Meu Lugar Seguro

20 Capítulo 20


Notas iniciais
Mais um capítulo enorme ( desculpa). Espero que gostem e perdoem o Edward kkk.

POV BELLA

Eu já tinha repassado aquela conversa tantas vezes na minha cabeça que começava a duvidar das minhas próprias lembranças. Edward parado diante de mim. A expressão fechada.

A distância repentina.

As palavras que pareciam ter sido escolhidas para encerrar alguma coisa antes mesmo que eu entendesse o que estava acontecendo. E depois, o fim.

Simples assim.

Ou pelo menos era isso que ele tinha tentado fazer parecer. Só que eu conhecia Edward.

Talvez não tanto quanto gostaria. Talvez não o suficiente para compreender tudo o que se passava naquela cabeça irritantemente complicada dele. Mas o suficiente para saber quando ele não se importava.

E ele se importava.

Era justamente isso que tornava tudo tão difícil.

Se Edward tivesse simplesmente deixado de gostar de mim, talvez fosse mais fácil aceitar. Eu poderia odiá-lo um pouco, chorar durante algumas noites, reclamar dele para Alice e seguir em frente.

Mas não era isso.

Eu tinha visto a maneira como ele me olhou depois. A forma como os olhos dele me acompanhavam quando estávamos no mesmo lugar, mesmo quando fingia estar interessado em qualquer outra coisa. As provocações tinham voltado aos poucos também. Uma resposta atravessada aqui. Uma implicância ali. Um olhar longo demais.

Um sorriso que ele tentava esconder quando eu conseguia irritá-lo.

E, por mais absurdo que fosse, aquilo tinha me dado esperança.

Não de simplesmente voltar para ele como se nada tivesse acontecido.

Eu ainda estava magoada.

Muito.

Mas comecei a pensar que talvez existisse alguma coisa que eu não soubesse.

Alguma coisa que Edward tivesse entendido errado. Alguma coisa que ele não tivesse me contado.

E se conseguíssemos conversar de verdade...

Talvez pudéssemos esclarecer.

Talvez.

Só que então Nathan voltou.

Não fisicamente, ainda não.

Ele voltou da maneira que sabia ser mais cruel.

Pelas palavras.

O primeiro número eu bloqueei.

O segundo também.

No terceiro, minhas mãos já tremiam antes mesmo de abrir a mensagem.

Número desconhecido:

Você sempre teve essa mania de achar que bloquear alguém faz essa pessoa desaparecer.

Fiquei olhando para a tela.

Meu coração batia tão forte que eu conseguia ouvi-lo.

Bloqueei.

Apaguei.

Respirei.

Tentei trabalhar.

No dia seguinte, outro número.

Número desconhecido:

Está feliz agora?

Não respondi.

Número desconhecido:

Parece feliz.

Meu estômago revirou. Bloqueei outra vez.

Dois dias depois:

Número desconhecido:

Bonita essa família que está cuidando de você.

O telefone quase caiu da minha mão.

Por alguns segundos, eu simplesmente não consegui respirar.

Ele sabia. Não sabia quanto. Não sabia como, mas sabia.

A mensagem seguinte chegou antes que eu conseguisse bloquear aquele número.

Número desconhecido:

É bom ter gente protegendo a gente, não é?

Outra.

Principalmente quando uma delas consegue fazer você sorrir daquele jeito.

Meu sangue gelou.

Edward.

Ele não escreveu o nome.

Não precisava.

E foi exatamente isso que tornou tudo pior.

Porque talvez estivesse falando de Edward.

Talvez não.

Talvez quisesse apenas que eu pensasse que estava.

Nathan sempre soube fazer isso.

Dar informação suficiente para me assustar e deixar espaço suficiente para minha própria cabeça terminar o trabalho.

Passei aquela noite acordada.

No dia seguinte, chegou outra mensagem.

Número desconhecido:

Sua amiga continua cuidando bem de você?

Alice.

Dessa vez eu chorei.

Não porque ele tivesse escrito o nome dela.

Ele não escreveu.

Mas eu sabia.

Edward e Alice.

As duas pessoas que mais tinham me ajudado. As duas pessoas que tinham ficado perto demais de mim. E, de repente, a ideia que vinha me atormentando deixou de parecer absurda.

Talvez eu fosse o perigo.

Talvez não importasse onde eu estivesse ou quantas pessoas tentassem me proteger.

Enquanto eu estivesse ali, Nathan poderia chegar até eles e machucá-los.

Eu comecei a me afastar.

Primeiro do trabalho.

Depois das refeições.

Depois das conversas.

Até de Alice.

Inventava cansaço. Dor de cabeça. Trabalho.

Só que o trabalho também começou a desmoronar.

Eu encarava uma planilha e não conseguia entender números que antes resolveria quase automaticamente.

Relia o mesmo e-mail cinco vezes.

Assustava-me quando alguém aparecia atrás de mim.

O telefone vibrava e meu corpo inteiro reagia.

Adrian percebeu.

Claro que percebeu.

Eu só não esperava que percebesse tão rápido.

E quando finalmente pedi demissão, nem eu sabia explicar se estava fugindo do trabalho, de Nathan ou de mim mesma.

Talvez dos três.

Então veio Oklahoma.

Número desconhecido:

Engraçado como algumas coisas sempre acabam voltando para onde começaram.

Ignorei.

Outra mensagem chegou minutos depois.

Talvez você devesse voltar também.

Meu peito apertou.

E depois:

Eu esperaria por você.

Foi por isso que pesquisei as passagens.

Não porque tivesse decidido ir.

Mas porque, durante alguns minutos de puro desespero, pensei que talvez fosse a única maneira de tirar Nathan dali.

De afastá-lo dos Cullen.

De Edward.

De Alice.

Se ele me queria, talvez eu pudesse fazê-lo olhar somente para mim. Que terminasse logo de uma vez comigo.

Era irracional.

Eu sabia.

Mas medo raramente se preocupava em ser racional.

Foi assim que Edward encontrou aquelas pesquisas.

E foi assim que eu percebi que ele não pretendia mais assistir de longe enquanto eu me destruía. Talvez fosse exatamente isso que me assustasse.

Porque, quanto mais Edward se aproximava novamente, mais Nathan parecia apertar a corda ao redor do meu pescoço.

Naquele dia, porém, eu ainda não sabia que teria outro problema com que me preocupar.

— Bella!

A voz de Esme veio da sala.

— Já estou indo!

Terminei de guardar algumas coisas na cozinha e limpei as mãos. A casa estava mais movimentada do que de costume.

Alice tinha aparecido cedo demais para alguém que não morava ali.

Rosalie e Emmett chegaram logo depois.

Jasper também estava.

Edward apareceu algum tempo mais tarde, alegando que a mãe tinha praticamente ameaçado deserdá-lo se ele não viesse almoçar.

Ninguém acreditou.

Principalmente porque Esme jamais faria aquilo.

Carlisle ria da situação.

Havia alguma coisa acontecendo. Eu só não sabia o quê.

— Vocês estão estranhos — falei quando entrei na sala.

Alice abriu um sorriso exageradamente inocente.

— Nós?

— Principalmente você.

— Ofendida.

Edward, sentado no sofá, soltou uma risada baixa.

Olhei para ele.

— Algum problema?

— Nenhum.

— Então para de rir.

— Você mandando Alice parar de ser estranha é engraçado.

— Edward — Alice reclamou.

Ele ergueu as mãos.

— Só constatei um fato.

Revirei os olhos.

Mas quando olhei novamente para ele, Edward ainda me observava.

Por um instante, ninguém mais pareceu existir naquela sala.

Aquele olhar.

Era aquilo.

Aquilo que me fazia ter certeza de que o nosso fim não fazia sentido.

Porque um homem que não queria mais uma mulher não olhava para ela daquela maneira.

Desviei primeiro. Não queria pensar nisso. Não naquele momento.

A campainha tocou.

Esme praticamente saltou do lugar.

— Finalmente.

Franzi a testa.

— Quem é?

Ninguém respondeu.

Carlisle já sorria enquanto Esme caminhava depressa até a porta.

Alice se levantou.

Emmett também.

Até Edward pareceu interessado.

Eu fiquei onde estava.

A porta se abriu.

— Meu Deus!

O grito emocionado de Esme veio primeiro.

Depois risadas.

Uma voz masculina.

— Também senti sua falta, tia.

Meu corpo parou.

Não foi uma decisão. Não pensei. Não associei conscientemente.

Simplesmente parei.

A voz atravessou a sala e atingiu alguma coisa dentro de mim que eu acreditava estar enterrada.

Meus dedos ficaram frios.

Meu coração deu uma batida forte.

Depois outra. Aquela voz.

Não.

Virei o rosto devagar.

Esme apareceu primeiro, segurando o braço de um homem enquanto falava alguma coisa sobre ele estar mais magro.

Ele ria.

Loiro.

Alto.

Olhos verdes.

Um sorriso fácil.

Bonito.

Muito bonito.

Mas eu não enxerguei nada disso primeiro.

Enxerguei o formato do rosto.

Um detalhe pequeno.

Quase insignificante.

A maneira como a mandíbula se movia quando ele sorria.

E alguma coisa dentro de mim gritou.

Nathan.

Levantei tão depressa que bati a perna na mesa de centro.

— Bella?

A voz de Alice pareceu distante. O homem olhou para mim.

Nossos olhos se encontraram.

E por um segundo...

Um único segundo...

Eu não estava na mansão.

Não estava cercada pelos Cullen.

Não estava segura. Eu estava de volta naquele lugar.

De volta àquela sensação. De volta a ele.

O homem franziu levemente a testa.

— Oi...

A voz outra vez.

Meu ar desapareceu.

Dei um passo para trás.

— Bella.

Dessa vez foi Edward. Não precisei olhar para saber que ele tinha se levantado. O homem pareceu perceber que havia alguma coisa errada.

Seu sorriso desapareceu.

— Ei, está tudo bem?

