Meu Lugar Seguro

22 Capítulo 22


Notas iniciais
Nada demais, só um capitulo conforto. Boa leitura.

POV EDWARD

Eu estava errado.

Bella não queria lutar, ela queria destruir alguma coisa e pude perceber logo no terceiro golpe.

No quinto, tive certeza.

Ela estava diante do saco de pancadas como se aquele objeto tivesse cometido uma ofensa pessoal contra ela.

— Bella.

Nada.

Outro golpe.

— Mantém a guarda.

Ela levantou as mãos.

Atacou novamente.

— Usa o quadril.

Obedeceu.

O golpe seguinte foi mais forte.

— Isso.

Ela respirava pela boca.

O cabelo, preso às pressas, já começava a escapar do rabo de cavalo.

— De novo.

Ela bateu.

— Outra vez.

Mais forte.

— De novo.

Bella acertou o saco.

E de novo.

E de novo.

Eu parei de instruir.

Apenas observei, porque já não havia técnica alguma naquilo.

Havia raiva.

A mão direita era medo. A esquerda era frustração.

Joelho.

Impotência.

Outro golpe.

Cada coisa que ela não conseguira dizer nas últimas semanas parecia sair através dos punhos.

Nathan.

As mensagens.

O emprego.

As noites sem dormir.

O medo por Alice.

Por mim.

Nosso término.

James.

A cicatriz.

Eu não sabia qual daquelas coisas estava na cabeça dela.

Talvez todas.

— Bella.

Ela continuou.

— Chega.

— Não.

Outro golpe.

— Bella.

— Eu estou bem.

Não estava. A respiração estava descompassada.

Os movimentos começavam a perder precisão.

— Para.

— Eu não quero parar.

Ela acertou novamente.

Segurei o saco.

— Edward.

— Acabou.

— Solta.

— Não.

— Eu quero continuar.

— E eu estou dizendo que chega.

Ela tentou contornar.

Segurei seus pulsos, mas puxou.

— Me solta.

Soltei imediatamente. Ela deu dois passos para trás.

— Eu não preciso que você decida quando eu...

— Sua mão está sangrando.

Ela parou.

Olhou.

A pele sobre um dos nós dos dedos tinha aberto.

Pouco, mas o suficiente. Ela fechou os olhos.

— Merda.

Peguei uma toalha.

— Senta.

— Não.

— Bella.

— Eu não quero sentar.

— Então fica em pé.

Me aproximei devagar e dessa vez ela não recuou. Então peguei sua mão.

— Você apertou demais a bandagem.

— Eu estava com raiva.

— Percebi.

Ela soltou uma risada sem humor.

Comecei a desfazer a faixa e ela ficou quieta.

— Quer me dizer de quem?

— Não.

— Certo.

— Você não vai insistir?

— Estou tentando uma coisa nova.

Ela levantou os olhos.

— O quê?

— Respeitar quando você diz não.

Aquilo fez alguma coisa em seu rosto. Pequena, quase imperceptível.

Terminei de retirar a faixa.

— Não é profundo.

— Ótimo.

— Vai sobreviver.

— Que alívio.

Peguei o antisséptico.

— Vai arder.

— Edward, eu sobrevivi ao treino.

Passei.

Ela puxou a mão.

— Filho da...

Ri.

Bella me fulminou.

— Você fez de propósito.

— Avisei.

— Você está rindo.

— Um pouco.

— Idiota.

— Violenta.

Ela tentou pegar o antisséptico de mim.

Afastei.

— Nem pensa.

Por alguns segundos, pareceu normal.

Ela.

Eu.

As provocações.

Aquela coisa estranha que sempre existira entre nós e então os olhos de Bella foram para o saco de pancadas.

O sorriso desapareceu.

— Eu só queria ter paz.

Minha mão parou e vi quando ela respirou fundo.

— Só isso.

Não respondi.

— Parece tão absurdo?

— Não.

— Porque eu não posso ter paz? Logo que as coisas estavam indo bem.

A voz ficou mais baixa.

— Eu só quero acordar um dia e não pensar se ele sabe onde eu estou.

Soltei o que estava segurando.

— Bella...

— Quero entrar num lugar sem procurar saída.

Seus olhos começaram a encher.

— Quero que um número desconhecido seja só um número desconhecido.

Meu peito apertou.

— Quero conseguir dormir sem achar que alguém vai entrar pela porta.

Uma lágrima escapou.

Ela limpou com raiva.

— E eu queria muito parar de sentir que ele ainda tem alguma coisa minha.

Fiquei imóvel.

— Porque tem dias em que parece que ele ainda está aqui.

Ela tocou a própria cabeça.

— Aqui.

Depois o peito.

— Aqui.

Sua mão desceu involuntariamente.

Parou perto da cintura.

Entendi.

A cicatriz.

Bella percebeu meu olhar e rapidamente afastou a mão.

