Meu Jeito

24 Capítulo 24 – Visita a Hogsmeade - Parte I


O último fim de semana de fevereiro trouxe a visita a Hogsmeade tão esperada por Safira. Embora ansiosa por sair um pouco da escola, quando sexta-feira à noite chegou, ela estava em dúvida se deveria ir ou não. Talvez fosse arriscar muito…

A moça estava sentada sozinha a uma mesa no Salão Comunal estudando Poções. Concentrada, resumia o capítulo de poções medicinais.

Ao lado da lareira, Remo e Sirius jogavam xadrez de bruxo. Ou quase… Ao ver o amigo olhar pela quinta ou sexta vez para onde Safira estava, Aluado disse:

—Vai falar com ela, Almofadinhas.

—Quê? – Sirius voltou a atenção para ele

—Vai falar com ela. – repetiu o Maroto mais sensato – Você quer convidá-la pra sair, não quer?

—Legimente agora, Aluado?

—Não, eu conheço você. – respondeu Remo simplesmente

—Não sei o que fazer. – Sirius se recostou na cadeira

Aluado levantou uma sobrancelha.

—Você não sabe o que fazer?

—Pára de olhar com essa cara de “Meu Deus, nunca imaginei uma coisa dessas”. – disse Almofadinhas teatralmente – Por mais que ela consiga falar só com os olhos, eu nunca consigo ter idéia do que ela está pensando.

—De fato. – Aluado concordou

Almofadinhas mais uma vez olhou para ela…

—Deseje-me sorte. – disse ele se levantando

Quando uma sombra entrou na frente de seu pergaminho, Saf levantou a cabeça.

—Oi, Sirius.

—Você gosta mesmo de Poções…

—Como descobriu? – disse ela em uma ironia simpática

—Tirando que estamos em uma sexta à noite, — ele sentou na cadeira ao lado dela – aquela poção com folhas de uva que você acertou logo que chegou aqui foi uma boa dica…

Safira sorriu.

—O que vai fazer quando terminar a escola? – ele perguntou

—Ainda estou em dúvida

—Deve ter a ver com poções…

—Certamente.

Um instante de silêncio…

—Você… vai a Hogsmeade amanhã? – Sirius perguntou

—Não, acho que não. – ela respondeu balançando a cabeça

Droga, tinha alguma coisa por trás dos olhos dela, mas o que era?

—Já esteve no povoado?

—Só passei por lá para vir a Hogwarts.

—Então não conhece realmente Hogsmeade?

—Não. – ela respondeu

—E por que não quer ir? Você… não tem autorização? – disse ele um pouco sem graça por fazer essa pergunta

—Ah, tenho… mas acho melhor ficar no castelo. Tenho muita coisa pra estudar, os NIEMs estão chegando…

—Precisa de um tempo para descansar, ou os estudos vão render cada vez menos. – ele argumentou – Vem com a gente amanhã. – tentou animá-la – E não aceito ‘não’ como resposta…

—Ah, é…? Você é muito democrático.

Havia algo nos olhos dele que era agradável de ver…

E agora? Seus pais disseram que podia ir… Dumbledore concordara… E, ah, como ela queria respirar um pouco fora dos portões de Hogwarts…

—Muito bem, — ela respondeu por fim – eu vou amanhã.

Havia muito escondido no sorriso de Safira, mas só o que era visível já era encantador…

… … … … … … … … …

Na manhã seguinte, Pedro ainda tomava café quando os outros três Marotos já tinham voltado ao dormitório. Frank já tinha saído com Alice. Tiago procurava uma camisa em seu malão; Remo, pronto, estava deitado de costas em sua cama esperando os amigos; e Sirius não parava quieto um minuto.

—Almofadinhas, você está me cansando só de olhar. – Aluado reclamou – Afinal, Saf aceitou ou não sair com você?

—Eh… não exatamente. – Almofadinhas respondeu – Consegui convencê-la a ir Hogsmeade.

—Que ótimo… Quer dizer que se você tivesse conseguido convidá-la e ela tivesse aceitado, você já teria aberto um buraco no chão de tanto andar de um lado para o outro. Realmente promissor…

—Aguamenti.— Almofadinhas apontou a varinha para ele

Aludo apenas olhou para o alto enquanto se secava com a própria varinha.

—Pontas, você marcou seu casamento com a Lily pra hoje?

—Não, Almofadinhas, por quê?

—Você está há quinze minutos para escolher essa camisa!

