Meu Melhor Amigo
7 Idílio
Eu sentia seus lábios tocarem os meus e não podia acreditar que aquilo estava realmente acontecendo.
Estávamos em sua casa, no seu quarto, mergulhado em penumbra. Aquele quarto que tinha o cheiro dele e era a cara dele, com cadernos e letras de música espalhadas pela escrivaninha, discos e filmes arrumados nas prateleiras e os tênis jogados pelo chão. Apenas estar ali já me fazia sorrir.
Estar ali com ele daquele jeito, era um sonho do qual eu não queria acordar.
Pensar que esse havia sido apenas outro dia normal no colégio. Nicolas me chamara para dormir em sua casa e eu aceitei, desconsiderando haver segundas intenções com aquele pedido, até porque nós éramos apenas amigos. Melhores amigos.
Agora, no entanto, não era isso o que parecia.
– Espere. – eu me obriguei a afastá-lo. Estávamos sentados na cama e eu me encontrava atordoado, tentando me lembrar de como tínhamos chegado àquela situação. Ele já estava praticamente deitando-se em cima de mim. – O que está fazendo? O que significa isso?
Eu o amava. Amava seu cheiro. Amava seus olhos cor de amêndoa. Amava seus cabelos castanhos caindo nos olhos, os fios daquela textura suave que dá vontade de entrelaçar os dedos e não soltar nunca mais. Entretanto, por mais que eu fantasiasse com o momento em que ele me beijaria exatamente da forma como o fez agora, eu o conhecia! Sabia que era impossível, que isso nunca iria acontecer! Éramos amigos desde a 7ª série! Ele nunca me veria do mesmo jeito que eu via a ele. Nicolas era hétero. Além do mais, ele já havia me dito que gostava de alguém...
– Eu gosto de você. – pareceu adivinhar meus pensamentos.
Ao ouvir tais palavras, meu coração saltou no peito, desesperado. Senti minha face esquentar, eu começava a suar frio. Vendo-me daquele jeito, ele sorriu.
–... Eu sempre gostei.
Então, a única coisa que eu sabia era que nossos lábios estavam colados de novo, e que dessa vez eu não ousaria separá-los.
O beijo começou sem pressa, carinhoso, e foi tornando-se quente e voraz. Sua língua pediu passagem em minha boca, o gosto de seus lábios era indescritível. Nossos corpos unidos, com ele por cima de mim, estavam quentes e reclamavam por mais contato. Meus dedos entrelaçaram-se nos seus cabelos, enquanto suas mãos exploravam toda a extensão do meu corpo. Minha pele fervia onde Nico me tocava.
– Vinícius... – ele sussurrou meu nome, com a respiração ofegante, perto da minha orelha. Senti meu corpo estremecer. – Eu quero você só pra mim.
Ele me excitava. Mesmo por cima daquelas roupas, que agora pareciam tão inconvenientes, eu podia sentir nossos sexos roçarem um no outro.
Meu olhar se tornou lascivo. Por um momento eu esqueci a timidez.
– Então, me tome. – desafiei.
E ele, em resposta, me beijou avassaladoramente.
Ajudou-me a retirar sua própria camisa, ao que minhas mãos puderam passear livremente pelo seu torso bem desenhado. Depois, numa urgência irreprimível, tirou a minha e passeou com a boca pelo meu pescoço e peitoral, deixando marcas, mordidinhas e um pouco de saliva por onde passava. Meus mamilos endureceram, e ali ele me lambeu várias vezes, arrancando-me sons que eu nunca imaginei ser capaz de exprimir.
Livramo-nos das calças rapidamente. Ele tinha um volume avantajado em sua Calvin Klein. Corei imediatamente.
– Eu amo quando você faz isso. – falou, fazendo-me corar ainda mais.
Retomamos o beijo e as mordidas sensuais, ele aproveitou para me estimular com as mãos. Percebi que ele descia cada vez mais os seus beijos, passando pela minha barriga e lambendo ao redor do umbigo, mas não o deixei ir mais longe. Eu queria tentar uma coisa.
Nico surpreendeu-se quando eu, subitamente, tomei o lugar dele, invertendo as posições. Ele me olhou curioso e eu desci beijando seu corpo até chegar ao lugar que eu almejava.
Acariciei-o por cima da cueca e senti seu volume rígido. Quando o tomei em minhas mãos, pulsante e extremamente sexy, Nico respirou profundamente. Eu sorri. Arranquei o pedaço de pano que ainda o cobria e massageei o falo com as mãos algumas vezes, mas não demorei muito para usar a boca também.
Era a primeira vez que eu fazia aquilo, e para falar a verdade, não sabia exatamente o que fazer. Por puro instinto e lembrando as coisas que já tinha visto nos filmes, comecei a lamber e chupar aos poucos, fazendo cada vez mais forte à medida que Nico respondia com gemidos entrecortados. Passei a língua pela sua cabeça vermelha e entre a fenda de sua glande. Ele gemeu alto e agarrou meus cabelos negros, impelindo-me a continuar. Se eu pudesse, faria aquilo por horas.