— Desculpa.

Franzi a testa.

— Pelo quê?

— Não sei.

— Então não pede.

Ela riu chorando.

— Você é muito mandão.

— Estou trabalhando nisso.

— Não parece.

— É um processo.

Bella respirou fundo.

Olhei para ela.

— Eu vou encontrar Nathan.

Seu rosto mudou.

— Edward...

— Não estou dizendo que vou sair caçando ele com uma arma.

— Ainda bem.

— Apesar de ser uma ideia tentadora.

— Edward.

— Brincadeira.

Não era totalmente.

— Jenks está me ajudando.

Bella franziu a testa.

— Jenks?

Parei por uma fração de segundo.

Não pretendia falar aquilo ainda.

— J. Jenks.

— Quem é?

— Alguém em quem confio.

— Para quê?

— Investigar.

Ela ficou imóvel.

— Você contratou alguém?

— Liguei para ele.

— Quando?

— Tem um tempinho.

— Eu acho que você comentou algo sobre isso, mas não me recordo bem.

— Eu não entrei em detalhes, mas foi próximo da semana que você decidiu trabalhar e denunciar Nathan.

— E posso perguntar como está indo?

— Mais demorado do que imaginei, mas nada impossível.

Eu ainda não queria contar tudo que Jenks me passou recentemente.

Ela cruzou os braços.

— Edward.

— Eu não passei nenhuma informação que você não tenha autorizado antes que fosse compartilhada.

Isso a fez parar.

— O quê?

— Eu falei com ele o suficiente. Ele tem o retrato falado que foi feito na delegacia e mais algumas informações. Jamais iria expor você.

— Eu sei. Eu confio em você.

Fiquei mais aliviado de escutar ela dizer que ainda confia em mim.

— O que ele faz?

— Coisas que às vezes eu prefiro não perguntar.

Bella arregalou os olhos.

— Edward!

Ri.

— Investigação particular, localização de pessoas, levantamento de registros, conexões, histórico. Ele sabe encontrar coisas.

— Legalmente?

— Bella.

— Isso não respondeu.

— Legalmente.

Ela continuou desconfiada.

— Na maior parte do tempo.

— Edward!

— Estou brincando.

Ela bateu no meu braço.

— Idiota.

Segurei sua mão antes que ela afastasse.

— Ele pode ajudar.

Bella olhou para nossas mãos.

— E se ele encontrar Nathan?

Meu humor desapareceu.

— A gente faz do jeito certo.

— Polícia?

— Polícia. Advogado. Tudo documentado.

— Você não vai atrás dele?

Pensei antes de responder.

— Eu não vou fazer nada que coloque você em risco.

— Isso também não respondeu.

— Foi a melhor resposta que consegui dar.

Bella me conhecia o suficiente para perceber.

Não insistiu.

— Eu só quero que ele suma.

Aproximei-me.

— Ele vai sair da sua vida.

— Você não pode prometer isso.

— Posso prometer que vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para ajudar isso a acontecer.

Ela baixou os olhos.

— Melhorou.

— Estou aprendendo.

— Devagar.

— Muito engraçada.

Bella sorriu.

Então chorou.

Simplesmente.

Sem aviso.

Puxei-a para mim.

Dessa vez não havia resistência. Os braços dela passaram pela minha cintura.

Enterrou o rosto no meu peito e eu apenas segurei.

Sem dizer que tudo ficaria bem.

Sem prometer que Nathan desapareceria amanhã.

Sem tentar resolver alguma coisa que naquele instante não podia ser resolvida.

Apenas fiquei.

Até a respiração dela desacelerar.

— Edward?

— Hum?

— Eu fiquei com muita raiva de você.

Fechei os olhos.

— Eu sei.

— Não, não sabe.

— Então me conta.

Bella se afastou o suficiente para olhar para mim.

— Quando você terminou comigo, eu achei que tinha feito alguma coisa.

Não falei.

— Passei dias tentando descobrir.

Meu estômago revirou.

— Bella...

— Deixa eu terminar.

Assenti.

— Eu pensei que talvez você tivesse percebido que era difícil demais.

Engoli em seco.

— Que eu tinha problema demais.

— Não.

— Eu sei agora.

Seus olhos estavam molhados.

— Mas naquela hora eu não sabia.

Aquilo doeu mais do que qualquer coisa que ela poderia ter gritado.

— E depois Nathan apareceu com aquelas mensagens.

Respirou.

— E eu estava com tanta raiva de você que não queria precisar de você.

Baixei os olhos.

— Só que eu precisava.

— Você nunca precisa ter vergonha de precisar de mim.

— Eu sei.

— E eu não precisava ter ido embora.

Ela ficou quieta.

— Eu fui covarde.

— Foi.

Aceitei.

— Arrogante.

— Muito.

— Idiota.

— Bastante.

— Quer continuar?

