Meu Lugar Seguro
14 Capítulo 14
Notas iniciais
POV EDWARD
Eu não tinha planejado nada.
Só queria ver o rosto lindo dela feliz pessoalmente, depois de ter sido contratada.
Mas tudo começou na luta. O esforço que eu fiz para não beijar ela foi demais.
Só que eu já estava farto de todas as provocações.
Ela me provocava.
Eu gostava.
E então veio o beijo depois do vinho.
O problema não tinha sido o beijo.
O problema era que, depois dele, eu não conseguia mais fingir que aquilo tinha sido apenas um impulso.
Bella ainda estava perto demais.
Sentia o calor do corpo dela através da pouca distância que nos separava, e quando seus dedos tocaram de leve meu braço, como se também estivesse tentando entender o que tinha acabado de acontecer, precisei respirar fundo.
Uma vez.
Duas.
Não adiantou.
Meus olhos desceram involuntariamente para sua boca.
— Edward...
A maneira como ela disse meu nome quase acabou com o pouco controle que me restava.
Toquei seu rosto, passando o polegar devagar pela sua bochecha.
— Acho melhor eu te levar para a mansão.
Ela franziu a testa.
— Para a mansão?
— É.
— Você não quer que eu fique aqui?
A pergunta me fez soltar uma pequena risada sem humor.
Se ela soubesse.
Não era que eu não quisesse.
Era exatamente o contrário.
Eu não confiava em mim mesmo o suficiente para ficar sozinho com ela dentro da minha casa.
— Quero evitar que a gente faça alguma coisa da qual você possa se arrepender.
Ela me encarou por alguns segundos.
— E você?
— Eu provavelmente me arrependeria ainda mais.
Ela sorriu.
Aquele maldito sorriso.
— Ainda não conheço sua casa direito.
— Você já viu a academia e a sala de estar.
— Exatamente. Isso não é conhecer uma casa.
Balancei a cabeça.
— Bella...
— O quê?
— Não vou ficar sozinho com você aqui.
Ela pareceu surpresa.
— Por quê?
Porque eu queria beijá-la de novo.
Porque queria descobrir até onde aquela atração poderia me levar.
Porque, se eu a deixasse na minha casa nessa noite, tinha poucas chances de conseguir manter as mãos longe dela.
Mas não disse nada disso.
Apenas peguei as chaves.
— Porque eu conheço a mim mesmo.
Ela riu baixinho.
E aquele som me acompanhou durante todo o caminho.
No dia seguinte, cumpri a promessa.
Levei Bella para escolher as roupas que usaria no primeiro dia de trabalho.
A loja era elegante, discreta e exatamente o tipo de lugar onde eu sabia que encontraria roupas adequadas para o ambiente corporativo sem transformar Bella em alguém que ela não era.
Ela saiu do primeiro provador usando um blazer claro.
Fiquei alguns segundos em silêncio.
— Não gostou?
— Gostei.
— Você demorou para responder.
— Estava tentando decidir se tinha alguma coisa que não ficaria bem em você.
Ela revirou os olhos.
— Convencido.
— Observador.
Ela entrou novamente no provador.
Eu deveria estar prestando atenção nas roupas.
Em vez disso, fiquei olhando para a cortina fechada.
Era ridículo.
Eu tinha trinta e três anos, uma carreira consolidada e experiência suficiente para saber controlar minhas emoções, mas Bella conseguia transformar tudo isso em uma mentira.
Quando ela saiu com outra roupa, caminhei até ela.
— Essa.
— Gostou?
— Muito.
Ela olhou para o espelho.
— Eu também.
— Então fica com essa.
— Você está escolhendo tudo?
— Não. Estou opinando.
— Parece a mesma coisa.
Ela entrou no provador outra vez.
Alguns minutos depois, ouvi:
— Edward?
— O quê?
— Pode vir aqui um segundo?
Meu coração acelerou.
Afastei a cortina apenas o suficiente para vê-la.
— O que aconteceu?
— Não consigo fechar isso.
Ela virou de costas.
Ela tinha que ser tão gostosa?
Aproximar dela foi um erro.
