Meu Lugar Seguro
21 Capítulo 21
Notas iniciais
POV EDWARD
Eu não confiava em coincidências.
Nunca confiei.
Mas também não era idiota o suficiente para transformar desconforto em prova.
James era meu primo. Eu o conhecia havia anos.
Conhecia sua família, sua história, seus defeitos. Sabia como ele conseguia ser inconveniente, provocador e irritantemente convencido quando queria.
Nada daquilo era novidade.
O problema era Bella.
Ou melhor, a maneira como ele agia perto dela.
Eu estava parado diante da janela do meu antigo quarto na mansão quando comecei a repassar tudo.
A primeira vez que James entrou naquela casa e Bella praticamente parou de respirar.
A maneira como ela recuou quando ele tentou se aproximar.
A mão dela agarrada à minha camisa.
Depois, a explicação.
A voz.
James a lembrava de alguém.
Naquele momento, aquilo parecia suficiente.
Bella estava sendo atormentada novamente por Nathan. Estava dormindo mal, mal comia e passou semanas recebendo mensagens de números diferentes.
Era perfeitamente possível que estivesse associando pessoas.
Jasper tinha pensado exatamente isso.
Depois ela própria se acalmou.
James não insistia, pelo contrário, ele parecia cuidadoso.
Só que então começaram as perguntas. A oferta de ajuda, os elogios, os olhares. A curiosidade sobre o que existia entre Bella e eu.
E ontem...
A expressão dele quando nos encontrou na cozinha. Durou pouco. Tão pouco que eu poderia ter imaginado, mas eu não tinha imaginado.
James não gostou. Depois sorriu, fez piada, provocou.
Transformou aquilo em mais uma implicância entre primos, mas por uma fração de segundo, antes de disfarçar, alguma coisa esteve ali.
Não sabia o quê.
Ciúme?
Interesse?
Irritação?
Talvez simplesmente surpresa. Passei a mão pelo rosto.
Eu estava com ciúmes.
Essa era a parte que precisava admitir.
E ciúme era uma péssima ferramenta para julgar alguém.
Ainda assim...
James olhava demais para Bella.
Perguntava demais.
Aproximava-se demais.
E Bella não estava em condições de lidar com um homem que não entendesse limites.
Isso, para mim, já bastava.
Meu celular estava sobre a mesa.
Olhei para ele.
Pensei durante alguns segundos e peguei.
Eu estava administrando meu tempo na empresa e em cuidar da Bella, depois das inúmeras mensagens que ela recebeu do desgraçado do Nathan, eu tinha mandado umas mensagens para J. Jenks, então aproveitei esse tempo para ligar para ele, precisava conversar com ele.
Depois eu me resolvia com meus ciúmes e a falta de senso do James de achar que pode ser íntimo da Bella, só porque ela está na nossa família agora
Apertei para ligar.
Ele demorou três toques.
— Cullen?
Afastei-me da janela.
— Jenks.
Fechei a porta do quarto.
— Preciso conversar com você.
Quando desci, a mesa do café já estava quase completa. Carlisle lia alguma coisa no table e Esme colocava mais café em sua xícara.
Bella estava sentada de frente para mim.
E James parecia absurdamente confortável para alguém que tinha anunciado que iria embora.
— Bom dia meu filho — Esme disse.
— Bom dia, mãe.
Bella levantou os olhos.
Os nossos se encontraram. E imediatamente lembrei da noite anterior.
Da mesa da cozinha.
Das mãos dela na minha camiseta.
Da boca dela na minha.
Do sorriso que tentou esconder quando saiu.
Bella desviou primeiro.
Eu sorri.
Ela viu e estreitou os olhos.
Balancei a cabeça discretamente.
Ela chutou minha perna por baixo da mesa.
— Ai.
Carlisle levantou os olhos.
— Algum problema?
— Nenhum.
Bella tomou café como se fosse inocente.
James olhou de mim para ela.
Não gostei.
— Então é definitivo? — Esme perguntou.
James voltou a atenção para minha mãe.
— O quê?
— Você vai embora hoje?
— Preciso.
— James, você acabou de chegar.
— Eu volto, tia.
— Quando?
— No final de semana.
Esme suspirou.
— Você poderia ficar mais alguns dias.
— Se eu ficar, Edward provavelmente manda alguém me buscar.
Olhei para ele.
— Se você atendesse o telefone, eu não precisaria.
Bella ergueu as sobrancelhas.
Carlisle baixou o tablet.
— Trabalho?
— Trabalho — respondi.
James passou manteiga no pão.
— Meu primo tem uma relação emocional complicada com prazos.
— Tenho uma relação profissional com prazos.
— Está vendo?
James apontou para mim.
— Complicada.
— Você teve um cronograma.
— E tive imprevistos.
— Os seus imprevistos custaram dinheiro.
A mesa ficou mais silenciosa.
Esme lançou um olhar de advertência.
Não me importei.
James estava envolvido em uma frente de expansão da empresa que eu havia colocado parcialmente sob responsabilidade dele antes de sua ausência: a renegociação e integração de contratos de fornecimento e consultoria ligados a uma nova operação regional.
Não era um projeto pequeno.
E duas etapas haviam atrasado.
— Eu sei — James respondeu.
— Então não faça piada.
O sorriso dele diminuiu.
— Eu já disse que vou à empresa hoje.
— Vai.
— Pretendo conversar sobre isso.
— Não é uma conversa, James.
Ele me encarou.
— É uma reunião.
Carlisle respirou fundo.
— Edward.
— O quê?
— Café da manhã.
Olhei para meu pai. Ele não precisava explicar.
Assenti.
— Certo.
James tomou um gole de café.
— Onze horas?
— Dez.
— Eu disse onze.
— E eu disse dez.
