Notas iniciais
Olá, pessoal! Feliz Ano Novo! Espero que esteja tudo bem com vocês. Estou retomando as atividades e peço desculpas pelo período sem atualizações; aproveitei o recesso para recarregar as energias com a família. O capítulo de hoje é especial: entraremos, pela primeira vez, no ponto de vista do Jacob. Espero que gostem de conhecer os pensamentos dele tanto quanto eu gostei de escrevê-los! Boa leitura.

O crepúsculo já começava a tingir o céu com nuances de cinza e violeta quando, acompanhado por meu pai e Sam, cruzamos o quintal da casa de Emily. A reunião com o conselho havia se estendido por muito mais tempo do que eu previra. Inicialmente, acreditei que minha participação naquele círculo seria apenas como uma testemunha ocular — a pessoa mais próxima de Renesmee e dos fatos recentes —, mas, após ser confrontado com a verdade ancestral da nossa linhagem, descobri que meu envolvimento ia muito além de uma simples amizade. O ar em meus pulmões pesava como chumbo e meus batimentos eram tão intensos que soavam como um tambor de guerra ecoando dentro do meu crânio; pela primeira vez na vida, sentia meu corpo levado ao limite absoluto da exaustão física.

Pelo canto do olho, avistei Renesmee sentada no muro traseiro, próxima à entrada da trilha que levava à floresta. Ela mantinha a cabeça baixa, permitindo que os longos cabelos cor de cobre formassem uma cortina de fios emoldurando o rosto. Mesmo àquela distância, a tensão e o desânimo que emanava dela eram quase palpáveis, atingindo-me como um golpe físico. Meus ombros se curvaram diante da imagem. Ela parecia uma criatura feita de luz e porcelana, com sua pele clara como a lua e uma fragilidade aparente que tornava tudo ainda mais amargo. Parecia uma injustiça cruel que alguém como ela estivesse agora enredada naquela trama obscura e perigosa.

Lancei um último olhar em direção ao meu pai antes de caminhar até ela. De sua cadeira de rodas, o velho Billy me dirigiu aquele olhar que eu conhecia bem: um misto de advertência e resignação. Por mais que meu desejo fosse omitir a verdade e protegê-la sob o manto da ignorância, a instrução fora clara. Cedo ou tarde, a percepção aguçada de Renesmee rasgaria os véus da mentira, e era melhor que ela ouvisse a verdade pela minha voz do que pelos dentes do inimigo.

Aproximei-me em silêncio, postando-me ao seu lado com o mínimo de distância entre nossos corpos. Renesmee reagiu à minha proximidade imediata — muito provavelmente pelo choque térmico. Sua pele estava fria, como a brisa gélida que soprava do litoral, enquanto eu emanava aquela quentura febril que parecia não me abandonar mais. Controlei o impulso de envolver seus ombros; sentia uma necessidade crescente de me agarrar a algo real e concreto, mas não queria assustá-la com a intensidade do que eu estava me tornando.

— Ei — chamei sua atenção, forçando a voz a soar o mais normal possível. — Como você está?

— Fiquei preocupada com você… com vocês — admitiu ela, os pés batendo ritmadamente contra a mureta, um sinal claro de seu nervosismo. — A reunião demorou muito, Jake.

— Me desculpa por isso. — Entrelacei nossas mãos, uma tentativa de transmitir a sinceridade das minhas palavras através do toque. — Havia muita coisa que eu precisava entender antes que pudessem me explicar o que, de fato, aconteceu na sua casa ontem.

— E o que aconteceu, Jake?

Fiz um esforço mental sobre-humano para tentar compilar mais de um século de história em uma explicação coesa e o menos aterrorizante possível. Era como montar um quebra-cabeça bizarro onde as peças insistiam em não se encaixar.

— Vou ser muito sincero com você, Renesmee. — Um suspiro pesado escapou pelas minhas narinas. — Revelar exatamente o que está acontecendo não me agrada. Não acho justo envolver você ainda mais nisso; você acabou de chegar e olha o peso que já está carregando. Mas meu pai acredita que, cedo ou tarde, você vai descobrir a verdade, seja por mim ou por outra pessoa.

