Meu Medo De Amar...
4 Capítulo 3
Bella mal teve tempo de chegar a seu carro, Jacob a agarrou pelo cotovelo a fazendo parar e encará-lo.
– Posso saber o que fiz de errado para você sair correndo desse jeito? – Ele perguntou direto.
– Me solte, por favor – Pediu aflita, sentia o toque daquelas mãos quentes e o calor parecia irradiar por todo o seu corpo.
– Só faço se você prometer falar. Se diz que não sou a "fera" que as pessoas pintam, porque fugiu de mim dessa forma? Vamos, me diga! – Ele ordenou, olhando profundamente naqueles olhos chocolates.
– Eu tenho medo... – Ela falou com a voz baixa, e ele finalmente a soltou.
– Finalmente percebeu que eu sou uma fera? – Perguntou dando uma risada áspera, debochada.
– Não é nada disso, tenho medo do que você representa...é um homem incomum Jacob, consegue ser forte, intimidante, mas mesmo assim vejo gentileza, sutileza em seus olhos – Bella falou visivelmente constrangida. Ele escondeu o riso para não chatear Bella, mas aquela definição era no mínimoridícula.
Sim ele era forte, mais forte do que a maioria dos homens, mas gentil? Sutil? Não, ele era rude, impaciente, algumas vezes intolerante, irritado, tudo menos gentil, além disso, ela estava sendo incoerente, como sua força poderia assustá-la se o considerava gentil?
– Explique-me – Pediu, tinha que entender o pensamento daquela mulher.
– Poder e gentileza formam uma combinação assustadora – Bella disse fugindo do magnetismo que possuíam aquelas duas esferas negras.
– E que poder é esse? – Jacob perguntou a olhando firme.
– O poder que exerce sobre mim... – Bella respondeu num fio de voz, nunca foi tão transparente em toda a sua vida. Jacob balançou a cabeça, perplexo.
– Não tem medo que possa machucá-la? – Perguntou se aproximando.
– Claro que não! – Bella não o considerava um monstro como era seu falecido marido Edward, a cicatriz que marcava o rosto moreno era sinônimo de coragem, apenas o fazia ser ainda mais bonito a seus olhos, entendia o quanto Jacob era um homem especial, e muito, mas muito atraente.
Sem pensar duas vezes Jacob a envolveu com seus braços fortes a puxando para si devagar, Bella se retraiu, mas não era medo que sentia, era outra emoção ao qual Jacob adoraria saber, ele inclinou a cabeça e seus lábios estavam a centímetros dos dela.
– Por favor... – Bella pediu com a voz partida e Jacob não sabia se a súplica era para soltá-la ou beijá-la, na dúvidaescolheu a segunda opção.
A boca de Bella era macia, seus lábios como pétalas de rosas, e Jacob nunca havia experimentado sensação igual, a beijava com delicadeza, tinha a sensação de que ela fosse quebrar a qualquer momento em seus braços fortes.
Bella demorou um segundo para sair do choque, seu corpo reagindo imediatamente ao deslizar daqueles lábios carnudos sobre os seus, ao toque daquela mão grande que se enroscava em seus cabelos. Deixou de pensar, apenas cedeu ao impulso do seu corpo abrindo levemente a boca para receber a língua morna e úmida de Jacob a deslizar sobre a sua. Nunca havia sido beijada daquela maneira, com tanto carinho, delicadeza, nunca usufruiu tanto de um beijo, o que parecia ser impossível para um mulher de 25 anos, que foi casada por 5 anos.
Os beijos de Edward não eram daquela forma, com ele não era nada sobre carinho, era posse, obrigação, com ele sentia estar vivendo nos tempos antigos, onde a mulher tinha um único dever, obedecer ao marido, fazer tudo o que ele desejava, sem ter direito a nada além de agradá-lo. Edward era um homem rude mesmo em seus melhores momentos, que não foram muitos, e ela repudiava seus toques, se sentindo suja após ser forçada a cumprir com seus deveres matrimoniais.
Jacob aproveitava o beijo tanto quanto podia, não entendia a atração que Bella exerceu sobre ele ao primeiro olhar, não estava acostumado a isso, nunca se permitiu ter tal atração, na verdade estava acostumado a receber da maioria das mulheres um olhar de pena ou repulsa, mas não foi isso que viu em Bella, devia ser o que lhe fascinava.
