Meu Incrível Ultimo Outono
1 O Lago
Charlie, um garoto de 17 anos, vivia com seus pais em uma pequena cidadezinha do interior. Charlie era um bom garoto, não dava trabalho na escola, o que deixava seus pais felizes, suas notas não era as melhores mas eram notas altas e boas para uma pessoa que enfrentava tantos problemas. O Problema de Charlie era sua Doença que ele descobriu quando tinha 14 anos, Câncer. No inicio seus pais correram atrás do mundo para encontrar uma cura, mas foi impossível. Foram dias difíceis para seus pais, e mais difícil ainda para Charlie, que começou a freqüentar o hospital diariamente. Os médicos deram esperanças, de uma melhora e os anos se passaram, Charlie agora estava no seu ultimo ano no colégio, seu sonho era terminar e fazer faculdade de letras. Ele adorava escrever, em seu quarto havia centenas de cadernos cheios de versos e poesias que ele escrevia durante as férias. Geralmente as outras pessoas da escola viajavam nas férias, ou ia para acampamentos, mas os pais de Charlie nunca permitiu que ele fosse a algum desses lugares por causa de sua doença.
Mas essa tarde era diferente, seu pais estavam o levando para uma cidade vizinha, onde havia um lago e um lindo bosque florido. Era um dia especial para comemorar a volta de Charlie pra casa, já que ele passou uma semana no hospital. Ele estava no banco de trás do carro, olhando pelas janelas admirando as estradas coisas que raramente ele via já que não saia muito da cidade. Charlie segurava em sua mão um caderno e uma caneta, mesmo sabendo que desta vez ele não ficaria em casa escrevendo ele resolveu levar seus antigos companheiros, pois seu melhor passa tempo mesmo em outro lugar seria escrever. Ele foi em silêncio o caminho todo, o contrario de seus pais que discutiam sobre como a estrada estava diferente da última vez que passaram por ali.
Quando chegaram ao lago, Charlie foi o primeiro a descer do carro, impressionado com o lugar, era lindo as árvores enormes faziam uma sombra gostosa, e uma doce brisa passava deixando o cheiro da natureza em volta. Havia um velho banco em baixo daquelas árvores, Charlie se aproximou e olhou como o lugar perfeito para se sentar com seu caderno para escrever. Esse lugar o inspirava muito, e ao mesmo tempo o dava muita paz e tranqüilidade.
– Obrigado por me trazerem aqui – Disse Charlie segurando a mão de sua mãe, que se aproximou do banco onde ele estava sentado.
– Aproveite querido, esse lugar é incrível, eu e seu pai estaremos lá onde os velhos se sentam pra conversar – Respondeu sua mãe, sorrindo ao mesmo tempo tirando sarro de sua idade, mesmo não sendo assim tão velha.
– Se precisar de algo filho, é só nos chamar – Disse seu pai, erguendo a mão e fazendo sinal de jóia, uma forma do pai de Charlie dizer que ele poderia ficar tranqüilo que ele manteria sua mãe longe para que ele pudesse se distrair um pouco mais.
Charlie ficou ali no banco, olhando as outras pessoas que estavam fazendo piqueniques, outras que estavam jogando bola e algumas pescando lá ao longe na beira do lago. Era a primeira vez que ele estava em um lugar onde as pessoas normais saiam sempre para se divertir, em férias ou finais de semana. Esse era um bom motivo para escrever, ele já tinha tudo em sua cabeça, uma história formada. Já estava com a caneta pronta para escrever a primeira linha quando uma bola caiu em cima de seu caderno. Ele não viu de onde veio, apenas se assustou quando aquela bola caiu em cima de seu caderno, manchando de barro as folhas brancas que ele escreveria. Logo em seguida um garoto, da mesma idade que ele, se aproximou do banco a procura da bola, o garoto era alto, tinha músculos como um de atleta, sua pele clara estava vermelha por estar correndo demais, e estava usando um shorts curto desses de jogadores de futebol. Seu cabelo preto jogado nos olhos estavam molhado de suor, assim como seu rosto.
– Desculpa ai cara, Layna não sabe jogar bola. – Disse o rapaz pegando a bola do chão olhando para Charlie sorrindo.
– Tudo bem – Respondeu Charlie um pouco envergonhado. Ele não tinha muitos amigos, apenas dois considerados nerds na escola, que eram seus melhores amigos.
– Você quer jogar com a gente? – O Rapaz disse e estendeu a mão para Charlie que estava sentado no banco.
– Eu gostaria, mas eu nunca joguei bola – Disse Charlie com a voz baixa
– O que? Nunca? Está brincando? – O Rapaz pegou Charlie pela mão e o puxou para perto de seus amigos que estavam esperando que ele trouxesse a bola.
Os amigos do rapaz ficaram olhando para Charlie impressionados, quem se impressionou mais foi Layna, ela admirava sempre a beleza nos rapazes, e mesmo Charlie sendo magro e pálido por causa de sua doença, Charlie era muito bonito, seus cabelos lisos jogados de lado perfeitamente, seus olhos claros e sua boca pequena e vermelha encantaram Layna que não tirava os olhos dele.
– Muito prazer , sou Layna – disse a garota, logo abraçando Charlie que ficou vermelho.
– Prazer Layna, sou Charlie – ele disse um pouco envergonhado. Layna era uma garota muito linda, seus longos cabelos ruivos era o que mais chamavam a atenção, também seus olhos verdes e seu corpo que era perfeito.
– Bom Prazer eu sou Tedy – Disse o outro rapaz sorridente estendendo a mão a Charlie
– Bom você conheceu os meus amigos, agora deixa eu me apresentar — disse o rapaz, o mesmo que o puxou para jogar bola com eles. – Eu sou Nicolas, ou pode me chamar de Nick, como meus amigos disse o rapaz.
