Meu Lado

1 Capítulo Único - Lado a Lado


Notas iniciais
Te amo por estar lendo essa fic -ignore-
Boa leitura o/

– Você fez um bom trabalho.

– Hm... como você sabe? – senti ela olhar para mim.

– Deu pra ver pelo estrago que você deixou pra trás. – não olhei de volta, se não provavelmente iria saber que eu estava mentindo.

E a verdade era que eu estava a observando, o tempo todo. Desde o momento em que a vi indo em direção ao quadro de trabalhos da guilda. Apenas a segui por que achei que seria um pouco perigoso o que tinha escolhido. Então, se precisasse de ajuda, eu estaria lá.

Eu estava lá.

– Eles apenas tiveram o que mereceram. – disse com um ar vitorioso.

– E... que tipo de trabalho era mesmo? – fingi interesse.

– Uns otários que estavam se divertindo às custas da biblioteca pública da cidade. Estavam indo lá há algumas noites para fazer bagunça. – apertou o punho. – E danificaram vários livros.

Tenho que admitir que sabia ficar nervosa. E no momento da luta percebi que usava suas habilidades muito bem, acho que é por que estava muito motivada a proteger a biblioteca e seus livros.

– E você? O que estava fazendo naquela região? – indagou enquanto andava de lado, me observando.

Olhei para ela. Por que eu diria a verdade logo agora?

– Um trabalho, baixinha. – olhei para o caminho que teríamos que seguir.

– Isso você já disse! – dessa vez entrou na minha frente e começou a andar de costas, fazendo com que ficasse virada para mim, me encarando. – Que tipo de trabalho?

– Um trabalho. – repeti, indiferente – Quer parar de andar assim? Tá me incomodando e você vai acabar caindo!

– Gajeel! Eu não vou cair! – riu.

– Está escuro, já é difícil caminhar normalmente. E você aí fazendo gracinhas. – o tom forte que eu desejei não saiu, fazendo com que minha voz soasse calma e normal.

Como resposta ela apenas fechou os olhos e colocou as duas mãos atrás da cabeça. O que a princípio me fez assustar um pouco, não seria nada legal se ela tropeçasse. Mas eu iria rir.

Destemida... pensei.

Olhei para o céu. Estava tarde e escuro, não faço idéia do que poderia acontecer a ela se voltasse sozinha para a guilda. Por isso sai de cima do telhado em que eu estava escondido quando percebi que seu trabalho havia terminado. Passei do outro lado da rua, perto de um poste de luz, propositalmente, para que ela me visse. Deu certo, me convidou a seguir caminho com ela.

Fiquei olhando para seus olhos fechados.

Tem vezes que não dá pra esconder... será que ela consegue ver que estou sem esperança, sem ar? Gostaria de ter coragem para lhe dizer. Mas nem se tivesse... sempre tropeço em minhas palavras e nunca consigo dizer o que realmente quero dizer. E nunca consigo mostrar o que realmente quero mostrar.

Me assusto ao ver que ela abriu os olhos de repente, e parecia... que foi pega de surpresa. Ah sim, ela tropeçou... um a zero pra mim.

Eu sinceramente queria vê-la levar um tombo, mas meu reflexo falou mais alto. Quando dei por mim eu estava inclinado para frente segurando sua cintura, não a deixando cair. Ela apoiou suas mãos em meus ombros e ficou me olhando com a mesma expressão assustada de antes.

– Ah Gajeel, eu não vou cair! – debochei com um sorriso sarcástico enquanto a observava. Ela parecia ter entrado em choque, então a puxei para mim, fazendo com que ficasse em pé. Soltei minhas mãos de sua cintura, mas ela continuou com as dela em meus ombros. – Levy... tudo bem? – perguntei um pouco apreensivo.

– Tu-tudo... – olhou para baixo – Tudo bem, só estou tentando recuperar o equilíbrio.

– Você... consegue continuar?

– Claro! – levantou o rosto, olhando para mim – Obrigada Gajeel!

Ela se soltou. Nos viramos para frente e seguimos o mesmo caminho de antes. Até que eu disse algo que entrou na minha cabeça há alguns minutos atrás.

– Nunca tinha visto essa sua cicatriz.

– Que cicatriz? – perguntou assustada.

– Essa no seu rosto, que o cabelo esconde.

– E-eu não tenho cicatriz nenhuma. – colocou a mão no lado direito do rosto.

– Então por que colocou a mão nela? – olhei para ela tentando entender o porquê desse nervosismo. Era só uma cicatriz.

– Por que... você falou que tinha. – tentou disfarçar.

– Mas eu não disse que era do lado direito. – sorri sarcasticamente. Dois a zero pra mim agora.

– Ah, não é nada...

