruçada sobre a grade, eu observava a ilha, que ficava cada vez mais distante. Desde que saí de lá, sinto que algo que me aflige. Talvez algo tenha despertado dentro de mim, depois que conheci “aquele lugar”. Talvez esse algo sempre estivera ali e eu nunca percebera. Talvez...?


********


Pedras rústicas e acinzentadas abriam caminho por entre inúmeras cerejeiras. As pequenas flores caíam numa dança sinuosa junto à brisa, iluminadas pelos raios de sol que se esgueiravam por entre os galhos das frondosas árvores. Como gotas de chuva, delicadas, beijavam o chão sem cor, tingindo-o com parte daquele céu cor-de-rosa.


Inebriada pelo perfume, eu apenas observava quando, então, um casal passou por mim: mãos dadas, passos lentos acompanhados pelo estalar de uma bengala, sorrisos estampados nos rostos marcados pelo tempo e uma cumplicidade que parecia ser compreensível apenas para eles mesmos.


Ao contrário da grande maioria das garotas, raramente me questionei a respeito do amor. O mais perto que cheguei desse sentimento foi com meus amados Berries, creio eu. Contudo, eis que me vi, diante daquele casal, divagando sobre as possibilidade de, um dia, quem sabe, encontrar um amor assim...


********


As imagens daquele dia, numa praça de Dressrosa, ainda permaneciam vívidas, em minha mente. Olhando as ondas do mar a refletir o brilho do sol, não pude deixar de recordar as palavras de Bellemere-san: “Sejam felizes.”


Automaticamente, fui tomada pelas imagens nefastas do meu passado. Me lembro claramente: eu odiava piratas.


********


Luffy seria apenas mais um no qual eu passaria a perna. Tão ingênuo...ele era uma vítima perfeita. Assim que tive a oportunidade, roubei seu navio, junto com os tesouros que tínhamos juntado até então.


Sim, não nego que me senti mal com aquilo; o pessoal do bando era muito legal para comigo; eu tinha realmente me divertido muito com eles...mas eram somente piratas, no final das contas.


Desembarquei na ilha Conami. Assim que meus pés pisaram aquele chão, fui chamada à realidade. Inacreditável, mas devo admitir que aquele bando de piratas me proporcionou uma grande sensação de acolhimento e segurança. Em alguns momentos eu cheguei até a me esquecer do meu objetivo. Cheguei até a esquecer...que eu estava sozinha.


Sozinha de novo,

assombrada por todas as suas sombras

e memórias.


Vingar minha mãe. Libertar o meu povo. Só eu poderia fazer isso, ninguém podia me ajudar, não queria envolver ninguém nisso, não queria que mais ninguém morresse. Eu tinha que ser forte. Porém, conviver com meu inimigo, ocultar o meu ódio, fingir, fingir que eu estava bem...e, no fim, descobrir que todo o meu esforço fora em vão, jogado fora numa manobra trapaceira daquele maldito homem-peixe, foi um fardo pesado demais para carregar.


Quando meus amigos do vilarejo passaram por mim, senti como se as vidas deles estivessem se esvaindo por entre meus dedos. Eu não podia fazer mais nada. A risada do maldito Arlong ecoava na minha cabeça. Vislumbrei a tatuagem que carregava no braço, símbolo daquele demônio...aquela era a única forma que tinha para atingí-lo? Revoltada com o sentimento de impotência, comecei a esfaquear meu próprio braço desesperadamente, quando, para a minha surpresa, fui parada. E o vi; mesmo depois de tudo, lá estava ele.


- Luffy?...O que você quer? Você não sabe de nada. Você não sabe o que tem acontecido nessa ilha nos últimos oito anos...


- É. Eu não sei.


- Não é da sua conta! Eu te falei pra sair dessa ilha, não falei?!


- Sim. Você falou.


- Então vá! Você! Vá embora! Vá embora! Vá embora!...


Por que eu tinha tanto medo de me abrir? De admitir que precisava de ajuda? Era como se meus gritos de socorro fossem abafados por uma densa e fria tempestade.