Ela quase sorriu.

— Posso fazer uma lista.

— Eu mereço.

Bella ficou séria novamente.

— Você me machucou.

— Eu sei.

— Muito.

— Eu sei.

Respirei.

— E não existe explicação que mude isso.

Aproximei-me um pouco.

— Eu ouvi uma parte de uma conversa, decidi o significado sozinho e tomei uma decisão por nós dois.

Ela sustentou meu olhar.

— Eu estava errado.

Minha voz baixou.

— E sinto muito.

Bella não respondeu.

— Não estou pedindo para esquecer.

Continuei.

— Nem para fingir que não aconteceu porque agora sabemos que foi um mal-entendido.

Passei o polegar cuidadosamente pela mão dela.

— Eu deveria ter perguntado.

Silêncio.

— Deveria ter confiado em você.

Os olhos dela voltaram a encher.

— E deveria ter ficado.

Bella respirou fundo.

— Sim.

— Eu sei.

Esperei.

Ela poderia me mandar embora.

Poderia dizer que ainda não estava pronta.

Eu aceitaria.

Então Bella apertou minha mão.

— Eu perdoo você.

Por alguns segundos, não consegui responder.

— Bella...

— Não significa que você não foi um idiota.

Ri baixo.

— Claro que não.

— Nem que eu esqueci.

— Eu não quero que esqueça.

— E se fizer de novo...

— Você me mata.

— Exatamente.

— Justo.

Ela sorriu.

E alguma coisa que estava presa no meu peito havia semanas finalmente cedeu.

Levei a mão ao rosto dela.

Bella não recuou.

Meu polegar passou por sua bochecha.

— Obrigado.

— Não agradece ainda.

— Por quê?

— Estou pensando em fazer você sofrer mais um pouco.

— Cruel.

— Você merece.

— Provavelmente.

Ela estava perto.

Muito.

Os olhos dela desceram para minha boca.

E voltaram.

Meu corpo respondeu antes da minha inteligência.

— Bella.

— O quê?

— Se continuar olhando assim...

— Assim como?

Aquela mulher ainda seria minha morte.

— Você sabe.

— Não sei.

Mentira.

Aproximei meu rosto.

— Mentirosa.

Ela sorriu.

— Arrogante.

— Você já usou essa hoje.

— Continua servindo.

Minha boca ficou a centímetros da dela.

— Posso?

O sorriso desapareceu.

Bella olhou nos meus olhos.

E assentiu.

— Pode.

Beijei.

Devagar.

Nada parecido com a cozinha.

Nenhuma urgência.

Nenhuma disputa.

Só a boca dela contra a minha.

Até Bella segurar minha camiseta.

Então ficou difícil lembrar da parte do devagar.

Minha mão foi para sua cintura.

Ela se aproximou.

O beijo aprofundou.

O corpo dela encostou no meu.

Bella soltou uma risada contra minha boca quando bati a perna no banco atrás de mim.

— Não ri.

— CEO de uma multinacional derrotado por um banco.

— Sua culpa.

— Claro.

Beijei-a novamente.

Bella passou os braços pelo meu pescoço.

Por alguns segundos, Nathan não existia.

James não existia.

Empresa.

Família.

Nada.

Só ela.

Quando minha mão deslizou pela lateral de sua cintura, senti Bella enrijecer.

Parei imediatamente.

Afastei a mão.

Ela respirou fundo.

— Desculpa.

— Não.

Olhei para ela.

— Não pede desculpa.

Bella assentiu.

Não voltou a chorar.

Mas olhou para baixo.

E outra vez pensei na cicatriz.

Na piscina.

No modo como tentou cobri-la.

No desconforto quando James perguntou.

Eu sabia que aquela cicatriz era muito mais do que uma marca na pele.

James ter feito aquele comentário sem noção só a fez se recuar mais.

Ela não estava se importando tanto com a cicatriz nas vezes que transamos.

E sabia que apagá-la não apagaria Nathan.

Ainda assim...

Talvez Bella merecesse saber que tinha escolhas. Não porque eu não suportasse olhar para aquilo.

Eu suportaria qualquer marca que fizesse parte dela, mas porque tinha visto o jeito como ela olhava. E depois que James tocou no assunto, algo dentro dela mudou. A cicatriz estava sendo um peso para ela.

Guardei o pensamento.

Não naquela noite.

Quatro dias depois, tirei o dia de folga.

Tecnicamente.

Na prática, respondi dezenove e-mails antes das oito da manhã e ameacei demitir Emmett por mensagem quando ele me mandou uma foto comemorando minha ausência.

Às nove, estacionei diante da mansão.

Bella entrou no carro desconfiada.

— Onde vamos?

— Bom dia para você também.

— Bom dia. Onde vamos?

— Surpresa.

— Eu odeio surpresas.

— Eu sei.

— Então por que está fazendo uma?

— Porque sou um homem de risco.

