Notas iniciais
Pessoal, espero que gostem. Me falem para eu ver o dia que postarei mais.

POV EDWARD


Meu nome é Edward Cullen.

Tenho trinta e três anos e, para a maior parte das pessoas, meu sobrenome chega antes de mim.

Ser um Cullen significa carregar expectativas desde o momento em que você nasce. Para muitos, é sinônimo de poder, dinheiro e sucesso. Para mim, sempre significou responsabilidade.

Há seis anos assumi o cargo de CEO da Cullen Enterprises, a empresa que meu pai construiu com décadas de trabalho. Desde então, minha rotina passou a ser feita de reuniões intermináveis, decisões milionárias e viagens que, na maioria das vezes, me fazem esquecer em que cidade acordei.

As revistas de negócios gostam de me chamar de "o jovem executivo que revolucionou a empresa da família". Os jornais dizem que sou um dos empresários mais influentes de Nova York.

Eu apenas faço o meu trabalho.

Nunca gostei dos holofotes.

Enquanto outros empresários fazem questão de aparecer em festas, entrevistas e eventos sociais, eu prefiro permanecer atrás da porta da minha sala, onde tudo depende apenas de números, estratégia e decisões.

Alguns dizem que sou arrogante.

Outros me chamam de frio.

A verdade é que ser reservado sempre foi mais fácil do que permitir que as pessoas me conhecessem de verdade.

Minha família vive dizendo que eu trabalho demais.

Talvez tenham razão.

Mas é difícil pensar na própria vida quando centenas de funcionários dependem das decisões que passam pela minha mesa todos os dias.

Meu pai sempre quis transformar a Cullen Enterprises em uma referência mundial.

Hoje ela é.

Minha irmã mais nova, Alice, costuma dizer que eu preciso viver um pouco mais.

Ela vive tentando me arrastar para jantares em família, eventos e encontros com amigos.

Quase sempre invento uma desculpa.

Relacionamentos nunca foram prioridade.

Na verdade, já faz tanto tempo desde o último que nem me lembro mais de como é dividir a rotina com alguém.

Sexo eu tenho quando quero e sem compromisso.

Meu mundo sempre foi organizado.

Previsível.

Controlado.

Até Alice me ligar dizendo que uma velha amiga de infância havia voltado para Nova York e passaria um tempo morando com ela.

Bella.

O nome despertou uma lembrança distante.

Uma garota de cabelos castanhos que vivia correndo pela casa dos meus pais atrás da minha irmã.

A menina que insistia em conversar comigo mesmo quando eu passava horas trancado no escritório improvisado do meu pai, fingindo ser um executivo importante.

Ela era uma pedra no meu sapato. Passou a me odiar quando ela com 15 anos me pediu um beijo, pois iria se mudar para Oklahoma.

Apesar de sempre ser linda, nunca a vi com outros olhos, a propósito, ela só tinha 15 anos e eu 25.

No aniversário de 18 anos da Alice eu a vi. Ela estava deslumbrante, mas me odiando. Então passamos a nos detestar e nos alfinetar.

Sorri discretamente ao lembrar.

Fazia muitos anos desde a última vez que ouvi aquele nome.

Mas ao saber sobre o motivo dela estar de volta em Nova York mexeu comigo demais.

Tenho minha mãe, minha irmã Alice, minha cunhada Rosalie e não consigo nem imaginar elas sentindo qualquer dor que seja física ou psicológica .

Isso me pegou demais.

Lembro exatamente do telefonema da Alice.

— Oi, baixinha.

— Você está ocupado?

Olhei a pilha de documentos sobre minha mesa.

— Sempre. O que aconteceu?

Do outro lado da linha, ela permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Um silêncio incomum.

— A Bella chegou ontem.

— Você comentou.

— Ela não veio para Nova York porque quis mudar de cidade.

Franzi a testa.

— Então por quê?

Respirei fundo ao ouvir a voz da minha irmã vacilar.

— Ela estava em um relacionamento abusivo. Um relacionamento que só durou dois meses, mas foi um inferno total para ela.

Meu corpo ficou completamente imóvel.

Alice continuou.

— O cara controlava tudo. Com quem ela falava, onde ia, o que vestia... Ela praticamente deixou de viver.

Fechei a pasta que estava analisando.

Toda a minha atenção agora estava naquela ligação.

— Hoje ela me contou tudo.

A voz de Alice falhou.

— Edward... ela passou por coisas horríveis.

Senti um aperto estranho no peito.

Não conhecia os detalhes.

Nem precisava.

Bastava imaginar o medo na voz da minha irmã para entender que aquilo havia sido muito pior do que ela conseguia colocar em palavras.