Ele sorriu sem humor.
— Continua adorável trabalhar com você.
— Dez horas.
— Estarei lá.
Voltei para meu café.
Quando levantei os olhos novamente, Bella me observava.
— O quê? — perguntei.
— Nada.
— Está me julgando.
— Estou observando.
Quase sorri.
— Há diferença?
Ela mordeu o lábio para não rir e James acompanhou aquela troca.
De novo.
E, dessa vez, tive certeza de que não gostei.
Às dez e sete, James entrou na sala de reuniões. Olhei para o relógio e depois para ele.
— Sete minutos.
Ele fechou a porta.
— Bom dia para você também.
— Sente.
A mesa estava cheia.
Emmett estava à minha direita e Jasper, algumas cadeiras depois.
Além deles, estavam Marcus Holl, diretor financeiro; Helena Foster, responsável por operações; Daniel Reeves, jurídico corporativo; e dois gerentes diretamente ligados ao projeto.
James sentou.
Abri a pasta à minha frente.
— Podemos começar agora que todos decidiram comparecer.
James me lançou um olhar.
Ignorei.
A reunião durou quase uma hora antes de chegarmos ao ponto que me interessava.
— Fase três — falei.
Helena abriu o relatório.
— Deveria ter sido encerrada há dezessete dias.
Olhei para James.
— Por quê?
Ele apoiou os braços na mesa.
— Porque dois fornecedores alteraram as condições durante minha ausência e o jurídico pediu revisão.
Daniel interveio:
— Pedimos revisão de uma cláusula. Não do contrato inteiro.
James virou-se para ele.
— Uma cláusula que alterava responsabilidade financeira.
— Ainda assim, não justificava dezessete dias.
James voltou os olhos para mim.
— Eu estava fora.
— Eu sei.
— Então sabe que parte das decisões dependia da minha autorização.
— Esse é exatamente o problema.
A sala ficou em silêncio.
James estreitou os olhos.
— Explique.
— Se uma operação para porque você viajou, você estruturou mal a operação.
Marcus abaixou os olhos para o relatório.
Emmett me observou.
Jasper também.
Continuei.
— Você tinha autonomia para designar substituto.
— Eu não esperava ficar fora tanto tempo.
— Irrelevante.
— Para você, talvez.
— Para a empresa.
James soltou o ar pelo nariz.
— Eu resolvi assim que voltei.
— Não.
Empurrei o relatório pela mesa.
— Helena resolveu três pontos antes de você voltar. Daniel resolveu dois. Sua equipe passou nove dias esperando aprovação para o restante.
James abriu a pasta.
— Eu expliquei o motivo.
— E eu estou dizendo que o motivo é insuficiente.
— Edward...
— Senhor Cullen enquanto estivermos nessa reunião.
Emmett fechou os olhos.
Jasper passou a mão pelo queixo.
James me encarou.
— Certo.
Sua voz esfriou.
— Senhor Cullen.
— Continue.
Ele explicou. Ouvi tudo. Não interrompi, mas quando terminou, fiz mais perguntas.
Datas, custos, responsáveis, previsões.
Cada resposta levava a outra pergunta.
E cada inconsistência eu apontava.
Quando finalmente fechei a pasta, James já não tinha qualquer traço de humor no rosto.
— Quero o cronograma corrigido até amanhã às dez.
— Amanhã?
— Alguma dificuldade com a palavra?
— Existe uma equipe inteira envolvida nisso.
— Então utilize a equipe.
— Isso levaria pelo menos três dias.
— Você já teve dezessete.
— Edward.
— Dez horas.
Ele me encarou.
— Certo.
Olhei para os demais.
— Encerramos.
As pessoas começaram a levantar.
— Emmett, Jasper.
Os dois pararam e olhei para James.
— Você fica também.
Marcus e os outros saíram. A porta se fechou.
Emmett foi o primeiro.
— Você pegou pesado.
Recostei-me na cadeira.
— Não pedi avaliação.
— Eu sei. Estou dando de graça.
Jasper soltou uma risada curta.
James não.
— Ele explicou o atraso — Jasper disse. — E parte realmente não dependia só dele.
— A responsabilidade era dele.
— Responsabilidade não significa controle absoluto — Emmett respondeu.
— Significa responder pelo resultado.
James riu sem humor.
— Impressionante.
Olhei para ele.
— Alguma coisa engraçada?
— Você.
— Cuidado.
— Esse é seu problema.
Ele se levantou.
— Todo mundo precisa ter cuidado perto de você.
— Se isso é sobre a reunião...
— Não é só sobre a reunião.
Emmett suspirou.
— Lá vamos nós.
James colocou as mãos sobre a mesa.
— Você sempre foi assim.
— Assim como?
— Superior.
Meu olhar endureceu.
— Escolha bem as próximas palavras.
— Está vendo?
Ele riu.
— Você sempre precisa ser o homem mais importante da sala, Edward.
— Nesta sala eu sou o CEO.
— Exatamente.
— E você é responsável por uma operação que atrasou dezessete dias.
O sorriso desapareceu.
— Não misture as coisas.
— Eu não estou misturando.
— Está desde que eu cheguei.
Jasper franziu a testa.
— Do que vocês estão falando?
James olhou para mim.
— Pergunta para ele.
— Não tenho tempo para drama.
— Mas tem tempo para controlar a vida da Bella.
Meu corpo ficou imóvel.
Emmett imediatamente olhou para James e Jasper também.
— Não coloque Bella nisso — falei.
— Por quê?
James abriu os braços.
— Porque você decidiu que ninguém pode ajudar?
— Eu não decidi nada.
— Toda vez que eu tento conversar com ela, você aparece.
— Talvez porque você não perceba quando ela não quer conversar.
O rosto de James mudou.
