Meu Nerd Favorito
5 O Boato na Escola
Depois de muito grito e escândalo de sua parte, seu pai enfim tinha conseguido encaçapar o louva-deus, diminuindo para quatro a dura tarefa de conseguir insetos para a porcaria da caixa entomológica.
Se não fosse por esse pesadelo, ela até teria tido sonhos bonitinhos naquela noite, que foi a primeira que ela não chorou dramaticamente agarrada ao travesseiro, enquanto pensava em Kiba.
Porém, ela mal colocou o pé na escola aquela manhã, e percebeu que tudo estava diferente.
Todos estavam olhando para ela, e não era com a admiração habitual. E, sim entre cochichos, como se ela estivesse usando um modelo de roupa, da temporada passada, coisa que ela nunca faria.
Seu armário era o mais moderno da escola, e ela trabalhava duro na floricultura com seus pais, para isto.
— Quem diria que Yamanaka, ficaria tão desesperada, por causa do Inuzuka. – Ouvira Matsuri falar, em alto e bom som.
Aquela cabeça de balde de areia, tinha cisma com ela, porque quando foi transferido Gaara no Sabaku, quis ficar com ela, e Matsuri desde então havia se transformado em uma pedra insignificante no seu sapato, mas que as vezes ainda a incomodava.
O engraçado é que agora o ruivo namorava Tenten Sarutobi, e como ela era capitão do time de arco e flecha, não a importunava.
— Do que você está falando agora, sua imbecil? – Ino não gostava de ter seu nome em rodas de fofoca, embora adorasse fofocar sobre a vida dos outros.
Sakura chamava isso de paradoxo dos egocêntricos.
— Que você está tão desesperada, porque ninguém te quer... Que foi a um encontro com Shino Aburame, na sorveteria, e até o beijou. – A outra dissera dando um riso maldoso, e Ino ficou vermelha como um tomate.
Primeiro, porque ela não tinha beijado o Shino coisa nenhuma. Segundo, que apesar de suas estranhezas, ele era um cara legal, não merecia ser tratado como um pária na vida escolar.
— Shino é legal, se você quer saber. – Ela disse em alto e bom som, e com convicção.
O que pegou todo mundo de surpresa, inclusive o garoto usando um jaquetão largo, com capuz e estilosos óculos de sol que estava indo para a sala de aula, e por isso passou ali perto, naquele momento.
— Tadinha, precisa tanto de alguém que a ame, que aceita qualquer coisa. – Sem pensar duas vezes, Ino enfiou a mão na cara de Matsuri, e uma puxando o cabelo da outra, acabaram rolando no chã.
Uma das amigas de Matsuri, vendo isso, montou em cima de Ino e puxou seu cabelo pronta para lhe agredir, mas uma ruiva que normalmente usava óculos apareceu e a caçou pelos seus cabelos negros também, depois de guardar seus preciosos óculos em segurança.
A terceira ia se envolver, mas uma garota que estava loira, e de mal humor, porque sua mãe tinha confiscado suas tintas de cabelo, deu um sorriso que ficava ainda mais assustador, por causa de sua testa grande.
— Não estou de bom humor, então é até uma boa ideia, quebrar a carinha feia de vocês.
“Olha quem fala”. – As três desafetas, falaram em relação a aparência exótica da rosada (temporariamente loira) que não se importou, e foi para cima da única rival que não estava embolada com ninguém, mas ela não teve tempo de alcançar ninguém.
Já que uma mão pálida enlaçou sua cintura, e ela ficou congelada no mesmo lugar, porque sabia bem de quem era aquele braço escolar.
“Ter meu pai trabalhando na escola, é uma m****”, não posso nem brigar em paz”.
Sakura pensou com frustração, enquanto se preparava para a bronca na escola que não seria grande coisa, perto daquela que ela levaria em casa.
“Agora ficarei sem minha tinta de cabelo, porque mamãe foi ler aquela porcaria de artigo que falava que tintura de cabelo, afeta o comportamento dos adolescentes. Mamãe é tão inteligente, mas acredita em cada coisa”.
A jovem de olhos verdes pensou, enquanto escutava a risada desagradável de seu pai:
— Kukuku. Cadê o monitor quando se precisa dele? – Orochimaru perguntou olhando para todos os lados, enquanto fazia cara feia, em especial para sua filha, que era a única que estava sendo segurada ali. – Não sou pago para separar pirralhas metidas a boxeadoras.
Ino e Matsuri continuava se estapeando no chão, e Karin continuava montada em cima de Harumi, e puxando seus cabelos negros, enquanto essa puxava o rabo de cavalo da Yamanaka que só pensava no quanto aquilo estava arruinando seu penteado.
— Você se acha grande coisa não é Yamanaka? Mas, não passa de uma garota sem graça, que não merece o apreço de Gaara-kun. – Matsuri disse com indignação.
— Gaara-kun? Céus, é você que precisa de tratamento de choque, ele já está namorando outra, porque não vai tirar satisfações com ela... GRRRRRR! Onde está o arco e flecha, quando se precisa dele?
