Kevin chegou em casa rápido, largou suas coisas em cima da mesa e disse a sua mãe que iria ao hospital ver seu namorado. Ele mal conseguia explicar a sua mãe o que tinha acontecido, sua voz não saia, estava cansado por ter andado muito depressa na rua, também ainda estava com a voz um pouco rouca por ter chorado um pouco antes. Mary logo bateu na porta

– Vamos – Disse ela quando a mãe de Kevin lentamente abriu a porta

– Sim, mãe não sei que horas volto, eu te ligo – Disse Kevin saindo as pressas.

Os dois andavam depressa na rua, queriam chegar logo no hospital. Levaram um tempinho até chegar, pois andando a pé o caminho ficava mais longo do que o normal. Mas logo avistaram o hospital em uma esquina que bem distante. Os dois ofegantes conseguiram chegar no hospital, era um prédio não muito grande, com muros baixos em volta e um corredor até a porta. Kevin foi o primeiro a entrar, ali da porta avistou a Senhora Haskel quase dormindo em uma poltrona da sala de espera.

– Ei, senhora Haskel – Gritou Kevin

– Shiii – disse Mary dando uma cotovelada no amigo – Estamos em um hospital, não grite

– Foi mal – Ele sussurrou

– Ai que droga não precisa falar tão baixo também não é – Mary balançou a cabeça

Kevin se aproximou da Senhora Haskel que logo deu um abraço no menino.

– Como ele está? Ele está bem? Já examinaram ele? – Perguntava Kevin abraçando a senhora ao mesmo tempo

– Sim ele está bem e estável – Ela respondeu desfazendo o abraço

– Ai, que alívio, foi um susto enorme – suspirou Mary um pouco aliviada

– Bom posso ver ele? – Perguntou Kevin

– Acho que é bom não incomodar agora, ele está dormindo – Respondeu a Senhora Haskel, sem jeito, ela sabia que Nick estava lá dormindo abraçado a seu filho

– Tudo bem, eu não vou falar com ele, só quero ver pra ficar mais tranqüilo – ele insistiu

– Eu também quero ver Char, por favor senhora Haskel, deixa a gente ver ele? – Mary também tentou insistir

– Eu não queria dizer isso mas, bom, Nick está lá – ela respondeu sem jeito

– Como assim, você disse que Charlie estava dormindo, pra não incomodar – Kevin ficou sério por um instante.

Ele percebeu que algo estava estranho e resolveu ir para o quarto de Charlie esclarecer as coisas. Mary tentou o impedir, o mesmo fez a Senhora Haskel, mas foi impossível, Kevin entrou no quarto, e ficou paralisado ao ver Charlie dormindo sobre o peito de Nick. Ele sentiu uma coisa raiva, ao mesmo tempo uma dor tão forte que nem ao menos pediu explicações, ele entendeu aquilo como um término de namoro. Kevin respirou fundo, secou uma lágrima que escorreu de seus olhos e saiu do quarto.

– Desculpe, não queria que você visse essa cena – Disse a Senhora Haskel

– Diga a ele que eu vim, e que eu quero que ele se recupere logo, e que eu desejo tudo de bom pra ele – Diz Kevin, depois sai andando em direção a porta

– Espere, onde vai – Mary grita

– Silêncio, está em um hospital se lembra? – Diz Charlie irônico

– Mas Ke? Porque...

– Fique Mary, ele ficará feliz em ver você ai quando acordar, eu vou embora, não faço falta aqui – Kevin diz isso depois sai do hospital arrasado.

Mary entrou no quarto que Charlie estava, e logo entendeu o motivo de Kevin ter saído daquela maneira. Ela sentiu pena de Kevin, mas ao mesmo tempo achou aquela cena tão fofa. Charlie abriu os olhos e reconheceu a amiga ali parada perto da cama observando seu sono.