Ambos afastaram as bocas totalmente arfantes, Bella lutava por controlar sua respiração enquanto sua mente acordava para o que havia acontecido. Beijou um estranho, justo ele, Jacob Black, não podia ter se deixado levar de tal forma, saiu correndo assim que suas pernas voltaram a funcionar, entrou em seu carro e mesmo com as pernas bambas e as mãos tremendo girou a chave na ignição, pôs o carro em movimento e partiu, mesmo que alguns metros a frente, numa distância segura da casa de Raquel ela tivesse que pará-lo, caso contrário causaria um acidente, seu coração parecia querer lhe saltar a boca, e suas pernas pareciam ser feitas de borracha.
Jacob assistiu a fuga de Bella imóvel, também estava confuso sobre o que acabou de fazer, não conhecia Isabella e o pouco que saiba o fez odiá-la com todas as forças, afinal ela era esposa do Cullen, amiga de Emily e não fez nada para salvá-la do crápula do marido. Mas assim de perto, olhando para o rosto bonito e delicado, para os olhos castanhos que pareciam tão perdidos, submersos numa tristeza que ele não sabia qualificar, estava confuso, era como se dentro dele houvessem dois Jacobs, um que a odiava e queria manter distância, e o outro que queria pegá-la no colo, cuidar...bufou alto, estava ficando louco, voltou para a festa disposto a não pensar mais nela.
Quando Bella conseguiu um pouco de controle sobre si voltou a pôr o carro em movimento, chegou em casa e saiu correndo para seu quarto, se trancando, tirou o vestido de festa e se atirou sobre a cama apenas de lingerie, fechou os olhos e deslizou os dedos sobre os lábios que haviam recebido as carícias de Jacob, suspirou enquanto sentia seu corpo aquecer, mas logo se repreendeu, não podia se permitir ter tais sensações, apesar de jovem não tinha perspectivas de vida amorosa, era melhor assim.
Queria ter pensamentos bons, mas sua mente estava cheia de memórias do seu falecido marido, das muitas vezes que ele lhe bateu, que maltratou as pessoas que ela amava para machucá-la, da violência que sofria na cama. Lembrou de quando o conheceu, um rapaz lindo e gentil, caiu no conto da cinderela, só que as avessas, não existia príncipe encantado e sim um monstro sem sentimentos, terrível, sem escrúpulos, capaz de tudo por dinheiro e poder.
– Você é tão linda... – Edward disse acariciando o rosto de Bella com o polegar, ela fechou os olhos, absorvendo a carícia.
Seus pais haviam feito um jantar para recebê-lo em sua humilde casa, estavam maravilhados com a perspectiva de sua filha única ter a oportunidade se uma vida melhor ao lado de um dos mais ricos empresários da região. Após o jantar ele a convidou para dar um passeio na praia, ela aceitou com o coração ansioso, caminharam a pés descalços sobre a areia fofa. Edward demonstrava tanta sutileza, simplicidade, tudo que ela não esperava de um homem tão rico e poderoso.
Em determinado momento ele entrelaçou seus dedos aos seus, seu coração jovem, inocente, acelerou consideravelmente e passaram a caminhar de mãos dadas.
E ali, a luz da lua, das estrelas, ele a beijou pela primeira vez, um beijo casto, comportado, ali Bella começou a se apaixonar...
Como sempre as lembranças vinham junto de uma única lágrima solitária, que representava todo o sofrimento. Casou totalmente encantada, apaixonada, mas esse encanto morreu logo nos primeiros meses de casamento, onde se tornou refém de seu próprio marido, acuada viveu 5 anos num verdadeiro inferno, se é que se podia chamar o que tinha de vida...nunca soube o que era ser realmente amada, felicidade parecia algo impossível, e até naquele momento, quando Edward não mais estava entre ela, ainda vive as sombras do passado.
– Eu não sou perfeita! – Gritou para a noite, em resposta a imagem de perfeição que Edward lhe obrigava a ter, e nessas ocasiões, a frente das pessoas, se sentia um nada, uma estátua, um ser sem emoção ou sentimentos.
************
Jacob voltou para a festa, e assim que Raquel o viu saiu correndo em sua direção. O pegou pelo braço e o levou para o local mais reservado que encontrou.
– O que fez? – Perguntou lhe encostando contra a parede, ele lhe estreitou os olhos e ela então prosseguiu – Vi Bella sair correndo, foi embora sem se despedir.
