Notas iniciais
Yo pessoal? Como vão? Venho aqui agora com uma one-shot sobre Naruto, espero que gostem Em negrito itálico está a tradução de Bring me to life de Evanescence Boa Leitura!

Como você pode ver através de meus olhos

como portas abertas

Papai, papai — chamava uma garota de olhos perolados banhados por lágrimas, estava um pouco escuro e sentia algo líquido escorrendo em si, se atreveu a olhar para o lado e viu a silhueta de uma garota aparentemente menor que ela, estava imóvel — Papai estou com medo, pa... — não conseguiu terminar de falar, havia perdido as forças que lhe restavam e perdeu todos os sentidos

OoOoOoOoOo

Meu nome é Hinata Hyuuga, sou uma shinobi, uma escolha de vida complicada, mas se não existir altos e baixos em nossas vidas pode-se dizer que estamos mortos, certo?

Eu voltava de missão, pulando de galho em galho, cada vez mais rápido seguindo os que estavam a minha frente, já anoitecia e sentia meu coração cada vez mais quente, estava perto de casa, minha vila, Konoha, mesmo estando destruída depois do ataque de Pain, deixando casas e famílias feridas, ela não deixou de ser acolhedora. Em um dado momento enquanto lutava com Pain, Naruto fora impedido de se mexer por barras de ferro, tomei a decisão mais egoísta que pude ter, entrei em sua frente e me declarei, não podia morrer sem dizer o que sentia por ele, mas depois ele não me dirigiu mais a palavra, porém tento não ficar pensando nisto já que existem coisas mais importantes para se importar

Após a longa corrida de volta estávamos em frente aos portões de Konoha, devia estar feliz, mas ao vasculhar em minhas memórias percebi que poucas eram boas recordações. Sempre fui motivo de vergonha e por mais que eu me esforce o reconhecimento de meu pai é algo distante.

Somos a elite de Konoha, ou melhor, eles são. Pois não honro os olhos que tenho, o orgulho de todo o clã Hyuuga e ambição de qualquer outro. Não sou como eles, não consigo, minha personalidade é diferente e como dizem a maioria, principalmente meu pai, sou gentil demais e morreria rápido em uma missão, mas eles não veem que faço meu melhor e tento mostrar que sou tão digna quanto Neji e Hanabi, mas a opinião deles não muda, não sei mais o que fazer. Quando entrei na luta do Pain contra o Naruto-kun eu não estava pensando em ganhar crédito com meu clã, somente queria protegê-lo, andar ao seu lado, salvá-lo, assim como ele fez tantas vezes comigo, mas ninguém vê isso, mas quem veria? Fui um fracasso, se não fosse Sakura eu estaria morta

— Hinata-sama- chamou um dos shinobi's que voltavam de missão comigo — A senhorita está bem? — me perguntou, estranhei um pouco, mas logo percebi que estava prestes a chorar, mas não o fiz, o engoli e respirei fundo o respondendo em seguida

— Sim, estou bem — lhe respondi dando um pequeno sorriso em seguida. Olhei novamente para frente e estamos chegando na vila finalmente. Todos os acontecimentos anteriores são o que tornam minha vida um tanto difícil, mas apesar de tudo existe o lado bom, por exemplo os amigos que consegui quando entrei na academia, não posso deixar de sorrir quanto a isto. De certa forma isto torna minha vida muito boa.

Vida...

Conduzindo você até meu interior onde eu me tornei tão entorpecido

Sem uma alma

Quando atravessamos o portão de Konoha todos os shinobis se dispersaram, o comandante daquela missão, Kakashi Hatake o sensei do Naruto-kun, havia dito que cuidaria do resto, tipo... Receber a bronca sozinho da Tsunade-sama por termos demorado. Eu queria ter ido para ajudar a acalma-la por exemplo, mas ele insistiu para voltarmos para nossas casas, ou melhor dizendo ordenou com a ajuda de Yamato, é sério esse cara dá medo.

— Hinata! — ouvi alguém me chamar enquanto andava, se não me engano devia ser Sakura. A mesma apareceu na minha frente rapidamente confirmando meu pensamento — Vem comigo — me puxou sem ao menos esperar eu dizer alguma coisa, eu queria saber para onde ela está me levando, logo a frente vi Naruto e Sasuke, o que ela está pensando? Naruto-kun. Sinto minhas bochechas esquentarem, sem mais nem menos Sakura me empurrou, se não fosse o Naruto-kun para me segurar, NÃOOOO, o Naruto-kun NÃOOOOO, droga por que ele? — Faça companhia a ele, para ver se assim ele larga do meu namorado — Sakura olhou para mim que estava um pouco abaixada com os braços do Naruto-kun em baixo dos meus me segurando — Espero que não tenha gostado do beijo que deram a 3 anos anos atrás Naruto — disse Sakura olhando ameaçadoramente Naruto, o mesmo me soltou na hora e apontou para ela e o Sasuke, bem... Eu fui de encontro ao que eu queria evitar a minutos atrás, o chão.