– Prazer Nick, foi bom conhecer vocês, Mas eu preciso ir agora – Disse Charlie virando de costas tentando sair dali o mais rápido possível.
– Calma, porque quer ir? Vamos jogar – Disse Nick que se jogou na frente de Charlie
– Eu não sei jogar bola – Charlie falou baixo
– Layna também não sabe – Aos risos Nick mencionou.
– Eu ouvi isso – Layna falou de longe
Charlie nunca havia jogado bola em sua vida, mas porque não jogar? Sua vida era uma bomba relógio mesmo porque não aproveitar ao máximo enquanto ele podia. No inicio Charlie ficou com medo, ele só jogou bola uma vez com seu pai e acabou quebrando o vidro da janela de casa, pois era o único lugar que ele jogou bola na vida. Mas a galera estava de boa, todos estavam se divertindo apenas chutando a bola um para o outro. Eles fizeram várias brincadeiras, e Charlie começou a se cansar.
– Eu preciso me sentar um pouco — Disse Charlie se sentando no chão na grama, coisa que raramente ele fazia.
Nick se sentou a seu lado, e ficou olhando para seu caderno, com curiosidade pois quem viria com um caderno a esse lugar tão maravilhoso?
– E este caderno? – Nick perguntou curiosamente
– Gosto muito de escrever – Disse Charlie
– Histórias?
– Não, escrevo pequenos poemas, algumas frases, coisas que eu vivo.
– Então me diz uma frase que você escreveu
– Porque eu diria a você? – Charlie disse num tom irônico
– Porque eu te convidei pra jogar bola comigo, — Respondeu Nick sorrindo
– Então está cobrando?
– Não. Mas você entrou na minha brincadeira, que é a minha diversão, agora quero saber qual a sua diversão, quero entrar na sua brincadeira, me fala uma frase que você escreveu?
Charlie deu um sorriso de canto, e abriu o caderno. Foi até umas páginas antigas e escolheu um de seus versos que ele escreveu enquanto estava no hospital. Não era um lugar ideal para escrever, mas ali ele ouvia tanta coisa, tanta tristeza tanta alegria, e assim conseguia escrever suas melhores frases.
– ‘’O AMOR VERDADEIRO NÃO ESTÁ ESCONDIDO PARA TER DE ENCONTRA-LO. BASTA VOCÊ AMAR VERDADEIRAMENTE UMA PESSOA, E SERÁ UM AMOR VERDADEIRO.’’ – Disse Charlie lendo o caderno, sem notar que Nick ficou olhando fixamente para seus olhos enquanto ele estava lendo.
– Foi a melhor frase que eu ouvi até hoje – Sussurrou Nick
– Obrigado – Charlie disse isso e fechou o caderno.
– O que estão fazendo? – Perguntou Layna que chegou correndo e se sentou do lado de Charlie.
– Conversando – Nick respondeu mudando os olhares para o céu outra hora para os lados.
– Charlie e você? O que faz aqui? – Ela perguntou toda animada sorridente de pernas cruzadas de frente para ele.
– Meus pais vieram me trazer aqui pra um passeio, eles acharam que seria bom um pouco de ar puro, depois de passar uma semana no hospital – Charlie desabafou
– Uma semana? O que aconteceu?
Nick e Layna arregalaram os olhos
– Tenho Câncer, faço tratamento dês dos meus 14 anos de idade, e fiquei um pouco debilitado a uma semana e precisei ficar no hospital – Ele contou
– Meu Deus, e eu fazendo você correr, me desculpa eu não imaginava – Nick começou a se desculpar.
– Sabe porque eu não tenho amigos? E porque eu não jogo bola? Porque todos acham que eu estou morrendo, e não posso me divertir. Eu pensei que com vocês seria diferente, mas já vi que me enganei. Estou bem, não se preocupem, eu preciso ir embora está tarde. – Desabafou Charlie
Ele se levantou pegou seu caderno do chão e saiu em direção ao banco onde ele estava. Ao longe ele notou que Nick e Layna ainda estavam lá sentados no chão de cabeça baixa. Ele Balançou a cabeça e foi até seus pais, pediu para ir embora. Ele já estava dentro do carro quando ouviu seu pai batendo no vidro.
– Tem uma amigo seu aqui querendo falar com você – Disse seu pai
Abaixei o vidro era Nick, ele estava ali parado olhando para o carro com o sorriso no rosto.
– Me desculpa, eu só disse aquilo porque não sabia da sua doença, mas eu não acho que você não pode se divertir, ao contrario, eu acho que você deve sim se divertir, e eu quero convidar você pra voltar aqui com a gente no próximo fim de semana. – Disse Nick com um olhar sincero
– Eu que peço desculpas, é que são tantas pessoas com pena de mim, que as vezes acho que todos são iguais, mas acho que vocês são diferentes. – Resmungou Charlie
– Então você vem no próximo fim de semana?
–Talvez...
Nick fez sinal de que entendeu, e depois estendeu a mão para se despedir. Ele apertou sua mão, e ele segurou a de Charlie. Foi de uma maneira diferente, mas não sei explicar. Os pais de Charlie entraram no carro e seguiram para casa. Nick ficou lá olhando o carro sair. E Charlie foi a viajem inteira de volta pensando naquele dia, como foi especial. Ele tinha jogado bola e feito amizades novas. Coisas que ele não imaginava acontecer numa simples tarde de domingo. Ele mal podia esperar a hora de chegar o outro dia, para contar a Mary e Kevin, seus amigos da escola, seus únicos amigos, ou agora devo dizer os que eram seus únicos amigos.
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