Meu Lugar Seguro
15 Capítulo 15
Notas iniciais
POV BELLA
Meu coração estava acelerado desde o momento em que saí do carro.
A mansão de Edward ficava silenciosa naquela hora da noite, iluminada apenas pelas luzes externas e por algumas janelas no andar de cima.
Olhei para a porta antes de respirar fundo.
Eu realmente estava fazendo aquilo.
Depois de tudo que tinha acontecido entre nós nos últimos dias, depois de todas as provocações e de toda aquela tensão que parecia crescer cada vez que estávamos perto um do outro, eu tinha finalmente decidido ir até ele.
Toquei a campainha.
Poucos segundos depois, a porta se abriu.
Edward estava parado diante de mim.
E, por um instante, esqueci completamente o que pretendia dizer.
Ele usava uma camiseta escura e uma calça confortável. Os cabelos estavam bagunçados, como se tivesse passado as mãos por eles várias vezes enquanto esperava.
Seus olhos encontraram os meus.
Um sorriso apareceu lentamente em seus lábios.
— Você veio.
— Você achou que eu não viria?
— Achei que talvez você mudasse de ideia.
Entrei, e ele fechou a porta atrás de mim.
— Quase mudei.
— Quase?
— Talvez.
Ele sorriu.
— Ainda bem que não mudou.
Tirei o casaco, tentando ignorar o nervosismo.
Edward me observava.
— O quê?
— Nada.
— Você está me olhando.
— Posso?
— Não sei.
— Então vou continuar até você decidir.
Revirei os olhos.
— Convencido.
Ele riu.
E foi justamente aquele sorriso que me fez relaxar um pouco.
Edward parecia diferente naquela noite.
Mais leve.
Mais solto.
Menos controlado.
Como se finalmente tivesse desistido de tentar esconder o quanto queria estar comigo.
— Eu gosto de como sua casa é linda a noite também, do lado de fora a iluminação é magnifica.
Ele me encara mais.
— É magnifica.
Eu estava começando a ficar nervosa e com isso mais falante.
— Você poderia me mostrar agora a mansão, já que da ultima vez você não fez isso.
Edward me olhou demais.
Eu realmente estava nervosa.
— O que foi?
— Não quero ser um canalha com você. Eu adoro conversar com você, apesar de você ser bem falante e irritantemente provocadora, eu adoro falar com você.
— Por que acho que vem um “mas” aí?
Ele se aproximou mais sem tirar os olhos da minha boca.
— Mas não foi para isso que te chamei aqui e você sabe. Eu posso conversar com você depois, mas agora a única coisa que me interessa é tirar a sua roupa, Isabella.
Eu corei. Tenho certeza e ele percebeu e sorriu
E aquele sorriso safado foi a gota d’água para mim.
Me joguei em sua direção, passando os braços ao redor de seu pescoço.
Ele me abraçou e com um movimento rápido, me levantou e me levou até o quarto.
Minhas pernas se enrolaram em sua cintura, e ele se virou, me apoiando na porta aberta do quarto.
Sua mão soltou meu cabelo, apenas para que ele o envolvesse, fechando o punho com firmeza ao redor dos fios.
Ele deu um puxão leve, mas firme, e minha cabeça se inclinou para trás, então sua boca caiu na minha.
Juro que quase gozei ali.
Nossa boca se abriu e as línguas colidiram freneticamente ,e eu não desejei respirar. Não me importaria se morresse de asfixia, pois eu morreria delirantemente feliz.
Ele se pressionou com mais força contra mim, sua ereção esticando a calça. Como eu ainda estava usando um vestido e minhas pernas estavam em volta dele, eu estava efetivamente aberta, ofegando enquanto ele empurrava mais forte contra mim.
Gemi quando ele se esfregou para cima e para baixo. O tecido fino da calcinha permitiu que a fricção do zíper dele provocasse fagulhas, e meu corpo se acendeu.
Edward murmurou em minha boca:
— Sente o que você faz comigo? O que você faz comigo desde o dia que você voltou para Nova York?
Ele emitiu um som baixo e rouco que veio do fundo de sua garganta e mordiscou meu lábio inferior, puxando-o antes de soltar minha boca.
Alcançando a parte de trás do pescoço, ele pegou minha mão, deslizando entre nós até cobrir a ponta do pênis. Quando meus dedos se apertaram ao redor, ele grunhiu e aprofundou o beijo.