— Está dizendo que eu deixo Bella desconfortável?
— Estou.
— Edward — Jasper interrompeu.
Não tirei os olhos de James.
— Ela recua perto de você.
— Ela recuou no primeiro dia porque minha voz lembrou alguém.
— Não estou falando apenas do primeiro dia.
James riu.
— Isso é ciúme.
— Chame como quiser.
— Eu ofereci ajuda jurídica.
Emmett se inclinou na cadeira.
— Nisso eu acho que ele tem razão.
Olhei para ele.
— Bella precisa de orientação.
Jasper concordou.
— James poderia ajudar com a parte jurídica.
— Se Bella quiser.
— Claro — Jasper respondeu.
Voltei para James.
— E até agora ela não pediu.
— Talvez porque você responda por ela.
Aquilo me irritou porque havia uma parcela de verdade. Eu tinha feito exatamente isso na cozinha e Bella havia me chamado atenção.
E eu tinha recuado.
— Eu já deixei claro que a decisão é dela.
— Depois que ela corrigiu você.
— E eu aceitei.
James cruzou os braços.
— Que generoso.
Levantei.
— Você está começando a ultrapassar um limite.
— Qual?
— Bella não está bem.
— Eu percebi.
— Então respeite.
— Interessante ouvir isso de você.
O tom mudou.
Senti antes mesmo de ele continuar.
— O que quer dizer?
James inclinou a cabeça.
— Você sabia que ela estava fragilizada.
Emmett ficou sério.
— James.
Ele ignorou.
— Sabia do que ela passou.
Dei um passo na direção dele.
— Cuidado.
— E mesmo assim teve coragem de se envolver com ela.
A sala ficou em silêncio.
Meu sangue ferveu.
— Não fale do que não sabe.
— Eu sei o suficiente.
— Não sabe absolutamente nada sobre mim e Bella.
— Sei que ela é vulnerável.
— Ela não é vulnerável.
Minha voz saiu mais alta.
— Ela está passando por uma situação difícil. Não transforme isso em definição de quem ela é.
James ergueu as sobrancelhas.
— Bonito.
— James — Jasper advertiu.
— O quê?
Ele olhou para os dois.
— Estou errado?
Emmett respondeu primeiro.
— Está.
James pareceu surpreso.
— Bella é adulta — Emmett continuou. — E Edward nunca obrigou ela a nada.
— Não foi o que eu disse.
— Foi o que insinuou — Jasper acrescentou.
James voltou os olhos para mim.
Um sorriso ácido apareceu.
— Talvez eu só entenda meu primo.
Não respondi.
— Bella é linda.
Meu maxilar travou e ele percebeu.
— Muito linda.
— Para.
— Então eu entendo.
Deu de ombros.
— Só acho que você deveria tomar cuidado para não se aproveitar do fato de ela estar...
Atravessei o espaço entre nós.
— Termina essa frase.
Emmett levantou.
— Edward.
James não recuou.
— Fragilizada.
Fiquei a centímetros dele.
— Você acabou de me acusar de me aproveitar dela?
— Eu disse para tomar cuidado.
— Não.
Minha voz saiu baixa.
— Você sabia exatamente o que estava dizendo.
— Se serviu...
— Chega — Jasper falou.
Não olhei para ele.
— Você está fora.
James franziu a testa.
— O quê?
— Do projeto.
Silêncio.
— Edward — Emmett disse.
— Não.
James riu.
— Você está me tirando do projeto por causa da Bella?
— Estou tirando você porque atrasou uma operação crítica, não estruturou substituição durante sua ausência, entrou sete minutos atrasado numa reunião convocada para discutir sua própria falha e, quando cobrado, transformou uma discussão profissional em ataque pessoal ao CEO da empresa.
O sorriso dele desapareceu.
— Não tente reescrever o que aconteceu.
— Não preciso.
Apontei para a porta.
— Helena assume sua parte a partir de hoje.
— Você não pode fazer isso.
— Posso.
— Edward...
— CEO.
O rosto dele endureceu.
— Não faça isso.
— Já fiz.
Emmett veio para perto.
— Talvez vocês devam esfriar a cabeça.
— Minha cabeça está perfeitamente fria.
— Não parece — Jasper disse.
Olhei para os dois.
— Eu não pedi conselho.
Emmett franziu a testa.
— Somos família.
— Aqui dentro, vocês são executivos e ele era advogado executivo de um projeto milionário.
Apontei para a mesa.
— E aqui quem responde pela decisão final sou eu.
James soltou uma risada amarga.
— Aí está.
Olhei para ele.
— O quê?
— O Edward de sempre.
— Poupe-me.
— Sempre se achou melhor.
— Não.
Aproximei-me novamente.
— Eu nunca precisei me achar melhor que você, James.
Ele ficou em silêncio.
— Só precisei fazer meu trabalho.
A frase acertou.
Vi.
— Você sempre teve tudo.
— Não transforme incompetência em ressentimento.
— Incompetência?
— Você recebeu responsabilidade. Apesar de não ser um funcionário da empresa, te dei esse projeto por confiar na sua capacidade jurídica. Até porque você é um dos melhores advogados de Nova York.
Apontei para os relatórios.
— Falhou.
— Eu estava fora por motivos pessoais.
— E ninguém aqui questionou seus motivos.
— Você está usando isso.
— Estou usando números.
Peguei o relatório e coloquei diante dele.
— Dezessete dias.
Outro documento.
— Quatrocentos e oitenta mil em custo adicional projetado se o novo cronograma escorregar mais uma semana.
Outro.
— Duas equipes paradas aguardando autorização.
Olhei diretamente para ele.
— Isso não é infância. Não é família. Não é Bella.
Empurrei a pasta.
— É trabalho.
James não respondeu.
