Meu Novo Crepúsculo
12 Perímetro rompido
A madrugada tornou o silêncio da casa ainda mais angustiante; eu podia ouvir cada batida do meu próprio coração tamborilando nos ouvidos. Desde o episódio no almoço, mantive-me de vigília na porta do quarto de Isabella, sentada de forma desconfortável em uma poltrona velha. Jacob esteve comigo por boa parte do dia, mas precisou retornar para a Reserva por volta das nove da noite, quando Sam o convocou. Nem mesmo o conforto do meu namorado foi capaz de afastar a imagem de Bella estática em frente à floresta, com a lâmina quase cravando o próprio pulso. A tensão em meus ombros só crescia, e o medo de perdê-la para aquela obsessão era desesperador.
O momento que deveria ser de descanso foi usado para supervisão. Minha atenção alternava entre checar a respiração pesada de Isabella — que mergulhou em um sono profundo após o surto, acordando pouquíssimas vezes — e os ruídos na mata à nossa volta. Eu temia por minha irmã, temia por meu namorado e, agora, precisava temer a ameaça invisível de novos vampiros.
Charlie passou o domingo todo na delegacia e, ao final da tarde, avisou que passaria a noite empenhado no caso. Foi apenas por volta das cinco da manhã, quando a luz azulada e fria de Forks começou a vazar pelas janelas, que ouvi o motor da viatura estacionando na frente de casa.
Meu pai entrou pela porta da frente cabisbaixo, como se o peso do mundo tivesse sido largado em seus ombros. Eu, que estava acostumada a ouvir seus passos firmes e decididos rangendo sobre a madeira velha, estranhei ao perceber que agora não passavam de um arrastar lento e moroso. Desci as escadas ao seu encontro; ele estava na cozinha, ainda usando o uniforme impregnado com o cheiro de terra molhada. Em suas mãos, Charlie segurava uma caneca de café, sem beber nada, enquanto mantinha os olhos fixos em um canto vazio do cômodo.
— Pai? — chamei baixinho, com medo de assustá-lo.
Ele se virou em minha direção com uma lentidão fora do comum. Sua expressão era cansada, carregada por olheiras profundas e rugas que não estavam lá antes; Charlie parecia ter dez anos a mais do que sua idade real. Seus olhos castanhos estavam nublados por uma tristeza que não combinava com ele.
— Ei, querida! O que faz acordada tão cedo? — A voz dele estava carregada por uma rouquidão que destacava seu estado de exaustão.
— Não tive uma boa noite de sono — admiti. — Você parece acabado.
Charlie sentou-se à mesa com um suspiro pesado, deixando a cabeça pender por um momento.
— Foi brutal, Renesmee — murmurou, mais para si mesmo do que para mim. — Há duas semanas, eu estava pescando com o Waylon; ele falava em se aposentar e viajar com a esposa. E ontem... ele estava lá, completamente sem vida.
Meu pai não enxergava o Waylon apenas como um caso ou uma vítima; estávamos falando de um dos seus amigos mais próximos, o homem que trazia salmão fresco para nós e contava piadas ruins. Senti um nó prender na garganta. A humanidade de Charlie o deixava vulnerável. Eu sabia, pelas descrições que Jacob e eu discutimos, que o que aconteceu no rio não tinha sido obra da natureza, mas ver o impacto emocional disso nele tornava tudo mais real e terrível.
— Eu sinto muito pela sua perda, pai — disse, abraçando-o em seguida.
— Obrigado, querida — ele pareceu tentar retomar o controle. — A Bella está dormindo?
Por um segundo, cogitei contar a ele sobre o surto de minha irmã. O Charlie deveria saber sobre a faca e o risco que ela agora representava para si mesma; como pai, ele era o único capaz de intervir. Minha língua se enrolou com as palavras que dançavam sobre ela, mas, ao encará-lo mais uma vez e enxergar o cansaço absoluto em seus olhos, decidi que aquele não era o momento. Meu pai já vivia o confronto profissional com uma ameaça à solta, e o luto pessoal pela perda do amigo; despejar a loucura de Isabella sobre ele agora seria uma crueldade.
