Meu Lugar Seguro

16 Capítulo 16


Notas iniciais
Olá, espero que gostem. Boa leitura.

POV EDWARD

Eu estava com saudade dela.

Era ridículo admitir aquilo, principalmente porque eu tinha visto Bella na noite anterior, mas estava.

Saudade do jeito como ela falava demais quando ficava nervosa. Do jeito como revirava os olhos quando eu a provocava. Daquela mania de fingir que não estava sorrindo quando, na verdade, o sorriso já tinha entregado tudo.

Eu estava com saudade até do que não acontecia. De encontrá-la no corredor da mansão dos meus pais. De ouvi-la discutir comigo. De simplesmente saber que ela estava em algum lugar próximo.

O problema era que eu começava a perceber uma coisa que não sabia se deveria me preocupar ou aceitar.

Eu estava obcecado.

Durante anos, meu trabalho tinha sido a minha obsessão.

A empresa ocupava praticamente todos os espaços da minha vida. Eu acordava pensando em contratos, dormia pensando em estratégias e passava fins de semana analisando números.

Era assim que eu gostava, seguro, previsível e controlável.

Até ela aparecer.

Agora, eu podia estar no meio de uma reunião importante e me perguntar se ela tinha almoçado. Podia estar lendo um contrato e lembrar do sorriso dela. Podia estar dirigindo e pensar se ela estaria cansada depois do trabalho.

Era irritante.

E, ao mesmo tempo, eu não queria que parasse.

Depois do que tinha acontecido alguns dias antes, eu estava ainda mais cuidadoso.

Não porque achasse ela frágil, muito pelo contrário, eu sabia que ela era forte.

Mas agora entendia que força não significava nunca sentir medo.

E eu queria que ela soubesse que comigo não precisava esconder nenhum deles.

Naquela manhã, encontrei meus pais na cozinha da mansão.

Bella já tinha saído para trabalhar.

Aquilo, por algum motivo, deixou meu humor pior.

— Bom dia, filho — Esme disse. — O que faz aqui cedo?

— Bom dia. Resolvi passar aqui apenas.

Carlisle levantou os olhos do café.

— Está tudo bem?

— Sim.

Meu pai sorriu.

— Essa resposta geralmente significa que não.

Ignorei.

— Vocês estão fazendo alguma coisa hoje?

Esme trocou um olhar com Carlisle.

— Na verdade, sim. Vamos para a fazenda.

— Hoje?

— Hoje — Carlisle confirmou. — Devemos ficar uns cinco dias.

— Cinco?

— Precisamos resolver algumas coisas por lá. E aproveitar um pouco.

Assenti.

Então pensei em Bella.

— E a Bella?

— Nós a convidamos — Esme respondeu. — Mas ela disse que precisa trabalhar. Tínhamos esquecido disso.

Um sorriso surgiu involuntariamente no meu rosto.

Cinco dias.

Bella trabalhando durante o dia.

Meus pais fora.

Eu tinha acabado de encontrar uma excelente desculpa para passar mais tempo na mansão. Ou talvez ela na minha.

— Apareça aqui as vezes, é bom a Bella saber que tem alguém aqui — Esme disse sorrindo. — Apesar de você estar sempre por aqui. ­

— Eu acho uma boa ideia, meu filho. — Carlisle disse cumplice da minha mãe.

— Vocês são tão inconvenientes.

Carlisle começou a rir.

— Você tem vindo mais aqui por causa da Bella.

— Não.

Esme sorriu.

— Edward.

— Eu só quero saber como estão todos vocês.

— Claro.

Peguei minha xícara.

— Vocês realmente são muito inconvenientes.


Bella chegou no fim da tarde. Eu cheguei mais cedo da empresa e voltei direto para a mansão.

Eu estava sentado na sala quando ouvi a porta abrir.

Meu corpo reagiu antes mesmo de eu vê-la.

Ela entrou carregando a bolsa no ombro e soltou um suspiro cansado.

Quando me viu, parou.

— Você?

— Eu.

— O que está fazendo aqui?

— Meus pais viajaram.

— Eu sei.

— Então...

Ela me encarou.

— Você vai ficar aqui?

— Vou.

Um sorriso apareceu no rosto dela.

Pequeno, mas apareceu.

— Por cinco dias?

— Talvez.

— Você está planejando alguma coisa?

— Nada.