Ele deu um passo na minha direção.

Recuei imediatamente.

E Edward entrou na frente.

Foi tão rápido que algumas pessoas demoraram um segundo para entender o que tinha acontecido.

O corpo dele bloqueou completamente minha visão.

— Não.

A voz de Edward saiu baixa, mas firme.

O silêncio caiu na sala.

— Edward? — Esme perguntou.

O homem parou.

— Eu só ia ajudá-la.

— Então ajuda ficando onde está.

— Edward — Carlisle advertiu.

— Ela claramente não quer que ele chegue perto.

Só então percebi que estava segurando a parte de trás da camisa de Edward.

Soltei imediatamente. Meu rosto queimou.

— Eu...

Não consegui terminar.

Jasper me observava com atenção.

— Bella, olha para mim.

Olhei.

— Respira.

Puxei o ar.

Doeu.

— Isso — ele disse calmamente. — De novo.

Respirei outra vez.

— Talvez ela esteja confundindo alguma coisa — Jasper falou, mais para os outros do que para mim. — Ela não tem dormido direito. Está sob muita pressão. Pode ter sido uma associação.

Associação.

Sim.

Era isso.

Tinha que ser. Forcei-me a olhar novamente.

Por cima do ombro de Edward.

O homem permanecia parado.

Não parecia irritado.

Parecia preocupado.

Confuso até.

Observei o cabelo.

Loiro.

Nathan tinha cabelos escuros.

Os olhos verdes.

Os de Nathan eram castanhos tão escuros que, dependendo da luz, pareciam quase pretos.

Desci os olhos.

Os braços estavam descobertos.

Nenhuma tatuagem.

Meu coração desacelerou um pouco.

Nathan tinha um corvo.

Eu conhecia aquela tatuagem.

Grande.

Escura.

Ocupava praticamente o braço inteiro.

Ali não havia nada.

Pele limpa.

Era impossível.

Eu estava vendo fantasmas.

De novo.

O homem olhou para Edward e depois para mim.

— Posso me apresentar daqui mesmo, se facilitar.

Havia delicadeza na voz.

Edward continuou na minha frente.

— Facilita.

— Edward — murmurei.

Ele virou um pouco o rosto.

— Tem certeza?

Assenti.

Demorei alguns segundos, mas dei um passo para o lado.

O homem sorriu discretamente. Sem avançar.

— James.

James.

Não Nathan.

James.

Estendi a mão.

Edward me olhou como se estivesse prestes a impedir, mas não fez.

James aproximou-se devagar e apertou minha mão.

Nada aconteceu. Nenhuma ameaça. Nenhum aperto forte demais.

Nenhum olhar cruel.

Apenas um cumprimento.

— Bella.

— Prazer, Bella.

Engoli em seco.

— Desculpa.

— Não precisa pedir desculpas.

— Preciso, sim. Eu só...

Olhei para ele outra vez.

A voz.

Era a voz. Não exatamente igual. Mas h avia alguma coisa.

Talvez o tom.

Talvez uma palavra pronunciada de determinada maneira.

— Sua voz me lembrou alguém.

Por uma fração de segundo, a expressão dele mudou. Tão rápido que talvez eu tivesse imaginado.

Então James pareceu desconfortável.

— Alguém ruim?

Não respondi.

Ele abaixou os olhos.

— Entendi.

Soltou minha mão imediatamente.

— Desculpa. Eu posso ir embora.

A culpa veio quase instantaneamente.

— Não.

James ergueu os olhos.

— Não precisa. Sério. A casa nem é minha para eu expulsar alguém.

Emmett soltou uma risada curta.

— Tecnicamente, também não é dele.

Apontou para Edward.

— E isso nunca impediu o príncipe Cullen de agir como dono.

— Vai se ferrar, Emmett.

Algumas risadas quebraram o peso do ambiente.

Até eu sorri.

Pouco, mas sorri.

James também.

— Então podemos tentar novamente?

Respirei fundo.

— Podemos.

— James.

— Bella.

— Agora oficialmente — Alice anunciou. — Ótimo. Podemos voltar à programação normal da família?

Esme abraçou James novamente.

— Você não faz ideia da falta que fez.

E, aos poucos, tudo voltou ao normal.

Ou quase.

James era querido. Isso ficou evidente nos primeiros quinze minutos.

Emmett não parava de implicar com ele.

Rosalie queria saber detalhes de onde estava.

Alice reclamava que ele mal tinha respondido às mensagens.

Carlisle perguntava sobre trabalho.

Esme só faltava alimentá-lo com a própria mão.

Até Jasper parecia genuinamente feliz em vê-lo.

Edward era o único um pouco mais contido.

Talvez por minha causa.

Talvez não, pois ele já me disse uma vez que não confiava tanto nele.

Sentei-me à mesa e tentei participar das conversas.

James ficou algumas cadeiras distante.

Melhor assim.

Até que, no meio do almoço, ele olhou para mim.

— Então você é a famosa Bella.

Quase engasguei.

— Famosa?

Alice sorriu.

— Não olha para mim.

— Eu definitivamente vou olhar para você.

James riu.

— Seu nome apareceu algumas vezes.

— Algumas? — Emmett perguntou.

— Cala a boca — Edward disse.

James virou o rosto para ele.

Um sorriso surgiu lentamente.

— Interessante.

Edward estreitou os olhos.

— O quê?

— Nada.

— Então para de sorrir.

— Você continua simpático.

— E você continua inconveniente.

— Meninos — Esme repreendeu.

James levantou as mãos.

— Eu não fiz nada.

Depois voltou os olhos para mim.

Demorou um pouco mais do que deveria.

— Mas Alice esqueceu de mencionar uma coisa.

— O quê? — perguntei.

— Ela me disse que você era muito bonita, mas não disse que era tão linda.

Edward colocou os talheres no prato.

O som foi um pouco mais alto que o necessário.

Eu olhei para ele.

James também.

— Algum problema? — James perguntou.

— Nenhum.

— Pareceu.

— Você está ouvindo coisas.

Mordi o interior da bochecha.

Não.

Não podia ser.

Edward estava com ciúmes.

James pareceu se divertir ainda mais.

— Pena que eu não te conheci na época em que você era amiga da Alice.

Edward respondeu antes de mim.

— Ela era bem mais nova.

James arqueou uma sobrancelha.

— E?

— E nada.

— Então por que respondeu por ela?

— Porque eu quis. Quando ela corria por essa casa, era só uma menina.

Emmett começou a rir.

— Isso vai ser divertido.

— Não começa — Rosalie murmurou.

Eu baixei o rosto para esconder o sorriso.

Mas não fui rápida o suficiente.

Edward viu.

— Está rindo de quê?

— De nada.

— Isabella.

— Edward.

James olhou de mim para ele.

Depois dele para mim.

E sorriu.

— Ah.

Edward virou o rosto lentamente.

— “Ah” o quê?

— Nada, primo.

— Ótimo.

— Só estou observando.

— Observe outra coisa.

Dessa vez eu não consegui segurar.

Ri.

Uma risada pequena, mas verdadeira.

E quando levantei os olhos, Edward estava me olhando.

Por alguns segundos, o sorriso dele apareceu também.

Foi quase imperceptível, mas estava lá.

E alguma coisa apertou dentro do meu peito.

Porque era aquilo. Ainda estava ali.

Nós ainda estávamos ali.

Por baixo da raiva.

Da mágoa.

Das coisas que não tínhamos dito.

Ainda existia alguma coisa entre nós.

Eu só não sabia se teríamos tempo de descobrir o quê.

Algumas horas depois, James anunciou como se fosse a coisa mais natural do mundo:

— Acho que vou ficar aqui alguns dias.

Meu corpo ficou rígido.

Não muito. Só o suficiente para eu perceber.

— Claro que vai — Esme respondeu imediatamente.

— Se não for problema.

— Esta também é sua casa.

Edward olhou para James.

Depois para mim.

Nossos olhos se encontraram.

Ele percebeu.

Claro que percebeu.

Edward percebia tudo quando se tratava de mim.

James, porém, continuou conversando como se nada tivesse acontecido.

E eu disse a mim mesma que estava tudo bem.

Ele não era Nathan.

Não tinha os cabelos de Nathan.

Não tinha os olhos de Nathan.

Não tinha a tatuagem de Nathan.

Não tinha razão nenhuma para eu continuar pensando aquilo.

James era primo de Edward.

Sobrinho de Carlisle e Esme.

Alice o conhecia.

Emmett o conhecia.

Rosalie.

Jasper.

Todos eles.

Era impossível.

Ridículo.

Meu cérebro estava cansado.

Assustado.

Era só isso.

Quando subi para o quarto naquela noite, repeti aquelas palavras tantas vezes que quase consegui acreditar nelas.

Quase.

Já passava da meia-noite quando desisti de dormir.

Desci em silêncio.

A mansão estava escura, exceto pelas luzes baixas do corredor.

Entrei na cozinha e abri a geladeira.

Suco.

Era tudo o que eu queria.

Suco e talvez cinco minutos em que minha cabeça ficasse quieta.

Servi um copo.

— Insônia?

O vidro quase escapou da minha mão.

Virei rapidamente.

James estava parado na entrada da cozinha.

— Desculpa — ele disse imediatamente. — Não queria assustar você.

Coloquei o copo na bancada.

— Tudo bem.

— Tem certeza?

— Tenho.

Ele entrou. Dessa vez, não recuei. Fiquei orgulhosa disso.

James abriu a geladeira e pegou uma garrafa de água.

— Acho que começamos com o pé esquerdo.

— A culpa foi minha.

— Não acho.

— Eu praticamente surtei quando vi você.

— Já tive recepções piores.

Sorri.

— Duvido.

— Posso inventar uma história bem convincente se isso fizer você se sentir melhor.

Ri baixo.

James sorriu também.

Por alguns minutos, conversamos normalmente.

Sobre coisas idiotas.

A viagem dele.

Alice.

