Notas iniciais
o/ Finalmente pude terminar e postar!
Os problemas que arranjei tomaram todo meu tempo livre!

O dia amanhecera calmo até um único grito ecoar na bela mansão Kamiouji...

– HANAKO! — A voz de Angeline alcançou vários corredores, assustou pássaros que espreitavam as janelas, e fez uma pobre serviçal correr desesperadamente até seu quarto.

– S-sim, senhora. O-o que deseja?

– Pegue minha roupa, no armário, irei sair esta tarde com meu marido. Preciso estar perfeita!

– Sim senhora!

A jovem serviçal tinha olhos azul-safira, mas por vontade de sua senhora usava lentes de contato tão negras quanto a lua nova. Seus cabelos curtos e rosados eram escondidos por uma peruca longa de um castanho-escuro encantador.

Hanako abriu o guarda-roupas e após avaliar cada vestido cuidadosamente escolheu um que achou ser " a cara" de Angeline, ele era azul, mas não um azul qualquer, era azul-real, aquele vestido iria dar intonação aos, medianos, cabelos castanho-escuros de Angeline, além de realçar seus olhos caramelizados, deixando-os com um brilho hipnótico. Hanako pôs o vestido em cima da cama, que acabara de arrumar, e esperou Angeline terminar seu longo banho.

Ao sair do banheiro Angeline se deslumbrou com o belo vestido que fora escolhido para ela, seus olhos chegaram a brilhar, mas ao ver Hanako feliz, sorrindo gentilmente ao ver que ela gostara de sua escolha, Angeline pegou o vestido com raiva, o rasgou e o jogou em sua serviçal.

– Você enlouqueceu?? Eu nunca usaria isso!! Mas que droga! Será que tenho que fazer tudo sozinha, por causa da sua inutilidade?! Vamos, abra o guarda-roupas para que eu escolha um bom vestido, e junte esse lixo que está no chão!

Sem responder a jovem pegou os restos do vestido que estavam no chão e os colocou no bolso de seu vestido preto e branco, depois rapidamente abriu o guarda-roupas e deixou que Angeline escolhesse sua roupa.

– Quero... ESTE! — Angeline escolhera um vestido rosa, com detalhes extravagantes de cores vermelho e lilás, teria sido uma boa escolha se aquele vestido não a engordasse ou a fizesse parecer uma oferecida, mas Hanako preferiu não comentar nada.

Lhe entregou o vestido e trocou de lugar com outra serviçal, Rose, que iria arrumar o cabelo de Angeline.

– Ahh, estou cansada disso...- Em seu suspiro Hanako bateu de frente com Theodor, seu amigo de infância.

– O que houve Hanako? Você está péssima...

– Ah..? Obrigada. Estou...bem.

A jovem caiu nos braços de Theodor e adormeceu por alguns minutos, acordou assustada e quando viu, estava com a cabeça no colo de seu amigo, ele se encontrara encostado na árvore do imenso jardim, encarando-a com seu olho, esquerdo, acinzentado enquanto tomava um bom banho de Sol. Os raios de Sol davam um belo e imenso contraste ao cabelo preto-azulado de Theodor, e faziam seu olhar acinzentado brilhar como a lua cheia em meio ao lindo dia. Hanako reparou bem nesses detalhes e sentiu seu rosto esquentar enquanto os observava.

– Acho melhor tirar você do Sol, seu rosto está ficando vermelho e... — Theodor se aproximou de Hanako e pôs sua testa contra a da jovem,que se encontrava mais vermelha do que nunca. — Você está quente... Tente não trabalhar tanto, vai acabar doente.

– E-eu, estou bem. Vamos voltar ao trabalho, antes que a Senhora nos chame a atenção!

– Certo, vamos lá!

Ambos se levantaram e entraram na mansão para continuarem suas tarefas. Angelina estava quase de saída para se encontrar com seu marido, quando recebeu uma carta, e esta desmarcava o encontro e vinha com novidades extras.

– Léo está vindo?! C-como? Quando?

– De acordo com seu marido, ele chega pela manhã minha senhora!

Rose estava sempre com Angeline, apesar de ter que aturar muitas coisas, ela era seu braço direito. Tinha longos cabelos castanho-claros e olhos azul-esverdeados. Usava a mesma roupa que as outras criadas, um vestido preto com detalhes brancos, só que o seu era longo, ia até seus calcanhares.

– Rose, isso é uma emergência! Meu querido sobrinho está vindo passar suas férias aqui, quero tudo impecável para sua chegada, troque tudo, cortinas, tapetes, roupas de cama, louças, como um membro da família ele merece a melhor das recepções!

– Sim minha senhora.

– E Rose...

– Pois não?

– Garanta que Hanako faça os itens que comentei! Não quero vê-la sem fazer nada por aí, caso contrário irei punir não só ela, mas você também, por não garantir seu trabalho! Entendeu?