— Então não tente transformar uma falha profissional numa velha disputa entre primos porque é mais confortável do que admitir que você errou.
O silêncio foi absoluto.
Emmett desviou o olhar e Jasper permaneceu imóvel.
James pegou a pasta.
— Você vai se arrepender.
— Do projeto?
— De achar que consegue controlar tudo.
Olhei para ele.
— Saia da minha sala.
— Com prazer.
James caminhou até a porta.
Parou.
Virou-se.
— Só mais uma coisa.
— Eu disse para sair.
Ele ignorou.
— Você pode me tirar do projeto.
Seu olhar encontrou o meu.
— Mas não pode decidir quem Bella deixa chegar perto dela.
Meu corpo enrijeceu.
— E você também não.
James sorriu.
— Exatamente.
Abriu a porta.
— Até mais tarde, primo.
A porta bateu.
Fiquei olhando para ela.
Emmett soltou o ar.
— Isso foi...
— Não.
Levantei a mão.
— Nem começa.
Jasper continuou olhando para a porta.
— Ele passou do limite.
Olhei para ele.
— Passou.
— Mas você também estava esperando uma oportunidade para explodir com ele.
Não respondi.
Emmett cruzou os braços.
— Ele mexer com a Bella te deixa irracional.
— Não estou sendo irracional.
— Você quase atravessou a mesa.
— Quase não conta.
Emmett bufou e Jasper me observou.
— O que exatamente te incomoda tanto?
Olhei para ele.
— Em James?
— Perto da Bella.
Silêncio.
Pensei na primeira reação dela.
Na voz.
Nos elogios.
Nas perguntas.
No olhar dele quando nos flagrou.
Na insistência.
— Não sei.
Foi a única resposta verdadeira que eu tinha.
Jasper franziu a testa.
— Então talvez seja só ciúme.
Talvez.
Peguei o celular.
Havia uma mensagem de Bella.
Bella:
Sua mãe quer saber se você vem jantar.
Sorri involuntariamente.
Eu:
Minha mãe ou você?
Os três pontinhos apareceram.
Bella:
Sua mãe.
Outra mensagem.
Bella:
Eu só fui coagida a perguntar.
Eu:
Então não vou.
Demorou alguns segundos.
Bella:
Ótimo.
Sorri.
Mais três pontinhos.
Bella:
Mas se você aparecer, traz aquele chocolate que eu gosto.
Meu sorriso aumentou.
Eu:
Sabia.
Bloqueei o celular.
Quando levantei os olhos, Emmett me encarava.
— Que cara ridícula é essa?
— Vai trabalhar.
— Bella?
— Fora.
Ele riu.
Jasper se levantou.
— Definitivamente sabemos que tudo isso aquilo era ciúmes.
— Os dois para fora.
Emmett passou pela porta ainda rindo.
Jasper foi atrás.
Fiquei sozinho. O sorriso desapareceu lentamente.
Olhei para o telefone outra vez.
Depois para a porta por onde James tinha saído.
Alguma coisa não encaixava.
Talvez fosse apenas ciúme.
Talvez James simplesmente tivesse se interessado por Bella e eu estivesse reagindo como um adolescente possessivo.
Era possível.
Provável, até.
Mas eu conhecia meu primo.
E havia alguma coisa diferente na forma como ele observava Bella.
E me irritava.
Às sete e vinte da noite, eu já tinha decidido três coisas.
A primeira era que Emmett falava demais.
A segunda era que minha mãe tinha alguma compulsão inexplicável por reunir toda a família sob o mesmo teto.
E a terceira era que Bella ficava perigosamente mais linda usando roupas simples.
Principalmente quando parecia não ter ideia disso.
Ela estava sentada ao lado de Alice no sofá quando entrou na sala, usando uma calça preta e uma blusa de mangas compridas clara. O cabelo estava solto.
Nada extraordinário.
Ainda assim, parei por um segundo e ela percebeu.
Os olhos castanhos encontraram os meus.
Um sorriso pequeno apareceu.
— Trouxe?
Nem boa noite.
Ergui a sacola.
— Interesseira.
O sorriso aumentou.
— Eu pedi uma coisa.
— Exigiu.
— Pedi educadamente.
— Você disse que, se eu aparecesse, era para trazer.
— Exatamente. Uma solicitação.
Aproximei-me e entreguei o chocolate.
Bella pegou.
— Obrigada.
— De nada.
— Sabia que você viria.
— Não se acostuma.
— Já me acostumei.
Antes que eu pudesse responder, Alice fez um som de desgosto.
— Vocês são insuportáveis.
Bella riu.
Eu ia responder quando percebi alguém me observando.
James.
Estava perto da lareira, conversando com Carlisle.
O olhar dele passou por mim.
Depois por Bella. E voltou para mim.
Sorriu.
— Primo.
— James.
A conversa daquela manhã passou pela minha cabeça.
Você pode me tirar do projeto, mas não pode decidir quem Bella deixa chegar perto dela.
Eu não tinha intenção de transformar o jantar em continuação da reunião.
Então simplesmente passei por ele.
— Mãe.
Esme apareceu da sala de jantar.
— Finalmente.
Beijei seu rosto.
— Eu disse que viria.
— Você disse “talvez”.
— Na língua dele significa sim — Bella comentou.
Olhei para ela.
— Você está muito engraçada hoje.
— Estou feliz.
A resposta me fez parar. Foi simples e Despretensiosa.
Mas fazia semanas que eu não ouvia Bella dizer aquilo.
Estou feliz.
Alguma coisa dentro de mim relaxou.
Talvez estivéssemos finalmente conseguindo sair daquele inferno.
Talvez.
O jantar começou bem.
Esse foi o problema.
Quando alguma coisa começa bem demais na minha família, geralmente Emmett estraga.