Ela estreitou os olhos.

— Quando você diz "nada", geralmente está planejando alguma coisa.

— Talvez eu fique aqui ou você vem comigo para a minha casa.

Ela ficou em silêncio.

Meu coração acelerou.

— Ah.

— "Ah"?

Ela desviou os olhos.

— Eu não quero incomodar. Inclusive não precisa ficar aqui se não quiser, só para eu não me senti sozinha, apesar de eu adorar sua companhia.

Aquela frase foi suficiente para destruir qualquer tentativa minha de fingir indiferença.


Naquela noite, ficamos conversando até tarde.

Sem pressa.

Sem precisar inventar assunto.

Ela me contou sobre o trabalho. Eu perguntei sobre o dia dela. Ela reclamou de algumas tarefas, riu de uma situação com uma colega e depois ficou alguns segundos em silêncio.

Eu observei.

— O quê?

— Nada.

— Você está me olhando.

— Estou.

— Por quê?

— Porque gosto.

Ela sorriu.

Aproximei-me.

— Bella...

— Hum?

— Se eu te beijar, você vai reclamar?

— Depende.

— De quê?

— Da qualidade do beijo.

Ri.

— Você é impossível.

— E você continua aqui.

— Porque gosto de você.

Dessa vez, fui eu quem ficou sem resposta. Ela se aproximou primeiro.

Nossos lábios se encontraram.

O beijo começou devagar, mas não permaneceu assim por muito tempo.

Minhas mãos encontraram sua cintura.

Ela passou os braços pelo meu pescoço.

E, por alguns minutos, nada mais importou.

Quando nos afastamos, mantive a testa encostada na dela.

— Eu senti sua falta hoje.

— Mas eu estava trabalhando.

— Eu sei.

— Você é carente.

— De você estou ficando.

Ela riu.

E eu pensei que poderia me acostumar facilmente àquilo. Eu estava obcecado naquela mulher, nos nossos momentos juntos, nas nossas trocas.

A verdade era simples.

Eu estava apaixonado.

E provavelmente estava fodido como meu irmão e cunhado disseram.


Nos dias seguintes, Bella e eu acabamos passando muito mais tempo juntos.

Eu a buscava depois do trabalho.

Às vezes jantávamos na mansão. Outras vezes íamos para minha casa.

E foi assim que, naquela quinta-feira, depois de um jantar tranquilo, acabamos novamente sozinhos.

Bella estava sentada no sofá da minha sala.

Eu me sentei ao lado dela.

— Você sabe que isso está ficando perigoso, não sabe?

— O quê?

— Você ficar aqui.

Ela sorriu.

— Por quê?

— Porque eu gosto demais.

Ela me olhou por alguns segundos.

— Eu também.

A beijei forte, depois, a ergui para que suas pernas pudessem se envolver em minha cintura. Quando deslizei a mão sob seus shortinhos de dormir sexy e segurei sua bunda, ela gemeu na minha boca, e tive o desejo de colocá-la no chão para poder fodê-la com o dedo.

Mas isso significaria afastar meu pau já totalmente duro do calor de suas pernas abertas, e não havia jeito de isso acontecer.

Então, a joguei no sofá sem tropeçar e sem cerimônia e a cobri com meu corpo.

— Senti pra caralho sua falta. Queria te comer mais vezes depois daquele dia. — Minha voz estava rouca.

Os olhos de Bella estavam redondos e felizes.

— Eu também estava com muita saudade de você dentro de mim, Edward.

Comecei a chupar seu pescoço quando minhas mãos se abaixaram para tirar seus shorts e calcinha ao mesmo tempo.

— Sentiu minha falta então?

Suas unhas cravaram nas minhas costas conforme a mordiscava do pescoço à orelha.

— Sim. — Ela respirou. — Senti. Muita.

Mordi seu lóbulo da orelha ao enfiar e tirar dois dedos em sua boceta.

— Quanto? Está molhada para mim? — Eu já sabia a resposta, claro, mas esperei que ela me dissesse.

— Estou.

Massageei seu clitóris com meu polegar.

— Está o quê?

— Estou molhada para você.

— Me diga que sua boceta está molhada para mim. Quero ouvir você dizer.

Eu já estava desafivelando as calças. De algum jeito, consegui nos despir com uma mão enquanto chupava o pescoço, a orelha e os lábios dela e a outra mão massageava sua boceta molhada.

