MEU MELHOR AMIGO – Episódio 1

O vento estava batendo em meu cabelo fortemente. Realmente, aquela Ferrari era super foda. No entanto, ao mesmo tempo que o vento soprava em meu rosto, a poeira dos pneus também soprava e me fazia tossir. No entanto, eu não estava aí pra isso. Eu estava feliz e era isso o que importava.

— Cara! isso é foda pra caramba!!! – Gritou ele.

— E eu não sei? –Ri naquele momento.

— Vai. Coloca os óculos. – Ele abriu o compartimento onde guardava as coisas e pegou uns óculos de sol pretos. Ele nem se quer olhava para frente. Acho que era um perigo dirigir daquela maneira. No entanto, eu queria parar de ser tão certinho daquele jeito. Eu merecia um pouco de diversão e de descontração. Afinal, era domingo.

Aliás. Prazer, meu nome é Daniel Fennegan. E essa... é a minha história.

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Esse que está dirigindo que nem um bêbado no meio das estradas de terra de Saint Flower... sabe quem é? É meu amigo. Jason. Sim, ele não bate bem. Eu ainda nem sei o que eu vi nele para ser seu amigo assim. O cara realmente me leva para um caminho de maluco. Não vão acreditar quando eu dizer... sabia que ele já até fumou maconha? É... ele não bate muito bem. Mas... é uma pessoa bacana. Assim como todos da minha escola. E esse... é o passatempo de todos nós em um domingo ensolarado. Longe de tudo e longe de todos os problemas. Tem coisa melhor que isso? Havíamos acabado de vir da Bahia de Sun Flower. Nossos amigos estavam reunidos naquele local rodeado de águas e areia, cercado por montanhas frias e imensas florestas. É... eu amo Sun Flower. No entanto... essa história mudaria brevemente.

O fato que acabou com minha alegria nesse Domingo, é o fato de Jason estar correndo muito. Não estou brincando. Aquele carro estava além do limite de velocidade.

— Cara... não acha melhor reduzir um pouco a velocidade?

— Ah, cara. Não acredito que você tá amarelando. Qual foi? Virou mulherzinha agora? – Papo machista.

— Cara! sério! Pode diminuir essa velocidade?

— Aí, Daniel. Fica na tua, meu irmão. Não tem perigo nenhum aqui. Coloca o cinto se você tá com medo.

Ele estava. Errado. Havia perigo. Muito, na verdade. No entanto, ele não diminuiu a velocidade do automóvel.

{...}

Eu tentei me acalmar. Tentei parar de ser tão na linha e tentei me divertir. Sério. Tentei... me acalmar. Digamos que eu sempre fui aquela pessoa exagerada. Em tudo, praticamente. A frase “fazer tempestade em um corpo d’agua” não se aplicava em mim. Eu era mais intenso que isso. Digamos que quando falavam isso pra mim, eu logo imaginava um tornado destruindo uma cidade inteira no Texas. É... minha realidade. Digamos que isso dificultava um pouco a minha relação com as pessoas.

Porém, daquela vez eu não havia exagerado. Havia ao longe daquela estrada, uma casa de fazendeiros. Digamos que não sabemos onde um garoto vai quando os pais estão olhando. O garoto, de apenas cinco anos, estava brincando com seu cachorro. Não sei a raça mas isso não importa. Não importa mais. O que realmente traz a triste realidade, é quando o garoto vê uma raposa. Sim, uma raposa que quando o viu, decidiu correr. O cachorro que estava brincando com o garoto vai correndo atrás da raposa. O garoto? Vai atrás do seu animal de estimação. No entanto, eles atravessam a estrada e vão para um milharal fechado. O garoto fica confuso. Não entende nada. Ele tenta achar um caminho para o milharal, mas é muito grande para atravessar aquela cerca de madeira. Então, no meio daquela estrada deserta, sozinho, nem imagina o que iria acontecer.

{...}

— E então? – Perguntou Jason – Eu senti um clima entre você e a Jéssica.

— Não tem clima nenhum. Ela é apenas a minha amiga. Só isso.

— Uhum. Sei. – Ele riu com um certo tom de deboche. – É verdade, cara. Não tem clima nenhum. Você... pode olhar para a estrada?

— Ah, não, cara. Não começa com isso de novo. Para de ser tão merda e aproveita a viagem. Olhe.

Naquele mesmo instante, ele tirou as mãos do volante. E em seguida, pisou fundo no acelerador.

— Porra, cara! o que você tá fazendo? Ficou maluco?

— Viu, mano. Sem perigo. – Ele gargalhou.

Naquele momento, tudo passou em câmera lenta pela minha cabeça. Eu olhei para frente e vi ele. O garoto. O garoto de cinco anos que estava no meio da estrada, sem entender nada. Olhei rapidamente para Jason e vi sua cara de espanto. Naquele momento, ele tentou pegar o volante de volta e desviar do garoto. Isso fez com que o carro dessa uma rápida virada contra uma ribanceira e capotasse. Eu não senti nada além de medo e espanto na hora. Eu morreria? Eu ficaria com sequelas... naquele momento, veio muitas coisas em minha cabeça. Minha vida passou diante de meus olhos. O medo se apoderou de mim.