Ino disse enfiando um tapa na cara de Matsuri, e levando outro de volta. Elas continuaram se estapeando, até que Uzumaki Naruto e Hyuuga Neji, apareceram por ali fazendo a vez dos monitores que pareciam ainda não ter começado o turno de trabalho.
Já que Orochimaru-sensei deixara claro que não ia se meter no meio daquelas garotas briguentas para ter seu lindo cabelo puxado também.
Só estava segurando a que lhe interessava, e Sakura quando viu o Neji se empertigou toda, querendo se afastar de seu pai, mas sem sucesso, sua garotinha era muito nova para ficar fazendo pose para marmanjo.
Ele era tão ciumento, que quando Samui entrou no ensino médio, ele fez questão de conseguir uma vaga como professor para ficar de olho em seu charmoso cubinho de gelo, como Samui já estava na faculdade, agora faltava seu algodão não tão doce, para ele se livrar daquele trabalho que ele detestava.
Shino queria muito dar um apoio para Ino, mas estava tão chocado que ela começou aquela briga, de certa forma para defende-lo que ele ficou ali parado no mesmo lugar, ainda processando o que com certeza era o acontecimento do ano em sua vida.
Demorou um pouco, mas quando os monitores enfim apareceram as seis garotas briguentas, foram rebocadas até a direção.
E, Shino queria muito saber o que aconteceria com Ino depois daquilo, mas o sinal tocou, e ele pensou que o melhor que ele faria era ir para a aula.
Eles teriam aula de literatura, e certamente o Hatake-sensei, colocaria uma tarefa qualquer no quadro, apenas para ficar sentado lendo seu livro pervertido, todo mundo sabia que ele lia esse tipo de coisa, mas ele ainda tentava disfarçar com um exemplar de O Senhor dos Anéis.
A tarefa era uma simples atividade de interpretação de texto, não exigiria muito dele, mesmo assim ele teve dificuldades em se concentrar.
Só pensava em Ino, e em sua inesperada atitude.
— Shino é legal, se você quer saber. – Ela disse em alto e bom som, e com convicção.
Aquilo ficava ecoando em sua cabeça, quase como uma música chiclete que não saia por nada, de sua mente.
E, ele estava quase acreditando no que ouvia. Pois, vindo de uma garota esnobe e um tanto quanto fútil feito Ino, aquilo deveria ter algum fundo de verdade.
Mas, pensando bem, diferente do que ele tinha esperado, a garota tinha suas qualidades.
Por exemplo, ela assumiu sua falha, e estava levando a sério o trabalho, e dividindo as tarefas, mesmo que com suas limitações.
Ele também, pensou no quanto ela foi sempre simpática com ele, sua língua era mordaz, mas nisso eles empatavam. E, o bacana é que eles estavam desenvolvendo a estranha dinâmica de dizer a verdade um para o outro, doa o que doer.
E, de novo isso era surpreendente.
“Ino você é uma garota cheia de surpresas”.
Shino pensou com um ar sonhador, não se dando por conta que o sinal tinha tocado, por exemplo.
E, que era hora de pegar sua bicicleta e ir para casa.
Na verdade, ele continuou ali sonhando acordado, pensando na ida a sorveteria. Também, pensando nos olhos luminosos de Ino. E, no quanto era bonito seu sorriso.
E, também tinha o detalhe dela ter pegado na sua mão.
Eles não tinham se beijado, mas ele achava que pegar na mão já foi muito bom, e quem sabe tenha significado alguma coisa.
— Hei, Aburame... Você pode dizer o resultado dessa matriz. – Despertou quando o professor Asuma-sensei, perguntou apontando para o quarto.
Mesmo normalmente sendo muito bom com números, ele não conseguiu se concentrar, nos números que se embaralharam em sua vista.
Aliás, ele nem tinha se dado por conta que a aula de matemática havia começado.
Ajeitou seus óculos nervosamente, enquanto mirava o quadro com certa confusão. Sentindo todos os olhares da classe sobre si, ele sentiu que realmente não queria estar ali.
Ele precisava saber onde estava Ino. Os assentos dela e suas outras amigas... Além da Matsuri e das outras garotas... Ainda estava vazio.
Ele vira bilhetinhos sendo passados de mão em mão, mas aquilo nunca chegava a suas mãos.
Primeiro, porque ele nunca se importou com esse tipo de fofoca, então nunca quis recebê-lo e uma ou duas vezes, até dedurou seus colegas para os senseis.
— Gomensai, estou com muita dor de cabeça. – Ele falou sem acreditar que iria usar esse expediente, para sair da aula. Mas, estar ali ou não estar daria no mesmo, ele não se concentraria na aula, enquanto não tivesse certeza que estava tudo bem.
Asuma o olhou com olhos avaliativos, enquanto coçava sua barbicha. Felizmente, como ele era um aluno irrepreensível, ele conseguiu convencê-lo facilmente.
— Precisa de ajuda para chegar a enfermaria? – O sensei perguntou polidamente e Shino balançou sua cabeça, já louco para sair dali.
Todo mundo estava olhando para ele, e isso era enervante. Além do mais, ele precisava ter notícias de Yamanaka, e para isso ele precisava de fontes confiáveis.
Por isso ele já tinha uma ideia do que fazer.
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