Um erro enorme.
Segurei o zíper e, quando terminei, nossos olhos se encontraram pelo espelho.
Ela estava sorrindo.
Eu não.
Porque naquele instante eu só conseguia pensar em como seria fácil esquecer que estávamos dentro de uma loja.
Aproximei-me.
Bella percebeu antes de mim.
— Edward...
Segurei sua cintura e a beijei.
Foi rápido.
Ou deveria ter sido, mas ela correspondeu.
Minha mão subiu pelas costas dela, e por alguns segundos esqueci completamente onde estávamos.
Até ouvir uma risada do lado de fora.
Bella se afastou imediatamente.
— Edward!
— O quê?
— Sai daqui.
— Por quê?
Ela apontou para a cortina.
— Porque as vendedoras podem ver!
Tive que conter um sorriso.
— Está com vergonha?
— Estou tentando manter um mínimo de dignidade.
— E eu estou tentando manter o mínimo de controle.
Ela me empurrou de leve.
— Então comece saindo do provador.
Saí.
Mas fiquei esperando do outro lado da cortina com um sorriso idiota no rosto.
Eu queria mais. Muito mais.
E essa constatação estava começando a me assustar.
Porque beijos já não pareciam suficientes.
E eu não queria transformar Bella em mais uma mulher na minha vida.
Muito menos levá-la para o lugar onde eu costumava levar mulheres quando não queria que aquilo significasse nada.
Com ela, era diferente.
Bella significava demais.
Mas eu precisava foder ela.
Naquela noite, não fui à mansão.
Nem na seguinte.
Nem na outra.
Eu havia criado o hábito de aparecer lá quase todas as noites, mesmo quando não havia motivo.
Agora precisava quebrá-lo.
Porque bastava vê-la.
Um sorriso.
Um toque.
Aquela maneira que ela tinha de olhar para mim quando queria me provocar.
E eu esquecia todos os limites que tinha estabelecido.
Então fiquei em casa.
No terceiro dia, peguei o telefone.
Edward: Como foi seu primeiro dia?
A resposta demorou poucos minutos.
Bella: Sobrevivi.
Sorri.
Edward: Isso parece preocupante.
Bella: Foi bom. Só estou cansada.
Edward: Está gostando?
Bella: Acho que sim. Ainda estou me adaptando.
Fiquei olhando para a tela.
Queria perguntar mais.
Muito mais.
Mas escrevi apenas:
Edward: Fico feliz.
Poucos segundos depois:
Bella: Você não vai vir hoje?
Meu peito apertou.
Ela sentia minha falta?
Pensei antes de responder.
Edward: Achei melhor dar espaço.
A resposta veio quase imediatamente.
Bella: Quem disse que eu pedi espaço?
Fechei os olhos.
Aquilo era exatamente o tipo de coisa que eu estava tentando evitar.
Edward: Boa noite, Bella.
Bella: Covarde.
Ri sozinho.
Ela estava certa.
E talvez esse fosse o pior problema de todos.
Eu estava começando a gostar demais daquela mulher.
E, pela primeira vez em muito tempo, isso me dava medo.
Na semana seguinte, tentei manter uma distância razoável.
Tentei, mas não funcionou muito bem.
Eu ainda mandava mensagens para Bella. Perguntava como estava o trabalho, se tinha almoçado, se estava gostando da equipe. Ela respondia com uma naturalidade que tornava tudo perigosamente fácil.
Até que, naquela quinta-feira, decidi buscá-la, mas não avisei.
Estacionei em frente ao prédio da Miller & Whitmore Consultoria, onde ela começara a trabalhar, e fiquei esperando dentro do carro.
Quando a porta do prédio se abriu, vi Bella.
E imediatamente esqueci por que tinha ido buscá-la.
Ela estava acompanhada de um homem.
Alto, bem vestido, cabelos castanhos claros e um sorriso que me incomodou antes mesmo de eu descobrir quem era.
Ele disse alguma coisa e ela sorriu.
Meu maxilar travou.
— Ótimo — murmurei.
Eu conhecia aquele homem.
Adrian Whitmore, presidente da Miller & Whitmore.