Emmett.

Como Esme parecia determinada a compensar todos os meses que ele passara fora colocando comida suficiente para alimentar cinco pessoas no prato dele.

Eu relaxei.

Até perceber que James estava me olhando.

Não casualmente.

Olhando.

Meu sorriso desapareceu um pouco.

Ele percebeu na mesma hora.

— Desculpa.

— Pelo quê?

James desviou os olhos.

— Por encarar.

Fiquei em silêncio.

— É difícil não olhar para uma mulher tão bonita.

A maneira como ele falou fez alguma coisa dentro de mim se contrair.

Não medo.

Não exatamente.

Desconforto.

James percebeu novamente.

— Fiz de novo.

— Fez o quê?

— Deixei você desconfortável.

— Não...

— Bella.

Suspirei.

Ele encostou-se na bancada, mantendo distância.

— Você está incomodada comigo?

Pensei antes de responder.

— Não com você.

— Mas?

Passei o dedo pela borda do copo.

— Você me lembrou alguém.

James não disse nada.

— Alguém do passado — continuei. — Só isso.

— Pela voz?

Assenti.

— E talvez alguma coisa no rosto. Eu não sei.

Ri sem humor.

— Minha cabeça não está muito boa ultimamente.

— Não precisa explicar.

— Eu sei que você é um homem bom.

Ele me observou.

— Que bom.

A resposta veio simples.

Tranquila.

— Eu só estou passando por algumas coisas — falei. — Então acho que estou vendo coisas onde não existem.

James inclinou levemente a cabeça.

— Não sei o que aconteceu com você.

Parei.

— E não vou perguntar.

Aquilo me fez olhar para ele.

— Mas ouvi o suficiente hoje para perceber que tem alguma coisa acontecendo.

Meu corpo ficou um pouco tenso.

— Alice não contou nada — ele acrescentou rapidamente. — Antes que você fique preocupada. Eu só presto atenção.

Sorri fracamente.

— Parece ser coisa de família.

— Infelizmente.

Ele tomou um gole da água.

— Sou advogado, Bella.

— Eu sei.

— Então, se essa pessoa do passado estiver fazendo alguma coisa agora...

Meu coração acelerou.

James ergueu uma mão.

— Não precisa me contar.

Respirei.

— Só estou dizendo que, se algum dia quiser ajuda, eu posso tentar.

— Obrigada.

— Nem que seja só para fazer você sorrir sem medo.

Olhei para ele.

A frase era bonita.

Gentil.

Mas alguma coisa nela me arrepiou.

Ignorei.

— Boa noite, James.

— Boa noite, Bella.

Passei por ele. Quando cheguei perto, James inclinou-se e beijou meu rosto.

Foi rápido.

Comum.

Uma despedida.

Mesmo assim, meu corpo enrijeceu.

Ele se afastou imediatamente.

— Desculpa.

Balancei a cabeça.

— Está tudo bem.

Subi.

Não olhei para trás.

Entrei no quarto, fechei a porta e encostei nela.

Fiquei parada.

Respirando.

Tentando entender por que meu coração estava acelerado novamente.

Não era Nathan.

Eu sabia disso.

Tinha visto os braços.

Os olhos.

O cabelo.

Tudo.

James não era Nathan.

Meu celular vibrou em cima da cama.

Meu corpo inteiro gelou.

Foi instantâneo.

Um reflexo que eu odiava já ter aprendido.

Fiquei olhando para o aparelho sobre o colchão, com aquela esperança ridícula de que fosse Alice. Edward. Qualquer pessoa.

Mas não era.

Número desconhecido.

Fechei os olhos por alguns segundos.

Eu não precisava abrir.

Já sabia.

Ainda assim, abri.

Número desconhecido:

Quantos números você pretende bloquear?

Meu estômago embrulhou. Bloqueei a tela. Não queria continuar. Não naquela noite. Não depois de tudo.

O telefone vibrou novamente em minha mão.

E outra vez.

Apertei os olhos, tentando ignorar.

Não consegui.

Número desconhecido:

Pode trocar de número também, se quiser.

Meu coração acelerou.

Outra mensagem.

Número desconhecido:

Pode mudar sua rotina.

Engoli em seco.

Número desconhecido:

Pode continuar fingindo que sua vida voltou ao normal.

Senti meus olhos arderem.

Ele não sabia.

Não podia saber.

Era exatamente isso que Nathan fazia.

Jogava palavras.

Esperava que eu mesma encontrasse nelas alguma coisa que me apavorasse.

E sempre encontrava.

Os três pontinhos apareceram novamente.

Eu deveria ter bloqueado.

Deveria ter desligado o telefone.

Mas fiquei olhando.

Número desconhecido:

No fim, você continua sendo a mesma Bella que eu conheço.

Minha respiração ficou curta.

Então veio outra.

Número desconhecido:

Ainda olha por cima do ombro quando sente medo?

Levei a mão à boca.

Memórias que eu não queria vieram rápido demais.

Minha garganta fechou.

Mais uma mensagem.

Número desconhecido:

Eu gostava quando você fazia isso.

As lágrimas encheram meus olhos.

— Para... — sussurrei.

Como se ele pudesse me ouvir.

Como se algum dia tivesse parado porque eu pedi.

Bloqueei o número.

Minhas mãos tremiam tanto que precisei tentar duas vezes.

Pronto. Bloqueado.

Joguei o celular na cama.

Fiquei parada no meio do quarto, respirando depressa, tentando convencer meu corpo de que eu estava ali.

Na mansão.

Com Carlisle.

Esme.

Edward não estava naquela noite, mas poderia estar ali em poucos minutos se eu ligasse.

Havia pessoas ao meu redor.

Eu estava segura.

Eu estava segura.

Eu estava segura.

O celular vibrou.

Congelei.

Não.

Olhei para ele.

Outro número.

Diferente.

Uma única mensagem.

Número desconhecido:

Boa noite, Bella.

Foi pior do que uma ameaça.

Porque Nathan sempre soube que não precisava dizer exatamente o que faria.

Bastava me lembrar de que podia chegar até mim.

Sentei devagar na beirada da cama.

E naquela noite, apesar de saber que James dormia em algum quarto daquela mesma casa, apesar de saber que Carlisle e Esme estavam a poucos metros de mim, apesar de estar cercada por pessoas que fariam qualquer coisa para me proteger...

eu não me senti segura.

Nem por um segundo.

Nos dias seguintes, comecei a descobrir que uma pessoa podia desaparecer sem sair de casa.

Era simples.

Bastava aprender os horários.

Se todos tomavam café às oito, eu descia às sete.

Se Esme começava a preparar o jantar às seis, eu aparecia na cozinha às cinco e dizia que tinha comido alguma coisa.

Se Alice perguntava se eu queria sair, eu estava cansada.

Se Carlisle perguntava se eu estava bem, eu estava com dor de cabeça.

Se Jasper me observava por tempo demais, eu encontrava qualquer desculpa para deixar o ambiente.

E se Edward aparecia...

Bem.

Edward era mais difícil.

Porque eu queria fugir dele tanto quanto queria correr para ele.

Talvez mais para a segunda opção.

E aquilo era um problema.

Principalmente porque ele tinha começado a aparecer na mansão com uma frequência irritantemente suspeita.

— Você não trabalha mais?

Foi o que perguntei na terceira vez que o encontrei na cozinha antes do almoço.

Edward estava encostado na bancada, tomando café como se ainda morasse ali.

Ele ergueu os olhos.

— Trabalho.

— Não parece.

— Sou dono.

— Isso significa que não precisa trabalhar?

— Significa que posso decidir onde vou trabalhar.

Peguei uma maçã.

— E decidiu trabalhar na cozinha da sua mãe?

— Hoje, sim.

— Interessante.

— Muito.

Mordi a maçã.

Ele continuou me olhando.

— O quê?

— Nada.

— Você está me encarando.

— Estou olhando.

— Há diferença?

— Enorme.

— Qual?

Edward tomou um gole de café.

— Quando eu encaro, você percebe.

Meu coração tropeçou.

Idiota.

— Convencido.

Passei por ele.

— Bella.

Parei.

O tom tinha mudado. Olhei por cima do ombro.

Edward não sorria mais.

— Você vai jantar com a gente hoje?

Meu peito apertou.

— Não sei.

— Ontem você não foi.

— Eu estava cansada.

— Anteontem também.

— Também estava cansada.

— E antes de ontem?

— Edward...

— Você quase não está comendo.

— Está fiscalizando minha comida agora?

— Se precisar.

Revirei os olhos.

— Você não é meu namorado.

Assim que as palavras saíram, arrependi-me. O maxilar dele se contraiu.

O meu peito doeu.

— Eu sei — respondeu.

Baixo. Sem provocação. Sem ironia.

Aquilo foi pior.

Segurei a maçã com mais força.

— Eu não quis...

— Tudo bem.

Não estava.

Eu sabia que não estava.

E ele também.

Ficamos alguns segundos em silêncio.

Então Edward largou a xícara.

— Só desce para jantar.

— Por quê?

— Porque minha mãe está preocupada.

— Sua mãe?

— Eu também.

Meu coração apertou novamente.

Desviei o olhar.

— Vou tentar.

— Não quero que tente.

Olhei para ele.

— Desce.

— Você continua mandão.

Um canto da boca dele levantou.

— E você continua teimosa.

— Não estou mais namorando você. Não preciso obedecer. Nem quando estava fazia isso.

O sorriso desapareceu.

Outra vez.

Droga.

Virei-me antes que ele percebesse o quanto aquilo também tinha me atingido.

Não desci para jantar.

Às sete e meia, Esme bateu na porta.

Às sete e quarenta, Alice.

Às oito, Emmett gritou do corredor que, se eu não aparecesse, ele comeria minha sobremesa.

Às oito e cinco, ouvi Rosalie mandá-lo parar de ser idiota.

Às oito e vinte, alguém bateu novamente.

— Eu já disse que não estou com fome.