Amei o quanto ele soou carente, como se esperasse por esse momento desde sempre.
Eu sentia como se tivesse sido uma eternidade.
Por fim, me colocou suavemente sobre a cama e ficou me olhando admirado. Quando me levantei e toquei sua bochecha, ele se virou e beijou o interior da palma da minha mão.
— Você é tão linda. Mal posso esperar para ver você toda. — Ele enterrou o nariz em meu cabelo e sussurrou em meu ouvido: — Mal posso esperar para provar você.
Prendi a respiração enquanto ele beijava meu pescoço, depois a pele exposta no peito, parando no decote.
Meu vestido era soltinho com um botão.
Edward o inclinou para a esquerda, deslizando a mão por baixo para abrir o botão . Ele abriu o tecido e afastou a cabeça para dar uma boa olhada em meu corpo.
Concentrando apenas nos meus peitos, ele se inclinou e lambeu uma linha do topo do peito até o decote. Comecei a estremecer, e o arrepio se espalhou por minha pele.
Meus mamilos endureceram e empurraram a renda do sutiã, implorando atenção. Queria tanto a boca dele em mim.
Ele abaixou a alça do sutiã e sugou um dos meus peitos. Com força. Seus olhos me observavam constantemente, aceitando minha resposta aos toques.
Quando meus olhos se fecharam, ele repetiu a ação antes de voltar a atenção para o outro peito.
Depois de alguns minutos, continuou explorando, sua boca se abaixando para deixar uma série de beijos sobre minha barriga. Mais para baixo. Ele deu um beijo carinhoso na minha calcinha e falou com os lábios vibrando diretamente no meu clitóris.
— Eu estava louco por isso. Me imaginei fazendo isso com você tantas vezes, quando me provocava.
Ele colocou o dedo na lateral da minha calcinha e começou a deslizar.
— Me fale o quanto você pensou em mim fazendo isso?! Tocando e chupando essa bocetinha gostosa.
Se colocando entre minhas pernas, ele sugou minha boceta, girando a língua enquanto aplicava a quantidade perfeita de pressão.
Era delicioso, e minhas mãos se entrelaçaram em seus cabelos, desejando que ele não parasse nunca.
De repente, ele parou.
— Me conta, vai. Seja uma boa garota e me diga se pensou em mim fodendo você.
Eu estava louca de tesão e seria capaz de falar o que ele quisesse.
— Você é a única pessoa em quem penso me fodendo, desde que coloquei os olhos em você de novo
Os olhos de Edward brilhavam ao me ouvir confessar isso, e sua boca voltou.
Ele não me provocou dessa vez.
Ele sugou e lambeu meu clitóris até estar molhado o suficiente e depois enfiou seus dedos.
Tudo aconteceu muito rápido e com ferocidade. Dedos entrando e saindo, a língua sugando e girando .
Meu corpo começou a tremer e a se tencionar, meus calcanhares empurrando o colchão, os dedos puxando o cabelo dele.
O desejo em mim estava tomando um rumo que eu não podia controlar.
Eu nunca senti isso na minha vida com ninguém.
Era bom demais.
Muito bom. Soltei um som que era uma mistura de gemido murmurando o nome dele.
Minhas costas sairam para fora da cama, e Edward usou a mão para me segurar enquanto empurrava a boca para dentro de mim.
É tudo demais. Não é o suficiente.
Ah, caramba.
Ele ia me matar de prazer.
Não sentia as pernas.
Não senti nada no momento, somente desejo puro, natural.
Estava tão bom e tão gostoso que meus olhos lacrimejaram um pouco.
Eu ainda estava ofegante quando Edward veio por cima de mim e pegou minha boca novamente.
O beijo foi muito diferente de alguns minutos atrás.
Bonito, suave e gentil. Ele acariciou meu cabelo quando nossas línguas se tocaram e segurou meu rosto quando encerrou o beijo.
— Já volto.
Ele desapareceu por um momento e voltou com uma tira de preservativos.
Olhei para eles.
— Grandes planos?
Ele começou a tirar a roupa.
— Muitos.
A maneira como olhou para mim enquanto tirava a roupa.
Com determinação naquele rosto lindo.
Fez meu corpo querer mais, mesmo que ele já tenha me dado meu orgasmo.
Ele não era o primeiro nem o segundo, mas algo sobre o modo como me olhou me fez sentir como se fosse, como se fosse minha primeira vez, e eu não tinha ideia do motivo.