Bella estreitou os olhos.

— Edward.

— Isabella.

— Se você estiver me levando para algum lugar estranho...

— Minha reputação ficaria péssima.

— Já está.

Arranquei.

Ela passou os próximos vinte minutos tentando descobrir.

Restaurante.

Não.

Empresa.

Não.

Loja.

Não.

Alice.

Definitivamente não.

Quando entrei na região médica da cidade, Bella começou a prestar mais atenção.

— Edward.

— Hum?

— Onde estamos indo?

— Chegando.

— Isso não é resposta.

Parei diante de um edifício discreto de vidro e pedra.

Bella leu a placa.

Depois olhou para mim.

Instituto Hawthorne de Cirurgia Reconstrutiva e Dermatologia Avançada.

Seu rosto mudou.

— Edward...

Desliguei o carro.

— Antes de ficar brava, escuta.

— Você me trouxe numa clínica?

— Trouxe.

— Por causa da minha cicatriz?

— Sim.

Ela virou completamente para mim.

— Você acha ela feia?

A pergunta me atingiu como um soco.

— O quê?

— Minha cicatriz.

— Bella, não.

— Então por quê?

— Porque você odeia ela.

Silêncio.

— Eu vi.

Ela desviou os olhos.

— Não estou aqui para mandar você fazer nada.

Continuei.

— Nem marquei procedimento.

— Então o que marcou?

— Uma conversa.

Bella voltou a me olhar.

— Com quem?

— Duas pessoas em quem confio.

— Você conhece médicos de cicatriz?

— Conheço pessoas.

Ela revirou os olhos.

— Claro que conhece.

— Se entrar lá e decidir que não quer ouvir nada, nós vamos embora.

— Edward...

— Se ouvir e não quiser fazer nada, não faz.

Peguei sua mão.

— Se quiser tratar, você escolhe como.

Apertei de leve.

— Eu só quero que você saiba o que é possível.

Bella olhou para o prédio.

— Você tirou folga para isso?

— Tirei.

— Você nunca tira folga.

— Estou tentando uma coisa nova.

— Você está ficando estranho.

— Culpa sua.

Ela ficou alguns segundos em silêncio.

— Só conversar?

— Só conversar.

— Promete?

— Prometo.

Bella respirou fundo.

— Tá.

A Dra. Eleanor Hawthorne tinha pouco mais de cinquenta anos e uma calma que imediatamente fez Bella relaxar.

Ao lado dela estava o Dr. Samuel Reeves, cirurgião plástico reconstrutivo especializado em cicatrizes complexas.

Eu os conhecia havia anos por motivos profissionais e familiares, mas naquele consultório isso não importava.

— Bella — Eleanor disse — antes de qualquer coisa, quero deixar uma coisa clara.

Bella assentiu.

— Edward nos deu apenas informações suficientes para organizar uma consulta. Nenhuma decisão foi tomada.

Olhei para Bella.

Ela olhou para mim.

Boa.

— Eu não vou tocar na cicatriz sem sua autorização — Eleanor continuou. — E você não precisa mostrá-la hoje se não quiser.

Bella pareceu surpresa.

— Então como vocês vão avaliar?

Samuel sorriu.

— Quando e se você se sentir confortável.

Ela respirou.

— Eu posso mostrar.

Eleanor assentiu.

— Tem certeza?

— Tenho.

Eu me levantei.

Bella segurou minha mão.

Parei.

— Fica.

Olhei para ela.

— Tem certeza?

— Sim.

Voltei a sentar.

Bella levantou discretamente parte da blusa.

A cicatriz apareceu.

Eu já tinha visto.

Ainda assim, senti raiva.

Não da marca.

De quem a tinha causado.

Eleanor aproximou-se.

— Posso?

— Pode.

Ela examinou sem tocar primeiro.

Depois perguntou antes de cada contato.

Samuel fez o mesmo.

Nenhum deles demonstrou choque.

Pena.

Curiosidade.

Nada.

Apenas profissionalismo.

— É uma cicatriz madura — Samuel explicou depois. — Isso significa que já passou pelas fases iniciais de cicatrização. Há irregularidade de textura e pigmentação, e alguns pontos parecem ter aderência um pouco maior.

Bella olhava atentamente.

— Dá para tirar?

Eleanor não mentiu.

Gostei dela ainda mais por isso.

— Tirar completamente não sabemos ainda, há uma grande chance com os novos avanços da tecnologia, ela ser removida cem por cento ou apenas uns sessenta por cento. Depende muito.

Bella abaixou os olhos.

— Mas melhorar?

— Bastante, possivelmente.

Bella levantou o rosto.

Samuel puxou uma tela.

— Existem abordagens diferentes. Laser fracionado para textura, tratamentos específicos para pigmentação, eventualmente microagulhamento médico em situações selecionadas. Se houver aderência ou alteração estrutural que justifique, podemos discutir técnicas cirúrgicas de revisão.