Dessa vez foi Rosalie.
— Então...
Ela cortou um pedaço da comida.
— Soube que tivemos uma demissão hoje.
Fechei os olhos.
— Rosalie.
— O quê?
— Não.
— Só fiz um comentário.
James tomou vinho.
— Tecnicamente, não fui demitido.
— Foi afastado do projeto — Jasper corrigiu.
— Obrigado pela precisão.
Carlisle olhou para mim.
— Você realmente tirou James?
— Tirei.
Esme parou de comer.
— Edward.
— Mãe.
— Vocês não conseguem ficar dois dias sem brigar?
— Isso não foi uma briga familiar.
James soltou uma risada.
Olhei para ele.
— Alguma objeção?
— Nenhuma.
— Ótimo.
Carlisle apoiou os talheres.
— Edward, foi realmente necessário?
Eu já sabia que aquilo aconteceria.
— Foi.
— Pelo que entendi, ele apresentou uma justificativa.
— E eu analisei.
— Talvez pudesse ter dado um prazo para...
— Pai.
Carlisle parou.
Eu não queria ser desrespeitoso, mas também não queria transformar uma decisão empresarial em votação familiar.
— Com todo respeito, não vou discutir isso aqui.
O silêncio veio rápido.
— Estamos jantando — continuei. — Não estamos numa reunião do conselho.
Rosalie abriu a boca.
— E antes que alguém pergunte, sim, a decisão é final.
James inclinou a cabeça.
— Claro.
O tom me irritou.
— Tem alguma coisa para acrescentar?
— Você acabou de dizer que não quer discutir trabalho.
— Então não discuta.
Ele sorriu.
— Como quiser, chefe.
Emmett baixou o rosto.
Provavelmente para esconder uma risada.
Esme suspirou.
— Chega.
Bella estava quieta.
Olhei para ela.
Ela parecia acompanhar a conversa, mas não estava tensa.
Bom.
Eu não queria que nossos problemas chegassem até ela.
Alice mudou o assunto.
— Amanhã ninguém vai embora.
Rosalie olhou para ela.
— Por quê?
— Churrasco.
Emmett ergueu o rosto imediatamente.
— Eu apoio.
— Ninguém perguntou — Rosalie respondeu.
— Piscina também — Alice continuou.
Jasper arqueou uma sobrancelha.
— Você decidiu isso quando?
— Hoje.
— Naturalmente.
— Então todo mundo dorme aqui.
Olhei para minha irmã.
— Não.
— Sim.
— Tenho casa.
— Ninguém se importa.
Bella riu.
James olhou para ela outra vez.
E dessa vez não desviou rapidamente.
Observei.
Bella estava conversando com Alice e não percebeu ou fingiu não perceber.
James tomou um gole de vinho.
Continuou olhando.
Meu maxilar travou.
— James.
Ele virou o rosto.
— Hum?
— Sua comida está no prato.
Emmett me olhou.
Jasper também.
James sorriu.
— Eu sei.
— Então olha para ela.
Bella finalmente percebeu.
— Edward.
— O quê?
— Come.
Olhei para ela.
— Estou comendo.
— Não parece.
James riu.
— Ela manda em você.
— Cala a boca.
— Edward! — Esme repreendeu.
Bella tentou esconder o sorriso.
Eu vi.
James também.
— É sério — ele disse. — Impressionante.
— O quê? — Bella perguntou.
— Você.
Meu garfo parou.
Bella pareceu surpresa.
— Eu?
— Sim.
James recostou-se na cadeira.
— É difícil acreditar que Edward conseguiu manter você interessada por tanto tempo.
Bella soltou uma risada curta.
— Quem disse que conseguiu?
Olhei para ela.
— Isabella.
Ela abriu um sorriso inocente.
— O quê?
James riu.
— Gosto dela.
— Ninguém perguntou — respondi.
— Estou percebendo que você usa muito essa frase.
— Principalmente com você.
James voltou a olhar para Bella.
— Mas falando sério...
Não.
— Você está muito bonita hoje.
Bella pareceu sem graça.
— Obrigada.
— Muito mesmo.
— Ela ouviu na primeira vez — falei.
James virou o rosto para mim.
— Ela também sabe responder sozinha.
A frase da manhã.
Olhei para Bella.
Ela imediatamente percebeu a tensão.
— E respondeu — disse ela. — Então assunto encerrado.
James ergueu a taça.
— Justo.
O jantar continuou, mas eu comecei a observar.
Não porque quisesse.
Porque não conseguia parar.
James fazia aquilo repetidamente.
Olhava para Bella quando ela não estava olhando.
Prestava atenção quando ela ria.
Quando falava.
Quando se levantava.
Talvez fosse atração.
Era perfeitamente possível.
Bella era linda.
Qualquer homem com olhos perceberia, mas havia alguma coisa na intensidade que me incomodava.
E talvez Jasper estivesse certo.
Talvez eu estivesse sendo apenas ciumento.
Então Bella se levantou para levar o prato.
James acompanhou cada movimento.
Ele estava fazendo isso para me provocar.
No fim, Alice venceu.
Como quase sempre e todo mundo ficou.
Rosalie e Emmett ocuparam um dos quartos.
Jasper e Alice outro.
James permaneceu no que já estava usando.
Eu voltei para meu antigo quarto.
Bella ficou no dela.
Carlisle e Esme pareciam satisfeitos demais por terem a casa cheia.
Antes de subir, encontrei Bella perto da escada.
— Ei.
Ela se virou.
— Ei.
Entreguei o resto do chocolate.
— Você esqueceu.
— Não esqueci.
— Estava na sala.
— Eu sabia que você ia trazer.
Estreitei os olhos.
— Está abusada.
— Você gosta.
— Talvez.