Edward era um homem muito bonito, isso qualquer um podia ver.
Mas quando tirou a roupa, percebi quão lindo era. Seu peito era esculpido, peitoral firme, abdômen trincado e coxas grossas.
Delicioso.
Enquanto ele estava ali, de pé com a cueca boxer preta, fiquei feliz por ele ter me dado um minuto para me preparar antes de revelar o que estava por baixo. Ele enfiou os polegares no cós da cueca e se inclinou para tirá-la.
Quando ficou de pé, minha boca se abriu.
Senhor, tenha piedade.
O homem realmente tinha o pacote completo.
E não quero dizer boa aparência, charme e dinheiro apenas.
Não, Edward tinha um pacote completo.
Seu pênis era ridiculamente grosso e rígido. Já se erguia por completo, se movia contra ele, chegando quase ao umbigo.
Umedeci os lábios quando ele pegou um preservativo da tira, e abriu com os dentes.
Olhando para mim, perguntou:
— Agora já era, né? Eu vou matar o desejo que tive durante esses meses e ainda assim vou querer mais de você.
Ele pegou minhas mãos enquanto se acomodava sobre mim, entrelaçando os dedos e os erguendo sobre minha cabeça.
Então beijou minha boca e, em seguida, levantou a cabeça para olhar em meus olhos. Nosso olhar ficou preso por muito tempo, mesmo quando ele se empurrou lentamente para dentro de mim.
Eu estava molhada, encharcada até, tão pronta quanto poderia estar para ele.
— Porra — murmurou ele, e seus olhos se fecharam por um momento. — Você está tão molhada. Tão apertada. Tão gostosa.
Ele entrou e saiu algumas vezes, sendo cuidadoso e me relaxando o suficiente para aceitar seu tamanho sem me machucar.
Quando viu que me acostumei, ele começou a se mover para dentro e para fora com ritmo, com mais intensidade e mais forte.
O que começou devagar foi ficando mais intenso, e a delicadeza deu lugar a uma conexão mais profunda.
A única coisa que não mudou foi a maneira como Edward me olhava.
Era como se pudesse ver dentro de mim.
Isso me fez sentir exposta, mas maravilhosamente aceita.
Tudo desapareceu, menos o som de nossa respiração.
Quando gemi, ele me beijou, parecendo precisar engolir o som do gozo.
Puxei seus cabelos quando me inclinei para mais perto, e sua respiração se tornou entrecortada.
— Eu vou... — comecei a falar, mas meu corpo não me deixou terminar. — Nossa.
Edward mordeu meu ombro, fazendo com que meu orgasmo se construísse lentamente.
Ele veio para cima de mim como um tsunami, me agarrando e me puxando para junto dele.
Meus músculos pulsavam, e meus olhos semicerrados o encaravam.
Ele viu o que estava acontecendo em meu rosto, sentiu dentro do meu corpo e acelerou o ritmo, se esforçando para me deixar mais no ápice.
Por fim, entrou uma última vez, se enterrando o mais profundamente que pôde, e soltou um gemido quando gozou.
Ao contrário de outros homens que já estive, ele não desabou e virou abruptamente após o fim.
Em vez disso, me beijou suavemente, até que precisou sair de dentro e, depois, se levantou para tirar o preservativo.
Quando voltou, trouxe uma toalha de rosto morna para me limpar.
Em seguida, pegou uma garrafa de água, e nós a dividimos, passando de um para o outro. Ainda estávamos nus.
Depois de toda a adrenalina correndo, comecei a ficar sonolenta. Bocejei, e Edward jogou a garrafa vazia na mesa de cabeceira.
Ele me levantou, me colocou em seu colo e se recostou, com minha cabeça sobre seu peito.
Seus batimentos cardíacos eram tranquilizadores enquanto ele acariciava meu cabelo e passou a mão pela cicatriz da minha costela.
Ele pareceu tenso enquanto tocava, mas logo voltou ao seu tom gentil.
— Vai dormir — disse, com suavidade. — Amanhã eu levo você para o trabalho.
Eu só assenti e descansei em seu peito.
Alguns dias depois a primeira coisa que percebi depois da nossa primeira vez , era que Edward tinha criado um hábito.
Um hábito perigoso.
Ele aparecia na mansão à noite com mais frequência.
Às vezes, depois do jantar. Outras, quando todos já tinham ido para seus quartos. E, em algumas noites, eu sequer sabia que ele viria até ouvir duas batidas leves na minha porta.