— Então eu posso comer?

James.

Sentei na cama.

— O quê?

— Sua sobremesa.

Olhei para a porta.

— Emmett mandou você?

— Não. Mas ouvi falar que existe uma sobremesa abandonada e estou disposto a ajudar.

Apesar de tudo, sorri.

— Pode comer.

— Tem certeza?

— Tenho.

— Ótimo. Agora posso dizer que vim aqui por um motivo nobre.

Revirei os olhos.

Ele não tentou abrir a porta.

Não insistiu para entrar.

Aquilo me deixou mais confortável.

— Bella?

— Oi?

— Está tudo bem?

Olhei para o celular em cima da cama.

O número daquela tarde já estava bloqueado.

Assim como os outros.

— Está.

Houve alguns segundos de silêncio.

— Certo.

E só.

Nenhuma insistência. Nenhuma pergunta.

Ouvi os passos dele se afastarem.

Talvez fosse justamente por isso que comecei a relaxar um pouco perto de James.

Ele não forçava.

Não perguntava demais.

Durante o dia, conversava comigo como se eu fosse qualquer pessoa.

Fazia piadas.

Contava histórias absurdas sobre Edward adolescente, metade das quais Edward jurava serem mentiras.

E me tratava com uma naturalidade que tornava aquela primeira reação cada vez mais constrangedora.

Eu realmente tinha confundido os dois.

Ou quase confundido.

E quanto mais observava James, mais absurda a comparação parecia.

Ele era diferente.

Fisicamente, principalmente.

Os cabelos claros.

Os olhos verdes.

Os braços sem qualquer marca.

Às vezes usava camiseta, às vezes camisa com as mangas dobradas, e eu via perfeitamente a pele onde, em Nathan, existia aquele corvo escuro.

Não havia nada.

Minha cabeça tinha criado uma ligação por causa de uma voz.

Só isso.

Precisava ser.

O problema era que Nathan não me deixava esquecer que existia.

Os números continuavam.

Eu bloqueava um.

Outro aparecia.

Às vezes demorava um dia.

Às vezes horas.

Número desconhecido:

Ainda está tentando descobrir onde eu estou?

Bloqueado.

Outro.

Número desconhecido:

Oklahoma parece longe quando você está com medo?

Meu coração disparou.

Bloqueado.

No dia seguinte:

Número desconhecido:

Talvez eu esteja lá.

Minutos depois:

Talvez não.

E depois:

Você sempre gostou de respostas, Bella. Deve estar enlouquecendo sem elas.

Eu estava.

Era exatamente isso.

Eu não sabia onde ele estava.

Não sabia quanto sabia.

Não sabia se estava perto.

Não sabia se as referências a Alice e Edward eram informações reais ou apenas manipulação.

Não sabia se Oklahoma era um convite, uma armadilha ou mais uma maneira de me fazer pensar nele.

E comecei a ter medo até do silêncio.

Porque quando Nathan não mandava mensagem, eu ficava esperando a próxima.

Meu telefone se transformara em uma bomba que eu carregava comigo.

Até que, numa tarde, ele vibrou enquanto eu estava sentada na sala com Alice, James e Rosalie.

Olhei automaticamente.

Número desconhecido.

Meu coração acelerou.

Número desconhecido:

Você sabe que não consegue proteger todo mundo.

O ar desapareceu.

— Bella?

Alice.

Não consegui responder.

Outra mensagem.

Uma hora você vai precisar escolher.

Minhas mãos começaram a tremer.

— Bella.

Dessa vez Rosalie.

Levantei.

Rápido demais.

— Eu preciso...

Minha visão escureceu nas bordas.

— Preciso subir.

Alice se levantou.

— Eu vou com você.

— Não!

Todos ficaram em silêncio.

Fechei os olhos.

— Desculpa.

Minha voz saiu quebrada.

— Eu só... preciso ficar sozinha.

Passei por eles.

Ouvi Alice me chamar.

Depois Rosalie dizendo alguma coisa.

E então uma voz masculina:

— Deixa ela respirar.

James.

Subi sem olhar para trás.

Tranquei a porta.

Só então percebi que estava chorando.

Edward apareceu naquela noite. Não perguntei quem tinha ligado.

Provavelmente Alice.

Talvez Esme.

Talvez ninguém.

Àquela altura, Edward parecia ter desenvolvido algum tipo de radar para saber quando eu estava pior.

Eu o encontrei no corredor quando finalmente criei coragem para sair do quarto.

Ele estava vindo na direção contrária.

Parou quando me viu.

Olhou para meu rosto.

Eu sabia como estava.

Olhos inchados.

Cabelo preso de qualquer jeito.

Uma blusa enorme.

— Não — falei imediatamente.

Edward franziu a testa.

— Eu não disse nada.

— Mas vai.

— Ia perguntar se você está bem.

— Então não pergunta.

— Certo.

Passei por ele.

Edward veio atrás.

— Para de me seguir.

— Estou indo para a cozinha.

— Claro.

— A casa é dos meus pais, Bella.

Olhei para ele.

— Você tem uma casa.

— Tenho.

— Então usa.

Ele sorriu.

— Sentiu minha falta?

— Imensamente. Principalmente da parte em que você me irrita.

— Essa é sua parte favorita.

— Sonha.

Chegamos à cozinha.

Abri a geladeira.

Edward se sentou em um dos bancos.

— Você chorou.

Fechei a porta com força.

— Você disse que não ia perguntar.

— Não perguntei.

— Edward.

— Só constatei.

Peguei o suco.

— Você é insuportável.

— Também já ouvi isso.

Servi o copo.

Quando me virei, ele ainda me observava.

— Para.

— Não.

— Edward...

— Não vou fingir que não estou vendo você se destruir.

A frase me atingiu. Meu sorriso desapareceu.

— Eu não estou me destruindo.

— Então olha para mim e fala isso.

Olhei.

Abri a boca.

Não consegui.

Edward se levantou.

Meu corpo reagiu antes da cabeça.

Não recuei.

Pelo contrário.

Quase dei um passo na direção dele.

Ele percebeu.

Os olhos dele desceram rapidamente para minha boca.

Meu coração acelerou.

Por um instante, pensei que ele fosse me beijar.

Eu queria.

Deus, eu queria.

Mas Edward parou.

— Quando você estiver pronta — disse baixo — você vai me contar.

Engoli em seco.

— E se eu não quiser?

— Vai contar mesmo assim.

Soltei uma risada sem humor.

— Mandão.

— Teimosa.

— Arrogante.

— Péssima mentirosa.

— Idiota.

Um canto da boca dele levantou.

— Melhorou.

— O quê?

— Você.

Meu sorriso sumiu.

Edward tocou meu queixo de leve. Um gesto tão pequeno que quase me destruiu.

— Por cinco segundos, você voltou.

Não consegui responder.

Ele soltou.

— Boa noite, Bella.

E foi embora.

Fiquei olhando para a porta.

Com uma vontade absurda de correr atrás dele.

Nos dias seguintes, Edward apareceu ainda mais.

Almoço.

Fim da tarde.

Jantar.

Às vezes sem motivo algum.

Ou, pelo menos, sem admitir o motivo.

James percebeu.

Todos perceberam.

— Você vendeu sua casa? — Emmett perguntou certa noite.

Edward mostrou o dedo do meio.

Esme repreendeu os dois.

Eu ri.

James também.

— Estou começando a achar que ele sentiu falta do quarto antigo.

— Não senti — Edward respondeu.

James olhou para mim. Depois para ele.

— Sei.

Edward estreitou os olhos.

— Tem alguma coisa para falar?

— Ainda não.

A troca de olhares entre os dois durou um pouco mais do que deveria.

Jasper interrompeu perguntando alguma coisa sobre o trabalho de James.

O assunto morreu.

Mas não completamente.

Naquela noite, eu não sabia que Edward tinha decidido dormir na mansão.

Se soubesse, talvez não tivesse descido.

Ou talvez tivesse.

Já passava da meia-noite.

Mais uma vez, o sono não vinha.

Mais uma vez, desci para buscar suco.

Começava a achar que aquele hábito era ridículo.

Abri a geladeira.

— Estou começando a pensar que você é uma criatura noturna.

Fechei os olhos por um segundo.

James.

— E eu estou começando a pensar que você fica me esperando na cozinha.

Ele riu.

— Fui descoberto.

Olhei para ele.

— Isso deveria me preocupar?

— Muito.

Peguei o suco.

James sentou-se do outro lado da bancada.

— Está melhor?

— Estou.

Ele me lançou um olhar.

— Mentira.

— Você e Edward fizeram algum curso juntos?

— Para quê?

— Ser inconveniente.

James riu.

— Ele sempre foi melhor nisso.

Servi meu copo.

— Finalmente alguma coisa em que vocês concordam.

— Nós concordamos em várias coisas.

— Não parece.

— Você ainda não viu nada.

Sorri.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos.

— Bella...

Já reconhecia aquele tom.

— Não.

— Nem sabe o que vou perguntar.

— Sei.

James respirou fundo.

— Tudo bem.

Agradeci mentalmente por ele não insistir.

Mas, alguns segundos depois, ele falou:

— Minha oferta continua de pé.

Olhei para ele.

— Que oferta?

— Ajuda.

Meu corpo ficou tenso.

— James...

— Sem perguntas. Sem pressão.

Ele levantou as mãos.

— Só estou dizendo que, se existe alguém fazendo alguma coisa contra você, existem caminhos legais.

Baixei os olhos.

— É complicado.

— Quase sempre é.

— E perigoso.

O sorriso dele desapareceu.

— Para você?

Não respondi.

James se inclinou um pouco para frente.

— Bella, se alguém está ameaçando você...

— Eu não disse isso.

— Eu sei.

A maneira como ele me olhava começou a me incomodar. Não porque tivesse feito alguma coisa, mas porque parecia atento demais.

— Não quero falar sobre isso.

James percebeu.

Recuou imediatamente.