— Minha… boceta está molhada para você.

Porra, não havia nada mais sexy do que escutar Bella dizer que estava com tesão por mim.

— Eu estava com muita saudade — disse a ela de novo, porque, apesar de já ter dito, era simplesmente a maldita verdade.

E eu precisava estar dentro dela. Eu ficaria devendo uma preliminar muito grande desta vez, apesar de que, pela forma como ela arfava e por sua boceta quente, ela não parecia se importar.

Coloquei para dentro devagar, meu corpo tremendo para manter o controle.

Quando entrei totalmente, sua boceta apertada envolveu meu pau, e suas pernas em minha cintura me apertaram ainda mais.

Caralho, não me lembro da última vez que foi tão bom. Comecei a me mexer, basicamente porque precisava sentir aquele torno apertado me sugando conforme eu entrava e saía, e percebi que eu não ia durar muito.

Estava simplesmente incrível demais.

Bella abriu os olhos quando tirei, e nossos olhares se encontraram.

Pegando as mãos dela, entrelacei nossos dedos e os ergui acima da sua cabeça.

Eu queria beijá-la, mas não conseguia parar de olhar para ela. A forma como ela arfava quando eu tirava e dava uma gemida quando voltava para dentro era maravilhosa de se ver.

Seus quadris se juntaram, movendo com o meu.

Para cima e para baixo, para dentro e para fora.

— Oh, Deus, Edward. Bem aí. Não pare.

Milagrosamente, consegui me conter até ela gozar.

Observei seu rosto se transformar: sua cabeça se inclinou para o lado, seus olhos se reviraram e fecharam, seus lábios se abriram, e foi a coisa mais linda que eu já tinha visto.

Quando ela começou a se acalmar, aumentei a velocidade, com estocadas mais fortes e mais rápidas, perseguindo seu orgasmo conforme o meu chegava.

O beijo veio naturalmente após gozarmos. Sem pressa. Sem medo.

E naquela noite, entre beijos, carinho e palavras sussurradas, deixamos que a proximidade entre nós ultrapassasse aquilo que tínhamos feito até então.

Foi uma noite nossa.

Sem passado.

Sem medo.

Sem qualquer coisa que pudesse alcançar Bella naquele momento.

Apenas nós dois.

Quando acordei na manhã seguinte, ela estava adormecida ao meu lado.

Fiquei alguns minutos apenas olhando para ela.

E então pensei novamente na palavra que vinha tentando evitar.

Obsessão.

Meu trabalho tinha sido minha obsessão durante anos.

Agora era Bella.

E, pela primeira vez na minha vida, eu não queria me livrar dela.


Na segunda-feira, eu estava na empresa quando Emmett entrou na minha sala.

Jasper vinha logo atrás.

— Temos um problema — Emmett anunciou.

— Bom dia para você também.

Jasper colocou uma pasta sobre minha mesa.

— A empresa recebeu uma notificação referente à ação movida por um antigo fornecedor.

Abri a pasta.

— O que aconteceu?

— Eles alegam quebra de cláusula contratual — Jasper explicou. — O problema é que o prazo para apresentação da nossa defesa termina amanhã.

Olhei para Emmett.

— E o advogado responsável?

— James deveria ter acompanhado isso.

Fechei a pasta.

— Ligue para ele.

Emmett pegou o celular.

— Vou fazer uma chamada de vídeo.

Poucos segundos depois, a imagem de James apareceu na tela.

Ele estava em um escritório desconhecido, com uma expressão cansada.

— O que aconteceu?

— O que aconteceu é que temos uma ação judicial batendo na porta — respondi.

James franziu a testa.

— Que ação?

Emmett virou a tela um pouco para que ele pudesse me ver melhor.

— Edward está furioso.

— Percebi.

— Você foi contratado para cuidar disso, James.

— Eu sei.

— Então deveria ter resolvido.

A expressão dele endureceu.

— Eu estou trabalhando em outros assuntos daqui.

— Não me interessa.

Jasper olhou para mim.

— Edward...

Ignorei.

— Quando você foi contratado, aceitou cuidar das questões jurídicas da empresa. Se não consegue fazer isso, eu vou contratar outra pessoa.

James ficou em silêncio.

— Você está falando sério?

— Completamente.

— Somos primos.

— E daí?

Minha voz saiu fria.