– Mary, que bom que você veio, cadê Kevin? – Perguntou Charlie com a voz um pouco baixa

– Bom ele estava aqui, mas bom, ele viu essa cena e se chateou – Disse Mary com um sorriso no canto da boca, se aproximando um pouco mais da cama

Charlie olhou para Nick que acordou um pouco assustado.

– Ei, tudo bem ? – Perguntou Nick alisando o cabelo de Charlie, o beijando na testa

– Sim, estou, um pouco Chateado por Kevin, ele merecia uma explicação

– Você pode falar com ele depois – Disse Mary – Agora apenas descanse um pouco relaxa

– Bom eu preciso ligar pra minha mãe, dizer onde estou – Disse Nick se levantando da cama

– Tudo bem

– Eu cuido dele pra você ok, pode ir – Brincou Mary

Nick se aproximou de Charlie e lhe deu um selinho, depois saiu da sala. Mary observou a cena e ficou admirada.

– Então, vocês estão juntos? – Perguntou Mary

– Não sei o que dizer, foi tudo tão rápido que não sei explicar – Respondeu Charlie sorrindo de canto

– Mas Kevin?

– Eu amo Kevin, mas não é um amor que possa haver uma relação entende?

– Sim eu te entendo, mas não sei se Kevin vai entender.

Charlie suspirou, e alcançou um copo de água que estava na mesinha do lado da cama. Bebeu um gole e depois colocou o copo novamente na mesinha.

– Ele vai ter que entender, eu amo Nick não posso mais me enganar – Charlie soltou com a voz mais alta dessa vez

– Ouvi você dizer que me ama? – Disse Nick que abriu a porta no momento em que ele disse isso a Mary

– Sim é o que você ouviu – Afirmou Charlie

– Eu amo mais ainda – soltou Nick sorrindo

– Kevin que me desculpe, mas vocês realmente fazem um casal perfeito – Disse Mary sorrindo

– Não somos perfeitos porque somos um casal, somos perfeitos porque estamos todos juntos – Diz Nick fazendo cócegas em Mary, e depois se sentando ao lado de Charlie.

– Posso entrar na brincadeira também? – Diz uma voz feminina entrando no quarto,

Era Katerina, ela entrou ali com o uniforme da escola, trazendo uma caixa de Bom-Bom, ela estava sorridente e se aproximou da cama onde Charlie estava deitado e lhe deu a caixa de Chocolate.

– Pra você – ela disse estendendo a mão

– Obrigado Katerina, mas não precisava disso – Charlie comentou segurando a caixa de chocolate.

– Eu sei que não precisava, mas eu quis trazer algo para te alegrar um pouco, e chocolate alegra qualquer um... Bom a não ser que for uma histérica que tem medo de engordar, enfim

Todos riram.

– Me surpreendi com sua visita Katerina – Charlie disse olhando para a garota

– Não precisa se surpreender, os amigos estão aqui pra toda hora, não é mesmo?

– Quem é você? O que fez com Katerina? – Brincou Mary

– Cuidado, ela é um robô feito por Vitamy – Nick também entrou na brincadeira.

– Bip Bip, estou checando Bip, vocês são loucos, Bip

Eles caíram na gargalhada, Mary chegou a tampar a boca de Katerina, pois se os médicos ouvissem o barulho, iriam pedir pra deixar o quarto. Os quatro estavam se divertindo, Nick tentou várias vezes contar piadas, mas eram muito sem graça, O mais engraçado era ver Katerina imitando Vitamy quando elas iam para alguma lanchonete ou algo do tipo. Mary contou várias histórias engraçadas de quando foi com a família para um sitio, depois colocou um colete de Médico e ficou imitando uma enfermeira. Charlie ria com tudo, até ele deitado começou a contar várias histórias que faziam todos rir.