Abaixando a cabeça para não demonstrar sua expressão de incredibilidade, Rose concordou e acompanhou Angeline ao seu quarto, depois procurou Hanako para lhe dizer o que lhe fora mandado. Rose não era muito íntima de Hanako, mas sentia pena da pobre jovem o suficiente para gostar dela, de certa maneira, ela percebera que Angeline por algum motivo era mais rigorosa com a jovem, mesmo não tendo razão para tal coisa.

Achou Hanako colocando as roupas de cama no quarto de hóspedes.

– Hanako pare. Angeline quer que mudemos tudo para a chegada de seu sobrinho amanhã.

– Oh, bom já sabem o que vão usar?

– Não, estou avisando todos agora, irei reunir os empregados para discutirmos sobre isso, desça e vá à cozinha em 10 minutos!

– Está bem, irei retirar a roupa de cama novamente enquanto isso.

Rose saiu e avisou à todos.

Após retirar a roupa de cama do quarto de hóspedes, Hanako saiu com o bolo de lençóis, colchas, cobertores, todos em um grande monte, quando bateu contra Theodor, novamente, enquanto via tudo o que carregava voar pelos ares.

– Ai, ai.

– Você anda meio distraída ultimamente Hanako, por que não pede um dia de folga?

– É como pedir o impossível. Não se preocupe, só não conseguir te ver.

– Para alguém do seu tamanho você deveria perceber o que está em cima.

– Ha,ha, você não é tão alto assim sabia?!

Hanako era uns 14 centímetros menor que Theodor, apesar de que entre os empregados homens ele não era um dos mais altos.

– Está bem, está bem, irei parar de zoar sua altura.

– Eba, agora vamos na reunião da Rose.

– Certo.

Desceram até a cozinha e quando chegaram todos estavam esperando Rose falar.

– Atenção Pessoal! Teremos de mudar toda a decoração da mansão, para a chegada de Leonard o sobrinho mais velho da senhora Angeline! Apesar de algumas tarefas serem específicas para alguns de nós, ela fez uma exigência e esta se contrariada, terá resultados rigorosos.

O chefe da cozinha fez um sinal com a mão para que Rose continuasse.

– Bom, a senhora Angeline quer que Hanako troque tudo, cortinas, tapetes, roupas de cama e louças.

– O-o quê?