— Jacob, algo invadiu a minha casa e você não acha justo me contar do que se trata? — Havia uma nota de frustração em sua voz melodiosa. — Pelo amor de Deus!

— Ei, calma. — Puxei-a para ainda mais perto, sentindo o contraste do seu corpo delicado contra o meu. — Eu vou te contar, tudo bem? Você se lembra de ontem, na fogueira? Da história que eles contaram?

— Sobre a criatura inimiga, o tratado entre o frio e o calor... sim, eu lembro! — Sua fala estava acelerada, ansiosa. — Mas eu não sei exatamente o que isso quer dizer, Jake. Quem é o "frio" e o que esse "calor" representa para vocês?

Tomei fôlego, sentindo o peso daquelas palavras antes mesmo de pronunciá-las.

— Os Quileutes descendem dos lobos, Renesmee. O calor representa nossa linhagem de homens capazes de se transformarem. — Analisei sua expressão, esperando qualquer lampejo de choque ou repulsa, mas ela parecia tão concentrada quanto estivera na noite anterior. — As lendas dizem que fomos presenteados com o gene do lobo há mais de mil anos e, desde então, ele permanece em nosso sangue, passado de geração em geração.

— O que isso quer dizer? Que parte de vocês são lobos andando pela floresta? — perguntou ela, a voz baixa, processando a informação.

— Quer dizer que todos nós temos a capacidade de nos transformar, desde que o gene seja ativado por uma ameaça.

— Espera! Você…?

A frase travou em sua garganta; ela não conseguiu concluir. Senti um aperto no peito ao pensar que, de alguma forma, aquela revelação pudesse nos afastar. Tive medo de me tornar o monstro da história aos olhos dela, sem ter tido qualquer culpa real na escolha desse destino.

— Não. Ainda não — apressei-me em responder, tentando tranquilizá-la.

Observei cada microexpressão que ela esboçava. Naquele momento, desejei intensamente ser capaz de ler sua mente ou prever o futuro, apenas para garantir que ela não me visse como algo perigoso.

— O gene desperta quando o inimigo está por perto e, neste exato momento, eles estão por toda parte, se aproximando cada vez mais — continuei, sentindo meu sangue pulsar com uma intensidade incômoda. — O calor reage ao frio como uma resposta biológica. Não é algo que possamos controlar, evitar ou sequer desacelerar.

Renesmee piscou algumas vezes antes de voltar a fixar os olhos nos meus. Ela parecia perdida, como se tentasse desesperadamente absorver a lógica absurda por trás de toda aquela história.

— Se vocês são o calor, o que é o "frio", Jake? — Ela fez uma pausa, e vi o momento exato em que as peças começaram a se encaixar. — Espera! A lenda que seu pai contou... dizia que eles tinham aparência de homens, apesar de não estarem vivos, e que eram dotados de uma força descomunal. Foi isso que esteve no quarto da Bella ontem? Um "frio"? O que eles são, Jacob?

Nossa conversa estava nos levando perigosamente ao limite do Tratado. A regra de ouro era nunca revelar a natureza deles a um humano, mas, em caráter de exceção — e considerando que a violação primária partira deles —, o conselho me concedera permissão para dar nome ao monstro.

— Vampiros — minha voz soou baixa, quase como um rosnado vindo do fundo do peito.

O silêncio que se seguiu foi cortante. Eu esperava que ela risse, que se afastasse ou que me chamasse de louco, mas Renesmee apenas estremeceu. Ela não duvidou de mim; as marcas profundas no musgo do quintal e o salto impossível que ela presenciara eram evidências reais demais para serem ignoradas.

— Você disse que o Sam sabia de quem era o rastro. — Uma das características de Renesmee que ficava mais clara a cada dia era sua atenção cirúrgica aos detalhes; ela nunca esquecia uma palavra ou orientação. — Eles vivem na floresta ou algo assim?

— O rastro era de Edward Cullen, Renesmee.

Eu a vi congelar com a menção ao nome. Seus olhos perderam o foco por um instante, como se estivessem revisitando a imagem dele no refeitório da escola.

