Meu Lugar Seguro
3 Capítulo 3
Notas iniciais
POV BELLA
Já fazia um mês.
Era estranho como o tempo podia passar tão devagar enquanto estávamos vivendo alguma dor, mas, quando finalmente conseguíamos respirar de novo, ele parecia correr sem que percebêssemos.
Se alguém tivesse me perguntado, há um mês, se eu acreditava que conseguiria voltar a dormir uma noite inteira, eu provavelmente teria respondido que não.
Se perguntassem se eu voltaria a rir de verdade, também diria que não.
E, ainda assim, ali estava eu.
Não completamente curada.
Acho que pessoas não se curam de certos tipos de violência como quem coloca um curativo sobre um corte. Algumas marcas permanecem. Invisíveis, silenciosas, mas presentes.
Ainda havia dias em que um tom de voz mais alto fazia meu corpo enrijecer.
Ainda havia noites em que eu acordava assustada, convencida de que alguém estava no quarto.
Ainda evitava caminhar sozinha depois que escurecia.
Mas aquelas crises deixaram de ser diárias.
Elas já não controlavam todos os meus passos.
Alice costumava dizer que eu estava voltando a ser a Bella que ela conheceu na infância.
Eu não concordava.
A Bella de antes morreu no dia em que permitiu que alguém lhe roubasse a paz.
A mulher que eu estava me tornando era outra.
Mais cautelosa.
Mais forte.
E, principalmente...
Mais consciente do meu próprio valor.
— Bella! — ouvi Alice gritar do andar de baixo. — Se você demorar mais cinco minutos, minha mãe vai dizer que fomos sequestradas.
Sorri sozinha.
Ela nunca mudava.
Peguei minha bolsa sobre a cama, conferi rapidamente meu reflexo no espelho e desci.
— Estou pronta.
Alice me olhou da cabeça aos pés.
— Está linda.
Revirei os olhos.
— Você diz isso todos os dias.
— Porque é verdade.
Ela passou o braço pelo meu.
— Vamos?
Assenti.
O almoço de domingo na casa dos Cullen parecia ser uma tradição que ninguém ousava quebrar.
Carlisle dizia que aquele era o único dia da semana em que conseguia reunir todos os filhos à mesma mesa.
Ou quase todos.
Enquanto Alice dirigia, meus pensamentos resolveram tomar um rumo inconveniente.
Edward.
Bufei baixinho.
Era impressionante como aquele homem conseguia ocupar meus pensamentos sem fazer absolutamente nada.
Na verdade... Fazer nada era exatamente o problema.
Ele mal falava comigo. Apesar de quando cheguei tivemos um diálogo melhor e até provocativo. Mas não passou daquilo. Não o vi mais depois daquele dia. Um mês já.
Quando falava, era sempre de maneira seca.
Educado.
Mas distante.
Como se eu fosse apenas mais uma pessoa qualquer.
Talvez fosse justamente isso que me irritasse.
Quando eu tinha quinze anos, Edward era o irmão mais velho da minha melhor amiga.
Alguns anos mais velho. Não vou mentir. Dez anos mais velho.
Inteligente.
Bonito.
Incrivelmente bonito.
Lembrava de passar tardes inteiras inventando desculpas para ir até a casa dos Cullen, só porque existia a possibilidade de cruzar com ele pelos corredores.
Ele nunca percebeu.
Ou, se percebeu, nunca demonstrou.
Lembro da vergonha que passei quando eu pedi um beijo, já que eu estava indo embora para Oklahoma.
Ele tratou aquilo como um absurdo e só saiu de perto me olhando com uma raiva contida.
Na época, eu tinha certeza de que era invisível para Edward Cullen.
Hoje...
As coisas eram diferentes.
Eu já não era mais aquela adolescente boba.
E ele...
Continuava absurdamente bonito.
O tipo de homem que chamava atenção sem fazer esforço algum.
Alto.
Elegante.
Sempre muito bem vestido.
A barba perfeitamente aparada.