Não entendi por que ela queria esconder essa cicatriz de mim. E nem por que eu estava interessado nisso. Mas aquela marca... parece de um machucado forte... É estranho, parece que de algum jeito eu deveria saber algo sobre essa curiosa marca.

Bem, quanto mais eu vejo menos sei e mais eu gosto de deixar rolar.

Deixar rolar... Isso já não estava dando certo há um tempo. Desde quando a conheci, para ser mais exato. Pensei que com o tempo eu iria esquecê-la e deixar essa ideia boba de lado. Não deu certo, a cada dia que passa ela ocupa mais espaço em minha mente.

Já pensei em tentar chegar até ela... mas tenho medo de que escute nada.

Eu poderia? Eu deveria? Falar as coisas certas pelo menos uma vez?

Tento não pensar sobre toda essa dor que eu sinto por dentro. Isso me estressa. E tento fazer o melhor com todo esse estresse.

Estou me esforçando, mas preciso de um tempo para respirar. Estou confuso... será que devo continuar a pensar nisso? Será que eu devo tentar ser honesto comigo mesmo...

Talvez eu esteja com medo, sei que estou longe de onde eu deveria estar. Eu deveria estar com ela.

Preciso de tempo. Para pensar, refletir, planejar... adquirir coragem. Porém, e se até lá ela já tiver desistido de mim? Desistir de me entender, me decifrar... A quem quero enganar, o problema não é ela, sou eu... eu sou estranho. Gostaria que houvesse uma forma de não deixá-la ir, uma forma de não decepcioná-la. Mas já não consigo medir esforços para controlar essa tentação.

– Tudo bem?

– Eh? – me assusto com a pergunta e percebo que ela está olhando para mim com seus olhos gentis, a espera de uma resposta. Acho que eu estava tão disperso em meus pensamentos que acabei ficando com cara de bobo. Há quanto tempo eu estava refletindo? – Não perca seu tempo comigo. – eu digo com um meio sorriso.

– Porque diz isso? – indagou.

– À toa. – coloco minhas mãos atrás da minha cabeça, fingindo relaxar.

– Uma palavra é apenas uma palavra até você falar sério. E amor não é amor até que você o entregue.

Olho pra ela com uma expressão de dúvida. Ela percebe e fala:

– Estou tentando lembrar onde foi que eu li isso. – sorriu.

– Tá aí uma missão impossível. – zombei, já olhando para frente.

Deu para escutar que ela riu levemente.

Mesmo sem querer, voltei a pensar nela. Apesar de frágil, ela parecia ser tão destemida...

Destemida...

Relembro de quando eu ainda obedecia ordens. O tempo em que eu não me importava com nada. Quando fui mandado a fazer aquilo com aqueles três...

Eu atacava e ela não reagia.

Talvez ela não tivesse medo do que eu poderia fazer. Ou estava com medo e não conseguia pensar.

De qualquer jeito, continuo sentindo muito por tê-la machucado, é algo com que tenho que viver diariamente. E toda a dor que lhe causei... queria levá-la embora, e ser aquele que segura todas as suas lágrimas. Espera... a cicatriz...

Aquela cicatriz...

– Gajeel! – escuto ela gritar assustada à minha frente. Só então percebi que eu havia caído de joelhos.

Vejo ela se ajoelhar, ficando de frente comigo.

– O que aconteceu? – ela pergunta depois de ver que eu coloquei minha mão do lado direito do seu rosto. Cuidadosamente eu empurro a mecha de cabelo azul que havia ali.

– Essa cicatriz... Levy, por favor, não minta. – olho profundamente em seus olhos para escutar a verdade.

– Isso não importa mais... – ela desvia o olhar.

– Claro que importa! – gritei enquanto dava um soco no chão, tentando descontar a minha raiva. A raiva que eu tinha de mim mesmo, por ter feito aquilo com ela.

– Não fique bravo com você mesmo... Não se lembra de todas as vezes que me salvou? – senti uma de suas mãos em meu queixo, me fazendo olhar para ela.

Seu rosto foi se aproximando do meu até nossas testas se tocarem. Nunca vi os olhos de alguém tão de perto.

– Eu te perdoei Gajeel... No momento em que olhei em seus olhos e vi que aquilo não era o que você é.

Aquilo não era o que eu sou... confirmei em meus pensamentos.

– O que eu sou? – pensei alto.

Ela sorriu e disse:

– Bem... você ainda tem o resto da sua vida para descobrir.

Ela acha tudo tão simples, tão normal. Sempre tem uma resposta pronta ou improvisada para qualquer coisa. Eu gostaria de ver o mundo através dos seus olhos.

Às vezes eu acho que ela entenderia o meu lado melhor do que eu mesmo.

Notas finais
E então, reviews por favor? *-*
Ah, e os pensamentos/sentimentos do Gajeel foram inspirados em algumas músicas, hehe~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!