Ela sorriu e ficamos nos olhando.
Meu corpo automaticamente quis diminuir a distância.
Bella percebeu.
O sorriso dela mudou.
— Boa noite, Edward.
— Covarde.
— Boa noite.
Ela subiu.
— Bella.
Parou alguns degraus acima.
Olhou para mim.
— Amanhã.
— O quê?
— Você não escapa.
Ela mordeu o lábio para esconder o sorriso.
— Boa noite.
Subiu.
Fiquei olhando.
— Você não presta — murmurei.
— Você está completamente ferrado.
Virei.
Emmett.
— Você não tem esposa?
— Tenho.
— Então vai procurar ela.
Ele riu e passou por mim.
— Boa noite, Romeu.
Mostrei o dedo do meio.
No dia seguinte, descobri que Alice considerava churrasco uma operação militar.
Às dez da manhã já havia música.
Às onze, Emmett tinha assumido a churrasqueira depois de discutir com Jasper sobre carvão.
Ao meio-dia, Rosalie ameaçou afogar Emmett duas vezes.
Minha mãe estava feliz.
Meu pai fingia ler enquanto observava o caos.
E Bella...
Bella estava na piscina.
Tentei não olhar.
Falhei miseravelmente.
— Fecha a boca.
Olhei para Emmett.
— Vai se ferrar.
Ele riu.
Jasper estava sentado perto de nós.
James também.
— Eu não disse nada — Emmett respondeu.
— Nem precisa.
— Está escancarado.
Ignorei.
Alice saiu primeiro da piscina.
Rosalie depois.
Bella veio por último.
Subiu os degraus, pegou uma toalha e passou pelos cabelos.
James soltou um assobio baixo.
Olhei para ele.
— Nem começa.
Ele riu.
— O quê?
— Você sabe.
James acompanhou Bella com os olhos.
— Eu só ia dizer que ela é muito bonita.
— Já disse ontem.
— Continua sendo hoje.
Jasper olhou para mim.
Provavelmente esperando minha reação.
Ele definitivamente fazia isso para me irritar.
James sorriu.
— É uma pena.
— O quê? — Emmett perguntou.
James apontou discretamente na minha direção.
— Que o príncipe Cullen foi mais esperto.
Meu maxilar travou.
— James.
— Relaxa.
— Não.
Ele virou o rosto.
— Não o quê?
— Não se mete na minha vida com a Bella.
O sorriso diminuiu.
— Sua vida com a Bella?
— Você entendeu.
— Achei que vocês não estivessem juntos.
— E isso te interessa por quê?
— Curiosidade.
Emmett mexeu na carne.
— Vocês conseguem passar vinte minutos sem medir território?
— Pergunta para ele — respondi.
James riu.
— Está com medo de concorrência?
Levantei os olhos.
— Não.
— Então relaxa.
— Não é concorrência quando ela não demonstrou interesse em você.
O sorriso dele desapareceu.
— Edward — Jasper advertiu.
— O quê? É verdade.
James pegou sua bebida.
— Arrogante como sempre.
— Que seja.
Ele me encarou e antes que respondesse, Alice gritou:
— Comida!
Emmett bateu a pinça na churrasqueira.
— Finalmente alguém respeita meu trabalho.
A discussão morreu.
Por enquanto.
A mesa do lado de fora estava cheia.
Cada um começou a se servir.
Eu estava colocando comida no prato quando ouvi James:
— Isso é uma tatuagem?
Não sei por quê, mas olhei imediatamente.
Bella estava de costas parcialmente para mim.
O biquíni deixava uma pequena parte da lateral de sua cintura linda visível.
E ali estava.
A cicatriz.
James olhava diretamente para ela.
Bella parou.
Não foi sutil. O corpo inteiro ficou rígido.
Alice, ao lado dela, também parou.
— Não — Bella respondeu.
A voz mudou.
James franziu a testa.
— Ah.
Bella puxou discretamente a saída de praia um pouco mais para o lado.
Meu estômago revirou.
— Desculpa — James disse. — Achei que fosse.
— Não é.
Dessa vez Bella não tentou sorrir.
Não tentou tornar confortável.
Nada.
Apenas respondeu.
James percebeu.
— Entendi.
Abaixou os olhos.
— Foi mal, Bella. Eu não devia ter perguntado.
Ela respirou fundo.
— Está tudo bem.
Alice virou o rosto para James.
Eu conhecia minha irmã.
Merda.
— Não está.
Bella tocou seu braço.
— Alice.
— Não.
James olhou para ela.
— Eu pedi desculpas.
— Eu ouvi.
— Então qual é o problema? Eu não quis ser invasivo.
Alice cruzou os braços.
— Você.
O ambiente começou a silenciar.
— Alice — Carlisle falou.
Ela ignorou.
— Você é inteligente demais para não saber como agir numa situação dessas.
James franziu a testa.
— Eu achei que fosse uma tatuagem.
— E quando percebeu que não era, devia ter parado e não comentar.
— Eu parei.
— Depois de perguntar.
— Alice...
Bella tentou novamente.
Minha irmã olhou para ela.
A expressão suavizou imediatamente.
— Você não precisa dizer que está tudo bem só para deixar todo mundo confortável.
Bella ficou quieta.
Aquilo respondeu.
James pareceu genuinamente incomodado.
Ou pelo menos pareceu.
— Bella, eu realmente sinto muito.
Ela assentiu.
— Tudo bem.
Alice voltou os olhos para ele.
— E outra coisa.
— Alice — Jasper chamou.
— Não.
James esperou.
— Eu amo você.
Ela apontou para ele.
— Você é minha família.
Depois apontou discretamente para Bella.
— Ela também é.
Meu peito apertou.
Bella olhou para Alice.