Os olhos verdes tão intensos quanto eu lembrava.
Era irritante admitir aquilo.
Mais irritante ainda era perceber que ele parecia ter plena consciência da presença que tinha.
Sacudi a cabeça.
Não.
Eu não voltaria a alimentar qualquer tipo de fascínio por Edward Cullen.
Aquele trem já tinha partido havia muitos anos.
— Está pensando nele de novo, não está?
Olhei para Alice.
— Em quem?
Ela sorriu de lado.
— No meu irmão.
— Você deveria trabalhar na polícia.
— Acertei.
— Não.
Ela riu.
— Bella...
Cruzei os braços.
— Só estava lembrando que ele continua convencido demais.
— O Edward sempre teve esse jeito.
— Esse jeito de parecer que está fazendo um favor para o mundo respirando?
Ela gargalhou.
— Eu ia dizer reservado.
— Eu prefiro arrogante.
Alice apenas balançou a cabeça.
— Vocês dois ainda vão me dar muito trabalho.
A casa dos Cullen estava movimentada quando chegamos.
Esme nos recebeu na porta com o abraço acolhedor de sempre.
— Minhas meninas!
Sorri imediatamente.
Havia algo nela que transmitia paz.
— Você está cada dia mais bonita, Bella.
— Obrigada, Esme.
Ela segurou minhas mãos.
— E muito melhor também.
Percebi que seus olhos analisavam meu rosto com carinho.
Como se procurassem sinais da mulher assustada que chegou ali um mês atrás.
E eu sabia que ela não os encontraria.
Carlisle apareceu logo depois.
— Bem-vindas.
Cumprimentou Alice e, em seguida, me abraçou com gentileza.
— É bom vê-la sorrindo.
Sorri.
— Acho que estou aprendendo outra vez.
— E está indo muito bem.
Pouco depois, Emmett e Rosalie chegaram.
Emmett entrou falando alto, como se a casa fosse dele.
— Espero que tenham guardado comida.
Rosalie passou por ele revirando os olhos.
— Você fala isso toda semana.
— Porque toda semana existe o risco de vocês comerem tudo antes de eu chegar.
Alice riu.
— Você exagera.
— Nunca.
Jasper apareceu da cozinha segurando duas taças.
— Eu ouvi meu nome ser difamado?
— Não. Só o apetite do Emmett.
Todos riram.
Era impossível não notar o quanto aquela família gostava de estar reunida.
Pela primeira vez em muito tempo, eu não me sentia uma visitante.
Sentia-me... Incluída.
Enquanto Esme terminava de organizar a mesa, Rosalie — que estava com um dedo no queixo e cara de pensativa. Então olhou para mim. Depois para Esme.
— Sabe de uma coisa?
Esme arqueou uma sobrancelha.
— O quê?
— Acho que a Bella deveria passar um tempo aqui com vocês.
Meu garfo parou no ar.
— Rosalie...
Ela sorriu.
— Pense bem.
Olhou para Esme.
— A casa é enorme.
Depois para mim.
— Tem mais gente. Você vai estar cercada de pessoas o tempo todo.
Alice imediatamente concordou.
— Eu acho uma ótima ideia.
— Eu também. — Jasper respondeu.
Carlisle apoiou os cotovelos sobre a mesa.
— Na verdade...
Olhou para Esme.
— Faz sentido.
Ela sorriu.
— Eu adoraria.
Voltou-se para mim.
— Quando Carlisle precisa ir até a empresa resolver alguma questão, fico sozinha a maior parte do dia.
Carlisle sorriu.
— Hoje é bem menos frequente. Edward assumiu a presidência da empresa há alguns anos e praticamente me aposentou.
Esme riu.
— Ele fala assim como se tivesse sido obrigado.
— Fui.
Ela lhe deu um beijo na bochecha.
— Mentiroso.
Depois voltou a olhar para mim.
— Seria bom ter companhia. Conversar, tomar um café, assistir a um filme.
A casa ficou silenciosa.
Todos esperavam minha resposta.
— Eu...