Engoli em seco antes de responder.
— Sim. Ela está descansando.
— É melhor assim. O clima de Forks não está dos mais agradáveis hoje — concluiu, se levantando com esforço, como se o corpo pesasse uma tonelada. — Vou tomar um banho e trocar de roupa.
Antes de sair da cozinha, ele se virou para mim uma última vez.
— Renesmee, talvez seja melhor vocês duas não irem para a escola hoje, ok? — Havia cautela em seu tom de voz. — Não sabemos o que está à solta por aí e a investigação não concluiu nada. Prefiro ter vocês duas embaixo dos meus olhos.
Assenti, observando-o sumir do meu campo de visão.
Eu estava em conflito: enquanto meu coração sorria pelo início do meu namoro, as duas pessoas que eu mais amava sofriam suas piores dores. O mundo era o mesmo, a realidade era a mesma, mas as nossas percepções e momentos não poderiam estar mais distantes.
Caminhei em direção à sala com passos excessivamente lentos; o único som que rompia o silêncio da casa era o ruído do chuveiro debaixo, anunciando a atividade de Charlie.
Me permitir cair no sofá, deixando, pela primeira vez, que o cansaço do dia anterior me atingisse com violência. A tensão acumulada em meus ombros trazia consigo nós doloridos, um reflexo físico de tudo o que eu vinha tentando carregar sozinha.
A textura do estofado contra a minha pele parecia estranhamente agradável; fechei os olhos por um instante, ainda que a escuridão por trás das pálpebras não fosse capaz de me trazer paz. Minha mente trabalhava a todo vapor, como um projetor desgovernado alternando entre o calor da segurança de Jacob, a cena de Isabella no jardim e o sofrimento do papai.
Charlie era a rocha desta casa, mas até as rochas sofrem erosão. Eu conseguia sentir o luto dele infiltrando-se pelas frestas do teto, misturando-se ao cheiro de mofo e chuva que a viatura trouxera do rio. Eu queria ser o suporte de que eles precisavam — a filha que não traz problemas, a irmã que cura feridas —, mas a verdade é que eu me sentia como um vidro trincado, tentando conter uma inundação. Eu estava no meio de um fogo cruzado entre o mundo que Jacob protegia e o abismo onde Bella escolhera morar. Naquele silêncio sepulcral de Forks, percebi que meu maior medo não era o que estava escondido na floresta, mas a percepção de que, talvez, eu não fosse forte o suficiente para salvar todos eles de si mesmos.
O movimento de transição do meu pai entre o banheiro e o quarto fez com que eu abrisse os olhos; ele não disse nada e acredito que sequer tenha notado minha presença ali. No entanto, foi a aproximação de Isabella, segundos mais tarde, que de fato prendeu minha atenção. O ranger sutil das tábuas fez a adrenalina dissipar qualquer resquício de sonolência. Seus movimentos eram leves e calculados, como se ela não esperasse encontrar ninguém no andar de baixo àquela hora da manhã.
Quando ela finalmente surgiu no arco da sala, o choque me percorreu. Eu esperava encontrar a mesma garota desfeita e trêmula da noite anterior, mas a imagem diante de mim era o oposto. Bella estava vestida para o dia, com o cabelo penteado com perfeição e o rosto lavado, ostentando uma expressão de serenidade que parecia ter sido esculpida em mármore.
— Renesmee? — A voz dela soava límpida, sem rastros da rouquidão do choro. — Achei que estaria dormindo. O papai já chegou?
Ela caminhou em direção à janela, parando a uma distância segura, mas seus olhos buscaram a floresta com uma precisão cirúrgica. Havia uma calma nela que me assustava mais do que qualquer grito. Era a calma de quem havia encontrado uma nova lógica em meio ao caos.
— Ele chegou tem uns vinte minutos — respondi, observando cada movimento dela. — Você parece… melhor.