Como naquela noite.
— Posso entrar?
Olhei para a porta e sorri antes mesmo de responder.
— Você já está perguntando por educação ou porque realmente espera que eu diga não?
A cabeça dele apareceu pela fresta.
— Eu espero que você diga sim.
— Então pode entrar.
Ele entrou e fechou a porta atrás de si.
Eu estava sentada na cama, com um livro aberto sobre as pernas, mas já fazia uns cinco minutos que não lia uma única palavra.
Edward se aproximou. Me olhou como se pudesse tirar minhas roupas.
— Sua mãe viu você entrar?
— Não. Apesar de ela e meu pai estarem bastante curiosos ultimamente.
Eu sorrir.
— Estamos parecendo adolescentes fazendo coisas escondidas.
— Não estamos fazendo nada, apesar de que eu queria muito fazer muitas coisas com você.
— Edward...
Não precisava dizer nada. Ele tirou o livro da minha mão e me puxou para um beijo.
— Saudades de você.
— Eu também estou.
Eu disse mordendo os lábios.
Nos beijamos mais. Edward parecia faminto. Suas mãos subiam por toda parte do meu corpo. Ele queria mais contato, mas eu o afastei.
— Aqui não.
— Porra! Não faz isso, Bella.
— É a casa dos seus pais, Edward.
— Mas ;e seu quarto.
Ele continuou me beijando.
— Edward, não.
Imediatamente ele parou e se afastou, sentando apenas ao meu lado.
Ele sorriu.
Eu fiquei alguns minutos sem dizer nada
A presença dele começava a ter um efeito estranho sobre mim.
Eu respirava melhor.
Era como se meu corpo soubesse que estava seguro antes mesmo de minha cabeça acreditar.
— Você está quieta — ele comentou.
— Estou cansada.
— Quer que eu vá embora?
Olhei para ele.
— Não.
O sorriso que surgiu no rosto dele foi pequeno, mas suficiente para aquecer meu peito.
Ele se inclinou devagar.
Eu poderia ter recuado, mas não recuei.
Nossos lábios se encontraram em um beijo suave, quase tímido dessa vez.
Depois outro.
E outro.
Nada além disso.
Ele estava se controlando dessa vez.
Só aquela proximidade que, pouco a pouco, estava deixando de parecer assustadora.
Quando nos afastamos, Edward encostou a testa na minha.
— Eu gosto disso.
— Do quê?
— De ficar aqui com você.
Meu coração tropeçou.
— Eu também.
E foi assim que nossas noites começaram a se tornar uma espécie de segredo compartilhado.
Edward aparecia.
Eu deixava.
E, por algumas horas, o mundo parecia não existir.
Na segunda feira, tudo estava indo bem no trabalho.
Eu estava atravessando o corredor quando o vi.
Ou achei que vi.
Um homem parado perto da entrada.
Cabelos ruivos
Alto.
Jaqueta preta.
O jeito como ele olhou para os lados...
Meu corpo congelou.
O ar desapareceu dos meus pulmões.
Não.
Não podia ser.
Um dos homens que estavam naquela noite com o Nathan.
Mas então o homem virou o rosto, mas não era ele.
Eu sabia disso.
Sabia racionalmente.
Mesmo assim, minhas mãos começaram a tremer.
O corredor pareceu estreito demais.
As paredes próximas demais.
Fechei os olhos por um segundo.
Respira Bella.
Só respira.
Quando abri novamente, o homem já havia desaparecido.
— Bella?
A voz de uma colega me fez saltar.
— Você está bem?
— Estou.
Mentira.
— Tem certeza?
Forcei um sorriso.
— Só fiquei tonta.
Passei o resto da manhã tentando trabalhar normalmente, mas não consegui.
A imagem daquele homem continuava voltando.
E o pior não era pensar que ele estava ali.
Era pensar que, por alguns segundos, eu realmente acreditei que estava.
Naquela noite eu resolvi fazer uma surpresa para Edward. Saí do trabalho e fui até a sua casa.
Eu sabia que ele me faria esquecer o dia ruim que tive no trabalho, depois da minha provável alucinação.
Toquei a campainha. Ele atendeu surpreso.
Senti que ele ficou tenso.
— Oi, entra.
— Tudo bem?
— Claro.
Ele deu espaço para que eu entrasse.
A casa estava silenciosa quando entrei.
Ou pelo menos eu achei que estava.