Olhei para Alice.
Depois para Jasper.
— Não quero incomodar.
Esme segurou minha mão.
— Bella…Você nunca incomodaria nossa família. Nunca.
Meu coração apertou.
Aquele carinho era genuíno.
Antes que eu pudesse responder...
A porta principal se abriu.
Passos firmes.
Alice sorriu.
— Olha quem resolveu aparecer.
Edward.
Ele entrou desfazendo o nó da gravata.
Os cabelos castanhos estavam levemente bagunçados.
A manga da camisa branca dobrada até os antebraços.
O relógio caro ainda preso ao pulso.
Parecia cansado.
Mesmo assim...
Bonito.
Muito bonito.
Tão bonito que era quase irritante.
Levantei os olhos justamente quando ele fez o mesmo.
Nos encaramos.
Por um breve instante.
Então ele desviou.
— Desculpem o atraso.
Carlisle sorriu.
— Reunião?
— Não.
Esme aproximou-se dele.
— Vá lavar as mãos. Já vamos servir.
Edward assentiu.
Ao passar por mim, limitou-se a dizer:
— Isabella.
— Edward.
Apenas isso.
Nem um sorriso.
Nem uma expressão diferente.
Seguiu para o corredor.
Respirei discretamente.
Continuava tão insuportavelmente bonito quanto antipático.
O almoço começou alguns minutos depois.
Edward sentou-se exatamente à minha frente.
Claro.
Porque o universo tinha um senso de humor bastante peculiar.
A conversa seguiu leve por alguns minutos.
Até Carlisle comentar casualmente:
— Edward.
Ele ergueu os olhos.
— Sim?
— Estávamos conversando sobre a Bella ficar um tempo morando aqui.
Ele olhou primeiro para o pai.
Depois...
Para mim.
Seu olhar permaneceu ali por alguns segundos.
Longos o suficiente para que eu percebesse.
— Entendo.
Foi só o que disse.
Emmett franziu a testa.
— Só isso?
— O que esperava que eu dissesse?
— Sei lá.
Qualquer coisa.
Edward voltou a comer.
— Se todos acharam uma boa ideia... Imagino que já esteja decidido
Olhei para ele.
— Prometo tentar não atrapalhar sua rotina.
Ele levantou os olhos lentamente.
— Minha rotina costuma sobreviver bem às mudanças. A manutenção da minha casa fica pronta em alguns dias.
— Que sorte.
— É.
— Espero que continue assim.
Um discreto sorriso surgiu no canto dos lábios dele.
Quase imperceptível.
— Está preocupada comigo?
— Nem um pouco.
— Que pena.
Inclinei a cabeça.
— Você parece decepcionado.
— Estou?
— Achei que sim.
Ele apoiou os talheres sobre o prato.
— Você costuma interpretar olhares agora?
Sorri educadamente.
— Só quando a pessoa insiste em olhar.
Silêncio.
Emmett ergueu as sobrancelhas.
Rosalie abaixou a cabeça para esconder o sorriso.
Edward sustentou meu olhar.
Sem desviar.
— Talvez você esteja prestando atenção demais.
Meu coração tropeçou dentro do peito.
Mas mantive a expressão tranquila.
— Ou talvez você esteja olhando mais do que imagina.
Os olhos verdes dele permaneceram presos aos meus.
Por alguns segundos.
Longos.
Intensos.
Até que Carlisle limpou a garganta discretamente.
A conversa voltou a seguir.
Mas eu já não conseguia prestar atenção.
Porque, durante todo o restante do almoço...
Percebi Edward olhando para mim outras vezes.
Não eram olhares demorados.
Nem invasivos.
Eram rápidos.
Discretos.
Como se ele acreditasse que eu não fosse notar.
Mas eu notava.
E, estranhamente...
Aquilo me deixava inquieta.
Mais tarde, enquanto a sobremesa era servida, Esme comentou:
— É uma pena o James não estar aqui.
Alice fez uma careta.
— Ele disse que voltaria no mês passado.