Bella girou sobre os calcanhares, virando-se em minha direção; nos lábios, um sorriso forçado que não lhe atingia o olhar.
— Uma boa noite de descanso me trouxe um pouco de lucidez. Não posso continuar agindo daquela forma — deu de ombros, em um gesto falso de indiferença. — O que o papai disse sobre o Waylon?
Ela se sentou na poltrona à minha frente e cruzou as mãos sobre o colo. Por um momento, ela parecia a irmã mais velha de anos atrás: centrada e protetora.
De imediato, não fui capaz de compreender se sua curiosidade era genuína ou se o questionamento fazia parte de algum tipo de investigação particular. Tão rápido quanto organizei meus pensamentos para formular uma resposta, fui silenciada pelo som estático que se sobrepôs à minha fala.
Posicionado sobre o aparador na entrada, esquecido ao lado de um molho de chaves, o rádio da polícia pertencente a Charlie ganhou vida em um chiado estridente.
— Central para Unidade 1. Câmbio? — A voz da operadora cortava o silêncio da sala, urgente e tensa. — Temos um novo avistamento na zona norte, próximo à trilha da encosta. Moradores relatam movimentação incomum na mata. Unidades de apoio a caminho. Câmbio.
Isabella se atirou da poltrona com a agilidade de um reflexo involuntário, antes que eu pudesse mover um único centímetro. Seus olhos achocolatados, que em um momento anterior simularam sobriedade, foram tomados por uma ansiedade quase febril. Sua atenção estava presa ao rádio de tal forma que a minha presença ali parecia ter sido esquecida. Inerte, em uma espécie de transe, ela se atentava à voz eletrônica como se a mensagem fosse direcionada especialmente a ela.
— Zona norte… próximo à encosta — sussurrou, com o olhar fixo no aparelho. — Isso é perto de casa, Renesmee.
— Por que você não volta para cá? — Caminhei em sua direção, tocando suavemente seu braço esquerdo. — O papai disse que tem patrulha por toda parte. Inclusive, ele achou melhor ficarmos em casa hoje... sem escola, sabe?
Antes que uma nova tentativa de intervenção viesse de minha parte, o rádio soou novamente. A voz masculina do outro lado me remeteu a Mitchell, um dos subalternos de Charlie.
— Aqui é Unidade 4. Estamos no local. Encontramos vestígios de... — O sinal oscilou, preenchido por um ruído branco angustiante antes de retornar. — ...não parece ser animal, Central. Repito, não parece ser animal. Solicito reforços e isolamento imediato do perímetro residencial.
Isabella caminhou em direção à janela, desviando do meu toque. Com as mãos pressionadas fortemente contra o vidro, ela analisava a linha das árvores em uma espécie de expectativa delirante.
— Ele deve estar lá fora, Renesmee — afirmou ela, agora desprovida de qualquer máscara de sanidade. — Ele está nos protegendo, eu posso sentir. Ele vai afastar de nós o que quer que esteja à solta… Eu preciso ir ao encontro de Edward.
— Você não vai a lugar nenhum! — Levantei-me, minha voz saindo mais firme do que eu esperava. — O papai está lá em cima e a cidade está em alerta. Se você der um passo para fora desta casa, eu juro que o acordo agora mesmo.
Ela se virou para mim e, por um segundo, a inveja e o desespero que vinha guardando transbordaram em seu olhar. Estávamos sozinhas, com um assassino à solta na floresta e um pai exausto no andar de cima, mas o confronto real estava acontecendo bem ali, entre nós duas.
Diferente do que eu imaginava, Bella não recuou nem um centímetro. Em contraponto à reação esperada, ela deu um passo à frente, diminuindo ainda mais a distância entre nós. A súplica em sua expressão havia dado lugar a uma determinação cega e mortal. Ela tentou me contornar, usando o ombro para me empurrar contra o batente da porta da cozinha; seus movimentos eram rápidos, desajeitados e carregados de uma urgência doentia.