— CLARO QUE NÃO SAKURA-CHAN, COMO PODE ACHAR ISSO? EU NUNCA, ARGH... O TEME É TODO SEU — gritou ele todo escandaloso e com seu apelido super fofo dirigido ao Sasuke, ele fica tão lindo irritado, acabei deixando escapar um sorriso tímido

— Hina-chan, você está bem? — perguntou Sakura dando um soco em Naruto enterrando a cabeça dele na terra — PARE DE GRITAR IDIOTA — gritou ela também me ajudando a levantar, pude ver Sasuke revirar os olhos, sentar no chão e colocar o cotovelo no joelho e suspirar — Não senta não Uchiha, já estamos indo — ela tinha mesmo que me soltar quando eu levantava? Caí de novo, ela saiu arrastando o moreno pela gola, enquanto ele tentava se soltar, me levantei e olhei ao meu redor, haviam ido embora, olhei para baixo e vi Naruto tentando desenterrar a cabeça

— Na-Na-Naruto-kun, quer ajuda? — perguntei gaguejando e ficando vermelha, tenho que parar com isso. Ele não me respondeu, acho que não ouviu, é melhor falar mais alto — NA-NA-NA-NARUTO-KUUN, QUER AJUDAAA? — gritei assustando algumas pessoas ali e corando muito recebendo todos aqueles olhares surpresos, logo ouvi ele responder

— Não Hinata, eu vou conseguir, não vou desitir, isso é uma promessa, nunca volto atrás da minha palavra — respondeu Naruto-kun como sempre determinado, eu ouvi baixo, mas acho que ele estava gritando lá de baixo, fiquei ali com ele, algumas pessoas passavam nos olhavam com cara de idiotas, com cara de que nós somos idiotas, e com olhares que informavam " o que esse idiota fez para estar com a cabeça enterrada na terra?", não leio mentes, mas tenho certeza que era algo parecido, vi um garoto e ele apontou para Naruto

— Olha mamãe, um idiota — não pude deixar de baixar o olhar, aquele garoto não tinha realmente o que falar?

Depois de alguns minutos estava escuro, e eu com fome, sentada ao lado de Naruto que ainda está tentando desenterrar a cabeça, fiquei cansada e sentei, do mesmo jeito que Sasuke havia sentado antes, além de fome, estava com sono e entediada, logo Naruto-kun teve uma brilhante ideia que ele deveria ter tido antes

— Rasengan — lançou aquela esfera de chakra azul no chão um pouco mais longe da onde estava a sua cabeça e ali quebrou — FINALMENTE, CONSEGUI HINATA-CHAN — comemorou ele feliz, não pude deixar de esboçar um sorriso também, a alegria dele é contagiante, por mais boba que seja — Vamos ao Ichiraku Lamén — me puxou pela mão, com certeza fiquei vermelha, mas... Que mania chata das pessoas ficarem me puxando de um lado para o outro como um cachorro com coleira, até os cachorros estão tendo mais liberdade

Meu espirito dorme em algum lugar frio

Até que você o encontre e o leve de volta pra casa

OoOoOoOo

No Ichiraku Lamén

— Naruto-kun se continuar comendo assim vai passar mal — avisei. Estava surpresa com o quanto ele estava comendo, ele estava comendo como um camelo, não, não sei como um camelo come, mas foi o único animal que me veio a cabeça, ele está exagerando, já é o vigésimo prato que ele come, mesmo eu já tendo ganhado uma competição de quem come mais, aquela foi a única vez e isso me fez passar muito mal

— Que nada Hina-chan — disse ele num tom dengoso quando pronunciou meu nome, ele abriu o zíper do casaco laranja e preto que usava, corei, mas não tirei os olhos, tava enorme, A BARRIGA DELE TAVA MAIOR QUE O BUTIJÃO DA MINHA CASA

— Na-Naruto-kun — murmurei baixo surpresa, mas ele não me ouviu, até agora não toquei no meu lamén, vendo ele comer até se fartar... Parece que ele está esperando o fim do mundo ou algo assim... É engraçado pensar nisso

Agora estamos voltando para casa, a noite está bonita bem estrelada, a lua também radiante como sempre

— Hina-chan — ouvi a voz de Naruto chamar meu nome, ela está num tom sério e não no tom escandaloso de sempre, corei, mas senti desconfiança havia sido numa noite daquelas, naquele mesmo tom

— Sim, Naruto-kun — preferi não olha-lo com certeza ele veria minha face avermelhada

— Seus olhos... — começou ele parando de falar, o que ele queria dizer com aquilo?