—Almofadinhas, não enche. Combinamos de irmos todos juntos a Hogsmeade, bom, tirando Frank e Alice. As meninas não estão no Salão Comunal ainda. Não estamos atrasados.

—Como sabe que elas não estão lá? – Almofadinhas perguntou

—Estava olhando o mapa. – Pontas respondeu – Aliás, Aluado, você fica com eles hoje. – acrescentou jogando a Capa da Invisibilidade e o Mapa do Maroto ao amigo

—Certo. – fez Aluado. – Vou conferir as passagens de Hogwarts a Hogsmeade e ver o que dá pra acrescentar. Quem fez a última atualização do Mapa?

—Rabicho.

—‘Tá, vou conferir se tudo está em ordem.

—Falando nele, cadê aquele rato??

—Sossega, Almofadinhas!!!

… … … … … … … … …

A estrada que ligava Hogwarts a Hogsmeade parecia a Safira muito mais agradável dessa vez. Nada tinha a ver com a paisagem. Naquele momento, a neve começava a derreter. Da vegetação sobrara praticamente apenas os galhos nos arbustos e árvores e lama onde antes havia grama. Bem diferente do fim do verão em setembro.

Não, ela chegara à escola triste por tudo que tinha acontecido. Agora experimentava o gosto de um pouco de liberdade depois de seis meses.

Durante a manhã, visitara a Dedosdemel e passaram pela Casa dos Gritos. Na hora do almoço, Maia foi se encontrar com Guilherme e, no início da tarde, Pedro voltou mais cedo para o castelo por não estar se sentindo bem por ter comigo doces demais. Remo também achou uma desculpa qualquer para deixar o grupo.

Ana, Saf, Lily, Tiago e Sirius deram uma volta pelas ruas do povoado, indo depois ao Três Vassouras. Acomodaram-se em uma mesa ao lado da janela e pediram as bebidas.

Estavam ali já há uma hora conversando quando Ana, olhando pelo vidro, viu Maia do outro lado da calçada andando devagar e sozinha…

Sabendo o quanto a amiga gostava de discrição, Ana nada disse a Saf ou Lily para não chamar atenção dos dois rapazes ou de mais ninguém no bar. Murmurando um “já volto”, ela saiu para encontrar a senhorita Swan.

—Maia? – ela chamou preocupada

—Oi, Ana. – ela respondeu com a voz triste

—O que aconteceu?

—Realmente não pode imaginar? – ela perguntou cabisbaixa

—Ele não te merece. – Ana respondeu chateada

No Três Vassouras, Sirius teve uma idéia…

—Saf, quer conhecer a Zonko’s?

—O que é a Zonko’s?

—Uma loja de truques e brincadeiras. – Lily respondeu

—Pode ser. – Saf falou – Vocês vêm? – perguntou a Lily e Tiago

—Eu passo. – respondeu a ruiva – Mas acho que Tiago vai.

—Não, — fez Tiago – meus estoques estão bem abastecidos…

Ele não perderia a oportunidade de ficar perto de Lílian…

Sendo assim, Sirius e Safira saíram. Tinham andado mais ou menos um quarteirão quando ele percebeu que tinha esquecido a carteira sobre a mesa do bar.

—Eu já volto. – disse e saiu correndo

Ele mal tinha entrado de novo no estabelecimento quando a moça ouviu atrás de si:

—Petrificus Totalus.

E caiu no chão. Saf não podia nem mexer os olhos, mas podia ouvir. O som não era agradável. Várias pessoas aparatavam em Hogsmeade… Não podia ser bom…

Feitiços eram disparados em todas as direções para distrair e ocupar quem passava por perto e disfarçar que uma jovem paralizada era levitada para fora dali.

—Travalingua.

—Confundus

—Immobilus

Ao ver o que estava acontecendo, Sirius correu para a rua preocupado com Saf. Tiago e Lílian foram atrás dele. Porém, por causa da bagunça, ele não pôde chegar até a esquina onde a deixara.

—Protego!

Quando tudo começou, Remo estava escondido embaixo da Capa da Invisibilidade. Mandou um patrono o mais rápido possível para Hogwarts e seguiu sem ser percebido para onde levavam Safira.

Na avenida principal do povoado, os alunos se defendiam como podiam. Lílian, Sirius e Tiago formaram um círculo de costas um para o outro e rebatiam os feitiços que lhes eram lançados. O mesmo faziam Frank e Alice com Maia e Ana, além de outros pequenos grupos.