– Não fiz nada, apenas conversamos, dançamos, e ela saiu correndo – Ele disse impaciente.
– E você não fez nada? Vi você indo atrás dela, ande Jacob, quero saber o que aconteceu – Insistiu, ele bufou levando às mãos a cabeça, como sempre fazia quando estava nervoso.
– Já disse que não fiz nada, estávamos dançando normalmente quando de repente a música parou e ela foi embora, fui atrás dela para saber o que aconteceu, mas quer saber...ela é muito confusa, estranha – Raquel arqueou uma sobrancelha na direção do irmão e ele emendou – Se duvida porque não pergunta a ela mesma o que aconteceu? – Disse irritado, virou de costas e saiu, se despediu de alguns amigos e foi embora, estava confuso, irritado e com a cabeça pesada por tudo que havia acontecido àquela noite.
Entrou em sua Picape e dirigiu sem rumo, precisava pensar. O que sabia do "Anjo" além de que ela era viúva do Cullen? De que provavelmente era sua cúmplice em suas canalhices? Nada, tinha uma imagem muito diferente dela, a imaginava como uma mulher fria, cruel, mas tudo que viu naqueles olhos chocolates foram tristeza, fragilidade e muita beleza, apesar de toda aquela simplicidade.
Um animal acuado, com medo, e segundo ela não era medo dele, de seu rosto desfigurado, sua fama de fera, e sim do que ele a fazia sentir, seus pensamentos estavam embaralhados, sentiu raiva, será que estava sendo manipulado por aquela mulher com rosto de anjo?
Dirigiu por uma boa hora até que se viu diante da estrada que dava acesso a restrita casa dos Cullens, quase no meio da floresta, reservada. Desceu da picape e passou a admirar a imensa construção, os jardins muito bem cuidados, não entendia como uma mulher sozinha morava num lugar tão afastado da cidade.
– Merda, o que estou fazendo aqui? – Se perguntou irritado, retrocedeu alguns passos e voltou a entrar na picape, dessa vez indo direto para casa.
De volta a La Push, entrou em sua casa e foi direto ao quarto de Clair, a menina dormia como um anjo, beijou seus cabelos, arrumou as cobertas e foi para seu quarto.
Tomou um longo banho, saiu do banheiro com uma toalha enrolada a cintura, vestiu uma cueca Boxer e caiu na cama, tentaria dormir, na manhã seguinte desejava ter respostas a todas suas perguntas, dúvidas.
Sonhou com o anjo, Bella...tão linda quanto o nome, com o toque suave daquelas mãos delicadas, o cheiro bom de morangos que exalava de seus cabelos, da sua pele, e claro, o beijo...o toque macio daqueles lábios, o deslizar gostoso de suas línguas.
Na manhã seguinte acordou determinado, iria procurá-la, confrontá-la, precisava de respostas, tinha uma difícil promessa a cumprir, mesmo que não tivesse intenção de entregar sua Clair a ninguém, muito menos ao anjo.
Apesar de ter um sono conturbado pela primeira vez em meses Bella conseguiu dormir uma noite inteira, sonhou com olhos negros, da cor da noite, com uma voz grossa, rouca, a lhe sussurrar palavras soltas, mas não teve medo algum, elas eram um alento, um conforto para uma alma tão cansada.
– Bom dia Sue! – Disse assim que entrou na cozinha.
– Bom dia filha, sente-se, vou lhe servir o café da manhã, fiz aquele bolo de milho que tanto gosta – Disse a simpática senhora, que desde muito tempo trabalhava para os Cullens.
Sue e seu marido Harry moram na casa dos fundos a bons 6 anos, seus filhos, Seth e Leah foram estudar fora da cidade a alguns anos e eram os orgulhos do pais, vinham visita-los de tempos em tempos, sempre que conseguiam uma folguinha do trabalho e estudos.
– Obrigado! – Bella agradeceu o mimo da gentil senhora, que pra ela era uma verdadeira mãe, já que não tinha mais a sua por perto. Tomou seu café e foi para o jardim ver suas rosas, passou um bom tempo por lá, cuidando, admirando o trabalho de Harry. Logo então foi a biblioteca, seus preciosos livros a esperavam, mas não pode nem ler um capítulo inteiro e Sue estava a sua frente, lhe avisando que tinha visitas.