— O que tem eles Naruto-kun? — Não gaguejei. YEAH,YEAH, devo estar passando muito tempo com a Sakura, balancei minha cabeça afastando esses pensamentos e olhei Naruto ao meu lado que me olhava como se eu fosse louca ou coisa do tipo

— Você está bem? — perguntou ele arqueando uma sobrancelha, não entendi nada

— Sim... Por que? — perguntei, mas logo vi o problema, estava com o braço esticado para cima, devo ter me empolgado na hora do Yeah!Yeah, que mancada, bati minha mão na testa, não devia ter feito isso Naruto se afastou mais um pouco — Eu to bem — disse como se ele fosse acreditar

— Tudo bem então, como eu estava dizendo... Seus olhos... — continuou ele, ele acreditou, as vezes eu agradeço por ele não ser tão inteligente — São muito parecidos com a lua, brilhantes e perolados — não pude deixar de corar com o elogio, mas o sentimento de desconfiança me veio, o ignorei fora uma das poucas vezes que ele me dizia algo assim

Acorde-me.

Acorde-me por dentro

Eu não consigo acordar

OoOoOoOo

Essa foi a última vez que pude conversar com ele direito, antes de tudo isso acontecer, a Grande Guerra Ninja, esse acontecimento nos fez perder muitas pessoas, pessoas preciosas, está difícil aqui, essa é uma realidade a qual eu não quero presenciar, Sasuke e Sakura estão mortos assim como várias outras pessoas que amamos, Naruto está quase perdendo também, não podemos deixar eles tomarem conta de tudo, mas está quase impossível, senti uma dor me atingir e logo senti gosto de ferro, o gosto do sangue em minha boca, olhei para baixo, a minha barriga, havia sido perfurada, um Zetsu a atravessou com a mão, meus joelhos foram de encontro ao chão e logo o resto do meu corpo, sinto que meus olhos estão abertos e que sangue ainda escorre de meus lábios

Chame meu nome e salve-me da escuridão

Acorde-me.

OoOoOoOoO

Me senti flutuando, olhei para os lados. Um clarão. Era um quarto branco que talvez devesse representar esperança, mas aquela cor me lembrava a paz eterna, a morte. Aquele cheiro e aquele apito das máquinas eram agonizantes e me traziam um ar de melancolia.Uma garota estava deitada inconsciente muito parecida comigo, cheguei mais perto e me assustei, aquela era eu, mas estava horrível. Estava pálida parecendo um cadáver, as veias eram visiveis através da pele, os lábios acinzentados, os olhos pareciam que nunca se abririam, os cabelos pareciam não ter sido cuidados a muito tempo. Haviam vários fios conectados ao meu corpo, nos braços, peito, cabeça e um inalador para ajudar na respiração. Ao lado um aparelho que checava os batimentos cardíacos, pareciam normais para mim, eu não entendo disso. Um médico entrou no quarto ficando ao lado da cama junto de uma enfermeira que segurava uma prancheta, ela anotava o que a máquina lhe informava. Segurando minha mão estava ele, Naruto, tinha olheiras e um olhar cabisbaixo, eu queria ter acordado naquele instante, para dizer que estava tudo bem e que teria que tirar notas mais altas que as minhas para lhe desculpar, mas não me sentia mais dentro daquele corpo, já era tarde demais. Olhei na direção da janela, havia um pôr-do-sol lindo e uma bela vista... Me sentia viva, mas isso durou pouco...

Obrigue meu sangue a fluir

Eu não consigo acordar.

