Meu Novo Irmão, Meu Namorado...

4 Não fui claro o suficiente?...Não quero conversar!


Notas iniciais
Capitulo fresquinho minha gente!
Espero que gostem!

Marinne olhou para a porta quando o grande rapaz entrou. Deu uma espreitadela no irmão ao seu lado e viu o seu desconforto.

-“Bom dia Luc” – Tentou meter conversa.

Ele soltou um grunhido como resposta e ficou uns segundos sem qualquer reacção. Parecia um pouco desconfortável, sem saber o que fazer ou o que dizer.

-“Senta-te e toma o pequeno-almoço” – Recomendou enquanto andava até ao frigorífico de onde retirou um pacote de leite e em seguida colocou sobre a mesa.

-“Obrigado” – Respondeu educadamente antes de puxar a cadeira e ocupar um lugar na mesa.

A morena olhou para Kyle, esperando que ele comentasse ou fizesse alguma coisa que quebrasse o silêncio desconcertante que começava a formar-se. Além disso queria que o irmão começasse a aceitar o outro, no entanto vários minutos passaram e nada aconteceu.

-“Hum… como eram as coisas no orfanato? – Questionou tentando quebrar o gelo.

O moreno que estava a colocar o leite sobre os cereais levantou os olhos.

-“Boas” – Respondeu educadamente.

Marinne suspirou frustrada, estava a tentar manter uma conversa para que se pudessem conhecer e ele não colaborava.

-“Vou subir” – Ouviu-se a voz do Kyle.

A rapariga continuou no mesmo lugar, olhando o rapaz a sua frente, sinceramente não sabia o que poderia fazer. Era mais do que obvio que o Luc não se sentia bem ali.

-“Luc…” – Antes que pudesse continuar o seu telemóvel começou a tocar.

A morena levantou-se e atendeu a chamada enquanto andava pela junto da banca da loiça.

Luc olhou a Marinne que estava de costas, os seus olhos correram o corpo voluptuoso e curvilíneo, as suas pernas morenas estavam descobertas tendo apenas uns curtos calções vermelhos. Ele examinou rapidamente o seu rosto quando a rapariga se virou, os lábios rosados e levemente volumosos mexiam-se ritmicamente enquanto conversava com a amiga, os seus traços eram delicados, os seus olhos verdes exprimiam alegria e compreensão, foi impossível não reparar os cabelos longos e castanhos que caiam numa efeito de cascata sobre as costas, sem dúvida que era uma das raparigas mais bonitas que ele já tinha visto.


–“Obrigado Carol, mas hoje não posso.” — ­Luc deitou sentido as palavras da rapariga –“Tenho umas coisas para tratar em casa. Talvez outro dia” – Um olhar furtivo caiu sobre o rapaz sentado.

-“Até amanhã, querida” – Marinne despediu-se da amiga antes de colocar de novo os olhos sobre a outra figura na cozinha.

-“Estava a pensar se querias ir dar uma volta pelas redondezas hoje” – Falou depois de alguns minutos em silêncio.

Luc continuou concentrado no pequeno-almoço como se não tivesse ouvido nada.

-“Estou a tentar manter uma conversa contigo” – Uma ponta de ira apareceu no tom de voz dela. Era cansativo e enfadonho estar sempre a tentar chegar ao rapaz.

-“Não fui claro o suficiente?” – Com a loiça na mão levantou-se e andou até a máquina, onde a pousou. Em seguida colou os olhos frios no rosto da morena –“Não quero conversar” – Declarou calmamente antes de sair do compartimento.

Marinne soltou o ar que estava preso nos pulmões e cruzou os braços em sinal de irritação.


O moreno subiu as escadas e andou em direcção ao quarto, sabia que provavelmente não devia ter sido tão ríspido porém não estava com paciência para tentativas de enquadramento ou simpatias forçadas. A cabeça dele parecia pesar mais de vinte toneladas, começava a sentir a falta de sono de forma física e psicológica. Além disso tinha de telefonar para o orfanato, a Keely devia estar desesperada por ele não estar na instituição. A pequena menina de cabelos ruivos e olhos expressivos verdes conquistou o seu coração no momento em que entrou pelas portas do orfanato de mão dada com a mãe, para logo a seguir ser abandonada sem remorsos. O rosto pálido marcado pelas lágrimas foi o que viu nos dias seguintes, a pequena menina parecia que nunca iria superar aquele grande golpe na sua vida. No entanto como qualquer criança acabou por esfriar um pouco os pensamentos e seguir em frente, felizmente pode fazer parte dessa evolução, já que a Keely o adoptou como irmão mais velho.