Não éramos amigos. Já havíamos participado das mesmas reuniões, cruzado negociações. Assuntos suficientes para saber exatamente quem era o outro.
Profissionalmente, eu o respeitava.
Pessoalmente, não tinha motivo algum para gostar dele.
Principalmente naquele momento.
Bella continuou sorrindo enquanto ele falava.
Então Adrian colocou uma das mãos nas costas dela para guiá-la até a calçada.
Ela tentou se desvencilhar. Estava incomodada com o leve toque.
Meu sangue ferveu.
Saí do carro.
— Bella.
Ela virou.
O sorriso que apareceu em seu rosto quando me viu deveria ter sido suficiente para acabar com qualquer ciúme.
Não foi.
— Edward?
Adrian também me reconheceu.
— Cullen.
— Whitimore.
Trocamos um aperto de mão.
Frio e formal.
— Não sabia que você conhecia a Bella — Adrian comentou.
— Conheço.
Minha resposta saiu mais seca do que pretendia.
Bella olhou de um para o outro.
— Vocês se conhecem?
— Do mercado — Adrian respondeu.
— Negócios — acrescentei.
Adrian sorriu.
— Edward tem uma memória excelente.
— Especialmente para concorrentes.
Bella segurou uma risada.
Olhei para ela.
— Vamos?
— Claro.
Ela se despediu de Adrian e entrou no carro.
Só depois de colocar o cinto percebeu meu silêncio.
— Você está estranho.
— Não.
— Está sim.
Liguei o carro.
— Seu chefe parece bastante simpático.
Ela me olhou de lado.
— Você está com ciúmes?
Quase pisei no freio.
— Não.
Ela sorriu.
— Está.
— Isabella...
— Você ficou com uma cara péssima.
— Eu estava apenas...
Parei.
Não havia explicação convincente.
Ela riu.
— Você está com ciúmes.
— Você está enganada.
— Claro que estou.
Olhei rapidamente para ela. O sorriso dela desapareceu por alguns segundos, não porque estivesse incomodada, mas porque pareceu gostar da minha patética cara de ciúmes.
Desviei os olhos para a estrada.
Aquilo era perigoso.
Muito perigoso.
Depois de alguns minutos, lembrei do outro assunto.
— Bella.
— Hum?
— Você ainda pretende denunciar o Nathan?
O corpo dela ficou tenso.
Eu percebi imediatamente.
— Sim.
A resposta veio baixa, mas firme.
— Tem certeza?
Ela respirou fundo.
— Tenho.
— Você não precisa fazer isso se não quiser, tudo bem?
— Eu sei.
— Então por quê vai?
Ela ficou alguns segundos olhando pela janela.
— Porque ele fez aquilo comigo. E eu passei tempo demais tentando esquecer.
Apertei o volante.
— Você não precisa esquecer.
Ela me olhou.
— Eu sei.
— E não precisa enfrentar isso sozinha.
— Eu sei disso também.
Havia medo na voz dela.
Mas havia determinação.
E eu sabia que não conseguiria convencê-la a desistir.
— Então vamos.
Ela franziu a testa.
— Agora?
— Se você quiser.
Ela assentiu.
— Quero.
A delegacia estava mais silenciosa do que eu esperava.
Bella sentou diante do policial enquanto eu permaneci próximo, sem interferir.
Ela respondeu às perguntas com cuidado.
Quando chegou o momento de descrever Nathan, vi seus dedos se apertarem no colo.
— Ele era branco — disse ela. — Olhos castanhos escuros. Cabelos escuros, curtos. Tinha barba... também escura.
O policial anotou.
— Alguma característica específica?
Bella hesitou.
— Uma tatuagem no braço direito.
— Sabe descrever?
Ela fechou os olhos por um instante.
— Era uma espécie de corvo.
Meu olhar se levantou.
— Um corvo?
Ela assentiu.
— Sim. Um corvo negro, com as asas abertas. Havia alguma coisa escrita embaixo, mas eu não consegui ler.
O policial continuou anotando.
— Mais alguma coisa?
Bella respirou fundo.