— Quer alguma coisa? — ele perguntou.
— Água.
— Já volto.
Eu me sentei no sofá. Por alguns minutos, consegui esquecer o que havia acontecido no trabalho.
Até ouvir vozes.
Mas não era uma voz.
Eram várias.
Masculinas.
Meu corpo reagiu antes que meu cérebro pudesse entender.
Quatro homens entraram pela porta.
Um deles ria alto.
Outro carregava algumas caixas.
Um terceiro discutia alguma coisa sobre carros.
O quarto fechou a porta atrás de si.
Meu coração parou.
Por uma fração de segundo, não enxerguei Edward.
Não enxerguei a sala.
Vi apenas homens. Homens demais.
Meu peito apertou.
As lembranças vieram rápidas demais.
Eu me levantei.
Edward apareceu no mesmo instante.
— Bella?
Ele olhou para mim.
Depois para os amigos.
E imediatamente entendeu que alguma coisa estava errada.
— Pessoal...
Os quatro ficaram em silêncio.
— Acho melhor vocês irem.
— Mas nós acabamos de chegar — reclamou um deles.
Edward nem olhou para ele.
— Agora.
O tom de sua voz mudou completamente.
Os homens trocaram olhares.
— Tudo bem — disse o mais velho deles. — A gente continua outro dia.
Eles saíram.
A porta fechou.
Silêncio.
Eu ainda estava de pé.
Meu corpo inteiro tremia.
Edward não se aproximou.
Aquilo foi o que mais me chamou atenção.
Ele ficou onde estava.
A uma distância segura.
— Bella...
Balancei a cabeça.
— Não.
— Tudo bem.
— Eu...
Minha voz falhou.
Ele não tentou me abraçar.
Não tentou me segurar.
Não tentou me fazer falar.
Apenas ficou ali.
— Eu estou aqui — disse baixinho.
Respirei fundo.
— Quem eram eles?
— Amigos meus.
Ele passou a mão pelos cabelos.
— Marcus, Daniel, Lucas e Ryan. Eles vieram buscar algumas coisas e conversar sobre uma viagem que estamos planejando.
Engoli em seco.
— Eles são seus amigos mesmo?
— Sim. Eles são pessoas boas. Mas se soubesse que você viria aqui, teria adiado com eles.
Ele fez uma pausa.
— Mas isso não importa. Eles já foram, e não são homens covardes, fica tranquila.
Meus olhos arderam.
— Desculpa.
— Pelo quê?
— Por ter reagido assim.
Edward franziu a testa.
— Você não precisa se desculpar.
— Eu só...
Olhei para minhas próprias mãos.
— Hoje no trabalho eu achei que tinha visto um dos homens que estava com Nathan.
Edward ficou imóvel.
— Você tem certeza?
— Não.
Minha voz saiu pequena.
— Esse é o problema. Eu não sei se vi mesmo. Mas por um segundo eu tive certeza.
Ele respirou fundo.
— Então você se assustou mais ainda, depois de ver tantos homens juntos.
Assenti.
— Acho que foi isso.
Edward continuou parado.
— Posso sentar?
Olhei para o sofá.
— Pode.
Ele sentou na outra ponta.
Sem tocar em mim.
Sem invadir meu espaço.
— Bella...
Olhei para ele.
— Nunca tenha medo de mim.
Meu peito apertou.
— Eu não tenho.
— Eu sei. Mas se algum dia tiver... me diga.
Ele sustentou meu olhar.
— Eu nunca vou tocar em você de uma maneira que você não queira. Nunca. Eu jamais vou ter contato com homens capazes de tocar em uma mulher sem permissão.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
— Eu sei.
— E você nunca precisa ser forte comigo.
A primeira lágrima caiu.
— Eu estou tentando aprender isso.
O sorriso dele foi triste.
— Então aprende comigo.
— Eu já estava me sentindo melhor, mas hoje tudo desmoronou. Acho que depois da denúncia eu fiquei pensativa.
— Não se preocupe. Ninguém vai tocar mais em você. E tudo bem recuar. Quando aquele desgraçado estiver preso sua vida vai se ajeitar bem mais. É normal se sentir hora vulnerável, hora forte, mas não estará mais sozinha.
Depois daquele dia, Edward ficou ainda mais cuidadoso.
Não distante.
Cuidadoso.
E talvez aquilo fosse o que mais me fazia gostar dele.
Ele nunca tentava decidir por mim.