— Ela está bem? — perguntei.

— Acho que não. Ela tenta parecer forte o tempo todo, mas se assusta quando o celular toca. Quase não dorme direito e fica olhando para a porta como se esperasse que alguém aparecesse a qualquer momento.

Passei a mão pelo rosto.

Nunca consegui compreender como alguém era capaz de destruir outra pessoa dessa forma.

Dinheiro.

Status.

Poder.

Nada disso tornava um homem melhor.

Caráter, sim.

E quem era capaz de levantar a mão para uma mulher não merecia ser chamado de homem.

— Ela está segura aí? — perguntei.

— Está. Pelo menos eu espero que sim.

Olhei pela janela do escritório.

Lá embaixo, Nova York seguia em seu ritmo frenético, completamente indiferente ao sofrimento de milhões de pessoas.

— Se ela precisar de qualquer coisa, me avisa.

Alice deu uma pequena risada.

— Eu sabia que você ia dizer isso.

— Não porque eu conheça a Isabella.

Fiz uma breve pausa.

— Mas porque mulher nenhuma merece passar por algo assim.

O silêncio voltou a tomar conta da ligação.

— Obrigada, Edward.

— Cuida dela.

— Vou cuidar.

Quando desliguei, permaneci alguns minutos olhando para a cidade.

Eu mal conhecia Isabella Swan.

Mesmo assim, era impossível não sentir indignação.

Alguém havia destruído o brilho de uma mulher que estava apenas começando a construir a própria vida.

E, por mais reservado que eu fosse, uma certeza se instalou dentro de mim.

Enquanto Bella estivesse sob o teto da minha família, ninguém mais pisaria nela outra vez.

Eu ainda não sabia o nome do homem que havia causado todo aquele estrago.

Mas tinha absoluta convicção de que, se um dia ele cruzasse o meu caminho, teria que responder pelos próprios atos.

Uma batida discreta na porta interrompeu meus pensamentos.

— Entra.

A porta se abriu e Emmett apareceu primeiro, como sempre fazia.

— Cara, você pretende sair desse escritório hoje ou vai dormir aqui de novo?

Atrás dele veio Jasper, muito mais discreto, com uma pasta de documentos debaixo do braço.

— Como a Alice está?

Suspirei.

— Tentando ser forte pela Bella.

Jasper assentiu lentamente.

— Imagino como deve estar sendo difícil para as duas.

Passei a mão pelos cabelos.

— O que mais me incomoda é pensar que tudo isso aconteceu e ninguém percebeu.

— Infelizmente, é assim na maioria das vezes — Jasper respondeu. — Quem passa por esse tipo de relacionamento acaba se isolando. A pessoa vai afastando amigos, família... e, quando alguém percebe, o estrago já foi feito.

Emmett balançou a cabeça, indignado.

— Eu queria cinco minutos sozinho com esse sujeito.

— Você e metade da população — respondi.

Ele soltou um suspiro pesado.

— Não consigo entender como alguém consegue fazer uma mulher viver com medo.

Jasper olhou para mim.

— A Alice comentou que a Bella mal consegue atender o celular.

Assenti.

— E que ainda olha para a porta como se esperasse que ele aparecesse a qualquer momento.

O silêncio caiu sobre a sala.

Emmett foi o primeiro a quebrá-lo.

— Pelo menos ela está aqui.

— Está segura — completei.

— E vai continuar.

Jasper apoiou as mãos na mesa.

— Vocês já pensaram na possibilidade de ela precisar de ajuda jurídica?

Franzi a testa.

— Também pensei nisso.

— Dependendo do que esse cara fez, talvez ela queira uma medida protetiva ou alguma orientação caso ele tente procurá-la novamente.

Emmett fez que sim.

— O James pode ajudar.

Olhei para ele.

— Faz sentido.

— Ele conhece esse tipo de processo melhor do que qualquer advogado que eu conheço — continuou Emmett. — Além de ser da família. A Bella provavelmente vai se sentir mais confortável sendo orientada por alguém de confiança.

Jasper concordou.

— Mas acho que devemos esperar um pouco. Ela acabou de chegar. Ainda está assustada.

— Concordo — respondi. — Não quero que ela sinta que estamos pressionando.

Emmett cruzou os braços.

— O James volta quando mesmo?

— Semana que vem, se não me engano — respondeu Jasper. — Ele estava terminando um caso fora da cidade.

— Então, quando ele voltar, conversamos com ele. Explicamos a situação e vemos como ele pode orientar a Bella, caso ela aceite.

Assenti.

— Acho que é o melhor a fazer.

Emmett levantou-se.