— Trabalho é trabalho.

Emmett fechou os olhos por um instante, como se já soubesse que aquilo terminaria mal.

— Quando você voltar, vou trocar de advogado — continuei. — Não me importa se somos primos.

James me encarou pela tela.

— Eu volto em quinze dias.

— Ótimo.

— E vou resolver isso antes.

— Espero que sim. Amanhã é seu prazo de resolução.

O clima ficou pesado.

Jasper tentou mudar de assunto.

— E... como você está, James?

A expressão dele relaxou um pouco.

— Cansado, mas bem.

Então Jasper olhou para mim e sorriu de canto.

— E a amiga da Alice ?

Meu corpo ficou tenso.

James imediatamente prestou atenção.

— Bella?

— Sim .

— Ela está trabalhando agora.

Jasper respondeu.

James se aproximou da câmera.

— Como ela está?

— Bem — respondi.

— Eu ainda não tirei da cabeça a situação dela. Quero poder ajudar.

— Vai ter oportunidade. — Emmett disse.

— Quero muito.

Fiquei observando a tela.

James continuou:

— Ela parece importante para vocês.

— É — Jasper respondeu.

James sorriu.

— Então quero conhecê-la quando voltar.

— Em quinze dias — Emmett lembrou.

— Exatamente.

Depois de mais alguns minutos, encerramos a chamada.

Assim que a tela ficou preta, Emmett me encarou.

— Você foi um idiota.

— Eu levo meu trabalho a sério.

— Eu sei.

Jasper cruzou os braços.

— Mas não precisava falar daquele jeito com ele.

— Ele está fora há mais de seis meses.

— E ainda está trabalhando.

— Então que trabalhe direito.

Emmett balançou a cabeça.

— Você está impossível.

— Meu trabalho é importante.

Jasper soltou uma risada.

— Isso parece exatamente o que você sempre dizia.

— Porque é verdade.

Emmett me encarou.

— Só que agora existe outra coisa ocupando sua cabeça.

Não respondi.

Porque sabia exatamente o que ele queria dizer.

Bella.


No domingo, Rosalie resolveu organizar um almoço na casa dela e de Emmett.

Bella foi convidada.

Eu fui, obviamente.

Alice e Jasper também.

O que eu não esperava era encontrar alguém que eu não via havia algum tempo.

— Edward!

Virei.

Uma mulher entrou pela porta sorrindo.

— Victoria?

Ela abriu os braços.

— Surpresa!

Victoria Sants era filha de uma prima distante de Carlisle.

Nossa família tinha crescido praticamente junto, embora Victoria tivesse passado alguns anos fora estudando e depois trabalhando em outra cidade.

Ela era bonita.

Muito bonita.

E sabia disso.

— Quanto tempo — falei.

Ela me abraçou.

Quando se afastou, seus olhos percorreram meu rosto.

— Você continua igual.

— Você também.

— Só mais interessante.

Ela piscou.

Olhei para Bella.

Ela estava conversando com Alice, mas tinha visto.

E, pela pequena mudança em sua expressão, eu sabia que não tinha gostado.

Victoria se aproximou novamente.

— Você está solteiro ainda?

— Sim.

— Interessante.

— Victoria...

Ela riu.

— O quê? Só estou perguntando.

Bella apareceu ao meu lado.

— Oi.

Olhei para ela.

— Oi.

Victoria estendeu a mão.

— Você deve ser a Bella.

— Sou.

— Já ouvi falar bastante de você.

Bella sorriu educadamente.

— Espero que coisas boas.

— Principalmente.

Victoria olhou para mim.

— Victoria — Rosalie chamou da cozinha.

— Já vou!

Ela voltou a olhar para mim.

— Depois conversamos.

E saiu.

Bella permaneceu em silêncio.

— O que foi?

— Nada.

— Bella.

— Ela parece gostar bastante de você.

Sorri.

— Está com ciúmes?

— Não.

— Mentira.

— Não estou.

— Está.

Ela me lançou um olhar.

— Talvez um pouquinho.

Aproximei-me.

— Não precisa.

— Eu sei.

— Porque não tenho interesse nela. O meu interesse está aqui na minha frente.

Bella me olhou.

— Mesmo?

— Mesmo.

Um sorriso apareceu.

— Ótimo.


O almoço foi divertido.

Emmett fez piada o tempo inteiro.