— Não.
Saímos dali algum tempo depois.
No estacionamento, ela permaneceu em silêncio.
Não perguntei nada.
Apenas abri a porta do carro para ela.
Quando entrei, ela segurou minha mão antes que eu ligasse o motor.
— Obrigada.
Olhei para nossos dedos unidos.
— Por quê?
— Por ter ido comigo.
Apertei sua mão.
— Eu iria quantas vezes fosse necessário.
Ela me encarou.
E naquele momento tive certeza de uma coisa.
Eu já tinha ultrapassado o limite fazia tempo.
Só ainda não tinha admitido.
O almoço de família no domingo deveria ter sido tranquilo.
Deveria.
Alice estava falando sobre alguma coisa que eu não estava ouvindo, Emmett fazia comentários idiotas, enquanto Rosalie o repreendia, e Jasper observava tudo com aquele sorriso discreto que significava que ele sabia mais do que dizia.
Bella estava sentada do outro lado da mesa.
E me provocando.
De propósito.
Ela ria das piadas de Emmett.
Conversava com Alice e Rosalie.
E, sempre que nossos olhos se encontravam, sorria daquele jeito.
Como se soubesse exatamente o efeito que causava.
Depois do almoço, encontrei-a sozinha no corredor.
— Está se divertindo?
Ela inclinou a cabeça.
— Muito.
— Percebi.
— Algum problema?
— Nenhum.
Ela se aproximou.
— Tem certeza?
— Absoluta.
— Você está mentindo.
Soltei uma risada baixa.
— Você gosta de me testar.
— Talvez.
— Cuidado.
Ela ergueu uma sobrancelha.
— Com o quê?
A pergunta foi inocente demais.
Ou talvez não.
— Comigo.
Ela sorriu.
— Você não faria nada.
Meu olhar ficou preso ao dela.
— Não me provoque.
— Por quê?
Ela se aproximou mais um pouco.
— Vai me levar para o seu flat?
A pergunta me atingiu em cheio.
Meu rosto endureceu.
— Não.
— Por que não?
— Porque não.
Ela sorriu.
Meu silêncio respondeu.
Ela cruzou os braços.
— Porque você fica tenso quando fala do seu flat? Eu não posso conhecer?
Aproximei-me até ficar diante dela.
— Não.
O sorriso dela desapareceu lentamente.
— E porque não?
Eu poderia ter respondido, mas não consegui.
Porque a verdade era assustadora demais.
Passei por ela, mas parei ao seu lado.
Inclinei-me até meus lábios quase tocarem seu ouvido.
Minha voz saiu baixa.
— Quando isso acontecer, Bella... você vai estar na minha cama e na minha casa, não naquele flat.
Afastei-me.
Ela ficou imóvel.
As bochechas estavam vermelhas.
E um arrepio percorreu seu corpo.
Vi.
E precisei ir embora antes que ela percebesse o quanto aquela reação havia mexido comigo.
Porque naquele instante compreendi que não queria levá-la para o meu flat.
Nunca.
O flat era para coisas sem futuro.
Sem sentimentos.
Sem consequências.
Bella era exatamente o oposto.
E, para meu próprio desespero, eu já estava começando a imaginar coisas que nunca havia imaginado com uma mulher.
Passei o resto do domingo tentando me convencer de que aquela conversa não tinha significado tanto quanto parecia.
Não funcionou.
A imagem de Bella parada no corredor, corada depois do que eu havia sussurrado, voltava à minha cabeça a cada poucos minutos.
Eu deveria ter ficado satisfeito por ter deixado claro que ela era diferente.
Em vez disso, fiquei inquieto.
Porque agora eu precisava lidar com a consequência daquela frase.
Quando isso acontecer, você vai estar na minha casa.
Eu não tinha dito aquilo por impulso.
Ou talvez tivesse.
Mas não era mentira.
Eu jamais levaria Bella para o flat.
O flat tinha sido criado para uma versão da minha vida que não existia mais quando ela entrou nela.
Ali, tudo era simples.
Sem promessas.
Sem manhãs seguintes.
Sem perguntas.