— Tudo bem.

Peguei meu copo.

— Desculpa.

— Você não precisa se desculpar comigo toda vez que estabelece um limite.

Aquilo me fez parar.

Ele sorriu.

— Prometo que meu ego sobrevive.

Relaxei um pouco.

— Obrigada.

— Posso fazer uma pergunta menos invasiva?

— Depende.

— Você e Edward têm alguma coisa?

Quase engasguei com o suco.

— O quê?

James riu.

— Essa reação respondeu metade.

— Não respondeu nada.

— Então responde a outra metade.

— Por que quer saber?

Ele deu de ombros.

— Curiosidade.

— Curiosidade de advogado?

— Curiosidade de homem.

Revirei os olhos.

— James...

— Vocês namoraram?

Meu sorriso desapareceu um pouco.

— Nós...

— Ela não precisa responder.

A voz veio da escuridão atrás dele.

Meu coração disparou.

James virou.

Eu também.

Edward estava parado na entrada da cozinha.

Descalço.

Calça de moletom.

Camiseta escura.

Cabelo bagunçado.

E uma expressão que eu conhecia muito bem.

— Edward?

Ele entrou.

— Oi.

— O que você está fazendo aqui?

— Eu moro aqui.

James soltou uma risada.

— Não mora mais.

Edward nem olhou para ele.

— Resolvi dormir aqui.

— Desde quando?

— Desde hoje.

Cruzei os braços.

— E ninguém sabia?

— Meus pais sabem.

James apoiou os braços na bancada.

— Interessante.

Edward finalmente olhou para ele.

— O quê?

— Você aparecer exatamente agora.

— A cozinha é dos meus pais também. Posso aparecer quando quiser.

— Você tem algum problema com propriedade.

— E você tem algum problema em fazer perguntas que não são da sua conta.

O clima mudou.

Meu corpo percebeu antes de mim.

James deixou de sorrir.

— Eu estava conversando com a Bella.

— Eu ouvi.

Meu coração parou por um segundo.

— Ouviu quanto? — perguntei.

Edward olhou para mim.

— O suficiente.

Droga.

James se levantou.

— Ela não parece precisar de um fiscal.

— E você não parece entender quando alguém está desconfortável.

— Eu entendi perfeitamente. Por isso mudei de assunto.

— Para perguntar da vida amorosa dela.

James soltou uma risada curta.

— Isso te incomoda?

Edward deu um passo à frente.

— Cuidado.

— Com quê?

— James.

Minha voz saiu firme.

Os dois olharam para mim.

— Chega.

Silêncio.

Apontei primeiro para James.

— Você perguntou demais.

Ele assentiu.

— Justo.

Depois olhei para Edward.

— E você não precisa entrar aqui agindo como se eu não soubesse falar por mim mesma.

O maxilar dele travou.

— Eu sei que você sabe.

— Então age como se soubesse.

Edward sustentou meu olhar.

— Certo.

James pegou a garrafa de água.

— Acho que esse é meu sinal para sair.

Passou por Edward.

Parou ao lado dele.

— Boa noite, primo.

— Boa noite.

James olhou para mim.

— Bella.

— Boa noite.

Ele deu um beijo no meu rosto e saiu.

Edward travou o maxilar.

Fiquei sozinha com Edward.

Ouvi os passos de James desaparecerem pelo corredor.

Depois olhei para Edward.

— Você é inacreditável.

— Ele estava te deixando desconfortável.

— E você sabe disso como?

— Porque eu conheço você.

A resposta veio rápida demais.

Meu peito apertou.

— Conhece?

Edward ficou em silêncio.

— Porque ultimamente eu não tenho tanta certeza.

A expressão dele mudou.

Ali.

Por um segundo.

Culpa.

Eu vi.

— Bella...

— Não.

Peguei meu copo.

— Não quero fazer isso agora.

Passei por ele.

Edward segurou meu braço.

Sem força.

Apenas o suficiente para me fazer parar.

Olhei para a mão dele.

Ele soltou imediatamente.

— Desculpa.

Ergui os olhos.

Edward parecia querer dizer alguma coisa.

Talvez fosse finalmente dizer. Talvez eu finalmente perguntasse, mas meu peito já estava apertado demais.

— Boa noite, Edward.

Subi.

Dessa vez ele não veio atrás.

Demorei quase uma hora para dormir.

E quando finalmente consegui...

Nathan estava lá.

Não James.

Nathan.

Os cabelos escuros.

Os olhos quase pretos.

O corvo subindo pelo braço.

Ele estava atrás de mim.

Eu corria.

Mas o corredor nunca terminava.

Havia portas dos dois lados.

Em uma delas, Alice gritava meu nome.

Na outra, Edward.

Eu tentava chegar até eles.

Nathan ria.

— Você não consegue proteger os dois.

Corri mais rápido.

As portas ficaram mais distantes.

— Escolhe, Bella.

— Não!

— Escolhe.

A mão dele agarrou meu braço.

Eu gritei.

Acordei sufocada.

Sentei na cama de uma vez.

Não conseguia respirar.

O quarto estava escuro.

Minhas mãos tremiam.

Meu peito doía.

— Não...

Olhei ao redor.

Nada.

Ninguém.

Só o quarto.

Mas eu ainda sentia a mão dele.

Ainda ouvia a voz.

Ainda via Alice.

Edward.

Peguei o celular.

Não pensei.

Não tive orgulho.

Não pensei no término.

Não pensei na raiva.

Não pensei em nada.

Procurei o contato.

Edward.

Liguei.

Ele atendeu no primeiro toque.

— Bella?

Tentei falar.

Nenhuma palavra saiu.

— Bella?

Ouvi o colchão ranger do outro lado.

— Fala comigo.

Minha respiração saiu em soluço.

— Edward...

A voz que saiu da minha boca mal parecia minha.

— Estou indo.

A ligação terminou.

Olhei para a porta.

Poucos segundos depois, passos rápidos atravessaram o corredor.

A maçaneta se moveu.

E quando Edward entrou no meu quarto, eu já estava chorando.

Não consegui fingir.

Não consegui mandar que fosse embora.

Não consegui dizer que estava tudo bem.

Edward atravessou o quarto.

— Bella.

Foi tudo o que ele precisou dizer.

Levantei da cama e fui até ele.

Seus braços me envolveram no mesmo instante.

E eu desabei.

Completamente.

— Eu não consigo mais — chorei contra o peito dele.

Edward me apertou.

— Eu estou aqui.

— Eu não consigo.

— Eu sei.

— Ele voltou.

O corpo de Edward ficou imóvel.

Por apenas um segundo.

— Quem?

Fechei os olhos.

E finalmente disse o nome que vinha tentando enfrentar sozinha havia tempo demais.

— Nathan.

O nome pareceu mudar o ar do quarto.

Edward não falou. Não imediatamente.

Mas senti seu corpo endurecer ao meu redor.

Os braços que me envolviam continuaram firmes, enquanto a respiração dele mudou.

Mais lenta.

Controlada.

Perigosamente controlada.

Afastei o rosto de seu peito apenas o suficiente para olhá-lo.

— Ele voltou.

Os olhos de Edward encontraram os meus.

— Onde?

A pergunta veio baixa.

— Eu não sei.

— Ele esteve aqui?

Balancei a cabeça depressa.

— Não.

A tensão em seu rosto diminuiu apenas o suficiente para ele respirar.

— Você viu ele em algum lugar?

— Não.

— Então como...

— Mensagens.

Edward parou.

— Que mensagens?

Baixei os olhos.

Aquilo bastou.

— Bella.

Não respondi.

— Que mensagens?

— No celular.

— Desde quando?

A pergunta me atingiu como uma acusação, embora eu soubesse que não era.

— Há algum tempo.

— Quanto tempo?

Passei as mãos pelo rosto.

— Edward...

— Quanto tempo?

— Antes de eu pedir demissão. Bem antes. Um pouco depois do nosso término.

Ele ficou completamente imóvel.

Foi aí que vi. As peças começaram a se encaixar.

Meu trabalho.

Meu comportamento.

As noites sem dormir.

O isolamento.

Oklahoma.

Tudo.

Edward passou a mão pelos cabelos.

— Meu Deus.

— Eu achei que conseguiria resolver.

Ele me olhou como se eu tivesse dito a coisa mais absurda do mundo.

— Resolver?

— Bloqueando.

— Nathan?

— Eu sei.

— Você achou que bloquear o número de um homem que...

Parou.

Fechou os olhos.

Respirou.

Quando voltou a olhar para mim, a raiva tinha desaparecido da voz.

— Desculpa.

Sentei na cama.

Minhas pernas ainda tremiam.

Edward se agachou na minha frente.

— Me mostra.

Meu coração acelerou.

— O quê?

— As mensagens.

— Eu apaguei algumas.

— Me mostra as que ainda estão aí.

Hesitei.

— Bella.

Olhei para ele.

— Por favor.

Peguei o celular.

Meus dedos estavam frios.

Entreguei.

Edward não pegou imediatamente.

— Posso?

Assenti.

Só então ele tomou o aparelho. Desbloqueei para ele.

Edward abriu as mensagens. E começou a ler.

Observei seu rosto.

A primeira.

Nada.

A segunda.

O maxilar contraiu.

A terceira.

A mão que segurava o telefone ficou mais firme.

Ele continuou.

Bonita essa família que está cuidando de você.

Edward ergueu os olhos.

Não falei nada.

Ele voltou para a tela.

Principalmente quando uma delas consegue fazer você sorrir daquele jeito.

Seu rosto mudou.

— Isso é sobre mim?

Minha garganta apertou.

— Eu acho.

— Acha?

— Ele nunca falou seu nome.

Edward continuou.

Sua amiga continua cuidando bem de você?

— Alice.

Assenti.

Edward se levantou.

— Filho da puta.

— Edward...

Ele começou a andar pelo quarto.

— Filho da puta.

— Por isso eu não contei!

Ele parou.

— O quê?

