Meu Mundo É Louco Por Ela.
5 Foram esses motivos que me fizeram ir tão longe
Notas iniciais
"Há os que amaram uma vez em silêncio, sem se declarar, e trazem dentro do peito essa granada que não foi detonada. Há os que se declararam e foram rejeitados, e a granada estralhaçou tudo por dentro, mesmo que ninguém tenha notado" — Autor Desconhecido.
Marcos
Ok. Talvez aconteça algo nos próximos segundos, ou minutos, um "piri-paque", uma parada cardíaca, mas só para começo de conversa. A cor do meu rosto tinha passado de um branco rosado, ou aquelas cor dos lápis de cor, uma que nem todos gostem tanto — a cor-de-pele — à aqueles pálidos embranquecidos, poderíamos dizer até um transparente para quem quiser, porque definitivamente eu queria sumir de tudo. Essa notícia tinha feito um baque em mim sem igual, ele me derrubara sem direito a levantar, sem direito a volta, um soco na barriga que te deixa imóvel e dolorido. Fiquei olhando aqueles olhos castanhos, com uma pequena maquiagem acima para realçá-los, a franja acompanhava os movimentos obrigatórios do vento, de um lado para o outro, tampando a visão de um olho. Continuei sem reação.
- Descul..... — Falei quebrando o silêncio entre nós. Mas apesar de tudo isso, a Terra ainda continuava com seu percurso fascinante em nossa volta, pessoas passando, correndo, treinando, tilintar de chaves, passos curtos e rápidos, almoços... Seu percurso ia de forma, quase que obrigatória. Não paravam, e nem prestavam atenção em nós.
FATO A CONSTATAR :
- Terra; por mais o quão fascinante seja, o quão tudo nela desperte uma coisa em você da qual valorisa, há pequenos seres, pequenos indivíduos nela — inferiores aos olhos de alguns — que podem esmagar isso sem piedade, que ignoram isso completamente. -
- Não Ma — Sussurou em forma de explicação — Não quero que peça desculpa, não foi erro seu — Seu olhar em algum cantinho continha um pedido de desculpas. Talvez não devesse ter me contado, ou era a hora errada, pensava ela. Olhava-a procurando entender aquela situação toda. Restou só nós dois em frente a escola, imóveis desde quando batera o sinal, se houvesse imaginação suficiente para o instante, seria colocado atrás de nós aqueles bolinhos de feno flutuantes, igual aos filmes de faroeste. Ela mantinha seu olhar inquieto, pairavam por sobre o chão e outras vezes timidamente, encontravam os meus.
- Ok — Falei por fim, minha reação havia me deixado sem palavras. De repente seu olhar parou em mim, então estiquei meu braço para que continuasse-mos nosso percurso. O assunto havia se encerrado ali, por mais doloroso que fosse.
Cotinuamos juntos, lado a lado na calçada, arrumei meu cabelo, seguido da minha mochila e me permiti pensar um pouco. Será que o Spencer também tem o mesmo sentimento por ela? Desde de quando? Como? E a única resposta que eu queria naquele momento era : — Porque me deixei levar tanto?
~Parados na porta da casa dela~
Meu pé permitia encostar um pouco em sua calçada, fiquei brincando com ele, enquanto ela abria o portão. O céu límpido, com seus poucos rastros solares para aquela hora nos queria dizer que aquele dia teria de ter um desfecho alternativo, não simplesmente cada um ir para a sua casa e tudo bem, mas sim alternativo, algo memorável talvez. E o pior disso tudo é : Que teria que partir de alguém.
- Quer entrar Ma? — Perguntou ela, como se ainda tentasse se desculpar pelo ocorrido. Em qualquer momento eu falaria que sim, mas acho que esse não é o momento.
- Huuum, talvez não Nie. Hoje não. — Falei.
- Aaah podemos fazer pipocas, tem sorvete, e o que você mais gosta — Ela parou como em tom de suspense, com um sorriso enfatizador e suas mãos sendo chacoalhadas no ar, e prosseguiu — pizza!