Sem sentimentos que pudessem me atingir.
Bella não cabia naquele lugar.
Bella cabia na minha casa.
Na minha vida.
E essa segunda constatação era muito mais assustadora.
Na segunda-feira, tentei trabalhar, mas não consegui.
Minha atenção voltava constantemente para o telefone.
Às dez e vinte, desbloqueei a tela.
Nenhuma mensagem.
Às dez e quarenta, fiz o mesmo.
Nada.
Às onze, finalmente desisti de fingir.
Edward: Como está o trabalho hoje?
A resposta demorou quase vinte minutos.
Bella: Melhor que o primeiro dia.
Edward: Isso é bom.
Bella: Está preocupado comigo?
Sorri.
Edward: Talvez.
Bella: Só talvez?
Edward: Não abuse.
Ela demorou um pouco para responder.
Bella: Covarde.
Balancei a cabeça.
Ela realmente gostava de me chamar assim.
Edward: Está gostando do emprego?
Bella: Sim. O pessoal é legal.
Parei.
Não queria perguntar sobre Adrian.
Não queria parecer ciumento.
Principalmente porque já sabia que estava sendo ridículo.
Edward: E seu chefe?
A resposta veio quase imediatamente.
Bella: Você está perguntando isso por interesse profissional?
Soltei uma risada.
Edward: Claro.
Bella: Mentiroso.
Joguei o telefone sobre a mesa.
Eu estava perdido.
Completamente perdido.
Naquela noite, novamente não fui à mansão.
Mas dessa vez não foi apenas para me controlar.
Eu precisava pensar.
Precisava entender quando exatamente Bella havia deixado de ser apenas a garota que eu queria proteger.
Porque esse sentimento tinha mudado. Eu não queria somente protegê-la.
Queria estar perto.
Queria saber como tinha sido o dia dela.
Queria saber o que a fazia rir.
Queria ser a pessoa para quem ela ligaria quando estivesse assustada.
Queria que ela me procurasse.
E, acima de tudo, queria que ela olhasse para mim da mesma maneira que eu começava a olhar para ela.
Isso era perigoso.
Na manhã seguinte, recebi uma mensagem de Alice.
Alice: Você está estranho.
Revirei os olhos.
Edward: Bom dia para você também.
Alice: Não foi à mansão ontem.
Edward: Estava ocupado.
Alice: Com a Bella?
Parei.
Edward: Alice.
Alice: Edward.
Sorri involuntariamente.
Ela sabia. Claro. Elas eram melhores amigas desde que eram duas pirralhas correndo pela sala.
Mas talvez não soubesse tudo.
Mas sabia o suficiente.
Alice: Só estou dizendo que vocês dois estão demorando demais para admitir o óbvio.
Não respondi.
Porque, pela primeira vez, eu não tinha certeza se queria negar.
Naquela tarde, passei em frente ao escritório de Bella.
Não tinha planejado parar, mas acabei estacionando.
Eu queria vê-la.
Só isso.
Entrei no prédio e encontrei Adrian no saguão.
— Cullen.
— Whitimore.
Ele me cumprimentou com um aceno.
— Veio falar comigo?
— Não.
Ele ergueu uma sobrancelha.
— Então veio falar com alguém.
— Vim buscar a Bella.
O sorriso dele foi pequeno.
— Entendi.
Não gostei daquele sorriso.
— Ela está terminando uma reunião.
— Eu espero.
Alguns minutos depois, Bella apareceu.
Quando me viu, abriu um sorriso.
— O que você está fazendo aqui?
— Vim te buscar.
— Sem avisar?
— Funcionou.
Ela riu.
Adrian apareceu logo atrás.
— Bella, antes que você vá, preciso daqueles documentos amanhã cedo.
— Claro.
Ele sorriu para ela.
— Bom descanso.
Bella agradeceu.
E então olhou para mim.
Eu já estava irritado novamente.
No carro, ela percebeu.
— Você está fazendo aquela cara.
— Que cara?
— A de quando está com ciúmes.
— Não estou com ciúmes.
— Está sim.
Olhei para ela.
— Você gosta disso.
— Talvez.