— Os Cullen... A família Cullen? Os mesmos que meu pai tanto defende? — Sua voz estava carregada de urgência e incredulidade. — Você está me dizendo que eles vivem entre nós? Estudando no colégio e praticando medicina no hospital? O predador caminha junto com a presa de forma deliberada?

— Eles sempre afirmaram ser diferentes dos outros de sua espécie. Chamam a si mesmos de "vegetarianos" por se alimentarem apenas de sangue animal — respondi, sentindo uma pontada de resignação. Apesar de o Tratado ter sido estabelecido pelo meu tataravô, uma figura monumental em nossa história, eu ainda não conseguia aceitar aquilo como algo natural. — Os Cullen vivem de sangue animal e, desde a criação do pacto até a noite passada, nunca haviam representado perigo ou violado as regras. Pelo menos, não até agora.

— Jacob, se essa é a história verdadeira, estamos em perigo. Principalmente a Bella. — O pânico subiu pela garganta dela, tornando sua voz um sussurro urgente. — Eles sentam juntos na aula de Biologia, ele a olha como se fosse devorá-la e ele foi até a nossa casa. Estamos correndo um risco enorme. O que ele quer com a minha família?

Apesar de sua personalidade intensa e vibrante, a forma física de Renesmee projetava uma imagem de fragilidade naquele momento. A baixa estatura, o corpo esguio com curvas discretas e a pele tão pálida que tornava suas veias azuladas aparentes sob a luz do luar. Senti, novamente, uma necessidade avassaladora de abraçá-la, de protegê-la em meu colo e garantir que nada no mundo a alcançaria.

— Sam vai se reunir com o Dr. Cullen esta noite — expliquei, tentando manter o tom firme. — Vamos entender o motivo da invasão e, pelos próximos dias, alguns rapazes da matilha farão rondas na casa de vocês para garantir segurança total. Por hoje, vocês estão seguras aqui. O solo da Reserva é sagrado, Renesmee. Ninguém vai tocar em vocês. Eu prometo, está bem?

Renesmee voltou o olhar para a floresta, onde a escuridão parecia engolir as árvores como um monstro faminto. Eu via o medo em cada traço do seu rosto, e isso me causava uma agonia física real, uma pontada no peito que eu nunca sentira antes.

— E você, Jake? — Ela fixou os olhos em mim, carregados de um peso que me desarmou completamente. — Se o gene desperta na presença deles, você vai se transformar em um lobo por causa da família Cullen?

Eu não tinha uma resposta pronta para aquilo. O pensamento de perder minha vida normal, de me transformar em uma fera daquelas lendas antigas, era aterrorizante. No entanto, ao olhar para Renesmee, percebi que aceitaria qualquer destino, por mais monstruoso que fosse, se isso significasse ter a força necessária para mantê-la a salvo.

— Minha principal missão é proteger você, Renesmee — declarei, minha voz soando como uma promessa absoluta. — Se me tornar parte da matilha ajudar com esse objetivo, eu não me importo com as consequências.

Nós dois permanecíamos ali, estáticos entre a segurança do mundo que conhecíamos e o abismo recém-descoberto. O silêncio que se instaurou entre nós só foi rompido pelo som da viatura de Charlie se aproximando pela estrada de terra. Havíamos decidido, na reunião do conselho, que manteríamos os outros dois membros da família Swan sob um manto de ignorância; afinal, os olhares de Charlie e Bella não eram tão aguçados quanto os dela. Antes de entrarmos, repassei as coordenadas e os próximos passos com Renesmee, e ela assentiu, aceitando o fardo daquela cumplicidade.

A situação era sombria, mas senti meu coração se aquecer pela confiança que ela depositava em mim. Era como se o segredo, apesar de terrível e assustador, servisse como a argamassa que fortalecia ainda mais o nosso vínculo. Naquele momento de incertezas, eu me apeguei a ela e à nossa conexão — Renesmee era a coisa mais real e palpável que eu possuía naquele novo mundo de sombras.