— Ela nem imagina a família maluca em que acabou entrando.

Sorri de canto.

— Pelo menos vai descobrir que ninguém aqui deixa quem ama desamparado.

Jasper retribuiu o sorriso.

— A Alice nunca faria isso.

— Nem nós.

Emmett já estava quase saindo do escritório quando parou na porta.

— Mas pensando bem...

Olhei para ele desconfiado.

— O que foi agora?

Ele abriu um sorriso divertido.

— Você já viu a Bella?

Franzi a testa.

— Desde que ela voltou? Não.

Jasper e Emmett trocaram um olhar.

— Então você ainda não sabe como ela está? — Jasper perguntou.

— Alice me contou como ela está emocionalmente. Mas não a vejo desde que ela tinha dezoito anos e não durou meia hora.

Emmett se sentou novamente.

— Interessante.

— O que é interessante?

— Nada.

O tom dele dizia exatamente o contrário.

— Emmett.

Ele riu.

— Estou apenas dizendo que a menina que corria pela casa dos nossos pais atrás da Alice cresceu.

Revirei os olhos.

— Isso é óbvio.

— Não estou falando de idade, Edward.

Jasper tentou esconder o sorriso.

— Ele está falando que ela provavelmente mudou.

— Todas as pessoas mudam.

— Sim — Emmett concordou. — Mas algumas mudanças chamam mais atenção.

Balancei a cabeça.

— Vocês dois estão impossíveis hoje.

— Só estamos curiosos — Jasper disse. — Você sempre foi muito próximo da Alice. A Bella praticamente fazia parte da família quando era mais nova.

— Ela era amiga da Alice.

— Mas você lembra dela.

Fiquei em silêncio por alguns segundos.

Lembrava.

Lembrava de uma garota com cabelos castanhos, sempre com um livro na mão, que aparecia na casa dos meus pais e fazia perguntas sobre tudo.

Que me pediu um beijo que eu obviamente não dei com quinze anos.

E que me xingou tanto em menos de meia hora aos dezoito anos.

Ela era diferente das outras pessoas.

— Lembro dela — admiti.

Emmett sorriu.

— Então está curioso para vê-la?

— Não.

A resposta saiu rápida demais.

Os dois riram.

— Claro que não — Jasper falou ironicamente.

— Eu só vou passar na casa da Alice porque quero saber como ela está.

— Claro.

— É exatamente isso.

Emmett levantou as mãos em rendição.

— Ninguém falou nada.

O jeito como ele sorria dizia o contrário.

Peguei meu paletó sobre a cadeira.

— Vocês acabaram?

— Por enquanto.

— Ótimo.

Passei por eles em direção à porta.

— Vou ver a Alice.

Emmett arqueou uma sobrancelha.

— E a Bella.

Parei por um instante.

— Também.

— Sabia.

Ignorei o comentário e saí da sala.

O caminho até o apartamento da Alice foi mais rápido do que imaginei.

Eu poderia ter simplesmente ligado.

Poderia ter perguntado como Bella estava.

Mas alguma coisa me fez querer ir pessoalmente.

Talvez fosse preocupação.

Talvez fosse apenas curiosidade.

Eu não sabia.

Quando cheguei ao prédio, subi até o apartamento e toquei a campainha.

Alguns segundos depois, a porta se abriu.

Alice apareceu com um sorriso enorme.

— Edward.

— Oi, Alice.

Ela me abraçou rapidamente antes de dar espaço para eu entrar.

— Você veio mesmo.

— Por que eu não viria?

Ela me olhou com aquela expressão que dizia que me conhecia melhor do que eu gostaria.

— Porque você normalmente prefere mandar mensagens dizendo que está ocupado.

Ignorei o comentário.

— Como ela está?

O sorriso de Alice diminuiu.

— Melhor.

Assenti.

— Ainda está difícil?

— Está. Mas ela está tentando. Acho que você ter vindo aqui vai ajudar.

Olhei ao redor do apartamento.

— Ela está aqui?

Antes que Alice respondesse, ouvi uma voz vindo da sala.

— Alice, onde você colocou meu livro?

Meu corpo ficou imóvel.

Não era a voz de uma lembrança distante.

Era real.

Alice olhou para mim e sorriu.

— Bella.

Passos se aproximaram.

E então ela apareceu.

Por um instante, a imagem da garota que eu lembrava desapareceu.

A menina que corria pelos corredores da casa dos meus pais já não existia.

No lugar dela estava uma mulher.

Uma mulher que carregava uma força que eu não conseguia explicar.

Cabelos castanhos caindo sobre os ombros.

Olhos castanhos atentos.