Levantei também.

— Por isso.

Apontei para ele.

— Olha para você.

— O que você esperava que eu fizesse?

— Exatamente isso!

— Isso o quê?

— Ficasse louco!

Edward soltou uma risada sem humor.

— Bella, esse homem está ameaçando você.

— Ele está ameaçando vocês!

O silêncio caiu.

Minha voz quebrou.

— Era isso que eu estava tentando evitar.

Edward ficou parado.

— Eu não sabia se ele estava perto. Não sabia se estava observando. Não sabia se era verdade. E então ele começou a falar de vocês.

Engoli o choro.

— Primeiro da família. Depois de alguém que me fazia feliz. Depois da minha amiga.

Edward fechou os olhos por um instante.

— Eu sabia que era você e Alice.

— Bella...

— E se ele fizesse alguma coisa?

— Ele não vai.

— Você não sabe!

— Não vai.

— Para de falar como se pudesse controlar tudo!

— Eu vou proteger você.

— E quem protege você?

Ele parou.

Minha respiração falhou.

— Quem protege Alice?

As lágrimas voltaram.

— Quem protege Esme? Carlisle? Todo mundo?

Edward veio até mim.

— Bella...

— Foi por isso que eu pensei em Oklahoma.

Ele congelou.

— O quê?

— As passagens.

A compreensão veio devagar.

— Você não estava planejando ir embora porque...

— Porque o quê?

Ele desviou os olhos.

— Nada.

— Edward.

— Continua.

Respirei fundo.

— Nathan começou a falar de Oklahoma. Deu a entender que estava lá.

— E você pensou em ir até ele?

A incredulidade na voz dele me fez baixar os olhos.

— Eu não sabia.

— Bella.

— Eu não sabia!

Edward passou as duas mãos pelos cabelos.

— Meu Deus.

— Eu pensei que, se ele me queria...

— Não termina essa frase.

— Se ele me queria, talvez...

— Não.

— ...eu pudesse afastá-lo de vocês.

— Não! Ele te manipulou. Ele fez você sentir medo dele fazer mal a mim e a minha família. Ele esta ameaçando, apenas você.

A voz dele saiu alta.

Recuei.

Edward percebeu imediatamente.

A raiva desapareceu.

— Desculpa.

Ele abaixou a voz.

— Desculpa. Mas nunca mais pensa nisso.

— Eu não decidi ir.

— Você pesquisou passagem.

— Porque eu estava desesperada!

— Então fica desesperada comigo!

Parei.

Edward também pareceu perceber o que tinha dito.

Meu peito apertou.

Ele se aproximou devagar.

— Fica com raiva de mim. Grita comigo. Me manda embora. Me xinga. Faz qualquer coisa.

A voz dele baixou.

— Mas não decide enfrentar aquele homem sozinha.

Uma lágrima desceu pelo meu rosto.

Edward limpou com o polegar.

— Por favor.

Fechei os olhos.

— Eu estava com medo.

— Eu sei.

— Não.

Balancei a cabeça.

— Você não sabe.

Abri os olhos.

— Eu comecei a errar coisas no trabalho. Não conseguia me concentrar. Toda vez que o telefone tocava eu achava que era ele. Toda vez que alguém aparecia atrás de mim eu...

Minha voz falhou.

— Adrian percebeu.

Edward ficou em silêncio.

— Eu não conseguia mais fazer meu trabalho direito. Não conseguia dormir. Não conseguia pensar.

— Foi por isso que você pediu demissão.

Assenti.

— Eu só queria tirar alguma coisa da minha cabeça.

Ri, amarga.

— Como se ficar sem trabalhar fosse resolver.

Edward olhou para mim por alguns segundos.

— E você fez tudo isso sozinha.

Alguma coisa naquela frase me atingiu.

Talvez porque não fosse completamente verdade.

Eu tinha pessoas.

Muitas.

Mas a pessoa que eu mais queria procurar...

não estava comigo.

E, de repente, a mágoa que eu vinha tentando esconder se misturou ao medo.

Olhei para Edward.

Ele percebeu.

— O quê?

Balancei a cabeça.

— Nada.

— Bella.

— Não.

— Fala.

Ri sem humor.

— Agora você quer que eu fale?

A expressão dele mudou.

— O que isso significa?

— Significa que é muito fácil aparecer agora e dizer que eu deveria ter contado tudo.

— Eu não estou te culpando.

— Parece.

— Não estou.

— Mas você não estava aqui!

Edward ficou imóvel.

As palavras saíram antes que eu pudesse impedir.

— Você foi embora.

Silêncio.

— Bella...

— Não.

Dessa vez fui eu quem levantou a mão.

— Você quer saber por que eu não te contei?

Meu peito subia e descia rápido.

—Primeiro foi o medo de Nathan te machucar e depois porque você terminou comigo.

Ele baixou os olhos.

— Do nada.

Minha voz começou a quebrar.

— Um dia nós estávamos juntos. Eu achei que...

Parei. Doeu demais.

— Eu achei que estava tudo bem.

Edward não se mexeu.

— E de repente você decidiu que não queria mais.

— Não foi isso.

— Então o que foi?

Ele levantou os olhos.

Finalmente.

— Porque até hoje eu não entendo.

As lágrimas escorreram.

— Eu fiquei pensando se tinha feito alguma coisa. Se tinha falado alguma coisa. Se você percebeu que era complicado demais ficar comigo por causa do meu passado.

— Nunca.

— Então por quê?

Edward abriu a boca.

Fechou.

— Por quê, Edward?

Ele desviou o olhar. E foi aí que minha angústia virou raiva.

— Não faz isso.

— Bella...

— Não faz isso comigo de novo.

— Eu ouvi uma coisa.

Parei.

— O quê?

Edward respirou fundo.

— Uma conversa.

Meu coração desacelerou.

— Que conversa?

Ele demorou.

— Sua.

— Minha com quem?

— Eu não ouvi tudo.

— Edward.

— Foi justamente esse o problema.

Franzi a testa.

— Eu passei e ouvi você e Alice conversando. Não parei para escutar de propósito.

Ele passou a mão pelo rosto.

— Mas ouvi você dizendo que não estava pronta. Que tinha medo e que achava que se precipitou.

Fiquei olhando para ele e tentando entender.

Não demorou muito. Quando entendi, minha boca se abriu.

— Não.

Edward franziu a testa.

— O quê?

— Não.

Levei a mão à testa.

Era impossível.

— Meu Deus.

— Bella?

Comecei a rir.

Não porque tivesse graça.

Era uma risada nervosa, incrédula.

Quase desesperada.

— Você terminou comigo por isso?

Edward ficou pálido.

— O que...

— Pela conversa sobre eu não estar pronta?

— Eu achei...

— Você achou que eu estava falando de nós?

O silêncio dele respondeu.

Fechei os olhos.

— Meu Deus, Edward.

— Bella...

— Eu estava falando de emprego!

Ele parou completamente.

— O quê?

— Emprego.

— Não.

— Sim!

Levantei.

Eu já nem sabia se queria chorar ou bater nele.

— Carlisle conversou comigo.

Edward apenas me encarava.

— Um dia nós estávamos conversando e ele comentou sobre uma vaga na sua empresa. Um cargo de chefia na área de economia.

O rosto de Edward começou a perder a cor.

— Um processo seletivo difícil. Muito concorrido. Ele disse que eu deveria pelo menos me dar a oportunidade de tentar.

— Bella...

— E eu estava com medo!

As lágrimas voltaram.

— Não do nosso relacionamento.

Apontei para ele.

— De você!

— De mim?

— Do que você pensaria!

Ele parecia não conseguir respirar.

— Você já tinha me oferecido uma oportunidade de trabalhar lá antes e eu não quis.

— Eu lembro.

— Então depois nós começamos a namorar. E de repente eu ia aparecer dizendo que queria me candidatar a uma vaga na sua empresa?

Passei as mãos pelo rosto.

— Eu estava com medo de você pensar exatamente isso. Que eu só tinha mudado de ideia porque agora namorava o dono.

Edward deu um passo para trás.

— Não.

— Era disso que eu estava falando.

— Não.

A voz dele saiu quase inaudível.

— Eu ia falar com você. Eu só...

Balancei a cabeça.

— Eu precisava criar coragem.

Edward ficou me olhando. E vi exatamente o momento em que ele entendeu.

Tudo.

O tamanho do erro.

O que tinha feito.

A razão.

Ou a ausência dela.

Ele sentou na beirada da cama.

Passou as duas mãos pelo rosto.

— Meu Deus.

Eu não disse nada.

— Meu Deus, Bella.

A voz saiu abafada.

— Eu sou um idiota.

Cruzei os braços sobre o corpo.

— Isso eu já sabia.

Ele não riu.

Nem eu.

Edward levantou os olhos.

Estavam diferentes.

Cheios de culpa.

— Eu ouvi um pedaço.

Assenti lentamente.

— E decidiu o resto sozinho.

Ele fechou os olhos.

— Sim.

— Você nem perguntou.

— Eu sei.

— Não me deu chance de explicar.

— Eu sei.

— Você decidiu por mim.

A frase pareceu atingi-lo fisicamente.

Edward se levantou.

— Eu sei.

— Para de falar que sabe!

Minha voz explodiu.

— Porque você não sabia!

Ele parou.

— Se soubesse, não teria feito aquilo comigo.

— Você tem razão.

— Eu fiquei dias tentando entender!

As lágrimas vieram mais fortes.

— Eu achei que você tinha percebido que não queria alguém como eu.

— Nunca.

— Alguém cheia de problema.

— Nunca, Bella.

— Que talvez fosse fácil enquanto você estava tentando me conquistar e depois...

— Não.

Ele veio na minha direção.

— Não termina.

— É o que eu pensei!

— Então eu fiz você pensar errado.

A voz dele quebrou.

Edward parou na minha frente.

— Eu fiz você pensar isso.

Pela primeira vez naquela noite, parecia que ele não sabia o que fazer.