O jantar na casa de Emilly foi uma atividade excruciante de fingimento; por pior que seja a comparação, eu me sentia como uma granada prestes a perder o pino. Reconheci em meu pai o mesmo esforço. Foi há primeira vez em muitos anos que a risada de Charlie não contagiou a nós.

Renesmee se sentou ao meu lado na mesa, uma presença silenciosa mas atenta; capturei cada um dos seus movimentos, numa tentativa de entender o que se passava em sua mente através da expressão corporal. Bella ostentava seu humor habitual, apesar de agora trocar algumas palavras com Emilly.

Quando o jantar finalmente acabou, seguimos para as despedidas protocolares e organização da logística de hospedagem: as irmãs Swan ficariam com o quarto de hóspedes de Em, enquanto Charlie seguiria comigo e Billy para se acomodar em nosso sofá; na programação dos dois, ainda estava incluso assistir a uma partida antes de dormir.

Para mim, o restante da noite foi uma jornada insone. Entre as dez da noite e as duas da manhã, nenhum som dentro da pequena casa que eu dividia com meu pai passou despercebido pelos meus ouvidos, que agora pareciam captar até o rastejar dos insetos nas paredes. Eu estava atirado sobre a minha cama, as atenções voltadas para a monotonia do teto cor de mogno, enquanto o mundo lá fora parecia pulsar em uma frequência que só eu conseguia sentir. Àquela altura, Sam e Carlisle Cullen já haviam se encontrado em algum ponto neutro da floresta; providências estavam sendo tomadas e eu ansiava, com uma urgência dolorosa, para ficar a par de cada detalhe.

Rolei para o lado, sentindo o lençol subitamente áspero demais contra a minha pele, que parecia em carne viva de tão sensível. O pensamento de Renesmee consumia cada fresta da minha consciência. Eu a via em minha mente: o rosto pálido, a fragilidade que me despertava um instinto de proteção tão violento que chegava a ser assustador. Eu não era mais apenas o Jacob que consertava motos e sonhava com o futuro; eu estava sendo moldado, osso por osso, para ser o escudo dela. A simples ideia de falhar, de permitir que aquele rastro gélido de Edward Cullen a tocasse novamente, fazia meu sangue rugir como um rio em chamas.

Peguei meu celular na mesa de cabeceira num sobressalto. Por um breve segundo, a luz da tela me cegou, ferindo meus olhos agora sensíveis à claridade. Pelo horário, presumi que ela estaria dormindo, exausta pelo terror do dia, mas não pude conter o impulso de abrir nossa conversa. Digitei a mensagem com os dedos trêmulos, sentindo o calor emanar da palma da minha mão e aquecer o metal do aparelho.

“Imagino que você esteja dormindo. Só queria ter certeza de que você está bem.”

Atirei o celular sobre meu peito. Eu não esperava que a resposta chegasse; ainda assim, antes que eu pudesse terminar minha próxima respiração profunda, ele vibrou, notificando o retorno dela. Meu coração deu um solavanco.

“A insônia me pegou também. Não consigo parar de pensar em tudo o que aconteceu, minha cabeça simplesmente não desliga.”

Senti-me aliviado pelo retorno, mas profundamente angustiado por suas palavras. Sentei-me na cama, encostando as costas na cabeceira enquanto meus pés alcançavam o chão, buscando o frio do assoalho para aplacar a quentura do meu corpo.

“Gostaria que tudo isso fosse um pesadelo, Renesmee”, meus dedos voavam pelo teclado. “Mas, por hora, só posso prometer que enfrentaremos isso juntos. Não vou descansar até ter certeza de que você está em segurança novamente.”

“Eu me sinto segura com você, Jake”, ela enviou em seguida. “Você é a única coisa que está me impedindo de ter um colapso neste exato momento. Obrigada por não me deixar sozinha no escuro.”

Aquelas palavras me abraçaram, atravessando a frieza da tela e a distância que nos separava. Desde o instante em que a vi no primeiro dia, senti que um elo indestrutível estava sendo forjado e, naquele momento, ela era a única coisa que me ancorava à minha própria sanidade. Eu não sabia se esse instinto estava ligado ao tal gene Quileute, mas, de alguma maneira, eu pressentia que nossas vidas haviam se entrelaçado para sempre.