A mais fria das chuvas

esconde emoções que estão transbordando

de mim para você.


Como um animal, acuada, jogava terra em sua direção, como se pudesse afugentá-lo com aquilo. Por quê?! Por que ele ainda insistia em ficar lá? Por que ainda confiava em mim? Por que ainda se importava comigo?! No meio de todo aquele desespero, vendo-o imóvel atrás de mim, meu coração tão teimoso e calejado acabou se abrindo: eu precisava de ajuda. Será que alguém poderia me ajudar? Alguém poderia me socorrer?...


- Luffy...ajude-me. – minha voz, embargada pelas lágrimas, implorou.


E então, ele colocou seu chapéu em mim. Depositou seu maior tesouro sob minha guarda. Justo eu: traidora, ladra.


- É pra já! – ele gritou.


********


Luffy me libertou de várias formas. Destruiu a sala de cartografia, a cela que me prendeu durante longos oito anos, e junto com ela, os mapas, fruto da minha dor. Destruiu Arlong Park. Derrotou Arlong.


E então, aquelas palavras que ele gritou: “Nami, você é minha companheira!”. Quebradas estavam as correntes que prendiam meu coração. Pela primeira vez, em tantos e tantos anos, senti o que era ter esperança.


Olhando meus amigos agora, vejo que o caso deles foi bem parecido com o meu.


Zoro era um lobo solitário, não podia contar com ninguém. Orgulhoso demais para pedir qualquer tipo de ajuda, vagava sozinho, sendo corroído pelas lembranças de sua amiga que faleceu há anos atrás; movido única e exclusivamente pela promessa que fizera diante da morte dela. Capturado pela Marinha, foi salvo. Salvo da execução e também da solidão. Encontrou em Luffy uma pessoa que realmente acreditava em seu sonho e em seu potencial, um amigo com um sonho tão ambicioso e grande como o dele, alguém pra sonhar e batalhar junto com ele.


Sanji, apesar dos sofrimentos passados, tinha uma “família”. Porém, apesar de todo o amor e carinho, essa mesma família o prendia. Por gratidão a seu salvador, a quem tinha como um “pai”, Sanji, que sempre sonhara em encontrar o All Blue, acabou deixando seu sonho de lado, trabalhando apenas como cozinheiro no Baratie. Contudo, Luffy apareceu em sua vida, convidando-o para explorar o mar. O sonho, d’antes adormecido, despertou mais forte do que nunca.


Usopp era um mentiroso sonhador. Criava mundos só seus, buscando neles um refúgio da dor que a realidade lhe impunha; até que um dia, se viu forçado a encarar essa realidade, em uma de suas mais tenebrosas faces. Estava com medo, muito medo. Se viu sem saída, encurralado por suas próprias mentiras de outrora. Luffy lhe estendeu a mão e o ajudou a transformar aquela realidade terrível em apenas mais uma de suas mentiras malucas.


Brook foi fadado à vida eterna e, consequentemente, à solidão. Viu seus companheiros morrendo um a um, encarou a própria morte, voltou dos mortos num corpo totalmente “seco” pelo tempo. Como se não bastasse a dor e a saudade que sentia de todos que partiram, acabou prisioneiro da escuridão. Um músico sem platéia. Afinal, quem ia querer ficar perto de um esqueleto?...O Luffy, claro. E assim, Brook ganhou esperanças de realmente se sentir “vivo” mais uma vez, sorrindo, se divertindo, com amigos. Logo, a imortalidade deixou de ser um peso, passando a ser “uma chance”. Uma chance de cumprir a promessa em nome de sua tripulação e reencontrar Laboon.


Louco novamente,

forçado a encarar toda a verdade,

e existir, e existir...

É como se com aquele sorriso e olhar confiante, Luffy tivesse nos dito calmamente, em cada um desses momentos cruciais em nossas vidas:


Tudo o que você tinha que dizer

era que queria minha ajuda

para sair dessa vida, para sair dessa vida...

e eu teria ido!


