Meu Idiota

6 Meu destino brincalhão.


Fomos expulsos do shopping, as garotas quase me fizeram dar outro barraco quando alegaram que a amiga tinha brigado, o que era idiotice já que o cabelo embaraçado, a roupa meio amassada e estava meio vermelha já entregava que brigou.

Eu estava apenas com os cabelos aos ares e a alça da camiseta rasgada.

O segurança do shopping se irritou e nos mandou embora se não chamariam nossos pais, as garotas saíram praticamente correndo pra fora.

Agora estava eu, Êvan e Henrique sentados nos bancos do lado de fora cheios de sacolas esperando Morgan.

–Eu vou parar de andar com Verônica, ela atraí muita confusão.

–Eu? É você que me leva para problemas Êvan, essa semana fomos pra cadeia por sua culpa...

–Vocês foram presos? –interrompeu Henrique arregalando os olhos- eu estou andando com marginais!

–E poxa eu sempre te ajudo nas suas loucuras, lembra da plantação da tia Mare? Se não fosse eu...

–E se vier à polícia? Ai meu Deus — Henrique estava pirando, to nem aí, continuei meu discurso depre.

–Você estaria fazendo três anos de penitencia!

–Calem-se — resmungou Êvan; eu e Henrique paramos de falar, no mesmo momento chegou Morgan.

–Então, vamos embora logo.

Sábado (campeonato de Natação/jantar/Verônica se ferrando legal).

Foi uma semana inteira aguentando Henrique e Morgan juntos; os dois se agarrando, brigando comigo, me implicando, me zoando, se comendo novamente e minha mãe elogiando os dois.

Parecia que tudo se focava neles, eu estava a ponto de perder a cabeça.

Mas hoje era sábado, finalmente sábado.

Tirando o campeonato de natação e o jantar com a mãe de Henrique, tudo estava ótimo.

Acordei sem o despertador e me senti leve, calma...

–Que porra é essa -quase gritei quando abri meu banheiro e encontrei uma Morgan com um troço verde na cara.

–Credo Verônica, você é histérica –me lançou um olhar reprovativo saindo do banheiro.

Às vezes Morgan parecia minha mãe...

Fiz minha rotina: prendi meu cabelo num rabo de cavalo, lavei meu rosto, e escovei meus dentes –já que se eu saísse sem escova-los era capaz da minha mamãe tacar detergente na minha boca por causa do bafo- coloquei uma regata qualquer e um short largo.

Hoje eu levava o cachorro da dona Luisa pro parque, eu recebia uma grana legal com esse trabalhinho, era um Husky Siberiano que eu adorava, Henrique tinha um pouquinho de medo pois Spike em um belo dia se tacou pra cima dele, traumatizou.

Meu pai se sentava na sala e já ia ao trabalho, vestindo seu jaleco e com os cabelos pretos bem penteados para trás, dei um sorriso, eu tinha tanto orgulho de ser filho de um homem que salva vidas de tantas pessoas em um dia. Sempre desejei seguir uma igual, mas sendo pediatra ou veterinária, por mais que de eu parecer uma completa grosseira tinha duas coisas que amolecia essa pedra aqui: crianças -não sendo uns demônios que adora te ferrar e se fazer de santo como meu primo Pietro- e animais -não sendo aranhas, cobras e galinhas- eu adorava.

Meu pai sorriu quando me viu e deu um abraço.

–Tente ser paciente com sua mãe e prima...

Revirei os olhos e arrumei seu jaleco meio desajeitado.

–Pai, eu juro que eu tento, mas elas me tiram do sério, ainda mais hoje sendo o “dia do Henrique” e o jantar chato com a Sra.Collis.

–Você sabe como sua mãe é com Henrique, –e riu- Sra.Collis é uma mulher adorável, Verônica.

Perguntei-me de onde papai a conhecia, mas deixei pra lá.

–Claro, é frustrante o tratamento dela com ele – resmunguei e mordi uma maça que catei na cozinha- alias, onde estão Morgan e Amélia?

–Manicure

–Típico –joguei a maça fora e dei um beijo em sua bochecha- bom trabalho, doutor Richard.

–Bom... –ele procurou palavras- passeio, torneio e jantar.

–É, eu preciso mesmo que seja bom.

***

–Spike, as vezes me pergunto o porque de eu não ser mais social –falava com o cachorro, que tentava fugir da coleira- sabe, é triste andar sozinha por este parque...vai que tem serial killer ou estripador a procura de um rim que adora trabalhar cedo, vai saber.

–Precisa de companhia?

Quase pulei pro outro lado do parque de susto, coloquei as mãos no peito.

–Puta queu pariu

–Eu acho que te assustei

–Você acha?

Encarei o causador: moreno, alto, tatuagem no bíceps, corpo em forma e olhos azuis — não de um azul cristalino e de bebê como o Henrique...ta ignorem- e sorriso de covinhas, bonito até.