—Furnunculus

—Protego

—Impedimenta

—Expelliarmus

A maioria dos feitiços não causava estragos tão grandes, mas ninguém entendia o que estava acontecendo. Narizes sangrando, cortes em braços, e coisas do gênero. Eles estavam conseguindo o que queriam: confusão.

Por um golpe de sorte, Lílian consguiu derrubar dois homens mascarados… se tornando um alvo preferencial por conta disso…

Como se tudo acontecesse em câmera lenta, Tiago viu dois homens, em direções opostas, mirarem Lily enquanto ela rebatia outro encantamento. Não tendo como bloquear os dois feitiços a tempo, o rapaz fez a única coisa que encontrou para protegê-la: entrou na frente dela.

Quando Lílian percebeu o que tinha acontecido, Tiago caía desacordado. Tentou segurá-lo, mas, não aguentando o peso, também caiu no chão.

—Tiago! – disse aflita

—Lily, de pé! – Sirius disse com energia – Estupefaça. Se ficar no chão, vai ser mais fácil acertar vocês dois.

Ela obedeceu ficando de costas para Sirius e deixando Tiago entre eles.

—Protego!

… … … … … … … … …

Remo acompanhava um homem mascarado alto e magricela levitar Safira até a orla do bosque, onde outro sujeito, também mascarado, mais baixo e corpulento o esperava. A moça foi jogada sem nenhum cuidado no chão entre as árvores.

—Que feitiço você usou nela? – disse agressivo o homem mais baixo

—Petrificus Totalus. – respondeu o outro

—Você é um imprestável mesmo. Daqui a pouco, o efeito disso passa. – e apontando a varinha para Safira, disse — Estupefaça.

A meia distância, Remo conseguiu ver os músculos rígidos da amiga se soltarem quando ela ficou inconsciente.

—Agora vai dar o sinal para eles pararem. – o mais baixo mandou

Se com esse sinal o ataque pararia, Remo achou melhor deixar que o mais alto fosse. Quando ele saiu do seu campo de visão, o Maroto apontou a varinha para o que tinha ficado.

—Estupefaça.

Em seguida, aproximou-se da amiga, abaixou no chão cubrindo-a também com a Capa, mandou seu patrono mais uma vez enviar uma mensagem, segurou firme o pulso dela e aparatou.

… … … … … … … … …

Quando o homem mais magro chegou à ponta da avenida principal, viu que os professores de Hogwarts, inclusive Dumbledore, estavam ali, além de alguns aurores. Com medo de ser pego, lançou o sinal de retirada no céu, uma espécie de fogo de artifício verde, e desaparatou. Vendo o sinal, um a um os atacantes também foram desaparatando.

Os professores se apressaram em juntar os alunos e mandá-los de volta ao castelo escoltados. Dumbledore, ao receber pela segunda vez um patrono que tinha a forma de um pássaro, indicou que um dos aurores fosse com ele e seguiu na direção da orla do bosque.

Vendo que o perigo tinha passado, Lily abaixou no chão ao lado de Tiago.

—Tiago? Tiago? – ela o sacudia de leve

—Wingardium Leviosa— falou Sirius para sua varinha tão pálido quanto a ruiva.

Enquanto Sirius o levava, Lily afrouxou a gravata dele e abriu o botão do colarinho. Foram acompanhados até a escola por McGonagall, Ana, Maia, Alice, Frank e outros alunos da Grifinória.

… … … … … … … … …

Remo chegou com Safira no andar de cima da Casa dos Gritos. Gentilmente, pegou-a no colo e colocou sobre a cama em que ele costuma ficar depois das noites de lua cheia. Guardou a Capa de Tiago, sentou ao lado dela e murmurou para a varinha:

—Ennervate.

A moça contraiu de leve o rosto e piscou uma ou duas vezes atordoada.

—Remo? – disse ela apertando os olhos e tentando levantar

Ele colocou a mão em seu ombro impedindo.

—É melhor continuar deitada por enquanto.

A sensibilidade incomum de Safira acordou quase antes que seu consciente, e ela o observava com grande atenção, embora não demonstrasse…

Aquele era, de fato, o Maroto de aparência mais calma e sensata. Poções Polissuco imitavam muito bem o físico, porém não podiam copiar o modo de olhar, de falar, entre tantas outras pequenas coisas; não tinham a capacidade de reproduzir a personalidade.

—O que aconteceu? – ela perguntou

—Hogsmeade foi atacada. – ele respondeu em tom preocupado

Angustiada, Saf fechou os olhos por um momento.

—Alguém se machucou? – ela perguntou

—Não sei. Você foi a primeira a ser atacada. Consegue se lembrar do que aconteceu?