Bella franziu a testa.

— Cirurgia?

— É uma possibilidade, não uma recomendação neste momento — ele corrigiu imediatamente. — Primeiro precisaríamos avaliar com mais detalhes.

— E ficaria como?

— Depende de como seu tecido responde.

Ele foi direto.

— Qualquer pessoa que prometa pele exatamente igual à de antes está prometendo algo que não controla.

Bella assentiu lentamente.

Eleanor sentou-se novamente.

— Posso perguntar uma coisa?

— Claro.

— Por que você quer tratar essa cicatriz?

Bella ficou quieta.

Olhou para mim.

Depois para a médica.

— Eu não sei se quero.

Eleanor sorriu.

— Excelente resposta.

Bella pareceu surpresa.

— Excelente?

— Porque significa que não veio aqui convencida de que precisa consertar alguma coisa.

Meu olhar foi imediatamente para Eleanor.

Ela continuou:

— Uma cicatriz pode ser tratada porque incomoda fisicamente, porque restringe movimento, porque causa sintomas ou simplesmente porque a pessoa prefere mudar sua aparência. Todos são motivos legítimos.

Fez uma pausa.

— Mas eu gostaria que qualquer decisão fosse sua.

Bella baixou os olhos para a própria cintura.

— Eu odeio olhar para ela.

Ninguém falou.

— Não porque ache feia.

Sua voz diminuiu.

— É porque eu lembro.

Meu peito apertou.

Eleanor assentiu.

— Então existe uma coisa importante que precisamos separar.

Bella olhou para ela.

— Podemos trabalhar na cicatriz da sua pele.

A médica falou com cuidado.

— Mas não vou prometer que mudar a aparência dela vai mudar o que ela representa para você.

Bella engoliu em seco.

— Eu sei.

— Por isso você não precisa decidir hoje.

Samuel concordou.

— Podemos fotografar e documentar somente se você autorizar, elaborar opções e entregar tudo para você. Você pensa.

— Quanto tempo?

— O quanto quiser.

Bella olhou para mim.

— E ele?

Eleanor olhou para mim.

— Ele não decide absolutamente nada.

Sorri.

Bella também.

— Gostei dela.

— Eu sabia que gostaria.

— Não se anima.

Eleanor riu.

— Edward foi bastante específico ao telefone.

Bella arqueou uma sobrancelha.

Olhei para a médica.

Traição.

— Foi?

— Muito.

— Eleanor.

— O quê?

Bella já sorria.

— O que ele falou?

Eleanor olhou para mim.

— Posso?

Fechei os olhos.

— Vai.

— Que ninguém deveria tentar convencê-la de nada. Que queria apenas uma avaliação das possibilidades e que, se você dissesse não uma única vez, a conversa acabava.

Bella ficou em silêncio e olhou para mim.

Eu dei de ombros.

— Estou aprendendo.

Ela segurou minha mão por baixo da mesa.

E não soltou.

Naquele instante, pela primeira vez desde que vi aquela cicatriz...

não pensei em Nathan.

Pensei nela.

E talvez fosse assim que aquilo precisava começar.

Não apagando o que aconteceu.

Mas devolvendo a Bella uma coisa que alguém tinha tentado arrancar dela havia muito tempo.

A escolha.

A tarde na minha casa a chuva batia contra a janela como quem pede permissão para entrar.

Eu não preciso de permissão.

Bella estava aqui, no meu sofá, com as pernas dobradas sob o corpo e um copo de vinho entre os dedos, e eu tentava— falhava, mas tentava não olhar para a curva do pescoço dela, para onde os cabelos se afastavam e revelavam aquele ponto exato onde a pele parecia mais fina, mais quente, mais convidativa.

Ela falou sobre alguma coisa. Um manuscrito. Uma autora que ela estava lendo.

Eu balançava a cabeça em concordância nos momentos certos, mas a verdade era que eu mal ouvia.

Eu estava ocupado demais percebendo a maneira como ela umedeceu os lábios com a ponta da língua antes de tomar mais um gole.

— Você não está prestando atenção. ­ — ­disse ela

Eu estava. Só não no que ela queria.

— Estou sim.

— Edward.

Ela virou o rosto para mim. Aquele olhar seco, meio divertido, meio acusador.

— Eu falei sobre a cena do clímax e você respondeu 'hum'. Duas vezes.

­— O clímax merece mais do que 'hum'?

Ela abriu um sorriso.

Daquele que começa devagar, que ela tenta segurar e não consegue. O tipo de sorriso que me faz esquecer que sou alguém que deveria ter autocontrole.

— O clímax merece atenção total.

Eu deixei o copo na mesa do centro.

Devagar.

Como se fosse um gesto qualquer.

— Então me ensine. — Eu disse.

Bella me lembrou.