— E essa casa também é dela. Então eu não quero que ela fique desconfortável aqui para proteger sentimento de ninguém.
James fechou a expressão.
— Eu já pedi desculpas. Eu sei que errei.
— Ótimo.
— Então não precisa me tratar como se eu tivesse feito de propósito.
Foi aí que entrei.
— Ninguém disse que fez.
James olhou para mim.
— Claro que você ia aparecer.
— Ela ficou desconfortável.
— Eu percebi.
— Depois.
— Edward.
— O quê?
Ele largou o prato.
— Você está esperando qualquer coisa para vir para cima de mim.
— Talvez se você parasse de dar motivos...
— Motivos?
— Chega.
Carlisle.
A voz do meu pai atravessou a conversa.
Olhei para ele.
— Os dois.
James respirava mais forte.
Eu também.
— Não vamos transformar isso em outra briga — Carlisle continuou. — James pediu desculpas. Errou, claro, mas a Bella aceitou as desculpas.
Olhou para minha irmã.
— Alice deixou claro o limite.
Depois para mim.
— E acabou.
Eu queria continuar.
Muito.
Mas olhei para Bella.
Ela não estava olhando para ninguém.
Apenas mexia no prato.
Então calei.
— Certo.
James pegou seu prato.
— Certo.
A conversa voltou aos poucos. Emmett fez algum comentário idiota e Rosalie respondeu.
Esme mudou de assunto.
Alice ficou perto de Bella.
E eu observei James.
Ele parecia normal novamente.
Conversava.
Ria.
Comia
Seu olhar parecia mesmo arrependido, mas alguma coisa dentro de mim estava gritando.
Eu não sabia exatamente o quê.
Só sabia que não gostava.
No fim da tarde, quase todos pareciam ter esquecido. Bella também parecia melhor.
Brincou com Alice.
Discutiu com Emmett.
Até entrou novamente na piscina, mas eu não esqueci.
Principalmente porque comecei a pensar na pergunta.
Isso é uma tatuagem?
Talvez fosse inocente.
Provavelmente era.
Mas James era observador.
Sempre foi.
E a cicatriz de Bella não parecia uma tatuagem quando vista de perto.
Passei o resto do dia tentando decidir se eu estava procurando problema onde não existia.
Não cheguei a conclusão alguma.
Já era noite quando desci para buscar água. A casa estava silenciosa.
Algumas pessoas tinham subido.
Outras estavam espalhadas pela sala.
Passei pelo corredor.
Então ouvi vozes na cozinha.
Bella.
Parei.
James.
Não entrei ainda.
— Eu já disse que está tudo bem.
A voz dela.
— Eu sei.
James.
— Só queria pedir desculpas direito. Eu estou me sentindo sufocado com isso.
Me aproximei devagar.
Da posição onde estava, conseguia enxergar parte da cozinha sem ser visto.
Bella estava perto da bancada.
James diante dela.
Perto demais.
Meu corpo inteiro ficou tenso.
— Você não precisava vir atrás de mim por isso — Bella disse.
— Precisava.
— James...
Ele deu um passo.
Bella recuou.
Minha primeira reação foi entrar.
Parei.
Bella sabia falar.
Ela tinha me cobrado isso e eu precisava respeitar.
— Eu realmente não quis te deixar desconfortável — James disse.
— Eu sei.
— Alice praticamente arrancou minha cabeça.
Bella soltou uma pequena risada.
— Ela é protetora.
— Percebi.
James apoiou uma mão na bancada. O movimento não pareceu intencional, mas junto com a posição do corpo dele, Bella ficou entre ele e a bancada.
Meu sangue esquentou.
Ela percebeu também e seu sorriso desapareceu.
— James.
— Oi?
— Você pode...
Ela olhou para o espaço entre eles.
— Se afastar um pouco?
Ele congelou.
E imediatamente recuou.
— Merda.
Levantou as mãos.
— Desculpa.
Bella respirou fundo.
— Tudo bem.
— Não. Eu não percebi.
— Está tudo bem.
— Bella, eu...
— Eu só quero subir.
James saiu completamente do caminho.
— Claro.
— Boa noite.
— Boa noite.
Bella saiu da cozinha.
Eu me afastei da entrada antes que ela chegasse. Ela virou o corredor e deu de cara comigo.
Parou.
Nossos olhos se encontraram.
— Bella.
Ela não respondeu, mas olhou para mim.
Havia alguma coisa em seu rosto.
Vergonha?
Raiva?
Medo?
Talvez tudo.
Dei um passo.
— Você está bem?
Ela desviou.
— Estou.
— Bella...
Passou por mim, mas não a segurei. Não fui atrás.
Ainda não.
Esperei até ouvir os passos dela na escada.
Então virei.
Entrei na cozinha.
James estava encostado na bancada, olhando para o chão.
Levantou os olhos quando me viu.
— Claro.
Fechei a porta atrás de mim.
— Nós vamos conversar.
Ele soltou uma risada sem humor.
— Imaginei.
Me aproximei.
— Não quero você perto dela.
O rosto dele mudou.
— Você não pode decidir isso.
— Posso decidir o que eu aceito dentro da casa da minha família.
— A casa não é sua.
— Não brinca comigo agora.
James ficou sério.
— Eu não fiz nada, Edward. Que tipo de homem você acha que eu sou?
— Ela pediu para você se afastar.
— E eu me afastei, porra!
— Depois de encurralar ela contra uma bancada.
— Eu não encurralei ninguém! Jamais faria isso.
— Eu vi.
— Então viu que foi sem intenção.
— Intenção não muda o efeito.
James respirou fundo.
— Eu pedi desculpas, Edward. Já estou me sentindo um lixo por hoje cedo e por agora, não me crucifique.
— Ótimo.
Aproximei-me mais.
