Meu Malvado Favorito
1 Prólogo
Obriguei meus pés a se moverem. Prendi a respiração e adentrei o tribunal, com o policial sempre segurando meus braços atrás do corpo. Isso não era necessário; eu queria estar lá e não tentaria fugir. Porque eu sabia que havia uma motivação.
Eu caminhava pelo corredor até a cadeira do réu, ignorando os diversos pares de olhos me julgando, os flashs que eram disparados em minha direção e até as palavras de apoio de meus amigos em meio aos murmúrios repreensivos. Só havia uma pessoa que eu queria naquele momento. Virei a cabeça, procurando os olhos que eu mais adorava. "Olhos de chocolate! Posso comer?"Eu perguntava e ameaçava mordê-la, mas sempre virava para beijar sua testa. Ela ria, ria, ria. O som mais delicioso do mundo.
Procurei em meio a várias pessoas, e finalmente encontrei meu único motivo de estar ali, o único motivo pelo qual eu agüentaria tudo nesse mundo. Estava lá, sempre linda, e também parecia estar me procurando. Nossos olhares se encontraram, e uma lágrima desceu por meu rosto. Pela primeira vez, não me envergonhei disso. – Amo você! – Tive que ler as palavras que saíam de seus lábios, porque ela só usara um fio de voz na declaração. Tão óbvia e ao mesmo tempo tão necessária.
O policial indicou o local onde deveria parar com violência, e assim o fiz, sem nunca deixar de olhá-la. Todos se colocaram de pé quando a entrada do juiz foi anunciada. Ela pulou da cadeira, segurando a mão de Rosalie, e meu peito afundou ao perceber que também chorava.
O tribunal, que antes parecia girar, congelou. A Terra parou em respeito ao meu futuro incerto. Eu analisei o rosto de cada pessoa presente ali. Grande parte me encarava com até certo nojo. Emmett e Alice, também contidos por dois policiais, mantinham a cabeça erguida. Carlisle e Esme estavam lá também, sentados na primeira fila, de mãos dadas. Bella ergueu o queixo, tentando parecer forte, mas seus olhos jorravam lágrimas silenciosas.
Nada no mundo poderia ter me preparado para esse momento. Ainda assim, tudo o que passamos juntos até aquele segundo só serviu para me fortalecer, e eu enfrentaria o inferno se pudesse tê-la novamente. E, por ela, qualquer coisa vale a pena.
Mas, antes de contar como tudo acaba, preciso lhes mostrar o começo. Voltaremos no tempo, o suficiente para mostrar como a conheci. Ou, primeiramente, seria melhor me apresentar?
Meu nome é Edward Masen. Tenho 29 anos e, desde que completara a maioridade, me envolvi com uma maneira muito suja de ganhar a vida. Trabalho para Aro Volturi; particularmente nunca vi seu rosto, e poucos já tiveram essa honra.
É muito simples. Aro planeja seqüestros. Pessoas ricas, famosas e influentes. Ele escolhe uma "célula", como chamamos cada grupo em diferentes cidades, e a mesma fica encarregada do seqüestro, cativeiro e pagamento. Boa parte do dinheiro é nosso – a maior parte, na verdade – mas muitos acreditam que não é suficiente para o risco que corremos. Ele mantém um número grande de subordinados por todo o país e, apesar do trabalho ser difícil, eu mentiria se dissesse que recebemos qualquer tipo de proteção ou garantia. A prova eu acabei de lhes dar.
Minha célula conta com Alice, eu e Emmett, nossa "força bruta". Acreditamos que no passado ele era matador de aluguel, mas nenhum de nós fala muito sobre antes de trabalhar para o Volturi. Ou não costumávamos falar. A verdade é que, quando ela chegou, nossas vidas se entrelaçaram de uma maneira irreversível. Se eu me arrependo? Ah... Você se arrependeria de perder tudo pelo maior amor que já sentiu?
Fale com o autor