Em sua sala de estar estavam Emmett Cullen, irmão de Edward, e sua esposa Rosalie, um tipo de visita não muito frequente, afinal sempre que o irmão que administrava os bens da família, inclusive os que Bella herdara, necessitava de alguma assinatura ou algo parecido enviava sua secretária, Jéssica.
– Bella, quanto tempo, como sempre linda como um anjo – Disse o cunhado, fazendo referência ao apelido detestável, Bella pôs aquela expressão que sempre tinha ao tratar com os Cullens e com as pessoas de negócios ao qual era obrigada a conviver, impassível, sem emoção, neutra, como uma estátua de cera.
– Olá Emmett, Rosalie, a que devo a honra? – Perguntou um tanto direta, eles nunca lhe faziam uma visita cordial, sempre tinha algum motivo por trás.
– Estávamos passando por perto e viemos te ver, saber se precisa de algo, estávamos com saudades – Disse Rosalie com um sorriso forçado nos lábios. Sentaram-se frente a frente, e enquanto Sue lhes trazia um suco iniciaram o motivo da visita.
– Soubemos que esteve na festa de aniversário de Raquel Black... – Rosalie falou fingindo casualidade.
– Sim, é minha amiga, não poderia deixar de ir...estavam lá? Não os vi? – Bella disse se perguntando o porquê daquele questionamento.
– Sabe que nos preocupamos com você Bella, faz parte da nossa família, e chegou a nossos ouvidos que estava as voltas com Jacob Black, aquele homem não é boa companhia para uma mulher sozinha, viúva, sabe do que o chamam? De fera, e não é apenas por causa daquela cicatriz horrenda, é um homem sem educação, arrogante, esta muito a baixo da nossa classe social e...
– Pare! Não vá por esse caminho Emmett, não lhe dou esse direito – Respirou fundo e prosseguiu — Esta enganado sobre Jacob, ele é um homem de bem, e esse apelido horrendo não condiz nada com o que ele realmente é – Concluiu indignada, a tempos deixava sua vida e vontades ser dominada pelos Cullens, primeiro Edward e agora seu irmão, já havia passado da hora de dar um basta.
– Me perdoe Bella, mas se você pretende ter um namorado, casar novamente, nos podemos lhe ajudar a arranjar alguém a sua altura, não é conveniente se envolver com um tipo como aquele... – Emmett voltou a falar e Bella entendeu que se não se posicionasse agora nunca mais teria direito sobre sua vida, escolhas.
– Não pretendo arrumar nenhum namorado e muito menos me casar novamente, e mesmo que tivesse esse interesse não ia recorrer a vocês para isso, é a minha vida, não vou mais deixar vocês a governarem – Levantou e disse – Acho que já esta na hora de vocês irem!
– Esta nos expulsando? – Rosalie perguntou com o nariz em pé.
– Entenda como quiser – Bella respondeu caminhando até a porta, a abriu e ficou lá em pé a espera de que eles saíssem.
– Vai se arrepender por isso Bella, só queremos o seu bem – Emmett falou antes de finalmente sair, Bella bateu a porta, cansada de todos lhe dizerem o que fazer.
Notas finais
A dança de Jacob e Bella chamou atenção e os Cullens acabaram sabendo, não muito felizes com a proximidade do anjo com a fera, acabaram se intrometendo na vida de Bella, até oferecendo lhe arranjar encontros com homens da sua classe, felizmente Bella soube coloca-los em seu devido lugar.
Jacob esta em busca de respostas e está indo ao encontro de Bella novamente, como será essa conversa? Veremos no prox. cap.
Obrigado a todos pela presença e coments maravilhosos!
Bjsss
(...)
N/Aloenne: Olá meninas!
Esse beijo mexeu tanto com Jacob quanto com Bella, concordam?
O fato de Bella não ter medo dele, o atraí, o fascina, a ponto de fazê-lo agir por impulso. Mas Jacob ainda tem algo importante a fazer, entregar Clair para o "Anjo", será q ele consegue abrir mão da menina? E o q a Bella achará de tudo isso?
Essas lembranças do Edward me deixam cada vez mais enojada! Argh.
Ao enfrentar Rosalie e Emmett, Bella ganhou pontos comigo, adorei!!
Lindonas, mto obrigada mesmo pelos reviews!! Bom saber q apreciam um texto tão bem escrito pela minha gêmea Cléa!
Bjs.
Fale com o autor