–Hã, desculpa –falou meio sem jeito, olhei para Spike que cheirava o estranho.

–Ah claro, tudo bem, de boa, normal aparecer alguém estranho do nada enquanto eu conversava com um cachorro questionando a minha interação na sociedade e pensando que poderia existir estripadores a procura de rim de manhã.

–...Que? –o garoto ficou confuso, dei um risinho.

–Deixa pra lá

–Eu sou estranho? –ergueu uma sobrancelha.

–Sim... quer dizer não é estranho, só que é estranho mas não do modo estranho de...nem te conheço! -eu fiquei toda enrolada, o garoto riu.

–Entendi moça, tudo bem –meu celular tocou, e um mamis poderosa piscou alto, putz.

–Tenho que ir –e saí correndo, me pergunto pra mim e ao Spike porque não perguntei ao menos o nome do garoto.

Minha mãe falou que iria me encontrar na sorveteria do outro lado da rua de casa, ela estava lá, sorrindo e conversando com Morgan animadamente, minha mãe nunca mais conversou comigo assim, parecia mais que conversava por obrigação, é agora: vendo ela conversar daquele jeito com Morgan, me senti mal por isso pela primeira vez.

Quanto sentimentalismo.

–Você vai assim? –dona Amélia me encarou quando entrei no carro.

–É só um torneio, nada demais — dei de ombros entediada.

–Apenas um torneio? –exclamaram juntas- é o maior campeonato de natação do estado, Verônica, incluem os 20 melhores nadadores e caramba, Henrique é um deles!

–Ainda mais pelo meu bebê for o 2° melhor da competição

Revirei os olhos e olhei para fora do carro enquanto ouvia ao fundo Amélia e Morgan tagarelar, legal isso.

Estávamos indo para fora da cidade e via muitos carros indo na mesma direção a arena, e meu Deus, aquele lugar vai lotar.

–Eu trouce uma muda de roupas, Verônica –me entregou uma mochila- se vista.

–Mas estou bem com essa...

–Agora!

Fui pro banco de trás e olhei a roupa, era um macacão jeans curto com uma camiseta de lado que tinha uma ilustração de seios, minha mãe até que tinha bom gosto.

Chegamos lá e fiquei desnorteada, era enorme o lugar, eu não via tanta gente desde que fui pra cidade vizinha com meu pai pra um rodeio a uns 4 anos a trás, saudades dos meus 11 anos.

Minha mãe deu os ingressos para a bilheteria e entramos de boa, sentamos em um lugar bom até, logo de frente as grandes piscinas.

Hoje seria eliminação de 5 dos 20, vai ser 2 etapas, os que ficarem em penúltimo e último lugar vão ser eliminados, e a última parte que tira o quinto cara.

Que chatice...

Morgan tinha uma câmera, e sorria demais, logo entraram os competidores, entre eles Henrique que sorria com presunção, haviam várias garotas com cartazes com seu nome etc coitadas.

Só teve um competidor que chegou depois de todos, meio atrapalhado, moreno e boa forma, pera aí...

Ele se virou e AI MEU DEUS!

Era o garoto do parque.

Bati minha mão na testa, quais eram as chances de encontrar ele novamente?

Pra mim nenhuma, mas o destino parece que adora zoar com minha cara.

Ele ta olhando pra cá, ai carai.

–Nossa que moreno bonitinho e ta olhando pra cá — Morgan sussurrou do meu lado passando a mão no cabelo.

–É — resmunguei e nossos olhos se encontraram, ele sorriu e se virou pra se alongar, se preparando.

Isso vai ser divertido.

***

Henrique ganhou, é claro, Henrique –por mais que eu não goste de admitir- tinha muito talento.

Desde os 8 anos treina, lembro que fazia natação com ele, sempre foi o melhor da turma.

Eu era a pior, sempre me afogava, por isso meu pai achou melhor me tirar do clube.

Enfim, o moreno bonitinho ficou em 6° lugar, ele era bom também e o vi sorrir várias vezes pra nossa arquibancada.

Acho que gostou de Morgan.

Já tinha acabado e havia muitas pessoas já indo embora, com exceção do povo que aglomeraram Henrique — principalmente garotas, já que estava bem excitadas com um Henrique sem camiseta, o que sinceramente é bom bonito de ser ver mesmo-, os garotos que perderam estavam cabisbaixos e a família tentava consolar.

Morgan estava no meio da aglomeração, minha mãe foi comprar um churros antes de irmos e eu fiquei lá, parada encarando a piscina principal.

–Eu deveria ter me apresentado lá no parque

Dei um sorrisinho.

–Também acho

–Prazer, Luis Miguel — estendeu a mão, apertei.

–Verônica

–Nossa, Verônica conhecendo novas pessoas –disse outra voz irônica que me fez lembrar Êvan, ah que legal.

–Vai se fuder

–Seja mais educada, Verônica

–Oi Henrique, tudo bem? –dei um sorriso inocente- agora vai se fuder.