— Perigoso.
— Você já disse isso.
— E você continua me provocando.
Ela sorriu.
— Porque você fica mais bonito quando está irritado.
Soltei o ar devagar.
— Bella, você não faz ideia do que está fazendo comigo.
O sorriso dela diminuiu.
— Talvez eu tenha uma ideia.
Silêncio.
Foi a primeira vez que nenhum dos dois tentou fugir daquela tensão.
Continuei dirigindo.
Mas, dessa vez, não tentei fingir que aquilo não significava nada.
Porque significava.
E cada dia ficava mais difícil negar.
Parte superior do formulário
Parte inferior do formulário
Naquela noite, depois de deixar Bella na mansão, permaneci alguns minutos dentro do carro.
O motor já estava desligado.
As mãos descansavam sobre o volante enquanto eu encarava a entrada da casa.
Eu poderia ter ido embora imediatamente.
Era o que deveria fazer, mas alguma coisa me mantinha ali.
Talvez fosse a necessidade de ter certeza de que ela havia entrado.
Talvez fosse simplesmente a dificuldade que eu estava começando a ter em me afastar dela.
Quando finalmente vi a luz do corredor se acender, respirei fundo e liguei o carro.
Não olhei para trás.
Pelo menos, tentei não olhar.
Na manhã seguinte, uma ligação de J. Jenks interrompeu meu trabalho.
Atendi no segundo toque.
— Edward.
— Senhor Cullen.
A voz dele era sempre controlada, quase impossível de interpretar.
— Alguma novidade?
— Ainda estou verificando algumas coisas.
Sentei-me na cadeira.
— Conseguiu alguma informação sobre Nathan?
Houve uma pequena pausa.
— Ainda não o suficiente para afirmar alguma coisa.
Olhei para os documentos que estavam sobre minha mesa.
A denúncia de Bella havia colocado oficialmente um nome naquela investigação.
Nathan Oliver.
E, pela primeira vez, tínhamos características concretas.
— Tenho algumas informações que podem ajudar.
— Estou ouvindo.
Peguei a descrição que havia anotado depois de conversar com o policial.
— Homem branco. Olhos castanhos escuros. Cabelos escuros e curtos. Barba escura. E uma tatuagem no braço direito.
— Que tipo de tatuagem?
— Um corvo negro com as asas abertas. Há uma inscrição abaixo, mas Bella não conseguiu identificar o que estava escrito.
Jenks ficou em silêncio por alguns segundos.
— Isso já é bastante específico.
— Quero que seja feito um retrato falado.
— Vou providenciar.
— E quero que verifique qualquer identidade que corresponda a essas características.
— Farei isso.
Antes que desligasse, lembrei de outra coisa.
— Jenks.
— Sim?
— Tenha cuidado.
Ele soltou uma pequena risada.
— Sempre tenho.
Desliguei.
Encostei-me na cadeira.
Por alguns segundos, minha mente voltou para Bella.
Ela havia sido corajosa.
Mais do que imaginava.
Eu sabia que aquela denúncia poderia trazer coisas que ela preferiria esquecer. Mas, ao mesmo tempo, talvez fosse a única maneira de finalmente colocar aquele homem diante das consequências do que havia feito.
Peguei o telefone.
Pensei em mandar uma mensagem.
Desisti.
Ela precisava de espaço.
E eu precisava aprender a respeitar isso.
Dois dias depois, o telefone tocou novamente.
J. Jenks.
Atendi imediatamente.
— Edward.
— Senhor Cullen.
— Encontrou alguma coisa?
— Sim. E talvez seja mais importante do que imaginávamos.
Meu corpo ficou alerta.
— Fale.
— A denúncia ajudou bastante. As características que Bella forneceu permitiram cruzar algumas informações e eliminar algumas possibilidades.
— Mas?
— Mas Nathan provavelmente não é uma identidade verdadeira.
Fiquei em silêncio.
— Como assim?
— Ainda não posso afirmar cem por cento, mas os registros não estão batendo. Há inconsistências demais.
Levantei-me da cadeira.
— Que tipo de inconsistências?