Edward, que sempre tinha resposta.

Que sempre parecia ter controle.

Não tinha.

— Eu achei que estava fazendo a coisa certa.

Soltei uma risada molhada.

— Terminando comigo?

— Eu achei que estava te pressionando.

Franzi a testa.

— Eu ouvi você dizendo que não estava pronta. Que estava com medo de aceitar por minha causa. E pensei...

Ele fechou os olhos.

— Pensei que eu tivesse acelerado tudo.

Minha raiva diminuiu apenas o suficiente para eu ouvir.

— Que você estava tentando acompanhar algo porque gostava de mim, mas não porque estava pronta.

— E por que não perguntou?

— Porque eu fui covarde.

A resposta me calou. Edward não tentou justificar.

— Eu tive medo de perguntar e ouvir você dizer que sim.

Respirou fundo.

— Então fiz aquilo que achei que seria menos doloroso para você.

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto.

— Foi muito doloroso.

Ele assentiu.

— Eu sei.

Dessa vez, não me irritei.

Porque ele parecia destruído.

— Eu errei.

Edward se aproximou mais.

— Não existe justificativa.

Outro passo.

— Eu deveria ter perguntado.

Mais um.

— Deveria ter confiado em você.

Sua voz falhou.

— Deveria ter confiado no que nós tínhamos.

Quando percebi, ele estava ajoelhado diante de mim.

Literalmente.

— Edward...

— Não.

Ele segurou minhas mãos.

— Deixa eu falar.

Olhei para ele.

— Eu fui um idiota.

Apertei os lábios.

— Um idiota arrogante que achou que podia decidir sozinho o que era melhor para você.

As lágrimas nos meus olhos embaçaram sua imagem.

— E eu machuquei você tentando evitar machucar você.

Uma risada pequena escapou de mim no meio do choro.

— Isso não faz sentido nenhum.

— Eu sei.

Pela primeira vez, ele quase sorriu.

Durou pouco.

— Me perdoa.

Meu peito apertou.

— Edward...

— Não precisa ser agora.

Ele apertou minhas mãos.

— Nem amanhã.

Seus olhos estavam presos aos meus.

— E eu não estou pedindo para você esquecer.

Respirei fundo.

— Só preciso que você saiba que eu sinto muito.

A voz dele ficou ainda mais baixa.

— Muito.

Uma lágrima caiu de novo de mim.

— Se eu pudesse voltar naquele dia...

Balancei a cabeça.

— Não pode.

— Eu sei.

— E você me machucou.

— Eu sei.

— Muito.

— Eu sei.

Puxei uma das mãos e limpei o rosto.

Edward continuou ajoelhado.

— Levanta.

— Não.

Quase ri.

— Edward.

— Ainda estou pedindo perdão.

— Você está ridículo.

— Posso ficar mais.

— Levanta.

— Você vai me perdoar?

— Não abusa.

Ele finalmente soltou uma pequena risada.

Eu também.

Foi estranho.

Chorar e rir ao mesmo tempo.

Mas talvez nós sempre tivéssemos sido um pouco assim.

Edward levantou.

Ficamos frente a frente.

Perto demais.

Meu coração acelerou.

Por um momento, pensei que ele fosse me beijar.

E parte de mim queria desesperadamente que fizesse.

Mas ele não fez.

Apenas tocou meu rosto.

— Eu não terminei porque deixei de amar de você.

Fechei os olhos.

Era a frase que eu precisava ouvir havia tanto tempo.

— Eu sei — sussurrei.

— Não, Bella.

Abri os olhos.

— Você não sabe.

O polegar dele deslizou pela minha bochecha.

— Eu terminei justamente porque amo você demais e achei que estava te prendendo a alguma coisa que você não queria.

Minha garganta apertou.

— Idiota.

— Muito.

— Arrogante.

— Bastante.

— Dramático.

— Você está começando a aproveitar.

— Um pouco.

Ele sorriu.

Dessa vez, sorri também.

Então o silêncio voltou.

Mas era diferente.

Não havia mais aquela coisa enorme e invisível entre nós.

Ainda existia mágoa. Ainda existiam coisas para resolver, mas finalmente havia verdade.

E talvez aquilo fosse suficiente por enquanto.

Meu corpo começou a sentir o cansaço de tudo.

Do pesadelo.

Do choro.

Das mensagens.

Da conversa.

Edward percebeu.

— Deita.

— Não estou com sono.

— Está quase dormindo em pé.

— Não estou.

Bocejei.

Ele arqueou uma sobrancelha.

— Impressionante.

— Cala a boca.

Deitei.

Edward puxou o cobertor.

Quando ele se virou, meu coração apertou.

— Edward.

Ele parou.

— Oi?

Hesitei.

O medo voltou.

Não tão violento.

Mas presente.

Olhei para a porta.

Depois para ele.

— Fica.

A expressão dele mudou.

— Aqui?

Assenti.

— Só hoje.

— Bella...

— Por favor.

Ele não hesitou novamente.

— Claro.

Edward apagou a luz e se sentou na poltrona.

Franzi a testa.

— O que está fazendo?

— Ficando.

— Aí?

— Você pediu para eu ficar, não especificou onde.

— Você é insuportável.

— Você já falou isso hoje.

Olhei para o espaço ao meu lado.

Edward acompanhou meu olhar.

Seu rosto ficou sério.

— Tem certeza?

Assenti.

Ele se aproximou.

Deitou por cima do cobertor, mantendo distância.

Eu fiquei olhando para o teto.

Alguns segundos.

Um minuto.

Talvez dois.

Então me virei.

Edward estava de costas.

Aproximei-me.

Encostei a testa entre suas omoplatas.

Ele ficou imóvel.

— Bella?

— Não fala.

— Certo.

Segurei a camiseta dele.

Só um pouco.

Edward virou devagar.

Não disse nada.

Abriu o braço.

Foi suficiente.

Aproximei-me.

Deitei a cabeça em seu peito.

Ouvi seu coração.

Forte.

Constante.

Seguro.

Edward passou a mão pelos meus cabelos.

— Ele não vai fazer nada com você.

Fechei os olhos.

— Você não pode prometer.

— Posso prometer que você não vai enfrentar isso sozinha.

Aquilo era diferente.

Aquilo eu conseguia acreditar.

— E Alice?

— Nós vamos cuidar dela.

— E você?

Edward beijou minha testa.

— Também sei me cuidar.

— Convencido.

— Realista.

Fiquei em silêncio.

— Nós vamos levar essas mensagens para a polícia — ele continuou. — Vamos guardar tudo. Números, horários, conteúdo. Tudo.

Assenti contra seu peito.

— E vamos descobrir de onde estão vindo.

— E se ele estiver aqui?

O braço dele apertou ao meu redor.

— Então vamos descobrir.

— Edward...

— Bella, olha para mim.

Levantei o rosto.

— Nathan não controla mais sua vida.

Meus olhos arderam.

— Parece que controla.

— Então vamos tirar isso dele.

Uma lágrima escapou.

Edward limpou.

— Ele não vai fazer isso com você de novo.

— Você não sabe.

— Não.

Ele respirou fundo.

— Mas eu sei que agora você não está sozinha. E sei que vamos fazer tudo do jeito certo para ele ser encontrado e responsabilizado pelo que está fazendo.

Fiquei olhando para ele.

— Em breve isso acaba.

— Queria acreditar.

— Então acredita em mim até conseguir acreditar sozinha.

Meu peito apertou.

Enterrei o rosto nele outra vez.

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Edward continuou fazendo carinho nos meus cabelos.

Devagar.

Sem pressa.

Até minha respiração começar a desacelerar.

Antes de dormir, pensei em James.

Naquela voz.

Na sensação estranha.

Depois pensei nos cabelos loiros.

Nos olhos verdes.

Nos braços sem tatuagem.

Não.

Minha cabeça estava misturando tudo porque Nathan tinha voltado a me aterrorizar.

James não era Nathan.

James era apenas James.

E Edward estava ali.

Dessa vez, quando o sono veio, eu não lutei contra ele.

Acordei com luz entrando pelas cortinas.

Por alguns segundos, não entendi por que estava tão quente.

Então percebi.

Edward.

Meu rosto estava praticamente enterrado em seu peito.

Uma perna minha estava sobre a dele.

O braço dele envolvia minha cintura.

E minha mão estava por baixo da camiseta dele.

Congelei.

Meu Deus.

Tentei tirar a mão.

— Nem pensa.

A voz rouca me fez parar.

Levantei o rosto.

Edward estava de olhos fechados.

— Você está acordado?

— Agora estou.

— Solta.

O braço apertou minha cintura.

— Não.

— Edward.

Ele abriu um olho.

— Bom dia.

— Minha mão está...

Olhei.

— Meu Deus.

Ele sorriu.

— Eu percebi.

Arranquei a mão debaixo da camiseta.

— Você podia ter tirado!

— E perder a oportunidade de usar isso contra você pelo resto da vida?

— Idiota.

Tentei sair.

Edward me puxou de volta.

Uma risada escapou de mim.

— Me solta!

— Você invadiu meu espaço durante a noite.

— Eu estava dormindo!

— Alegação conveniente.

— Edward!

Pela primeira vez em semanas, eu estava rindo.

Rindo de verdade.

Sem pensar no telefone.

Sem pensar em Oklahoma.

Sem pensar em Nathan.

Só nele.

Edward parou.

Ficou me olhando.

Meu sorriso diminuiu.

— O quê?

— Nada.

— Está encarando.

— Agora estou.

Lembrei da conversa na cozinha.

Meu rosto esquentou.

— Convencido.

Edward sorriu.

Então seu olhar caiu para minha boca.

Meu coração acelerou.

Ele não se aproximou.

Não me beijou.

E, estranhamente, gostei disso.

Porque significava que ele estava deixando a escolha comigo.

Ainda não, mas talvez...

em breve.

Edward trocou meu chip naquele mesmo dia.