Luis Miguel nos encarava confuso.

–Creio que já se conhecem

–Somos vizinhos –resmungamos juntos e eu continuei- Triste realidade.

–É né, infelizmente –Henrique continuou junto e nos encarou- e vocês se conhecem de quando? Quer dizer, não é sempre que eu vejo Verônica conversar com alguém diferente, ainda mais sendo um cara como você, Luis.

–Como assim?

–Como sempre tão amigável Henrique, –revirou os olhos- teve sorte desta vez

–Sempre tenho

–Foi um prazer te conhecer, Verônica — ele beijou minha mão e sorriu, que pré-histórico.

Ri enquanto ele saía da quadra, que menino gentil!

–Epa, eu conheço esse olhar.

Olhei para aquele ser, sem camiseta e mostrando aqueles músculos trabalhados e gominhos, com os cabelos loiros ainda molhados e um sorriso afetado, Henrique poderia ser uma perdição para todas, felizmente eu não estava incluída.

–Que olhar criatura?

–Aquele de “awn ele é tão lindo”, o mesmo olhar quando você conheceu aquele Victor na oitava série — o encarei boquiaberta.

–Você ainda lembra-se disso? Quer dizer, vai se catar

–Ta, vamos embora logo –agarrou meu braço, tentei me soltar.

–Como assim “vamos embora logo”, to esperando minha mãe

–Você vai comigo sua retardada — revirou os olhos e novamente me lembrou Êvan.

–Desde quando?

–Desde que sua mãe foi embora com Morgan e te deixou aqui, então se você quiser mostrar os seios pra qualquer velho babão pra arranjar carona invés da minha, tudo bem.

Virou-se e pareceu que ia embora, como minha mãe vai embora assim sem eu?

Meu Deus.

–Espera Henrique!

***

–Eu estive conversando com o Êvan

–Desde quando você conversa com o Êvan?

–Desde que... pêra, eu não tenho que te dar explicações

Cruzei os braços irritada, eu estava lá, na mansão Collis –território inimigo- enquanto esperava Morgan chegar para me “transformar”, e lá estava Henrique, enchendo o saco como sempre.

A empregada da casa me ofereceu uma coca gelada, acho que estava tentando me esfriar já que eu sentia o fogo do inferno naquela casa...tanto tempo sem ir naquele lugar e quando venho, é para um jantar ridículo que eu não sei o fundamento com a mãe de Henrique, o mesmo estava extremamente calmo, quase que estivesse jogando um vídeo game.

Sério mesmo, só eu estou nervosa?

E quando Morgan chegou e primeira vez nessa vida adorei a sua presença, assim não ficaria com Henrique sozinha naquele lugar, o ruim foi aguentar a sua histeria e querendo mandar em mim, ela já tinha me maquiado e quando eu quis me olhar no espelho quase tacou o salto em mim, falou que só iria me ver quando Sra.Collis chegasse.

A casa inteira parecia apreensiva com a chegada dela, via os empregados andando de um lado pro outro.

Quando chegou as 20:00 em ponto Morgan me jogou o vestido.

–Se vista logo, Sra.Collis vai chegar em meia hora

Curti o vestido no meu corpo, por mais de eu não ser acostumada com vestidos eu o adorei, não era um salto que eu iria usar -já que Morgan falou que se eu usasse um salto não iria ser legal por que sou uma criatura desengonçada, não gostei de me chamar assim, mas infelizmente é verdade- ela fez um coque meio solto e sorriu ao me ver.

–Ai que emoção, nem parece você! –deu palminhas.- Eu sou maravilhosa.

Na mesma hora entrou Henrique com um jeans escuro e camiseta social, e os cabelos como sempre estava desgrenhados de um jeito bonito.

–Ela já chegou e...ual! –veio falando e parou quando me olhou, arregalou os olhos- tem certeza que está é a Verônica, Morgan?

Revirei os olhos e me levantei da cama de hospedes.

–Vamos logo babaca.

Estávamos descendo a escadas e olhei para frente, um dos mordomos conversava com uma mulher de cabelos pretos que tinha um sorriso relaxado, meio forçado, o mesmo sorriso que fez quando me conheceu.

Na momento em que pisei no salão principal ela me encarou, seus olhos eram idênticos ao de Henrique, havia algumas rugas de expressão nos cantos dos olhos que apareceu melhor quando franziu a testa quando olhou para meu vestido.

Que era idêntico ao dela... ai que maravilha.

Notas finais
Bem, eu disse que postaria só em fevereiro mas o que algumas noites em claro não faz comigo ahsuhauhsua to com uma inspiração a noite de deuses Enfim tomara que tenham aproveitado a primeira parte u.u a segunda não tem data definida. Vlw leitoras novas e povim que ta acompanhando (e as garotas que disseram que iria me dar um pau se só postasse em fevereiro ahahha) Até o prox