Charlie esperava os amigos na varanda de sua casa, sentado a uma velha cadeira de balanço. Ao ver os amigos se aproximando ele se levantou, Mary estava com uma cara estranha mas isso não preocupou Charlie, pois Katerina estava do seu lado tentando animar a garota. Nick ao chegar foi logo dando um beijo em Charlie e o abraçando, os dois entraram dentro de casa abraçados, seguidos por Mary e Katerina.

– E sua mãe – Perguntou Nick, ao perceber o silêncio dentro de casa

– Está descansando – Respondeu Charlie se sentando no sofá

– Bom, eu preciso ir pra casa agora — Falou Nick olhando o relógio

– Precisamos também – Disse Mary e Katerina

– Ah, mas tão cedo? – Charlie parecia decepcionado

– Não se preocupe Char, vamos voltar a noite, hoje faremos um luau, pra decidir o que fazer na sexta-feira – Brincou Mary ao dizer com um sorriso um pouco forçado.

– Está bem – respondeu o garoto sorrindo de canto – gostei da idéia

– Idéia de Katerina – Falou Nick sorrindo

– As melhores idéias são minhas – disse a garota na brincadeira

– Se acha – Mary resmungou sorrindo de canto, a amiga deu uma cotovelada nela enquanto ela dizia isso

Charlie deu um beijo em Nick e os garotos foram pegar suas coisas. Logo eles estavam de volta na sala com suas mochilas, eles se despediram, claro Charlie e Nick tiveram seu momento sozinhos, enquanto Mary e Katerina o esperava na calçada. Nick eu um beijo em Charlie e disse que voltaria mais tarde como o prometido.

Os garotos saíram, e Charlie ficou observando ali sentado outra vez na velha cadeira de balanço. Quando Nick chegou em sua casa, as meninas se despediram dele e continuaram caminhando pela calçada. Mary colocou as mãos no bolso e ficou olhando para o chão enquanto andava. Katerina olhava para o rosto da amiga, e tentava criar coragem de perguntar algumas coisas que ainda estavam entaladas em sua garganta.

– Mary posso te fazer uma pergunta – Disse Katerina tomando coragem

– Bom, é claro – Respondeu a garota

– Você não ficou tão mal assim ao ver Kevin, você ficou mal com o que ele disse, eu não quero ser intrometida, me desculpa mas eu quero ajudar você, no que for, pode me contar – Disse Katerina com a voz calma

– Não sei se quero falar sobre isso

– Tudo bem, mas acho que se sentiria melhor se falasse para alguém

Mary suspirou e parou em frente a um banco, elas estavam perto de uma pequena praça, já era perto da casa de Mary. Katerina se sentou no banco e Mary se sentou a seu lado.

– Desabafa – Disse Katerina

Mary segurou a mão da amiga, suspirou e começou a contar

– Eu descobri a alguns anos que minha mãe engravidou de mim, em um estupro que ela sofreu num assalto, ela não me abortou porque a família não permitiu, mas ela quis me dar para adoção, então minha avó me criou. Quando eu tinha 15 anos, minha avó faleceu, e eu fui morar com minha mãe novamente. Eu nunca entendi porque eu morava com minha avó se minha mãe morava ali tão perto. Mas quando eu fui pra casa dela, meu pai, que até então eu não sabia que não era meu pai, me maltratava, se desfazia de mim, me ignorava. Minha mãe mal falava comigo, ela me desprezava. Até o dia em que eu descobri o que aconteceu, eu fui para o banheiro e cortei meus pulsos. Minha mãe se apavorou quando viu e me levou para o hospital, eu estava morrendo porque perdi muito sangue, foi então que minha mãe deu seu sangue pra me salvar. Foi uma atitude de mãe, ela implorou desculpas, me pediu perdão, mas seu marido, ‘’meu pai’’ não aceitou e a abandonou. A família foi destruída por causa de mim, meus irmãos me odeiam até hoje. Depois eu conheci Kevin e Charlie, eu comecei a chamar os dois de Ke, e Char, eles se tornaram meus melhores amigos. Mas Não contei isso a Char, porque quando eu descobri sobre sua doença, achei a história dele mais triste, e não valia a pena fazer ele sofrer com a minha também. Eu só contei para Kevin, e ele me jogou na cara agora. Você entende agora porque doeu tanto quando ele disse aquilo?

Katerina já estava chorando, ela estava sem palavras para dizer a garota. Ela apenas a abraçou, chorando. Mary devolveu o abraço com intensidade, as duas ficaram por alguns minutos assim, até que Katerina se acalmou e parou de Chorar.

– Você é uma grande pessoa, sofreu muito, e ainda sorriu pro mundo tenho orgulho de ser sua amiga – Disse Katerina com a voz tremula

– Eu não sei porque contei a você tudo isso mas, eu sinto que posso confiar em você Kat, — Respondeu a garota segurando a mão da amiga

As duas se abraçaram novamente e depois se levantaram, continuaram caminhando, elas resolveram deixar a tristeza de lado e conversar sobre a noite, como seria esse luau, embora já soubessem que seria divertido como sempre era quando estavam todos juntos.

Do outro lado, Charlie ainda estava sentado a cadeira de balanço, mas estava quase levantando para entrar dentro de casa, mas desistiu quando viu alguém passando ali perto de seu portão. Ele foi até lá e viu o garoto sentado na calçada, era Kevin. Charlie se assustou com o estado do garoto, mas não sabia o que estava acontecendo então se aproximou de Kevin e olhou para o garoto que estava com roupas extravagantes, cabelo arrepiado, e os olhos bem murchos.