E uma expressão que misturava surpresa e cautela ao me ver.

Porra! Ela estava linda. Mais linda do que a ultima vez que a vi.

Ela também me reconheceu.

— Edward?

Seu tom tinha uma pergunta.

Sorri discretamente.

— Olá, Isabella.

Durante alguns segundos, nenhum dos dois disse nada.

Era estranho.

Depois de tantos anos, o reencontro que eu nunca imaginei que aconteceria finalmente aconteceu.

O silêncio entre nós durou alguns segundos a mais do que deveria.

Alice, percebendo a tensão, sorriu.

— Bom... acho que vocês dois precisam conversar.

Olhei para ela.

— Alice...

— O quê? Vocês se conhecem há anos.

Bella cruzou os braços.

— Conhecer é uma palavra forte.

Ergui uma sobrancelha.

Ela ainda tinha o mesmo jeito de me responder sem pensar duas vezes.

Interessante.

— Você não se lembra de mim? — perguntei.

Ela inclinou levemente a cabeça.

— Eu lembro.

A resposta veio rápida.

— Mas?

Um pequeno sorriso apareceu no canto da boca dela.

— Mas você era diferente.

Não esperava aquilo.

— Diferente?

— Sim.

Ela caminhou até o sofá e sentou-se.

— Você era aquele garoto que passava mais tempo lendo no escritório do que conversando com as pessoas. E a ultima vez que te vi foi rápido e já tem 5 anos.

Cruzei os braços.

— E você era aquela garota que invadia o escritório sem ser convidada. -Um sorriso escapou dela.

— Eu batia na porta.

— E entrava antes de esperar uma resposta.

— Porque eu sabia que você ia dizer não.

Por algum motivo, aquela lembrança me fez sorrir.

Ela percebeu.

— Você ainda faz isso.

— Isso o quê?

— Age como se soubesse tudo.

Ergui uma sobrancelha.

— Eu normalmente sei.

Ela soltou uma pequena risada.

— Claro que sabe.

A provocação estava ali.

Leve.

Natural.

E, estranhamente, familiar.

Mas havia algo diferente.

A garota que eu lembrava costumava desviar o olhar quando eu falava com ela.

A mulher diante de mim não fazia isso.

Bella sustentava meu olhar como se não tivesse medo de nada.

E aquilo chamou minha atenção mais do que deveria.

Observei-a por alguns segundos antes de perceber.

Ela estava linda.

Não era apenas a aparência.

Embora fosse impossível não notar.

Os cabelos castanhos, o olhar intenso, a forma como ela se movia com uma confiança que eu não lembrava existir.

Mas havia algo além.

Uma força escondida.

Como se ela tivesse passado por coisas que a mudaram e, ainda assim, continuasse tentando permanecer de pé.

Alice tinha me contado que Bella havia sofrido.

Agora, olhando para ela, era difícil imaginar.

Porque ela não parecia fraca.

Parecia alguém que tinha sobrevivido.

— Você está diferente — falei.

Ela arqueou uma sobrancelha.

— Isso é um elogio?

Pensei por um instante.

— Acho que sim.

— Uau.

Ela colocou a mão no peito em uma falsa surpresa.

— Edward Cullen fez um elogio.

Revirei os olhos.

— Não se acostume.

Ela sorriu.

E foi um problema.

Porque eu não esperava que aquele sorriso chamasse minha atenção.

Muito menos que eu quisesse vê-lo novamente.

— Você continua convencido — ela disse.

— E você continua teimosa.

— Eu prefiro determinada.

— Claro que prefere.

Ela deu de ombros.

— Pelo menos eu admito.

Alice apareceu na sala antes que a discussão continuasse.

— Já começaram?

Nós dois olhamos para ela.

— Não.

— Sim.

Respondemos ao mesmo tempo.

Alice abriu um sorriso vitorioso.

— Eu sabia.

Suspirei.

— Sabia o quê?

— Que vocês dois ainda seriam exatamente assim.

Bella olhou para mim.

— Assim como?

Alice sorriu.

— Implicando um com o outro, na minha festa de 18 anos, a única troca que vocês dois tiveram foi de farpas.

Não respondi.

Porque, pela primeira vez em muito tempo, uma conversa que não envolvia trabalho, contratos ou números tinha conseguido prender minha atenção.

E isso era algo que eu não estava acostumado.

Muito menos algo que eu esperava sentir por Isabella Swan.

A amiga de infância da minha irmã. Ou melhor, a amiga gostosa da minha irmã.

A mulher que tinha acabado de chegar à minha vida novamente.

E que, em menos de dez minutos, já tinha conseguido me desafiar mais do que a maioria das pessoas em anos.