Sorri, como resistir a isso? Se me deixei levar foi por motivos iguais a esse, que me trazem algo diferente todos os dias.
- É de Calabresa? — Meu tom inocente poderia ser confundido como brincadeira. Ela riu, o vento passou-lhe por entre seus fios de cabelos, aquelas mechas pretas e lisas que voavam como bandeiras de um navio pirata em seus dias gloriósos de navegação.
- Sim — Sua gargalhada foi pouca, mas acabou me fazendo rir também. — Com certeza, essa é uma das melhores — Sua mão fez gesto para que eu entrasse. Acabei me deixando levar.
O portão foi fechado atrás de mim com uma grande ajuda do vento. Seu portão é daqueles grandes e automáticos, uma cor acizentada, um bom adjetivo para se descrever o portão. Ela tomou a frente, e abriu uma segunda porta, essa dava para a sala. Tirei minha toca, guardei-a na mochila e a segui escada adentro. A TV da sala estava ligada em algum programa de criança que não consegui identificar, talvez estivesse ligada por seu irmãozinho estar assistindo. O Alex tem apenas 6 meses, e acaba ficando com a Sophie, sua babá. Ele é uma fofurinha, diferente da Nie é loiro dos olhos esverdeados, em sua ponta, contém pequenas faixas alaranjadas dando o tom de algo exótico, colorido e chamativo. Ele provavelmente deve estar almoçando, pois só se tem brinquedos espalhados pelos cantos. Outro dia, tive que voltar, mudar o meu caminho para casa porque tinha alguns de seus carrinhos no meu casaco. Já a Mellissa, sua irmã mais velha, é uma mistura dos dois, um cabelo um tanto mel, um castanho claro, seus olhos pediriam a cor dos do Alex, aqueles esverdeados com pequenas faixas alaranjadas, que os deixavam bonito, e com certeza daria trabalho quando crescesse. Mas os olhos da Mel, puxavam para um tom prateado, o que me deixava muito curioso, seu corpo era de uma mulher, formada e madura. Ela trabalha com jornalismo no Times. Sua produção acompanha o seu trabalho, entrevistas, eventos, viagens, tudo isso faz parte do cotidiano dela. Certa vez, eu estava sentado com a Nie, em seu quarto, preparando uma seção de filmes, ela estava deitada no chão com a cabeça apoiada em meu colo, já eu, estava sentado encostado em sua cama, alta por falar nisso. Então a porta foi aberta devagar, como que não quisesse atrapalhar — mas já atrapalhando — Ela apareceu por sobre a fresta sorriu e nos perguntou :
- Vão assistir o que? — Essa era uma semana de férias para ela, uma folguinha do Times, pode ser coisa boa.
- Huum ainda não sabemos, estamos decidindo entre " Invocando Espíritos " ou " V de vingança " — Nie estava agachada agora, tentando procurar por mais alguma opção. Mellissa adentrou o quarto e sentou na cama.
- Tudo bem se eu assistir com vocês? — Nesse dia acabamos mais conversando do que vendo o próprio filme, "Invocando Espíritos" teve que se invocar sozinho.
~Quarto~
O som posto por ela tinha um ritmo dançante, eu já tinha ouvido falar da banda. Mas nunca procurei algo a mais. Matchbox 20 poderia ser uma banda de bad-boys ou talvez nem tanto. Mas algumas de suas música tinham feito Nie gostar delas, como She's So Mean. Eu até cantaria se soubesse a letra, mas prefiro sons como SOAD, Whitesnake, entre esses. Larguei minha mochila perto da cadeira do computador. A janela estava aberta, na parede que dava para a rua. O vento vinha e descia em movimntos armoniosos, fazendo a cortina imitar movimentos da língua se sogra, de aniversário de crianças. Ela colocou a mochila junto a minha e entrou no banheiro, fiquei sentado escutando aquela nova música que passava por entre a caixa de som do celular. Até que a música era boa.
Notas finais
~Beijão Pessoal~
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