– Kevin? O que houve com você? – Perguntou Charlie apoiando a mão no ombro do amigo que estava ali no chão

– Charlie, é você? Oh Charlie – Disse Kevin abraçando as pernas de Charlie que se assustou com a reação do amigo.

– O que foi que aconteceu com você? Perguntou Charlie

– Estou bem, eu só estava com saudades de você amigo – Respondeu o garoto, sorrindo como se estivesse chapado

– Você está estranho, você bebeu?

– Um pouco, mas não importa, quer ir dar uma volta comigo e com meu namorado? – Perguntou Kevin

– Não posso – Charlie negou – e me conta essa de namoro, que bom que conheceu alguém, eu queria te explicar sobre...

– Shii. – Kevin interrompeu o amigo – Eu sei o que você vai dizer, e acredite você e Nick ficam bem juntos, não estou chateado, não mais

Charlie sorriu de canto, ainda estranhando a reação e a aparência do amigo. Logo um carro parou perto de Kevin, e Jason o chamou. Kevin se levantou do chão e estava indo em direção ao carro.

– Vamos é só uma voltinha de carro – Perguntou Kevin outra vez

– Não posso — Respondeu Charlie

– Você deve isso a ele não acha? Depois dele ter visto você dormindo abraçado com aquele garoto no hospital – Murmurou Jason sorrindo maliciosamente

Charlie sentiu um pouco de pena, e culpa por não ter terminado com Kevin antes, e acabou aceitando dar um passeio com eles.

– Bem rápido – Disse Charlie – antes que minha mãe acorde

Charlie entrou no banco traseiro do carro, e eles seguiram. Charlie se assustou pois o garoto corria demais, e Kevin ficava gritando alucinadamente a cada obstáculo que passavam. Jason dirigiu até aquele lugar afastado da cidade, ali era realmente longe de tudo, na frente do lugar havia uma floresta, mas os garotos não entraram, ficaram ali apenas na grama sentados. Jason jogava alguma coisa na boca de Kevin e depois o beijava, Charlie observava a cena e não entendia nada.

– Bom agora vamos – Disse Charlie depois de alguns minutos

– Porque tanta pressa? – Disse Jason se aproximando demais de Charlie

O Garoto se levantou

– Preciso ir

Jason olhou para os lados, e depois tentou agarrar Charlie. O Garoto ainda estava fraco, Jason tentava beijar o pescoço de Charlie que tentava recuar de nojo, mas o garoto era muito forte.

– Me beija garoto lindo, vai você nunca vai se esquecer do meu beijo – Dizia Jason

– Solte ele — Gritou Kevin pulando no pescoço de Jason

– Sai daqui seu imbecil – Jason e Kevin se agarraram e começaram a lutar

Charlie caiu no chão e ficou assustado olhando a cena, ele não sabia o que fazer, Jason era um garoto forte e Kevin com certeza apanharia muito dele. Depois de rolarem muito e soco daqui e de lá, Jason jogou Kevin no chão e segurou seu pescoço. Kevin estava quase sufocando, ele já estava com o rosto vermelho, Charlie desesperado procurou alguma coisa para ajudar, e avistou um pedaço de madeira velha ali no chão, ele correu pegou a madeira e tacou na cabeça de Jason que caiu e ficou desacordado.

– Você está bem? – Perguntou Charlie a Kevin, que suspirava várias vezes no chão

– Sim – disse o garoto ofegante

– Meu deus eu o matei? – Charlie se aproximou mas percebeu que Jason ainda respirava

– Vamos embora – Disse Kevin pegando a mão de Charlie

Os dois saíram caminhando, mas Kevin ouviu algo e olhou para trás, Jason estava com a arma apontada para Charlie pronto para atirar, Kevin se jogou na frente do amigo quando Jason disparou o revolver. A Bala atingiu o peito de Kevin, que caiu no chão imediatamente. Charlie ficou arrasado ao ver a cena, Jason entrou no carro e fugiu correndo cantando pneu.

Charlie ficou ali segurando a cabeça de Kevin em seu colo, tapando a ferida do amigo com as mãos, mas o sangue não parava de escorrer, Por sorte alguém estava passando na rua nesse momento, o que era um milagre pois geralmente não passava ninguém por ali. Era um homem, ele chamou a ambulância e a policia, ele anotou a placa de Jason. Charlie ficou ali no chão olhando para o amigo, chorando desesperadamente

– Kevin por favor, agüenta firme – Ele dizia chorando

– É tarde demais pra mim, mas quero te dizer uma coisa antes de morrer – Disse Kevin com a voz rouca e tremula, o sangue estava em sua boca também

– Não, você não vai morrer, não – Repetia Charlie

– Eu sempre amei você, e vou levar esse amor comigo, pra onde eu for – Disse Kevin passando a mão no rosto de Charlie, sorrindo de canto

Depois a mão de Kevin caiu, O Homem que estava lá tentou reanimar o garoto mais era tarde. Não se ouvia mais o coração de Kevin e ele estava sem pulsos. Charlie Gritou, muitas vezes, abraçando o amigo que estava largado no chão em seu colo.

''Morrer nos Braços de quem eu amo, é meu sonho'' Frase de Kevin em um caderno que Charlie Guardava a sete chaves, ao lado de uma recente gravação, de Kevin cantando especialmente para Charlie a sua música preferida ''Breakway'' de Kelly clarkson... Isso foi a lembrança que passava pela cabeça de Charlie naquele momento de dor e tristeza.