Todos haviam se indignado afinal a mansão tinha cerca de 20 quartos, cada quarto de 5 a 7 janelas, e a quantidade de louça apesar de variável era enorme, levaria cerca de 24 horas ou até mesmo 2 dias para terminar tudo e Hanako deveria fazer em algumas poucas horas.
– Isso vai ser impossível, é muito trabalho, ela não está se quer se aguentando em pé ultimamente.
– Theodor... Não tem problema.
– Mas, é um absurdo!
– Bom é o que Angeline quer, então o farei, se me dão licença tenho um trabalho a realizar.
Hanako saiu da cozinha sorrindo gentilmente, após fechar a porta abaixou a cabeça e sentiu uma tontura vir à tona, seu corpo cambaleou e ela teve de ser apoiar na parede, e seguio assim até o quarto de hópedes para continuar seu trabalho. A jovem retirou todas as cortinas e roupas de cama, e levou tudo rapidamente à lavanderia, depois recolocou-as uma a uma, em uma cor azul-escuro com um toque de cobalto e detalhes dourados, aquilo dera um ar mais elegante à decoração, torcendo para que Angeline não a mandasse trocar tudo novamente ela foi cuidar dos tapetes que também eram muitos, depois disso foi para as louças estas foram as mais complicadas, pois são delicadas e tem que se destacar na decoração.
Em meio a madrugada silenciosa Hanako conseguira acabar seu trabalho, por azar ao se deitar em sua cama o despertador tocou.
– Seu maldito!
Hanako abriu um bom sorriso se levantou, tomou um bom banho, se trocou, arrumou o cabelo, a peruca, as lentes, e por fim passou um pouco de póde arroz abaixo dos olhos, para esconder as olheras que demonstravam seu cansaço.
– Vamos ver se tem mais algum trabalho para mim...
Hanako foi direto para a cozinha, tomou um rápido café-da-manhã e começou a preparar o de sua senhora. O levou até seu quarto antesque ela começasse a gritar seu nome.
– Madame? Está na hora de acordar, trouxe seu café-da-manhã...
– Deixe-o em cima da mesa, como depois...
– Mas, vai esfriar madame...
– DEIXE-O EU JÁ DISSE! SAIA LOGO, ESTOU CANSADA!
Hanako deixou a bandeja em cima da mesa e se retirou, ao sair do quarto refletiu consigo mesma.
"- Calma Hanako... Poderia ser pior, não? Vamos, Sorria! Você não tem o direito de chorar! Há muitas pessoas que sofrem mais do que você! Não chore, não chore!"
Enquanto caminhava com seus pensamentos seus olhos se encheram de lágrimas e ao trombar contra um jovem alto, que pensara ser Theodor, Hanako deixou suas lágrimas escaparem, com os olhos fechados esperou o desespero de seu amigo ao vê-la chorar.
– Ora, ora... O que houve jovem dama?
Aquela voz era diferente da de Theodor, o dono dela tocou o rosto de Hanako com delicadeza, enxugando suas lágrimas, ao encostar no olho esquerdo da jovem, ela pode perceber algo diferente, e se preocupou ao imaginar que poderia ter perdido sua lente de contato no meio da pequena e simples confusão.
– Vamos abra os olhos minha cara...
Hanako abriu os olhos lentamente com receio de que suas suspeitas estivessem corretas. O jovem admirou o que viu, pois a garota possuía agora o rosto levemente avermelhado, seus olhos eram diferentes, bicolores, e brilhavam por conta das lágrimas.
– Pode para de chorar se quiser.
– M-me desculpe, senhor Leonard.
Ao ver quem estava em sua frente Hanako se constrangeu instantaneamente, era Leonard sobrinho de sua senhora Angeline, a jovem se afastou e saiu caminhando rapidamente.
– Se eu não morrer de um ataque cardíaco agora, morro de outra coisa depois, não me importa como, só sei que hoje eu preciso morrer...
– Não sabia que você era uma suicída.
Theodor apareceu atrás de Hanako assustando-a, ela rapidamente fechou seu olho esquerdo ao se lembrar que perdera sua lente de contato.
– O que houve com seu olho?
– Ah! N-nada só entrou um...um... um pouco de pó, só isso.
– Deixe-me assoprar para você então.
– N-não precisa!
Theodor começou a chegar mais perto da jovem encurralando-a contra parede.
– Vamos Hanako pare de ser teimosa.
Ao perceber a insistência do amigo, Hanako começou a se sentir culpada por ter escondido por tanto tempo sua real aparência, a culpa a dominou e se misturou com vários outros sentimentos, e as lágrimas vieram à tona novamente, e quando viu a jovem começou a falar coisas sem qualquer sentido enquanto chorava sem parar.
– M-mas que droga! Minha rotina será sempre assim! Servir! Receber gritos! Servir! Receber berros! E servir novamente! É só para isso que presto, por acaso?! E nem é esse o problemas, eu tenho que aguentar tudo quieta, calada, sempre sorrindo, não me lembro de ser um cão de estimação! E por que tenho que usar esses acessórios ridículos?
– Ha-hanako?
– Por que simplesmente não posso ter meus cabelos com uma cor diferente? Por que meus olhos não podem ser como realmente são? Por que me sinto tão cansada?
– Hanako!
– Por que você é único que faz tudo isso parecer "nada de mais"? Por que me acalma? Por que está sempre sorrindo? Por que não me ignora, ou faz cara feia, ou sente pena de mim, como os outros fazem?
– Hanako !!!
– O quê?
Nesse momento Hanako abriu seus olhos cheios de lágrimas, e acabou por mostrar seu olho esquerdo, que cintilava em azul-safira , enquanto seu olho direito escuro mostrava sua verdadeira forma, a lente acabou por cair por conta da agitação de Hanako.
– Hanako...
– Me desculpe Theodor, mas Angeline me mandou manter segredo sobre minha aparência.
– Me mostre, você sabe que eu não contarei à ninguém, lhe compro lentes novas depois, mas me mostre como você realmente é.
– C-certo, mas aqui não, não quero que ninguém veja.
Theodor puxou Hanako pelos pulsos e praticamente à arrastou para longe dali, na verdade ele a levou para o quarto dela e a jogou na cama, literalmente.
– Ai! Hey, eu não sou uma boneca de pano, isso doeu!
– Não sairá até que me mostre e me conte tudo o que quer gritar.
Hanako tirou a peruca devagar, depois foi retirando os grampos um por um, seu cabelo foi se desenrolando e seu comprimento ia até os ombros da jovem, o cabelo dara destaque as duas pedras azul-safira de seus olhos.
– Que diferença hein...
Theodor se surpriendera, nunca vira uma imagem como aquela, admirou cada mecha de cabelo com os dedos, e encarou seus olhos como se estes o hipnotizassem.
– É estranho não é? Ter cabelos dessa cor...
– Não... Eles são belos.
Seus rostos chegavam perto um do outro aos poucos e coravam da mesma maneira. Theodor segurou o rosto de Hanako para que ela não virasse para o outro lado, para que ela não negasse o que sentia, para que não fugisse como fazia toda hora. Seus lábios se encontraram e um alívio atingiu ambos, foi como se dissesem ao mesmo tempo "-Finalmente." os dois se beijaram sem hesitação, e ao fim disso, estavam juntos, abraçados, deitados na cama, felizes e convencidos de que um amara o outro.
– Hanako...
– Sim, Théo...?
– Algum dia saíremos daqui juntos. Viveremos nossas próprias vidas.
– Certo.
O clima estivera ótimo até um único berro soar, ou melhor, ecoar por toda mansão.
– HANAKOOO!
Angeline provávelmente continuava com seu mau-humor, os dois se levantaram rapidamente com o susto que levaram, Hanako pôs sua peruca e saiu correndo para ver o que Angeline queria.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.