O sorriso detalhado, mas não isolado virou outra coisa.

Algo mais quieto.

Mais pesado.

Ela inclinou a cabeça, e o cabelo escorreu sobre o ombro, e eu senti o som do meu próprio coração como se fosse um som externo, batendo contra as paredes da casa.

— Ensinar o que?

Eu não respondi.

Levantei a mão e toquei o rosto dela com as costas dos dedos. Atravessei a linha da mandíbula, devagar, vendo a pele se arrepiar sob o meu toque.

Bella fechou os olhos por um segundo.

Um segundo.

E quando abriu, estava diferente. A brincadeira tinha ido embora.

No lugar, algo cru. Algo que eu reconheci porque senti o mesmo reflexo em mim.

— Edward.

O meu nome na boca dela soava como uma pergunta e uma resposta ao mesmo tempo.

Eu me aproximei.

Devagar.

Dei tempo para ela recuar, para dizer não, para rir e me chamar de idiota e mudar de assunto.

Mas ela não recuou.

Ela ficou. E quando a distância entre nós era do tamanho de um suspiro, fui eu quem parei.

Esperando.

Ela fez o resto.

Os lábios de Bella estavam quentes. Macios. Tinha gosto de vinho tinto e algo mais.

Algo que era só dela, que eu não sabia nomear, mas que queria eu beber até esquecer de qualquer outra coisa que já tivesse provado.

O primeiro beijo foi leve, quase uma pergunta. O segundo foi mais firme.

O terceiro.

O terceiro foi onde eu me perdi.

Minha mão subiu pelo pescoço dela, enfiou-se no cabelo, retirei devagar.

Bella soltou um som baixo, na garganta e eu senti aquele que percorre todo o meu corpo como uma corrente elétrica, se concentrando em pontos que tornavam impossível continuar fingindo que isso era apenas um beijo.

Ela se mudou mais, e eu a puxei.

Deixei o copo dela cair na mesa com um baixo surdo, não me importei se derramou.

Bella levantou no meu colo sem cerimônia, sem hesitação e o peso dela sobre mim, o calor dela contra mim, fez todo o pensamento consistente evaporar.

Que saudade de sentir ela.

Eu a beijei mais fundo.

Abri os lábios contra os dela, e quando a língua dela encontrou a minha, o mundo se obscureceu a isso: o gosto dela, o som dela, a mão dela agarrada na minha camisa como se eu fosse a única coisa sólida no universo.

Quanta saudade dela. Parece que tinha meses que não a sentia.

— Bella...

Murmurei contra a boca dela. Não era uma palavra. Era uma oração.

Ela me respondeu beijando o canto dos lábios, o queixo, a linha da mandíbula.

A boca dela desceu pelo meu pescoço, e eu joguei a cabeça para trás, fechei os olhos, e senti cada toque como uma marca. Como se ela estivesse escrevendo algo na minha pele que só eu conseguiria ler.

As mãos dela encontraram os botões da minha camisa.

Eu a ajudei ou tentei.

Meus dedos estavam desajeitados demais, impacientes demais. Bella riu contra a minha clavícula, um riso quente e baixo, e demorou minhas mãos com as dela.

— Deixa. — disse.

Ela desabotoou um por um, com uma calma que era quase cruel.

Eu a observei. Os olhos castanhos concentrados, os lábios entreabertos, o cabelo caindo sobre o rosto.

Quando terminou o último botão, abri a camisa e passei as palmas das mãos pelo meu peito, pelo abdômen, e eu contraí sob o toque não de frio, mas de algo muito mais urgente.

— Tudo bem?­— Disse ela, erguendo os olhos.

Eu ri.

Um riso fraco, meio sem ar.

— Tudo bem? Bella, eu estou morrendo.

Ela sorriu. Aquele sorriso. O que me perdia.

— Então, tá demorando .

Eu a puxei pela nuca e a beijei de novo mais urgente, mais faminto. Minhas mãos desceram pelas costas dela. Ela levantou os braços sem hesitar, e a blusa desapareceu em algum lugar do chão da sala.

Eu me afastei o suficiente para olhar.

E ali estava ela. No meu colo, de sutiã, com a pele linda pela luz do abajur, os ombros levemente curvados, os olhos fixos nos meus como se dissesse: vê o que você faz comigo.

Eu toquei a alça do sutiã com a ponta dos dedos.

Passei por sobre o ombro dela, devagar, sentindo cada centímetro de pele.

Bella prendeu a respiração.

O som dela se encheu a sala junto com a chuva.

— Edward. ­— A voz dela saiu baixa. —Não para.

Eu não vou parar. Nem por nada neste mundo.

Levantei, com ela em volta de mim, as pernas dela presas na minha cintura.

Caminhei até o quarto poucos passos, mas que pareciam uma eternidade, porque a cada passo ela me beijava o pescoço, a orelha, a linha do cabelo, e eu senti que ia perder o equilíbrio antes de chegar à cama.