Quase como um animal, Isabella emitia sons que beiravam o rosnado. Não havia palavras ou uma postura coerente; era apenas uma reação instintiva e primitivamente perturbadora. Eu a agarrei pelos braços, sentindo sua pele fria sob meus dedos; mesmo diante do meu aperto, ela ainda se debatia, usando cada grama da pouca força que lhe restava. Estávamos em um embate mudo, uma dança de empurrões e resistência no meio da sala, sob o chiado intermitente do rádio da polícia. Por um momento, me questionei se aquele barulho teria chegado aos ouvidos de um Charlie adormecido no outro lado da casa.
— Bella, para um momento e me ouve, tá legal? — sussurrei de forma urgente, meu rosto próximo ao dela. — Isso aqui não é brincadeira! Você precisa voltar a si. Tem algo matando pessoas lá fora e você não pode simplesmente sair por aí acreditando que existe um super-herói te esperando.
Ela parou por um segundo, o peito subindo e descendo com força enquanto me encarava.
— Você tem medo de que eu assuma o protagonismo. Acha que o meu reencontro com Edward vai apagar o seu relacionamento — cuspiu as palavras de modo ferino. — Você precisa que eu seja a irmã desequilibrada para que possa continuar ostentando essa sua máscara de perfeição.
O golpe verbal foi duro, mas nem de longe tão doloroso quanto o olhar de desprezo que ela me direcionou. Abri a boca várias vezes, buscando uma resposta tão desaforada quanto a dela, mas percebi que qualquer coisa dita naquele nível de hostilidade seria de uma crueldade desnecessária. Eu ainda era a única pessoa lúcida naquela sala, e precisava agir como tal.
Quando finalmente me tornei capaz de formular um discurso coerente, fui interrompida por um barulho externo. Vindo da varanda traseira, um baque surdo contra a madeira, seguido pelo arranhar metálico de unhas contra o vidro da janela, ecoou pela sala.
Paramos instantaneamente. Minhas mãos, que antes envolviam os braços de Bella como duas jaulas, afrouxaram-se; a hostilidade que criava um abismo entre nós deu lugar a uma eletricidade estranha: o medo compartilhado. Com os olhos arregalados, Bella olhou em direção ao som em um misto de pavor e expectativa delirante, enquanto eu sentia cada pelo do meu corpo se eriçar.
O que quer que estivesse do lado de fora não era bom, seguro ou conhecido.
Antes que Bella fosse capaz de se desvencilhar e correr em direção à janela, um clarão rápido cruzou o vidro da frente. Nada humano teria feito o trajeto dos fundos para a fachada da casa em uma velocidade similar àquela. Logo em seguida, ouvi um ganido baixo, quase imperceptível para ouvidos comuns, mas que ressoou em meu peito com a força de um soco.
Era o sinal de alerta da matilha. Jacob estava perto.
Tão gentil quanto o momento permitia, forcei minha irmã a se sentar no sofá.
— Fique aqui! Ao menos desta vez, não seja imprudente — ordenei, sem dar espaço para debates, antes de lhe dar as costas e seguir em direção à cozinha.
Dentro do cômodo, o cheiro de umidade fundia-se a um odor acre e pesado, que fez meu estômago revirar. Com as mãos trêmulas, agarrei a maçaneta da porta traseira e a abri, lançando meu olhar em direção à floresta. Mesmo assustada, eu sabia que Jacob estava ali, em algum lugar.
Um vulto escuro se materializou sob a sombra do grande cedro. Não era o lobo, mas Jacob em sua forma humana, vestindo apenas uma calça jeans velha e lutando para recuperar o fôlego. Ele não se aproximou tanto quanto eu gostaria; apenas apontou para a mata e fez um gesto cortante com a mão: “Fique dentro. Tranque tudo.”
Seu olhar encontrou o meu, e a urgência que vi ali gelou o meu sangue. Ele não estava ali para uma visita social; ele estava ali porque o perímetro havia sido rompido.
Não contestei e nem tentei o alcançar; apenas girei sobre os calcanhares de volta para casa. Fechei a porta e girei a chave, encostando a testa na madeira fria enquanto tentava controlar a minha própria respiração.