Apenas estava ali.
Quando eu queria.
Quando precisava.
E, às vezes, quando fingia que não precisava.
Alguns dias depois, estávamos todos reunidos para o almoço na mansão dos Cullen.
Eu mal havia terminado de sentar quando Emmett começou.
— Então, Edward, você pretende continuar aparecendo aqui todas as noites?
Quase engasguei.
— Emmett!
Edward lançou um olhar mortal para ele.
Emmett gargalhou.
— O quê? Todo mundo já percebeu. A mamãe contou que você adora visitar a noite.
Alice levantou a mão.
— Eu já imaginava.
Jasper assentiu.
— Tecnicamente, eu também.
Edward suspirou.
— Vocês são insuportáveis.
Eu escondi o sorriso atrás do copo.
— Você está sorrindo — Edward murmurou para mim.
— Não estou.
— Está sim.
— Prove.
Ele se inclinou um pouco.
— Eu conheço seu sorriso.
Meu coração disparou.
Do outro lado da mesa, Alice abriu um sorriso enorme.
— Ah, meu Deus.
— O quê? — perguntei.
— Nada.
Mas ela estava claramente se divertindo.
Mais tarde, Alice, Rosalie e eu conversávamos sobre uma bolsa de grife especifica de lançamento da Prada.
Comentei então:
— Ela é perfeita, mas preciso começar a economizar mais.
Edward me olhou, prestando atenção na nossa conversa.
— Para quê?
— Para quando eu puder morar sozinha. Não quero viver de favor na casa dos seus pais.
O rosto dele mudou.
— Você não precisa se preocupar com dinheiro.
— Preciso, sim.
— Não precisa.
— Edward...
— Bella, eu estou falando sério.
— Eu também.
Ele sorriu.
— Então eu também.
— Você é impossível.
— E você está preocupada com uma coisa que não precisa.
Eu ia responder, mas ele continuou:
— Você não está sozinha.
Aquelas três palavras me atingiram de um jeito inesperado. Não era uma promessa exagerada.
Não era uma tentativa de controlar minha vida.
Era simplesmente...
Presença.
Eu sorri.
— Obrigada, mas não precisa se preocupar.
Ele apertou minha mão por baixo da mesa.
Um gesto pequeno.
Mas que fez meu coração disparar.
E, dessa vez, ninguém precisou dizer nada.
Porque todos tinham visto.
— Já estou bem para lutar.
A frase saiu quando estávamos na sala de treinamento.
Emmett levantou as sobrancelhas.
— Finalmente! Vamos lutar.
Edward imediatamente respondeu:
— Não.
Olhei para ele.
— Não?
— Não.
Emmett começou a rir.
— Meu irmão está ficando patético.
— Eu consigo lutar, Edward.
— Eu sei.
— Então?
— Você não vai lutar com o Emmett.
— Por quê?
Emmett colocou a mão no peito.
— Eu jamais machucaria a Bella.
Edward virou para ele.
— Você pode machucar sem querer.
— Eu sei controlar minha força.
— Você é um armário ambulante.
— Ei!
Alice começou a rir.
Jasper cruzou os braços, claramente se divertindo.
Rosalie revirava os olhos com as gracinhas do Emmett.
Emmett apontou para Edward.
— Está com medo de eu ganhar dela?
— Não.
Edward deu um passo à frente.
— Estou com medo de você machucá-la.
Emmett abriu um sorriso malicioso.
— E se acontecer?
Edward respondeu imediatamente:
— Você vai apanhar de mim. Muito ainda.
O silêncio durou dois segundos.
Então Emmett caiu na gargalhada.
— Você está completamente rendido!
— Cala a boca, Emmett.
Eu comecei a rir.
— Edward, eu consigo me defender.
Ele olhou para mim.
A expressão dele suavizou.
— Eu sei.
— Então deixe eu lutar.
— Com outra pessoa.
Emmett levantou a mão.
— Eu aceito lutar com ela. Você não decide, Edward. Ela quer.
— Não.
— Edward!
— Não, Isabella.
— Virei Isabella, agora?
— Sim.
Revirei os olhos.
— Você também é forte, e lutou comigo.
—Eu sou extremamente cuidadoso.
Antes que ele consertasse o que disse, todos começaram a rir.
— É meu cunhado, você está muito fodido. — Jasper disse e começou a sorrir de volta.
Edward me olha.
Seu olhar estava brilhando.
— Talvez.
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