— Agora escuta.
Ele sustentou meu olhar.
— Bella não está acostumada a esse tipo de aproximação.
— Eu percebi.
— Não. Acho que não percebeu.
— Edward...
— Ela passou por coisas que você não conhece.
Minha voz saiu baixa.
— E não precisa conhecer.
James ficou em silêncio.
— Então quando ela recuar, você recua.
— Eu recuei.
— Antes.
— Eu não leio pensamentos.
— Não precisa. Leia o corpo dela.
Ele riu sem humor.
— Você fala como se fosse especialista.
— Nela?
Parei.
— Presto atenção.
James desviou o olhar.
— Eu só quero ajudar.
— Não.
Ele voltou para mim.
— O quê?
— Você quer ajudar demais.
— Isso é crime agora?
— Não.
— Então qual é o problema?
— Eu não sei.
A resposta pareceu surpreendê-lo.
— Mas eu sei que ela fica desconfortável perto de você às vezes.
— Porque minha voz lembra alguém.
— Talvez.
— Então pronto.
— Não.
Balancei a cabeça.
— Porque mesmo sabendo disso, você continua indo atrás dela.
James passou a mão pelos cabelos.
— Estou tentando mostrar que ela não precisa ter medo de mim. Eu quer ajudar ela.
— Então pare de tentar.
Silêncio.
— Deixa ela decidir isso no tempo dela.
Ele me encarou.
— E você?
— O que tem eu?
— Vai decidir tudo no tempo dela também?
Meu maxilar travou.
— Não coloca minha relação com ela nessa conversa.
— Você sempre faz isso.
— Isso o quê?
— Age como se tivesse algum direito especial sobre ela.
— Eu não tenho.
— Parece.
— Eu tenho uma coisa que você aparentemente não está tendo.
James estreitou os olhos.
— O quê?
— Respeito pelo limite dela.
A frase atingiu.
— Vai se ferrar, porra!
— Pode ficar irritado.
— Você está transformando um acidente em alguma coisa nojenta. Eu não sou esse tipo de pessoa, Edward. Nunca nos demos bem, mas você conhece meu caráter.
— Não disse que foi intencional.
— Mas está insinuando.
— Estou dizendo para não acontecer de novo, ela realmente não está bem, James. Ela precisa se senti segura aqui, se você não consegue dar esse espaço a ela, recue.
James respirou fundo.
— Eu quero ajudar.
— Eu já estou cuidando disso.
— Você é advogado agora?
— Não.
— Então talvez ela precise de um.
— Se precisar, ela escolhe.
— E se escolher a mim?
Não gostei da pergunta.
Ele percebeu.
— Aí eu respeito a escolha dela.
James arqueou a sobrancelha.
— Mesmo?
— Diferente de você, eu aprendo quando ela me chama atenção.
Silêncio.
Peguei a água.
— Fica longe dela enquanto ela não procurar você.
— Isso é uma ordem?
Olhei para ele.
— É um recado.
Passei pela porta.
— Edward.
Parei.
— Você está exagerando.
Olhei por cima do ombro.
— Espero que sim.
Saí.
Bati na porta do quarto de Bella e nenhuma resposta.
Bati novamente.
— Bella?
— Entra.
Abri.
Ela estava sentada na cama, usando uma camiseta larga e shorts.
O cabelo ainda estava um pouco úmido do banho.
Fechei a porta.
— Está bem?
— Estou.
— Tem certeza?
— Tenho.
Fiquei perto da porta.
Não queria invadir.
— Eu falei com James.
Bella fechou os olhos.
— Edward.
— Eu não briguei.
Ela me olhou.
— Muito.
— Isso significa que brigou.
— Conversamos.
— Você disse oque a ele ?
— Para se afastar de você.
— Edward.
Ela me estudou.
— Só deixei claro que ele precisa respeitar seu espaço.
Bella respirou fundo.
— Ele pediu desculpas.
— Eu sei.
— Acho que ele realmente não percebeu.
Aquilo me incomodou, mas não demonstrei.
— Eu acredito.
Ela puxou as pernas para cima da cama.
— Eu só...
Parou.
— O quê?
— Não gosto de homem muito perto de mim.
Senti o peito apertar.
— Eu sei.
— Principalmente quando não estou esperando.
— Eu sei.
Silêncio.
— Mas estou bem.
Assenti.
— Certo.
Eu deveria ir embora, mas em vez disso, fiquei.
Bella percebeu.
— O quê?
— Quer sair?
Ela franziu a testa.
— Agora?
— Agora.
— Para onde?
— Qualquer lugar.
Ela pensou.
Então alguma coisa mudou em seu rosto.
— Quero lutar.
Pisquei.
— O quê?
— Quero lutar.
— Bella, são quase onze da noite.
— Eu sei.
— E você quer lutar?
— Quero.
Observei. Ela não estava brincando.
— Agora?
— Agora.
— Por quê?
Bella levantou da cama.
— Porque eu quero bater em alguma coisa.
Arqueei uma sobrancelha.
— Isso é preocupante.
— Edward.
— Certo.
Levantei as mãos.
— Sem julgamentos.
Ela abriu o armário.
— Pega roupa confortável — falei.
Bella olhou para mim.
— Você vai me levar?
— Você acabou de dizer que quer bater em alguma coisa.
— E?
— Prefiro que seja equipamento meu do que algum Cullen.
Ela quase sorriu.
— Cinco minutos.
— Estou lá embaixo.
Quando fechei a porta, pensei que talvez aquela fosse a primeira decisão sensata que eu tinha tomado naquele dia.
Eu estava errado.
Porque vinte minutos depois, vendo Bella diante de um saco de pancadas na academia da minha casa...
percebi que ela não queria apenas lutar.
Ela queria destruir alguma coisa.
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