— Hinata! — chamava um loiro sorridente acenando — Não é bonito? — apontava o céu que lhes fornecia aquela imagem, um pôr-do-sol magnífico

A garota sorriu e respondeu

— Sim Naruto-kun — abraçou-o

Naquela mesma noite a lua estava como me lembrava e assim como retratara em minha mente, jamais esqueceria. Haviamos brigado. Motivo? Casamento. Naruto sentia-se pressionado pela minha família que diziam que tinhamos de nos casar, eu não discordava totalmente, mas ainda éramos jovens demais para aquilo, meu pai e meus avós já estavam velhos e queriam ver a herdeira se casando. Ele não aguentou muito e veio até mim, após algumas palavras propôs o término do relacionamento, mas não aceitei, depois de algum tempo a conversa virou briga e sem terminarmos ele saiu da casa à passos duros. O deixei para esfriar a cabeça. Ele não deu retorno e fui atrás dele depois de ajudar Hanabi com a lição e terminar um trabalho, mas ele não estava em casa, fui até onde sua mãe dissera que ele estaria e estava certo, não era o lugar que gostava, me dava aflição, mas confiava nele, então não me importava que ele fosse, mas por ele naquela noite eu iria até lá, faria qualquer coisa, até me atirar a frente de um inimigo, mas a cena que vi adiante não queria ter visto. Senti uma mistura de sentimentos negativos, raiva, tristeza, decepção e tudo em dobro. Traição. Uma traição amorosa e de amizade. Eu confiava nele. Eu confiava neles. Meu namorado, Naruto, estava aos beijos com minha amiga, Sakura. Meus olhos encheram d'agua, sabia que Sasuke e Sakura vinham se desentendendo, mas não imaginei que minha melhor amiga faria isso comigo. Foi pior ainda ver Sasuke aparecer ao meu lado e ver o casal ali tão íntimos, diferente de mim ele foi até os dois e puxou a rosada com força aparentemente bêbada, ela ria

— Lembrou que eu existo, Uchiha? — disse num tom alterado — Percebeu que eu fui embora? — perguntava meio zonza, o espetáculo não continuou, o moreno pegou-a pelo braço e arrastou-a para fora dali

Por isso ele não queria se casar?

Naruto acompanhou com os olhos Sakura ser levada e finalmete me percebeu na porta da boate. Sua cara fora ao chão, acredito que ele não imaginava me encontrar ali

A única coisa que fiz foi me despedir... Adeus, foi o que sussurrei antes de sair correndo. Ele veio atrás, mas não conseguia ser rápido, devia estar zonzo. Quando finalmente tomei coragem para olhar para trás vi que ele já não me seguia mais, parei para tomar fôlego enquanto as lágrimas rolavam... Como ele pôde?

No outro dia todos sabiam do ocorrido e comentavam, antes mesmo já me provocavam pelas pessoas me julgarem como quem se achava por ser uma Hyuuga e ser namorada Uzumaki, mas ficava em silêncio e sempre sorria quando o via e assim ele retribuia. Com o acontecimento ficou pior , mas não ia me importar mesmo que fosse difícil. Ouvia risadas direcionadas a mim e até as que não eram me davam essa impressão. Após as aulas Sakura fora me procurar e se desculpar. A recebi com um sorriso mínimo, não queria que me vissem triste pelo que ocorreu, seria ainda mais provocada, com insultos e piadas. Vi as mãos dela tremerem e ela hesitou. Vi Sasuke observar de longe, fiquei sabendo, havia perdoado a garota depois de uma longa briga com gritos, murros na parede e lágrimas. Sua mãe me ligara de madrugada pedindo ajuda para ver se eu acalmava os dois, ela parecia nervosa e com medo, mas eu não podia ir e disse que eles se acalmariam sozinhos e nada de grave iria acontecer. No fim, eu os conhecia. Pude perceber a vergonha no rosto de Sakura e ela parecia planejar o que ia falar, mas a acalmei

— Tudo bem, não se preocupe — disse dando um outro sorriso. Quando ela entrara eu tinha cabado de desligar o celular, a ligação não havia sido boa. Minha mãe havia nos deixado, havia falecido. Naruto entrou na sala desesperado procurando algo, ao me focar se assustou com Sakura ao meu lado, mas me olhou com olhos preocupados, ele já havia recebido a notícia também

— Hinata! — chamou ele querendo conversar

— Tudo bem, não se preocupe — repeti o que disse a rosada, levantei-me e fui em direção a porta passando por ele — Adeus — parecia ter sido uma despedida. Ela morrera de câncer. Já estava internada a alguns dias, descobrimos quando já era tarde demais e nenhum tratamento resolveria, só teríamos que esperar, e o dia chegou. Foi como uma catástrofe. O enterro seria no dia seguinte na cidade natal dela, assim foi decidido pelos meus avós maternos e meu pai concordou, deixou tudo nas mãos de meu tio e Neji que estava em treinamento para assumir a empresa junto comigo. Naquele dia eu só dizia "adeus" parecia prever o que aconteceria. Após nos despedirmos de todos partimos.