Alice tentou arrancar informações de Bella sobre o trabalho.

Jasper observava tudo com aquele sorriso discreto.

Victoria, por outro lado, continuava encontrando motivos para ficar perto de mim.

Em determinado momento, ela tocou meu braço enquanto ria de alguma coisa.

Olhei imediatamente para Bella.

Ela estava conversando com Rosalie, mas percebi que tinha visto.

Quando finalmente fomos embora, encontrei Bella mais quieta.

— Você está estranha.

— Estou cansada.

— Tem certeza?

— Tenho.

Entramos no carro.

Ela permaneceu olhando pela janela.

Dirigi por alguns minutos antes de parar em frente à mansão.

— Bella.

Ela virou para mim.

— O quê?

— Você está incomodada.

Ela suspirou.

— Talvez.

— Por causa da Victoria?

Ela não respondeu.

Sorri.

— Você ficou com ciúmes.

— Não começa.

— Eu gostei.

— Edward.

Ri.

— Você não tem ideia de como é bom saber que você sente alguma coisa.

Ela me encarou.

— Eu sinto muita coisa.

Meu sorriso desapareceu.

A tensão entre nós mudou imediatamente.

Ela se aproximou.

— Muito.

Inclinei-me. O beijo começou dentro do carro. Depois ficou impossível continuar ali.

Saímos do veículo e entramos na casa.

A porta mal fechou e Bella já estava com os braços ao redor do meu pescoço.

Eu a puxei para mais perto.

O beijo ficou mais intenso. Não havia mais espaço para ciúmes.

Nem para Victoria.

Nem para qualquer outra pessoa.

Só para nós dois.

Ela é tudo que eu quero.


Alguns dias depois, Bella me ligou durante o trabalho.

Atendi imediatamente.

— Oi.

A voz dela estava diferente.

— Edward...

Sentei-me.

— O que aconteceu?

— Eu acho que vi aquele homem novamente.

Meu coração acelerou.

— Onde?

— No trabalho.

— Você tem certeza?

— Não.

A resposta veio baixa.

— Esse é o problema.

Fechei os olhos.

— Como ele era?

— Ruivo. Alto. Jaqueta preta.

Parei.

Era exatamente como a descrição anterior.

— Bella, olhe para mim pela chamada.

Ela apareceu na tela. Estava pálida.

— Eu estou aqui.

— Respira.

Ela respirou fundo.

— Eu sei que talvez seja só a minha cabeça.

— Talvez.

Mas alguma coisa dentro de mim começou a mudar. Porque duas vezes já não parecia tão simples.

Depois que desligamos, fiquei alguns minutos encarando o telefone.

Eu tinha acreditado que eram apenas lembranças.

Trauma.

Medo.

Mas agora comecei a pensar em outra possibilidade.

E se Bella realmente tivesse visto alguém?

E se um daqueles homens estivesse por perto?

Peguei meu celular e liguei para J. Jenks.

Ele atendeu rapidamente.

— Senhor Cullen.

— Preciso falar sobre uma coisa.

Contei tudo. A descrição. O local.

O fato de Bella ter reconhecido novamente um homem que lembrava um dos quatro que estavam com Nathan.

Jenks ficou em silêncio por alguns segundos.

— Isso é interessante.

— Por quê?

— Porque, se ela estiver realmente identificando alguém daquele grupo, temos um ponto de partida muito mais concreto.

— Você acha que não é alucinação?

— Não posso afirmar isso. Mas podemos investigar.

Levantei-me.

— Quero que descubra quem são aqueles quatro homens.

— Já estamos procurando.

— E veja se algum deles esteve próximo ao local onde Bella trabalha.

Houve uma pausa.

— Senhor Cullen...

— Sim?

— Isso vai ser ainda mais fácil.

Meu corpo ficou imóvel.

— Por quê?

— Porque agora temos uma testemunha que pode reconhecer um deles.

Olhei pela janela.

Pela primeira vez, aquela sensação de inquietação não tinha nada a ver com ciúmes, trabalho ou qualquer outra coisa.

Era medo.

Medo de que Bella tivesse visto exatamente o que dizia ter visto.

E, se fosse verdade...

Talvez aqueles homens nunca tivessem desaparecido.

Talvez estivessem mais perto dela do que qualquer um de nós imaginava.

E eu não pretendia descobrir isso tarde demais.