Carlisle sorriu.
— Depois disse que voltaria na outra semana.
— E agora já faz dois meses que continua trabalhando fora.
Olhei curiosa.
— Quem é James?
Esme sorriu.
— Meu sobrinho. Filho da minha irmã. – Disse Esme.
— Mas praticamente cresceu nesta casa. — Carlisle completou. — Passava mais tempo conosco do que na casa da própria mãe.
— Então eu deveria conhecê-lo. Eu passei muito tempo aqui.
Esme balançou a cabeça.
— Na verdade, não. Quando você vinha passar as férias com Alice, James já estudava fora. Ele sempre quis se ocupar nas férias. E no aniversário de dezoito da Alice, ele estava resolvendo um caso importante na Africa.
Rosalie completou:
— E nas poucas vezes em que ele voltava, você já tinha ido embora.
Carlisle sorriu.
— Vocês dois sempre desencontraram. Lembro de um verão em que ele chegou no domingo... E você voltou para casa no sábado.
Alice riu.
— Minha mãe até brincava dizendo que vocês tinham algum tipo de azar.
Sorri.
— Então realmente nunca nos encontramos.
— Nunca. — Esme respondeu. — Mas tenho certeza de que vocês vão se dar muito bem.
Emmett concordou imediatamente.
— O James conquista qualquer pessoa em cinco minutos.
Rosalie assentiu.
— É impossível não gostar dele.
— Ele é um querido. — Esme disse com carinho. — Educado, atencioso...
Carlisle completou:
— Um excelente advogado.
Edward tomou um gole de vinho antes de comentar, sem levantar os olhos do prato:
— Ele também fala demais.
Emmett riu.
— Isso é verdade.
Alice olhou para o irmão.
— Você implica com o James desde criança.
— Não implico.
— Implica.
Edward deu de ombros.
— Só acho que ele gosta de ouvir a própria voz.
Carlisle sorriu.
— Curioso... Porque vocês sempre se deram muito bem.
— Damos. Só prefiro quando ele está defendendo um cliente e não tentando convencer a família inteira de alguma teoria jurídica e de como ele é a melhor pessoa do mundo.
Todos riram.
Até Edward.
Foi um sorriso pequeno.
Raro.
Discreto.
E, sem perceber, eu acabei sorrindo também.
No mesmo instante...
Os olhos dele encontraram os meus outra vez.
Dessa vez, não desviou imediatamente.
Havia alguma coisa naquele olhar.
Algo que eu ainda não conseguia entender.
Não era antipatia.
Também não parecia simpatia.
Era curiosidade.
Como se ele estivesse tentando decifrar quem eu era.
Ou talvez...
Quem eu havia me tornado.
Desviei o olhar primeiro.
Porque sustentar os olhos de Edward Cullen por tempo demais parecia perigosamente fácil.
E eu ainda não tinha decidido se isso era uma boa ou uma péssima notícia.
— Existe outra possibilidade. — Edward disse depois de alguns minutos de conversa.
Todos olharam para ele. Eu também.
Ele parecia completamente tranquilo, como se estivesse apenas apresentando uma solução prática.
— Sobre o que? — Carlisle perguntou.
Edward apoiou o braço na cadeira.
— Eu posso voltar para o meu flat até a reforma terminar.
Franzi a testa.
— Seu flat?
Ele assentiu.
— Minha casa ainda está em obras. Eu ficaria lá de qualquer forma quando precisasse de mais privacidade.
Ele fez uma breve pausa.
— E, considerando que a Isabella vai ficar aqui, talvez seja melhor.
A forma como ele disse aquilo me incomodou imediatamente.
— Melhor para quem?
Edward voltou os olhos para mim.
— Para você.
— Para mim?
— Apesar de vocês acharem que é melhor você estar com mais pessoas em vez de na casa da Alice, esta é uma casa cheia. Você está chegando agora. Acho que talvez seja mais confortável se tiver menos pessoas ao redor. E pelo jeito de certa forma eu te incomodo.
Pisquei algumas vezes.