Já a Robin, nunca sentira o que é o carinho de uma mãe. Nunca soube o que era ser protegida. Todos a taxavam de “monstro”, inclusive sua tia, que fora sua mãe de criação. Rejeitada, excluída, sozinha. A única família que conheceu, ou algo próximo disso, foram os pesquisadores de Ohara. Seus únicos amigos eram os livros. Quando finalmente encontrou um amigo, sua vida logo entrou num turbilhão em meio à chegada de sua mãe e uma guerra política. Sangue, lágrimas, palavras não ditas, sentimentos não vividos e o adeus...o adeus à sua mãe, à Saulo, aos pesquisadores, à sua terra natal. Perseguida constantemente desde pequena pelo simples fato de ter nascido em Ohara e adquirido o conhecimento dos pesquisadores que a criaram, Robin aprendeu que não podia confiar em ninguém. Foi traída inúmeras vezes por pessoas que só visavam sua recompensa. Por velhinhas, por pais de família...e até mesmo os piratas, que tal como ela, eram procurados pelo governo, logo resolviam entrega-la para a Marinha pelo fato dela trazer muitos problemas. Trazer muitos problemas por simplesmente...existir. Após tantos anos de sofrimento, mesmo depois de ter nos conhecido e se tornado nossa amiga, Robin parecia decidida a desistir da própria vida.


A tortura em que eu mesma me coloquei,

lá dentro,

não quer parar.

Morrendo por dentro,

rachando, desmoronando,

até me tornar nada.


Um dia, enquanto falávamos sobre nosso capitão, Robin-chan me contou sobre aquele momento. Ela disse que realmente, estava disposta a morrer ali, mas que a determinação e firmeza no olhar do Luffy, de alguma forma, lhe devolveram uma esperança que ela já havia perdido há muito tempo. A esperança de desfrutar da vida, de viver, simplesmente. De ter amigos em quem confiar. Se sentir querida e protegida. Confiou em seu capitão e gritou com todas as forças de seus pulmões o que estava entalado em sua garganta durante todos esses anos: “Eu quero viver!”. Ao ouvir o pedido de Robin, me lembro de ver Luffy abrindo aquele sorriso novamente...


Tudo o que você tinha que dizer

era que queria minha ajuda

para sair dessa vida, para sair dessa vida...

e eu teria ido!


Chopper foi renegado por seus próprios pais e sua própria “família”. Tudo por ter nascido com o nariz azul. Uma diferença tão pequena, provocando um estrago tão grande na vida daquele pequeno ser, doce e inocente. O problema se agravou ainda mais depois de ele comer a hito hito no mi. O pobrezinho foi completamente abandonado. Sofrendo o preconceito também dos humanos do vilarejo, foi tirado da solidão pelo Dr. Hiluluk, a quem tomou como seu “pai”. Com a morte trágica do mesmo, ficou sob a tutela da Dra. Doctorine. Mas sentia falta do companheirismo e da alegria do Dr. Hiluluk. Chopper sempre quis ter amigos, mas tinha muito medo, não confiava em ninguém. E então Luffy chegou, o medo foi se esvaindo. Chopper não só ganhou os amigos que tanto queria como também virou o “mascote” favorito da Robin-chan e do Zoro.


O pai de Franky foi assassinado por piratas. Portanto, ele também os odiava. Estava perdido nesse ódio, buscando aniquilar todo o pirata que aparecesse por perto. Isso até conhecer o Luffy. Franky recuperou sua alegria e retomou seu grande sonho: construir um navio que navegue por todos os mares. E que oportunidade melhor de fazer isso do que ao lado daquele que seria o Rei dos Piratas?


Me peguei sorrindo, espontaneamente, envolta nesses meus pensamentos. No fim das contas, todos nós não passávamos de uns teimosos cabeça-dura, querendo sempre resolver as coisas sozinhos, negando precisar de ajuda, relutando em desabafar, temerosos em machucar novamente nossos corações, já tão calejados pelo passado.