— Dados pessoais que não se encaixam. Histórico que parece ter sido montado. Alguns registros simplesmente não existem onde deveriam existir.
Passei a mão pela nuca.
— Então quem é ele?
— Ainda não sabemos.
— Mas você acredita que Nathan não seja o nome verdadeiro?
— Acredito que seja uma identidade falsa ou, no mínimo, uma identidade construída para esconder alguma coisa.
Meu estômago se contraiu.
— Continue procurando.
— É exatamente o que estou fazendo.
— E a tatuagem?
— Estamos tentando cruzar essa informação também. Pode ser a pista mais útil que temos.
Fiquei alguns segundos em silêncio.
— Jenks.
— Sim?
— Quero saber quem está por trás desse nome.
— Entendido.
Desliguei.
Fiquei parado diante da janela.
Nathan.
Uma identidade falsa.
Aquilo mudava tudo.
Até então, eu acreditava que estávamos tentando encontrar um homem escondido.
Agora começava a parecer que estávamos tentando descobrir quem aquele homem realmente era.
E havia algo naquela conclusão que me incomodava profundamente.
Porque, quanto mais eu descobria sobre Nathan, mais tinha a sensação de que estávamos apenas começando a arranhar a superfície.
Peguei o telefone novamente.
Dessa vez, não hesitei.
Edward: Como você está?
A resposta de Bella chegou alguns minutos depois.
Bella: Bem. Por quê?
Olhei para a tela.
Eu poderia contar sobre Jenks.
Sobre a possibilidade de Nathan ser uma identidade falsa.
Mas não queria assustá-la antes de ter algo concreto.
Edward: Só queria saber.
Ela demorou alguns segundos.
Bella: Senti sua falta hoje.
Meu coração bateu mais forte.
Li a frase novamente.
E mais uma vez.
Um sorriso surgiu no meu rosto antes que eu pudesse impedir.
Edward: Eu também senti a sua.
Dessa vez, não tentei esconder.
Porque talvez estivesse na hora de parar de fugir daquilo que eu sentia.
Só havia uma coisa que eu ainda não sabia:
quanto tempo levaria até que a verdade sobre Nathan chegasse até Bella.
E o que aconteceria quando ela finalmente descobrisse que o homem que procurávamos não era quem dizia ser.
Já passava da meia-noite quando meu telefone vibrou.
Eu estava deitado, tentando dormir, mas minha cabeça insistia em voltar para Bella.
Abri a conversa.
Bella: Ainda acordado?
Sorri.
Edward: Agora estou.
Bella: Estava pensando em você.F
Fiquei alguns segundos olhando para a tela.
Edward: Bella...
Bella: O quê?
Edward: Você sabe que não deveria dizer essas coisas a essa hora.
Bella: Por quê?
Edward: Porque eu estou tentando me comportar.
Os três pontinhos apareceram.
Desapareceram.
Voltaram.
Bella: E está funcionando?
Soltei uma risada baixa.
Edward: Não.
Ela demorou alguns segundos.
Bella: Então pare de tentar.
Meu coração acelerou.
Digitei.
Apaguei.
Digitei novamente.
Edward: Venha para minha casa.
Dessa vez, a resposta demorou mais.
Bella: Agora?
Edward: Agora.
Bella: Tem certeza?
Olhei para o relógio.
Era tarde demais.
Ou talvez exatamente a hora certa.
Edward: Tenho.
Bella: Então eu vou.
Fechei os olhos por um instante.
Aquela mulher ainda acabaria comigo.
Edward: Não venha sozinha.
Bella: Edward...
Edward: Vou mandar um motorista buscá-la.
Bella: Você é impossível.
Sorri.
Edward: E você está vindo mesmo assim.
Bella: Estou.
Coloquei o telefone sobre a mesa.
Meu coração batia mais rápido do que deveria.
Dessa vez, não havia mansão.
Não havia desculpa.
Não havia reforma.
Não havia distância.
Bella estava vindo para a minha casa.
E, pela primeira vez, eu não queria fugir daquilo que poderia acontecer quando ela chegasse.
Só queria estar pronto para recebê-la.
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