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Naquele momento, eu abri os olhos. Eu estava sangrando. Minha cabeça estava doendo. No entanto, eu estava vivo. Eu havia ganho uma outra chance. Uma outra chance de ser menos idiota.

No entanto, quando eu virei para olhar para Jason, a cena mais terrível de se ver cobriu minha alma com espanto. Ele estava com os olhos abertos. Estava com um grande ferimento em sua testa. Ele... havia morrido. Eu chorei. Não consegui aguentar mais os meus sentimentos e o meu medo. No entanto, eu vi o garoto, caído na estrada. Tudo o que eu pensei naquela hora foi em salvá-lo. Por isso, mesmo me arranhando com os escombros do carro, eu consegui chutar a porta e abri-la. Para se ter uma ideia, a Ferrari estava virada para baixo. Foi sorte eu conseguir sair daquele acidente.

Quando eu mau me dei conta, lá estava o garoto, e eu já estava correndo em sua direção. Minhas roupas estavam completamente sujas de sangue e de areia. Também estavam rasgadas. Então, eu o vi. Ele estava vivo, estava respirando. No entanto, havia uma ferida grave em sua perna.

— Ei... você tá bem? vai ficar tudo bem... vai ficar tudo bem... eu prometo.

Naquele momento, uma explosão nos cercou. Eu abracei o garoto para protegê-lo. Abracei-o fortemente. O medo também estava em mim, muito mais do que estava nele. Ele estava em silêncio. Eu... havia caído depois disso. Havia... desmaiado.

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Três semanas depois...

Meus pais entraram na sala junto com minha irmã. Com mais flores. Eu não sabia o que fazer com mais tantos presentes.

— Parabéns, Daniel. Você recebeu alta. – Disse minha irmã, Brenda.

Não consegui segurar meu sorriso depois daquela notícia. Já havia feito três semanas deitado naquela cama de hospital. Eu havia sofrido uma lesão interna grave. Por sorte, aquele garoto havia chamado ajuda. Pelo visto ele era bem mais inteligente do que eu achava.

— Tem... uma pessoa aqui querendo te ver. – Disse minha mãe com um sorriso em seu olhar e em seus lábios. Ela não conseguia esconder o alívio de me ver bem daquela maneira.

Então, o garoto havia entrado. Havia entrado com uma caixa pequena. Estava acompanhado pelo pai. O Garoto chegou perto de mim e me deu a caixa. Ele estava sorrindo levemente.

— Obrigado. – Respondi. – E você... tá bem?

Ele balançou a cabeça.

— Abre a caixa. – Falou ele.

Eu ri, junto com todos levemente e então eu abri a caixa. Eu vi então, um boneco do Capitão América. Eu fiquei sem entender, no entanto eu sorri ao mesmo tempo. O garoto disse:

— Ele me dava proteção. Agora eu estou dando pra você.

Eu então não consegui segurar minhas lágrimas e o abracei.

— Obrigado por salvar a vida do meu filho. – Respondeu o seu pai.

— Mas... eu não salvei.

— Ele disse que você o protegeu da explosão. Os médicos disseram que houve respingos de queimadura em suas costas. Você... não sabia disso?

Olhei surpreso para todos e disse:

— Nã... não. Eu não sabia. – Olhei para o garoto e senti que eu havia me redimido de alguma forma. – Mas... eu fico feliz que ele esteja bem.

{...}

— Eu queria poder ter ido no enterro de Jason. – Falei em seguida.

— Querido... Jason foi um irresponsável.

— Mãe! – Disse minha irmã com surpresa.

— Mas é verdade. Ele... ele quase te matou. Foi um milagre você ter saído vivo.

— Mãe... a família dele. Todos estão sofrendo com sua morte. Não seja má. Eu nem vejo a hora de voltar para meus amigos e...

— Isso não vai acontecer, Daniel. – Meu pai interveio.

— Como... como assim não vai?

— Esses seus colegas... essas más influências... Não acho que você esteja no nível deles. Acho que você está mais acima.

— Esperem... o que vocês estão dizendo? Isso é loucura...

— Nós tomamos uma decisão. Eu, sua mãe, e sua irmã. Nós decidimos que é melhor nos mudarmos daqui.

Me espantei naquele momento.

— Como?

— Essa cidade, as pessoas, a influência... você se arriscou demais nesse ano. Agora, mais do que nunca. Não só você mas todos nós. O fato é que a violência também aumentou e...

— O que você está querendo dizer com isso, pai?

— Nós vamos nos mudar, Daniel. Vamos sair de Saint Flower. Eu recebi uma boa proposta de meus investidores. Posso comandar a nossa empresa em Danger Hill.

— Como? Danger Hill? Não... eu não vou para Danger Hill. Está fora de questão.

— Será melhor para todos nós. Acredite. Você terá mais uma semana para se despedir de seus amigos. Depois, poderá começar uma vida nova. Literalmente. Você merece um recomeço. Todos nós merecemos.