Eu estava simplesmente adorando ter o controle sobre ele, e saber que ele gemia por minha causa.
– Vini...!
Ele puxou gentilmente meus fios para trás, fazendo-me parar. Eu acabara me empolgando e ele quase chegara ao auge.
Quando olhei para Nico, sua face estava corada e eu imediatamente entendi porque ele amava quando era eu que fazia aquela expressão. Era a coisa mais sexy que eu já tinha visto na vida.
Ele me puxou para voltar a beijá-lo, livrou-se rapidamente de minha cueca e voltou a me estimular com as mãos. Aproveitou que eu ainda estava por cima para também acariciar minhas nádegas. Nossos corpos agora se tocavam livremente, quentes, provocando-se arrepios prazerosos.
– Nico, eu... – parei o beijo, ofegante. Meu olhar estava perdido num misto de vergonha e malícia. – Eu quero você... dentro de mim.
Espere! O quê? Quem era aquele falando? O que estava acontecendo comigo?
Nico limitou-se a sorrir, e seu sorriso me pareceu meio sádico. Ainda assim, erótico.
– Como quiser. – ele me empurrou de volta na cama, voltando a ficar sobre mim. Empurrou dois dedos em minha boca e com ar autoritário, ordenou. – Chupe.
Sem entender bem o porquê, eu o fiz. Quando descobri finalmente para quê serviria aquilo, já era tarde demais.
– Não! – exclamei, enquanto era invadido por um dos dedos de Nicolas. — Tira...ah...!
– Desculpe... – ele sussurrou – Se eu não fizer isso agora, vai doer mais depois...
Eu não estava prestando atenção. Só conseguia me concentrar em tentar me acostumar com aquilo. Depois de alguns segundos, ele começou a movimentá-lo dentro de mim, e, à medida que os movimentos aumentavam, eu começava a sentir prazer.
– Nico...! – soltei um gemido arrastado.
Ele introduziu o segundo dedo, mas agora eu estava mais relaxado. Aquilo me fez gemer mais e em algum tempo eu até rebolava para ele. Nossas respirações estavam entrecortadas. Depois de um tempo assim, eu até reclamei quando Nico tirou os dedos de mim.
Mas aí ele encostou algo maior.
E por momentos torturantes — que ele pareceu adorar — pressionou seu membro contra a minha entrada sem adentrá-la de fato. Eu mantinha os olhos fechados e as mãos agarradas aos lençóis da cama, preparado para a dor que eu sabia que viria.
– Vinícius... — ele me chamou com voz tão doce, que eu relaxei por um momento, só para atender aquele chamado. E quando meus olhos negros encontraram os seus, ele me penetrou.
Nicolas introduzia-se devagar, abrindo caminho até o meu âmago, enquanto tentava me fazer relaxar acariciando meus cabelos e beijando-me o pescoço. Sem pensar, eu o agarrei, mantendo-o junto de mim, imóvel, e acabei cravando as unhas nas suas costas.
– Não se mexa. – eu pedi e respirei fundo. Seu falo me preenchia todo, fazia meu corpo arquear-se de dor. Quando achei que aguentaria, dei-lhe sinal para que se movesse.
Ele começou num ritmo lento. Eu grunhia, mas à medida que ele estocava e aumentava o ritmo, aquele barulho se transformava lentamente em gemidos.
Quando viu que eu já estava mais confortável, Nico se permitiu perder o controle e chegar ainda mais fundo. Então ele achou algum lugar que...
– Aaah! Aí! De novo, por favor...!
Minha voz saiu aguda e suplicante, e ele sorriu maliciosamente. Obedeceu-me, indo mais fundo novamente, e de novo, e de novo, e de novo...
Dali para frente, nossos gemidos se misturavam enquanto aumentávamos o ritmo. Parecia uma música que nós compúnhamos em sintonia. Nossos corpos se encaixavam perfeitamente, como numa dança. Os cheiros se misturavam numa essência afrodisíaca. Eu sentia meus cabelos grudarem-se na testa, pelo suor. Sentia uma vertigem, um prazer gigantesco, que a qualquer momento parecia a ponto de explodir.
– Nico, eu vou...!
E ele não diminuiu o passo. Pelo contrário, aquilo só serviu para que continuasse, pois ele também estava perto da eclosão.
Eu o agarrei com força e abri os olhos para mirá-lo. Não esperava que fosse encontra-lo olhando de volta para mim, com a boca entreaberta e uma expressão sensual que deixava transparecer todo o seu desejo.
Não me contive e o puxei para um último beijo apaixonado, antes que, entre exclamações e respirações ofegantes, uma última estocada terminasse o nosso dueto.
+++
Quando abri os olhos, Nico não estava lá. Nem eu estava no quarto dele, muito menos em sua cama.
Não. Eu estava no meu próprio quarto, na minha própria cama, e tinha uma coisa endurecida entre as pernas que parecia querer libertar-se do calção do pijama. Mas não havia ninguém lá para aliviá-la a não ser eu. Assim como não tinha havido dueto nenhum...
Eu apenas me perdera em sonhos novamente. Apenas isso. E só.
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