—Fui petrificada e levitada a algum lugar que não consegui ver bem… Acho que havia dois homens. Depois… imagino que foi um feitiço estuporante.

—Foi. Consegui seguir você. Um dos homens logo saiu. Quando o outro… se distraiu, pude trazer você pra cá sem sermos vistos. Sei que aconteceu alguma coisa na rua principal do povoado, mas não sei o que foi.

Safira desviou os olhos incomodada. Pela primeira vez dava alguma atenção para onde estava. O lugar estava envolto em penumbra, a janela à sua esquerda era quase totalmente coberta com tábuas. Os móveis tinham um aspecto poeirento.

—Onde estamos?

—Antes de respoder, preciso que me dê sua palavra que não vai contar a ninguém. – ele pediu sério

—Você acaba de me livrar sabe-se lá de quem, é o mínimo que posso fazer.

—Muito bem… estamos na Casa dos Gritos.

—O quê?? – Safira sentou-se – Aqui não é conhecido por ser o lugar mais mal-assombrado da Grã-Betanha ou algo assim?

—É… mas o Marotos descobriram que em alguns períodos a casa fica vazia. Estamos seguros agora. Acha que já consegue ir para Hogwarts?

—Acho que sim. – ela respondeu levantando – Como vamos voltar para a rua despercebidos?

—Não precisamos voltar para a rua. Tem… uma passagem direto para a escola. De novo, preciso que não conte isso a ninguém.

—Sem problemas.

—Por aqui. – ele indicou as escadas

Uma vez no andar de baixo, a moça parou notando móveis arranhados e quebrados e se assustou.

—Tem certeza de que estamos seguros aqui?

—Tenho. – Remo conteve um suspiro pesado – Não posso dizer porque, vai precisar confiar em mim. No entanto, você não deve mais voltar aqui.

—Não vou. – ela balançou a cabeça

Voltaram a andar. Saf sentia uma pontada no tornozelo esquerdo, porém disse a si mesma que não era nada. Quanto antes chegassem a Hogwarts, melhor.

… … … … … … … … …

Quando Lílian e Sirius chegaram à Enfermaria trazendo Tiago, o lugar começava a ficar lotado. Ao ver que se tratava de um caso que exigia mais atenção, Madame Pomfrey foi ao encontro deles rapidamente.

—O que aconteceu? – ela perguntou enquanto o acomodavam em uma das camas

—Dois feitiços, mas não sabemos quais. – Lily respondeu

Depois de verificar que a respiração e o pulso de Tiago estavam normais, Madame Pomfrey perguntou:

—Falta muita gente para voltar ao castelo?

—Um pouco. – Sirius respondeu

—Está machucado, senhor Black?

—Não. – ele respondeu

—Então vou pedir para que vá diretamente ao Salão Comunal da Grifinória e permaneça lá. – vendo que o rapaz ia argumentar, ela acrescentou – Estou pedindo a todos os acompanhantes que vão para suas Casas. Se a Ala Hospitalar encher demais, pode acabar nos atrapalhando.

—Mando noticias assim que puder. – Lily disse ao amigo

Diante disso, Sirius bateu os olhos em Tiago mais uma vez.

—Está bem. – disse antes de sair

—Senhorita Evans, em cima da minha mesa já há algumas poções separadas…

—Madame Pomfrey, por favor…

—Senhorita Evans, preciso de sua ajuda como nunca. Ficar agora ao lado dele não vai resolver. Vá e trate dos ferimentos que já sabe cuidar. Não temos tempo a perder.

—Sim, senhora. – a ruiva assentiu com um gesto da cabeça

—Saiba – a enfermeira acrescentou – que não confiaria isso a qualquer um.

—Obrigada, Madame Pomfrey. – Lily inclinou a cabeça

Dando mais uma olhada no rosto pálido de Tiago, a moça saiu apressada para a salinha do fundo para lavar as mãos e buscar os curativos.

Notas finais
N/A – Olá!! I’m here again! Aqui está o capítulo 24. Ele é um tanto diferente dos outros. O começo foi mais ou menos a mesma linha de sempre (gostaram do Sirius sem graça para falar com a Saf e quase furando o chão no dia seguinte? Hahaha). Mas depois... Nunca tinha escrito algo mais relacionado a aventura, então se vocês puderem deixar opiniões, inclusive sugestões, se for o caso, agradeço muito. E, bom, o capítulo ficou simplesmente gigante (mais ou menos o dobro do normal) e achei melhor quebrá-lo em dois. Abraço, Palas