O Luffy pode até parecer um tanto quanto “bobo” de vez em quando, mas devo dizer que ele é a pessoa mais sábia que eu conheço. Em palavras tão simples, ele nos ensina tanto, mesmo sem perceber...


“Eu não sei usar espadas, não sei navegar, também não sei cozinhar e não sei mentir...o que eu sei, é que dependo dos meus amigos se quiser continuar vivendo.”


Luffy... – virei-me para observar um pouco da movimentação da festa. Luffy sorria, com a boca cheia de comida, um pernil em uma mão e uma caneca de vinho na outra. – Não pude conter meu gracejo. Ele sempre carrega um sorriso sincero no rosto. Mas ele também já passou por tempos muito difíceis. O mais difícil deles, muito recentemente...


Eu me lembro muito bem. Luffy chegou feliz em nos reencontrar. Durante o dia ele parecia normal, porém tinha alguns lampejos de melancolia no olhar. Como estávamos antes isolados em ilhas, só depois soubemos o que acontecera com o irmão dele. Jinbei chegou a comentar alguns detalhes conosco. Imagino como Luffy se sentia. Ele fez de tudo para salvar o irmão, mas Ace acabou escolhendo seu próprio destino. Defender o nome de seu “pai” e, por fim, salvar a vida de Luffy. Podia não aparentar tanto, mas Luffy havia sido gravemente marcado naquela guerra, em Marineford. Uma cicatriz maior e mais profunda ainda do que aquela que ele agora ostentava em seu peito. Me lembro de como ele delirava, desesperado, à noite, atormentado por pesadelos que cheiravam à sangue, dor e morte:


Oh, oh, oh

Eu sigo em frente sozinho

sabendo que minha dignidade é forte.

Se eu a tivesse jogado fora por completo,

você ainda estaria aqui comigo hoje,

mas por dentro, eu estaria vazio.

Tudo o que você tinha que dizer

era que queria minha ajuda

para sair dessa vida, para sair dessa vida...

e eu teria ido!

E então você foi embora,

com nada mais a dizer.

Eu nunca me senti tão inútil,

tão inútil assim antes.

Você não pôde seguir em frente.

Acho que você suportou o bastante.

Você fez a sua escolha,

você fez a sua escolha,

e agora você se foi.


Chacoalhei a cabeça. Hoje era dia de festa, dia de pensamentos felizes e vibrações boas para nosso capitão! Virei em direção à mesa já posta, escorando-me na grade do barco. Luffy sorria, sorria e sorria. E eu não me cansava de olhar aquele sorriso. Desde que o conheci, o admirava mais e mais a cada dia. Eu tenho plena convicção de que Luffy se tornará o Rei dos Piratas. Na verdade eu já o considero um Rei. Não um Rei adornado por mantas de seda, jóias e coroa de ouro cravejada de pedras preciosas, mas esse Rei que resplandece em grandeza, ostentando um simples chapéu de palha e um sorriso aberto no rosto.


É estranho como mesmo depois de tudo o que passei, ainda tenho medo de expor meus sentimentos. Ainda não consigo ser tão espontânea como ele. Minha esperança é que um dia eu consiga lhe dizer o que sinto. Ou que ele perceba...erm, não, pensando bem, isso com certeza não é algo que eu possa esperar do meu capitão. Ah, quem sabe um dia eu consiga...quem sabe um dia, eu e ele...como aqueles velhinhos da praça de Dressrosa...


A mais fria das chuvas

esconde emoções que estão transbordando

de mim para você.

Pode parecer loucura para uma pirata-ladra como eu dizer isso, mas se eu pudesse, trocaria toda a minha habilidade de roubar tesouros pela habilidade de conquistar para mim o maior e mais precioso de todos eles: o coração de Monkey D. Luffy.

Notas finais
Obs: Na minha fic, é aniversário do Luffy. Eu já tinha bolado esse enredo. E daí descubro pela dona Mays que hoje (05/05) era aniversário dele mesmo! HASHUAHUSHAS Imagina! Dei sorrrrte! *o*
Tanjoubi Omedetou, Luffy-kun! :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!