Chegamos. Deitei-a com cuidado, como se ela fosse frágil.

E não era

Bella Swan não era frágil, mas eu queria que ela sentisse que, comigo, pudesse ser.

Que poderia se entregar sem medo de cair.

A cama afundou sob nós.

Os lençóis estavam frios contra a minha pele aquecida, e o contraste me fez estremecer.

Bella me manteve para cima dela, e eu a cobri com meu corpo, e o peso dela sob mim ,a maciez dela, o calor dela era tudo que eu já quis e nunca soube que poderia querer sempre. Parecia que era a nossa primeira vez fazendo isso.

Eu a beijei.

A boca.

O pescoço.

A clavícula.

Desci devagar, traçando uma linha com os lábios até a borda do sutiã. Passei a língua ali, onde a pele se encontrava com o tecido, e Bella arqueou um movimento involuntário, lindo, que me fez parar só para sentir o corpo dela reagir ao meu.

— Por favor — disse ela.

E o "por favor" era uma palavra que eu nunca tinha ouvido direito antes.

Agora eu entendi o que eu queria. Significava não para, não ouse parar, eu preciso disso tanto quanto você.

Eu soltei o fecho do sutiã.

Tirei devagar.

E quando vi a vi sem nada entre nós além do ar e a luz âmbar do quarto.

Eu precisei fechar os olhos por um instante. Ela era tão perfeita e deliciosa.

— Você é linda — disse olhando para todo o seu corpo e passando a mão na sua cicatriz.

E eu sei que isso é simples. Banal, até. Mas eu disse como quem confessa um segredo, e Bella entendeu, porque os olhos dela brilharam de um jeito que não tinha nada a ver com a luz do abajur.

Eu um toque.

Primeiro com as mãos.

Palmas abertas, deslizando dos ombros até a cintura, sentindo cada curva como se estivesse mapeando um território que queria memorizar.

Depois com a boca. Beijei entre os seios, e depois um, e depois o outro, e Bella soltou um som que me fez perder o pouco de controle que me restava.

Minha mão desceu pelo abdômen dela. Devagar. Sentindo os músculos contraírem sob os dedos. Cheguei à barra da calça, e parei.

Olhei para ela. Perguntei sem perguntar.

Bella ergueu os quadris em resposta.

Eu arranquei a calça dela.

E então as outras coisas. Peça por peça, com uma reverência que talvez fosse exagerada, mas que eu não consegui evitar, porque cada centímetro de pele revelado era um presente, e eu não sou o tipo de homem que recebe um presente sem agradecimento.

A beijei na parte interna da coxa.

Devagar.

Uma vez.

Outra.

E quando minha boca encontrou o centro dela, Bella disse o meu nome .

— Edward.

Não disse, sussurrou , como se fosse a única palavra que sabia.

E o som disso, o gosto disso, a maneira como ela se abriu para mim, me fez entender que eu nunca mais seria a mesma pessoa que eu era antes dela.

Eu a explorei com a boca toda a sua boceta.

Devagar, deliberado, aprendendo cada lugar que a fazia respirar mais rápido, cada movimento que a fazia agarrar os lençóis, cada ponto que a fazia dizer o meu nome como se fosse a única palavra que restasse no mundo.

Não tinha pressa.

Eu queria memorizá-la cada vez que estivesse com ela.

Queria que, se algum dia eu perdesse tudo, ainda tivesse isso , o mapa dela gravado na boca, nos lábios, na língua.

Seus quadris se moviam em um ritmo que ela não controlava, e eu seguia, acompanhava, conduzia.

A mão dela encontrou o meu cabelo e agarrou.

Removeu com uma força que era quase dor, e a dor era perfeita, porque fez eu saber que estava fazendo algo certo.

— Edward... eu vou...

Eu não parei. Aumentei.

E ela veio. Com o meu nome na boca e as mãos no meu cabelo e o corpo inteiro se contraindo contra os meus lábios como uma onda que finalmente encontra na praia.

Eu segurei os quadris dela e fiquei, absorvendo cada tremor, cada espasmo, cada som que ela fez e ela fez muitos, e nenhum era suficiente, e todos eram demais.

Quando acabei, subi pelo corpo dela, beijando cada centímetro. O abdômen. As costelas. O meio do peito. O pescoço. A mandíbula. A boca.

Ela me beijou com uma fome que me surpreendeu.

— Eu preciso de você — disse contra os meus lábios.

A voz estava rouca, destruída e reconstruída.

— Agora.

Eu a olhei.

O rosto dela estava corado, os olhos escuros e úmidos, o cabelo espalhado pelo travesseiro como uma mancha de tinta escura.

Ela estava nua de roupa, de defesas, de qualquer máscara de tristeza que ela usasse durante o dia.

Eu me levantei o suficiente para tirar o resto das minhas coisas.