Na verdade, “trocou” era uma maneira educada de dizer que ele apareceu com um novo antes mesmo que eu terminasse o café. Ele me deu um celular novo com chip novo. E só para constar, um celular de última geração. Ele ficou com o outro e disse que entregaria a policia.

— Você é maluco.

— Prevenido.

— Eu podia ter comprado.

— Podia.

— Então por que comprou?

— Porque eu quis.

— Você continua achando que pode resolver tudo.

— Não tudo.

Ele pegou meu celular.

— Isso eu posso.

Também ajustou o aparelho para filtrar contatos desconhecidos e me fez prometer que, se qualquer tentativa de contato chegasse por outro meio, eu contaria imediatamente.

As mensagens pararam.

Pela primeira vez em semanas, meu telefone ficou silencioso.

E o silêncio...

finalmente parecia silêncio.

Não uma ameaça.

Os dias seguintes foram estranhos.

Bons.

Perigosamente bons.

Edward continuou aparecendo.

Só que agora eu não fingia que aquilo me irritava tanto.

Ou talvez fingisse.

— Você está aqui de novo.

— Minha mãe me convidou.

— Sua mãe convida você todos os dias?

— Sou o filho favorito.

Alice, do outro lado da sala, levantou a cabeça.

— Desculpa?

Edward nem piscou.

— Você ouviu.

— Esme!

Eu ri.

Edward olhou para mim.E aquele olhar voltou.

Só que agora eu não desviava tão rápido.

Às vezes provocava.

Às vezes ele provocava.

Às vezes ficávamos perto demais.

E nenhum dos dois parecia disposto a falar sobre o que aquilo significava.

James continuava na mansão.

Continuava simpático.

Conversava comigo.

Fazia piadas.

Perguntou algumas vezes se eu estava melhor, mas não insistiu quando eu respondia pouco.

E, estranhamente, depois daquela noite, eu estava.

Talvez porque Nathan tivesse perdido uma porta de entrada.

Talvez porque Edward estivesse perto.

Talvez pelos dois.

Até que, numa noite, eu estava novamente na cozinha.

Suco.

Sempre o maldito suco de maracujá que eu amo e Esme sempre manda deixar pronto. Isso quando não é ela mesma quem faz.

Edward entrou.

Olhou para o copo.

Depois para mim.

— Você tem algum tipo de relacionamento emocional com esse suco?

— Tenho.

— Estou começando a sentir ciúmes.

— Finalmente encontrou um concorrente à sua altura.

Ele se aproximou.

— Duvido.

— Convencido.

— Você gosta.

— Não gosto.

— Gosta.

— Não.

Edward parou diante de mim.

— Prova.

Meu coração acelerou.

— Provar o quê?

— Que não gosta.

— Como?

Ele deu mais um passo.

— Descobre.

Engoli em seco.

— Você é ridículo.

— E você está fugindo.

— Não estou.

— Está.

— Edward...

— Bella.

A maneira como disse meu nome.

Baixa. Quase um desafio.

Eu deveria ter saído.

Deveria ter lembrado que ainda havia coisas para resolver.

Que um pedido de desculpas não apagava tudo.

Que nós ainda nem tínhamos decidido o que éramos.

Em vez disso, coloquei o copo na bancada.

Edward sorriu.

— O quê? — perguntei.

— Nada.

— Para de sorrir.

— Me faz parar.

Foi culpa dele.

Definitivamente.

Segurei sua camiseta.

Puxei.

E beijei.

Não houve delicadeza.

Não houve hesitação.

Edward reagiu no mesmo segundo.

Uma mão foi para minha cintura.

A outra para minha nuca.

E todo o resto desapareceu.

Dias de raiva.

Saudade.

Mágoa.

Provocações.

Tudo explodiu naquele beijo.

Edward me ergueu.

Soltei um pequeno grito contra sua boca.

— Edward!

Ele me colocou sentada sobre a mesa.

— O quê?

— A mesa?

— Você reclamou?

— Ainda estou decidindo.

Ele me beijou outra vez.

Minhas mãos foram para seus cabelos.

Edward se colocou entre minhas pernas.

— Isso é uma péssima ideia — murmurei contra sua boca.

— Horrível.

Beijo.

— Nós nem conversamos sobre...

Outro beijo.

— Depois.

— Edward...

— Bella.

Ri contra a boca dele.

— Idiota.

— Teimosa.

Voltei a beijá-lo.

E talvez tivéssemos esquecido completamente que existiam outras pessoas naquela casa se uma voz não tivesse surgido atrás de nós.

— Bom...

Edward parou.

Eu também.

Abri os olhos.

James estava na entrada da cozinha.

Por uma fração de segundo, alguma coisa atravessou seu rosto.

Não consegui identificar.

Desapareceu rápido demais.

Então ele sorriu.

— Acho que interrompi alguma coisa.

Meu rosto pegou fogo.

Tentei descer da mesa.

Edward não saiu do lugar imediatamente.

— Edward.

— O quê?

— Sai.

Ele finalmente recuou.

Desci.

James cruzou os braços.

— Então era isso.

— Isso o quê? — Edward perguntou.

— A resposta para minha pergunta daquela noite.

Edward fechou a expressão.

— Continua não sendo da sua conta.

James riu.

— Você continua agradável.

— E você continua aparecendo em horas inconvenientes.

— Eu vim beber água.

Olhei para meu copo de suco.

James percebeu.

— Não tenho obsessão por suco como a Bella.

Ri antes que pudesse impedir.

Edward me lançou um olhar.

— Não incentiva.

James abriu a geladeira.

— Aliás, Edward...

— Hum?

— Você não tem mais casa?

Eu tapei a boca para não rir.

Edward olhou lentamente para ele.

— Tenho.

— Só conferindo.

— Mas esta casa é dos meus pais.

— Verdade.

James pegou uma garrafa.

Edward cruzou os braços.

— Eu poderia devolver a pergunta.

James sorriu.

— Poderia.

— Então?

— Vou embora amanhã.

Aquilo chamou minha atenção.

— Já?

James olhou para mim.

— Infelizmente.

— Esme vai surtar.

— Por isso pretendo contar só no café da manhã, quando tiver testemunhas.

Sorri.

— Covarde.

— Advogado. Sabemos escolher nossas batalhas.

Edward bufou.

James tomou um gole de água.

Então sua expressão ficou um pouco mais séria.

— Mas antes de ir...

Olhou para mim.

— Minha oferta continua.

Edward ficou atento.

— Que oferta? — perguntou.

James desviou os olhos para ele.

— Ajudar Bella.

O corpo de Edward ficou tenso ao meu lado.

— Com o quê?

— Com o problema que ela está enfrentando.

— James...

— Eu não sei os detalhes.

Ele olhou para mim.

— E não perguntei.

Depois voltou para Edward.

— Mas sou advogado. Se existe alguém ameaçando ou perseguindo ela, posso ajudar com as medidas legais. Pelo menos orientar.

Edward ficou alguns segundos em silêncio.

— Depois conversamos melhor sobre isso.

James arqueou uma sobrancelha.

— Nós?

— Nós.

— Achei que a decisão fosse dela.

Olhei imediatamente para Edward.

Ele percebeu.

— É.

Corrigiu sem discutir.

— A decisão é dela.

James assentiu.

— Ótimo.

Olhou para mim.

— Então, se você quiser, Bella.

— Obrigada.

— Sem pressão.

Pegou a água.

— Agora vou fingir que não vi nada aqui.

Meu rosto esquentou novamente.

— James.

Ele riu.

Passou por nós.

Quando chegou à porta, olhou para Edward.

— Tenta lembrar que existem quartos nessa casa.

— Vai embora.

James riu.

— Boa noite, primo.

Depois olhou para mim.

Seu sorriso mudou.

Mais gentil.

— Boa noite, Bella.

— Boa noite.

Ele saiu.

Os passos desapareceram pelo corredor.

Fiquei alguns segundos em silêncio.

Então olhei para Edward.

Ele estava encarando a porta.

— O quê?

— Nada.

— Edward.

— Nada.

Aproximei-me.

— Você está com ciúmes.

Ele olhou para mim.

— Não estou.

— Está.

— Bella.

— Está muito.

— Ele flerta com você.

Meu sorriso aumentou.

— Então está.

— Eu só constatei um fato.

— Igual quando estava “olhando”, não encarando?

Edward estreitou os olhos.

— Você está ficando abusada.

— Culpa sua.

— Minha?

— Você voltou a me provocar.

Ele se aproximou.

— E você voltou a gostar.

Meu coração acelerou.

— Talvez.

— Talvez?

Dei um passo para trás.

— Boa noite, Edward.

Ele segurou minha cintura.

— Aonde você pensa que vai?

— Dormir.

— Depois de começar aquilo?

Apontei para a porta.

— Seu primo acabou com o clima.

— Eu recupero.

Ri.

— Convencido.

Edward inclinou o rosto.

— Bella.

— Hum?

— Só para deixar uma coisa clara.

— O quê?

Seus olhos encontraram os meus.

— Eu ainda vou reconquistar você.

Meu sorriso desapareceu.

O coração bateu forte.

— Quem disse que eu quero?

Edward olhou para minha boca.

Depois para meus olhos.

Um sorriso lento apareceu.

— Você.

— Eu não falei nada.

— Não precisava.

Empurrei seu peito.

— Boa noite, Edward.

Saí da cozinha antes que ele percebesse o tamanho do meu sorriso.

Subi as escadas.

E, pela primeira vez em muito tempo, quando entrei no quarto, não olhei imediatamente para o celular.

Não pensei em Nathan.

Não pensei em Oklahoma.

Pensei em Edward.

No beijo.

No pedido de perdão.

Na maneira como ele tinha ficado comigo.

E na promessa arrogante de que me reconquistaria.

Sorri sozinha.

Talvez ele estivesse certo.

Talvez não.

Mas, naquela noite, uma coisa eu sabia.

Eu não queria mais fugir.