Luc soube de tudo o que se passou dentro das quatro paredes da casa da pequena ruiva, soube o motivo que levou uma mãe a abandonar uma filha de forma tão fria e insensível e depois de tudo isso não conseguiu perceber tal atitude de egoísmo. Escolher entre o namorado bêbado e uma filha? Talvez aquela pobre mulher tivesse a mesma necessidade de ser mal tratada e mal-amada como a sua mãe.

Com um nó junto a boca do estâmago entrou no quarto. Infelizmente, não era uma criança e não conseguia simplesmente esfriar sentimentos sobre aquilo que lhe tenha magoado no mais íntimo.

Avançou até junto da sua nova e enorme cama, sentou-se num canto perto da mesa-de-cabeceira e suspirou. Sabia que as internas no orfanato informaram Keely que ele tinha sido adoptado e agora era a vez de ele lidar com o fogo.

A vontade quase se foi quando uma guinada de dor bateu na sua cabeça, a sua vida estava fora do lugar outra vez. E a primeira coisa que precisava para as coisas voltarem aos lugares eram umas 8 horas de sono, mas nem disso podia usufruir.

-“Tenho de ligar” – Murmurou depois de alguns segundos em silêncio com a sua própria mente.

Pegou no telefone de fios e discou o número do orfanato, depois de algum tempo em espera uma voz feminina ouviu-se do outro lado.

-“Bom Dia” – Reconheceu a voz da interna Bella.

-“Olá Bella, é o Luc” – Esperou que a mulher dissesse algo, a linha ficou em silêncio por longos segundos

-“Imagino o que queiras, mas eu não posso fazer isso” – Um suspiro correu os lábios masculino. Era contra as regras do orfanato tentar manter contacto com qualquer criança depois de ter sido adoptado.

-“ Eu preciso de lhe explicar o que se passou. Por favor Bella, é a minha irmã” – Apesar do receio da reacção da menina também estava desejoso para falar com ela.

Um resmungo ouviu-se do outro lado da linha.

-“5 Minutos, Luc” – Informou a mulher e em seguida a linha ficou muda.

O moreno deitou-se confortavelmente na cama e esperou. Não sabia como haveria de começar a diálogo com a menina.

Ficou tenso quando ouviu uma respiração descontrolada ao seu ouvido.

-“Luc…” – A voz embriagada pelo choro fez um no aparecer junto ao estomago dele.

-“Olá linda” – ouviu-se mais uns soluços antes de ela responder.

-“Porque foste embora?” – O rapaz conseguiu ouvir toda a incerteza e vulnerabilidade na voz miúda.

-“Eu…” – não tinha ideia de como lhe explicar a situação.

-“Vais-me deixar também?” – Luc passou a mão pelo cabelo nervosamente. Infelizmente não tinha opção.

-“Não me deixes Luc, eu não quero ficar aqui. Leva-me para a toda casa nova. Eu prometo que me porto bem e não parto nada. Por favor” – Os soluços vieram com mais intensidade e o moreno sentiu o corpo a estremecer.

- “Eu não posso fazer isso, pequena” – Declarou engolindo em seco.

- “Porquê?” – Escutou-se no meio de sussurros, burburinhos e lamentos.

- “É complicado, eu…” – Uns barulhos do outro lado de telefone deram a entender que a Keely tinha sido retirada de linha.

- “É por esta razão que os contactos não podem acontecer.” – A voz da Bella fez uma aparição depois de alguns minutos.

Luc fechou os olhos, odiava para poder ter controlo naquilo.

-“ Obrigada Bella, por este tempo.” – Agradeceu e em seguida desligou o telefone.

Injustamente sentiu um pouco de rancor pela India, afinal tinha sido ela que o tinha arrancado do orfanato. Tinha noção que estava a tentar ajuda-lo no entanto afasta-lo da pessoa mais importante da vida dele, não era uma boa forma de o fazer.

Notas finais
Semi-nota: Apesar de ainda não haver indicio, esta fic vai abordar o tema Yaio, ou seja romance homosexual!

Bem, deixem as vossas opiniões!
Kiss, kiss, até a proxima