“Me espere na varanda dos fundos. Chego aí num minuto.”

Não contive o impulso repentino de vê-la, de sentir seu cheiro e garantir que ela era real. Enfiei o celular no bolso, vesti a primeira camiseta que encontrei e peguei um casaco reforçado para ela. Saí silenciosamente, atirando-me na escuridão em direção à casa de Emily, movido por uma força que eu já não conseguia — e nem queria — mais controlar.

Não foi necessário correr para cumprir o tempo prometido; minhas pernas, compridas demais para a idade, auxiliavam nas passadas largas e rápidas. Meus sentidos pareciam operar em hiperatividade, talvez pelo frenesi daquela fuga no meio da madrugada; eu era capaz de distinguir o som das ondas quebrando ao longe e o farfalhar sutil dos animais na floresta.

Quando contornei o chalé, eu a vi.

Renesmee estava encolhida contra a porta de madeira, abraçando os próprios joelhos. Parecia uma miragem sob a luz fraca da varanda — uma pequena mancha de cor e vida cercada pela imensidão sombria da mata. Assim que meus olhos encontraram os dela, o tremor que vinha castigando meus braços desde a reunião do conselho cedeu por um instante.

— Jake! — ela sussurrou, levantando-se apressadamente e lançando-se em minha direção. Eu a colhi no ar, envolvendo-a em um abraço apertado.

— Eu estou aqui — murmurei.

Minhas mãos roçaram seus ombros e ela se aconchegou ainda mais; não pude evitar um sorriso. Afastei-a levemente e estendi o casaco reforçado, ajudando-a a se vestir para protegê-la do sereno.

— Topa ver o nascer do sol na First Beach comigo? — questionei, afagando suas bochechas rosadas pelo frio. — Prometo que vai te ajudar a relaxar e que será o mais bonito da sua vida.

Ela hesitou por um segundo, lançando um olhar em direção à porta onde Bella dormia, mas o desejo de escapar daquela atmosfera pesada venceu. Renesmee assentiu em silêncio.

Caminhamos pela trilha de terra batida, como na noite anterior; o caminho era iluminado apenas por minhas memórias e pelos sentidos aguçados durante aquele percurso. Guiei-a com a palma da mão em suas costas, certificando-me de que as raízes expostas não seriam um risco. Logo, o cheiro de sal e algas invadiu nossos pulmões, deixando para trás qualquer resquício do aroma de pinho da floresta. A areia da First Beach abriu-se diante de nós, ainda mais escura pela hora da madrugada; o mar estava revolto, castigando os rochedos com intensidade.

Encontramos o mesmo tronco onde nos sentamos na noite da fogueira, agora frio e coberto por uma fina camada de orvalho. Sentei-me e a puxei para o meu lado, envolvendo-a com o braço para protegê-la do vento cortante que soprava do oceano.

— Essa praia é tão linda — sussurrou ela, pousando a cabeça em meu peito. — Não existe dia de sol na Califórnia que se iguale a isso.

— Apesar do terror, Forks tem seus encantos — brinquei, sentindo-me estranhamente leve.

Ficamos em silêncio por um longo tempo, observando a linha do horizonte. Aos poucos, o negro absoluto do céu começou a se fragmentar em tons de azul profundo e cinza-azulado. Eu sentia a respiração de Renesmee contra o meu peito, um lembrete constante do porquê de eu estar ali. Cada fibra do meu ser permanecia em alerta, mapeando a floresta atrás de nós, mas, pela primeira vez em horas, o fogo dentro de mim não parecia destrutivo. Ele estava estável. Era como se a presença dela fosse o termostato que me impedia de entrar em combustão.

O sol finalmente subiu, banhando a First Beach em uma luz pálida de inverno. Eu sabia que, em poucas horas, teríamos que voltar para a realidade de Charlie, Bella e o mistério dos Cullen. Mas ali, enquanto o dia nascia sobre o Pacífico, eu soube: o lobo poderia despertar, o tratado poderia cair e os "frios" poderiam vir. Nada disso importava, desde que, ao amanhecer, Renesmee Swan e eu continuássemos juntos.