O som da chave girando na fechadura pareceu ecoar por toda a casa como um disparo. Antes que eu pudesse me afastar da porta, ouvi o som da porta do quarto de Charlie se abrindo bruscamente no outro extremo da sala. O xerife Swan não estava mais em seu estado moroso de minutos atrás; ele segurava a arma de serviço, os olhos injetados de quem foi arrancado do sono pelo instinto de sobrevivência.
— Renesmee? Bella? O que foi isso? — A voz dele retumbou, autoritária e carregada de adrenalina.
Eu ia responder, ia inventar qualquer desculpa sobre o vento ou um animal perdido, mas Isabella foi mais rápida. Ela se levantou do sofá como se tivesse sido impulsionada por uma mola, o rosto pálido iluminado por uma excitação doentia.
— Tinha alguém lá fora, pai! — ela exclamou, apontando para a janela lateral. — Um vulto. Passou correndo pela varanda e foi em direção aos fundos. Era rápido... rápido demais.
Charlie empalideceu, a mão apertando o cabo da pistola com mais força. Ele caminhou em direção à janela, chutando o rádio da polícia para o lado enquanto verificava o perímetro com o olhar.
— Bella, não! — tentei intervir, correndo para o centro da sala. — Pai, não tem ninguém lá. Foi apenas a luz, o reflexo da chuva nos vidros. As patrulhas estão nervosas, você mesmo disse que o rádio estava chiando com avistamentos falsos.
— Eu vi o que vi, Ness! — Bella me cortou, a voz subindo de tom, beirando a histeria. — O Mitchell disse no rádio que não era animal. Se tem algo lá fora, o papai precisa ir. Ele é o xerife! Ele precisa encontrar quem está fazendo isso!
Ela estava jogando o Charlie diretamente no caminho dos nômades, ou talvez de uma matilha em fúria, apenas para validar sua fantasia de que o "perigo" atrairia Edward de volta. A crueldade daquele gesto me fez tremer.
— Pai, por favor, me escuta — me coloquei entre ele e a porta, as mãos estendidas em um apelo desesperado. — Você está exausto. Seus reflexos não estão bons e você acabou de perder o Waylon. Se você sair por aquela porta agora, sozinho e no escuro, eu tenho medo de que você não volte.
Charlie parou por um segundo, seus olhos encontrando os meus. Vi a hesitação ali, o peso do luto lutando contra o dever.
— Renesmee, se tem alguém no meu quintal, eu não posso ficar aqui sentado — ele murmurou, mas sua voz não tinha a mesma certeza de antes.
— É mais seguro aqui dentro! — insisti, minha voz embargada. — A casa está trancada. Se você sair, vai ser um alvo fácil. Por favor, pai... eu não posso perder você também. Fica em casa. Liga para o reforço, deixa que o Mitchell e os outros cuidem disso com as viaturas. Só hoje... fica com a gente.
O silêncio que se seguiu foi cortado apenas pela respiração pesada de nós três. Isabella olhava para a porta com uma impaciência febril, enquanto eu segurava o braço do meu pai, sentindo o tecido do seu uniforme ainda úmido. Charlie olhou para a porta, depois para Bella e, finalmente, para mim.
Lentamente, ele baixou a arma, embora o corpo ainda estivesse tenso como uma corda de piano.
— Tudo bem — ele cedeu, a voz carregada de uma derrota amarga. — Vou chamar o Mitchell pelo rádio da viatura e pedir que façam uma ronda intensiva no nosso quarteirão. Ninguém abre essa porta, entenderam? Ninguém.
Ele caminhou em direção ao telefone, deixando-nos sozinhas na penumbra. Isabella me lançou um olhar de puro ódio, um julgamento silencioso por eu ter frustrado o seu "encontro" planejado. Eu não me importava. Enquanto o som da chuva lá fora abafava os rosnados que eu sabia que estavam acontecendo na mata, eu apenas agradeci ao silêncio por, desta vez, ter mantido meu pai do lado de dentro.
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