Do outro lado, Kevin chegou triste em sua casa, sua mãe pensou que havia acontecido o pior, mas ele disse que Charlie já estava bem, e que tinha outros problemas agora. Kevin entrou em seu quarto e começou a ouvir músicas tristes, melosas, e chorava com elas. Ele entrou em um estado de melancolia. Ele já estava cansado de tanto chorar, foi ai que ele resolveu ligar o computador e procurar coisas para fazer. Ele entrou em uma sala de bate papo e começou a conversar com muitas pessoas. Teve um cara que se interessou por Kevin, e naquele momento de carência e decepção, Kevin marcou de se encontrar com esse garoto do bate papo logo mais a noite. O Garoto disse que esperaria Kevin em um carro na praça do centro da cidade. Estava tudo marcado, Kevin ficou ansioso pela noite, estava com medo mas sempre que lembrava da cena de Charlie e Nick juntos, ele juntava a coragem para ir a esse encontro.

Quando a noite chegou, Kevin saiu bem arrumado, não disse a sua mãe onde iria pois não queria a preocupar. Kevin foi caminhando até o centro da cidade. As luzes da rua estavam acesas, mas não havia quase ninguém na rua, era uma noite fria, as pessoas estavam em suas casas, assistindo novelas e dormindo. Kevin notou que havia apenas um carro ali na praça, e logo recebeu a mensagem do garoto do bate papo no seu celular. Ele foi até o carro e ficou parado enquanto o garoto abaixava o vidro

– Entra aqui – disse o garoto, era um belo rapaz, aparentava ter uns vinte e poucos anos, ele dirigia um carro estiloso e muito caro, o que mostrava que ele tinha muito dinheiro, o rapaz tinha uma barba no rosto, mas uma barba bem raspada desenhada estilosa. Seu rosto claro de olhos verdes se destacavam mais.

– Não sei se devo – Respondeu Kevin

– Porque você veio? – O Garoto perguntou

– Eu disse pra você no bate papo, eu estava chateado com meu namo... bom meu ex namorado, e queria me distrair

– Bom, eu disse que seria uma distração, pode entrar no carro, eu não sou um assassino maníaco se é isso que te deixa com medo

Kevin pensou várias vezes, mas ao lembrar daquela cena, ele acabou entrando no carro do garoto, do lado do passageiro. Quando ele entrou o garoto foi logo o beijando, Kevin tentou afastar o garoto, mas ele gostou daquele beijo e permitiu que o garoto o beijasse.

– Vamos para outro lugar – Disse O garoto sorrindo maliciosamente – a propósito meu nome é Jason

– Sou Kevin

Os dois saíram com o carro em direção a uma floresta uma parte da cidade onde não passava nenhum carro e muito menos alguém passava de a pé por ali. Jason parou o carro e voltou a beijar o Kevin, com tanta pressa que o assustava. Jason beijava loucamente e começou a puxar a camisa, tentando arrancar a de Kevin.

– Espere – Kevin tentou impedir

– O que foi? – ele perguntou

– Eu tenho medo, nunca fiz isso antes

– Vou dar uma coisa para você relaxar antes – respondeu o garoto, pegando algo em seu porta malas do carro.

Era uma pílula azul, Kevin nunca tinha visto aquilo, apesar de já imaginar o que era

– Não eu não uso essas coisas – Kevin recuou

– Vai, só hoje, pra você esquecer o mundo, isso vai te ajudar, você vai ver, depois você não precisa usar nunca mais – o garoto insistiu

Kevin estava com medo, mas ele não estava bem, acabou aceitando e tomou a pílula, depois de alguns minutos beijando os dois começaram a arrancar a roupa e se relacionar sexualmente. Kevin só percebeu o que aconteceu quando acordou no outro dia sem roupas ao lado daquele garoto, que estava largado no banco de trás do carro também sem roupas. Kevin vestiu suas roupas silenciosamente e saiu do carro tentando não fazer barulho.

Ele foi embora, sem ao menos olhar para trás,nem esperando pra ver se Jason iria acordar. Ele apenas seguiu para sua casa, com uma forte dor de cabeça e um enjôo sem fim.