Havia sido tudo muito rápido. Um caminhão. Meu pai tentando desviar e finalmente o final. O carro capotou uma vez e voltou a ficar sobre as rodas. Chamei-o várias vezes, mas ele não respondia, olhei para Hanabi ao meu lado e ela estava imóvel. Tentei soltar-me do cinto, mas ele não se desprendia. Minhas lágrimas embasavam minha visão e meu corpo todo doía e se o carro explodisse? Tentei novamente sair, mas sem sucesso, eu tinha que ajuda-los. Ouvi sirenes se aproximando, cada vez mais altas. Suspirava aliviada, já estavam vindo nos ajudar

— Aguentem firme — sussurrei. Perdi os sentidos por um instante e quando recobrei ainda estava no carro, olhei para o lado e vi meu pai deitado no chão enquanto tentavam reanima-lo. Hanabi estava sendo retirada e ouvi alguém dizer

— A mais velha está consciente, tirem-na

Enquanto era removida vi os bombeiros balançarem a cabeça em negação olhando os corpos, ouvi o homem que me segurava sussurrar

— Eoram a óbito

Fui colocada numa maca e dentro de uma ambulância, a última coisa que ouvi foram as sirenes desparadas.

De repente os "bip´s" pararam e começaram um barulho só, era bem mais incômodo do que os outros. Pelo barulho repentino o médico se assustou e logo chamou outros médicos. Fui levada para a sala de cirúrgia, onde fizeram massagem cardíaca e usaram o desfibrilador, mas não deu efeito, era como se eu visse um filme na minha cabeça

Você não pode simplesmente me deixar

Respire através de mim me faça real

Traga-me para a vida

OoOoOoOoOo

No final de tudo nenhum mundo era feito para mim

Desde de pequena imaginava um mundo ao qual eu tinha amigos legais e sinceros bem diferente da minha realidade, eu era uma Hyuuga afinal, filha e sucessora de uma grande empresa, os donos, meu pai Hiashi e meu tio Hizashi sempre saíam em revistas e jornais. No meu mundo tinha sim que haver problemas, pois não queria que me passasse que realmente era imaginário, mas certas coisas saíram do meu controle quando aquele acidente aconteceu.

Um coma. Estive, estou, estava em coma desde muito tempo, a única idade que fixara-se em minha mente foi a de 16 anos, mas aquela garota, aquele meu eu deitada no leito parecia um pouco mais velha. Me pergunto quanto tempo fiquei nesse estado.

Quando acordei estava num mundo diferente do que estava antes, era estranho, mas... Acolhedor. Logo reconheci, era o lugar dos meus sonhos. Me senti muito feliz, mesmo ali não sendo meu lugar de origem e desejei ficar ali para sempre se possível, todos estavam ali, mesmo com o sofrimento que passei queria todos no meu mundo de volta. Com o tempo fui esquecendo que não era dali e me adaptando cada vez mais, me vinha as lembranças, mas me convencia que era sonho. Não aceitava e nem queria voltar ao mundo real. Para que? Para confirmar que minha vida era um fracasso? E que teria que enfrentar meus problemas que viriam de frente? Não, não queria. Na verdade, fui uma covarde, preferi um mundo de sonhos ao invés de viver num mundo real, tive medo de ver as pessoas depois deste acidente, não sei quanto tempo se passou, talvez não conseguiria me encaixar novamente neste mundo

No fim não posso viver em mundo algum, na verdade, se não vivo em um mundo ao qual eu pertenço, não tenho o direito de viver em um ao qual eu criei, tenho plena consciência disso, ou quase

Sempre fugi ao invés de continuar, sempre desisti sem ao menos tentar antes, acho que não pertenço a esse mundo ou a mundo algum, por preferir um mundo de sonhos no mundo real eu tive a morte como consequência e por viver em um mundo de sonhos ao qual eu não pertenço tive o mesmo destino, esse foi o mundo ao qual eu não deveria ter existido, o mundo ao qual eu parei de existir

Não fui forte o suficiente para enfrentar a realidade todo esse tempo

Eu não posso acreditar que eu não pude ver

Me mantive no escuro mas você estava lá na minha frente

Eu tenho dormido há 1000 anos, parece

Eu tenho que abrir meus olhos para tudo

Sem um pensamento

Sem uma voz

Sem uma alma

Não me deixe morrer aqui deve haver algo a mais

Traga-me para a vida

Notas finais
Obrigada por aqueles que leram até aqui, e novamente obrigado Rehime-san por betar a história Chiharu Amaterasu: Ja ne
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!