Porque, de alguma forma, aquilo parecia muito Edward.
Ele não estava sendo frio.
Não estava tentando me mandar embora.
Ele estava tentando resolver uma situação.
Mas ainda assim...
— Edward, não.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Não?
— Não.
— Por quê?
Respirei fundo.
— Porque você mora aqui.
— Temporariamente.
— Ainda assim.
Olhei para Esme e Carlisle.
— Essa é a casa da sua família.
Depois voltei para ele.
— Eu não vou chegar aqui e fazer você sair. Posso ficar na Alice. E também isso é temporário, algum momento eu vou retomar minha vida sozinha. Não pretendo ficar sempre morando de favor.
A expressão dele mudou levemente.
— Isabella...
— Não.
Balancei a cabeça.
— Eu agradeço a preocupação, de verdade. Mas se eu aceitar ficar aqui, não vai ser porque você precisou abrir mão do seu espaço.
Ele ficou em silêncio.
— Você não precisa sair para eu me sentir bem.
Por alguns segundos, Edward apenas me observou.
E havia algo diferente naquele olhar.
Como se ele não estivesse acostumado a alguém recusar algo que ele oferecia.
— Você sabe que nem todo mundo pensaria assim.
— Talvez.
Dei de ombros.
— Mas eu penso.
Um pequeno sorriso apareceu no canto da boca dele.
— Percebi.
— Isso foi uma crítica?
— Ainda estou decidindo.
Revirei os olhos.
— Impressionante como você consegue transformar qualquer conversa em uma provocação.
— Impressionante como você sempre responde.
— Talvez porque você sempre provoca.
— Talvez.
A resposta veio simples.
Mas o jeito como ele disse fez meu coração bater um pouco mais rápido.
Porque, pela primeira vez, pareceu que ele não estava apenas tentando ganhar uma discussão.
Parecia que ele estava gostando dela.
— Bom... — Emmett disse, quebrando o silêncio. — Eu só acho engraçado imaginar o Edward de volta no flat.
Edward lançou um olhar para o irmão.
— Emmett.
— O quê?
Ele ergueu as mãos.
— Eu não falei nada.
Rosalie riu.
— Essa é sempre a frase que vem antes de ele falar algo que não deveria.
Emmett ignorou.
— Só estou dizendo que o flat do Edward é um lugar bastante conhecido.
Olhei para ele.
— Conhecido?
Edward fechou os olhos por um instante.
Como se já soubesse exatamente onde aquela conversa iria parar.
— Não começa.
— Eu estou sendo gentil.
Alice riu.
— Você nunca está sendo gentil quando fala assim.
Emmett sorriu.
— Eu só quis dizer que o apartamento dele sempre teve bastante movimento.
Senti minhas sobrancelhas se levantarem.
— Movimento?
— Pessoas entrando e saindo.
— Emmett.
A voz de Edward saiu como um aviso.
Mas era tarde demais.
Rosalie balançou a cabeça.
— Você conseguiu deixar uma frase simples parecer completamente inadequada.
— Eu só estou falando a verdade.
Olhei para Edward.
Ele parecia mais irritado com o irmão do que constrangido.
— Não dê atenção a ele.
— Eu estou tentando entender.
— Não precisa.
— Agora eu preciso.
Um pequeno sorriso escapou de mim.
— Porque, pelo jeito, seu flat tem uma história.
Edward me encarou.
— Não tem.
— Essa foi uma resposta muito rápida.
— Porque é verdade.
— Suspeito.
Ele inclinou levemente a cabeça.
— Você sempre desconfia de mim?
— Ainda estou formando minha opinião.
— Achei que já tivesse uma.
— Tenho algumas.
— Imagino.
O olhar dele permaneceu no meu por alguns segundos.
E, pela forma como a mesa inteira parecia perceber aquela troca...
Eu tive a sensação de que talvez não fosse apenas eu sentindo aquela tensão estranha.
Algo estava acontecendo ali. Algo que nenhum dos dois parecia disposto a admitir.
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