As calças.

O que havia por baixo.

Bella ajudou.

Não desviou o olhar e eu não pedi que desviasse, porque havia algo no modo como ela me observava que não era só desejo. Era reconhecimento. Como se finalmente aconteceu vendo algo que tinha imaginado, e o real superasse a expectativa.

— Vem aqui — disse ela.

Eu voltei para ela.

O peso do meu corpo sobre o dela, e a pele contra a pele sem barreira, sem camada, só eu e ela e o calor insano que emanava de onde nos tocávamos.

Era uma sensação que eu não sabia que existia.

Tinha feito sexo antes com outras mulheres.

Mas isso não era sexo. Isso era outra coisa. Uma coisa que não tinha nome, ou que tinha, e eu não conhecia.

Bella abriu as pernas para mim.

Enlaçou os braços no meu pescoço.

Me afastei mais perto.

Perto o suficiente para que eu sentisse o calor dela, a umidade dela, e eu fechasse os olhos e engolisse em seco porque, se eu não fechasse, ia perder o controle antes mesmo de começar.

— Olha para mim — Eu disse.

Eu entrei nela devagar.

Muito devagar.

Centímetro por centímetro, sentindo ela ceder e apertar ao redor de meu pau, e o calor.

Deus, o calor era algo que eu sabia que ia me perseguir pelo resto da vida.

Bella soltou um som ,meio suspiro, meio gemido e os olhos dela se fecham, e eu parei.

— Olha para mim — Eu disse de novo.

Ela abriu os olhos. Sorriu. Um sorriso pequeno, trêmulo, lindo.

Eu me movi.

Devagar no início.

Como se tivéssemos todo o tempo do mundo.

Como se a chuva não fosse parar, como se a noite não fosse acabar, como se nada além disso importasse. Eu segurava o rosto dela entre as mãos e a olhava e examinava cada ocorrência, cada som, cada micro expressão que cruzava o rosto dela quando eu encontrava um ângulo que a fazia prender a respiração.

— Assim — sussurrou ela — Assim, Edward.

Eu mantive o ritmo.

Sentia cada movimento como uma conversa eu dizia algo com o corpo, e ela respondia com o dela, e não havia palavras suficientes no idioma para traduzir o que estávamos falando.

As mãos dela percorriam as minhas costas, os ombros, os braços ,às vezes agarrando, às vezes acariciando, às vezes se apertando contra mim como se quisesse me puxar para dentro dela de um jeito que a física não permitia.

O ritmo aumentou.

Não porque eu só quis, mas porque nossos corpos pediram.

Bella erguia os quadris para encontrar os meus, e o ângulo mudou e de repente estávamos nos movendo mais rápido, mais urgente, mais desesperados, como se o tempo estivesse acabando e precisássemos chegar a algum lugar antes que fosse tarde.

— Não para —disse ela — Não para, não para, por favor.

Eu não ia parar.

Eu a senti se apertar ao redor de mim e aquele aperto que eu já reconhecia.

— Olha para mim — Eu disse mais uma vez.

Ela abriu os olhos.

Úmidos, escuros, profundos e eu vi o momento exato em que ela gozou.

Vi os olhos dela se arregalarem e depois se fecharem, vi a boca se abrir, vi o corpo inteiro se contrair e tremer, e senti — senti — o aperto, as ondas, o calor pulsando ao redor de mim, e não deu mais.

Eu a segui e gozei também.

Veio como uma onda

Não, como um maremoto.

O mundo ficou branco por um instante. Depois voltei.

Eu caí sobre ela. O peso do meu corpo sobre o dela, e ela me recebeu com as mãos no cabelo, as pernas ainda enlaçadas em mim, a boca perto da minha orelha.

O som da nossa respiração se misturava, irregular, pesado, e a chuva continuava lá fora.

Ficamos assim.

Sem falar.

Sem nos mover. Eu senti o coração dela batendo contra o meu peito rápido, depois mais devagar, depois mais devagar ainda e eu sincronizei o meu com o dela sem querer.

Como se fosse natural. Como se fosse a única coisa que fizesse sentido.

Bella passou os dedos pelo meu cabelo. Afastou os fios da testa. Beijou a minha têmpora.

— Edward. — disse. A voz era um fio de seda.

— Sim.

— Eu te amo. Isso não foi só sexo.

Eu ergui a cabeça. Olhei para ela. O rosto dela estava relaxado, os olhos macios, e havia um sorriso pequeno nos lábios.

Não o sorriso irônico de sempre, não o sorriso que ela usava como escudo. Um sorriso verdadeiro. Frágil. Lindo.

— Não. Não foi só sexo.

Ela me tocou o rosto.

— E eu te amo como nunca amei nenhuma outra mulher na minha vida. Eu vou te proteger e você vai ter sua vida de volta — Eu disse.

Seus olhos brilharam para chorar.