Meu Herói
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Notas iniciais
Peter precisava falar com Gwen no final daquela mesma tarde, em que algumas horas antes a rivalidade entre as duas garotas completamente apaixonadas por ele quase foi rompida. Dentro de si despertava uma estranha sensação de que algo havia acontecido a ela, então ele ficou preocupado.
Pensou em telefonar ou mandar uma mensagem de texto, mas a vontade de envolvê-la em seus braços foi tão forte, que ele decidiu ir vê-la pessoalmente. Ele se transformou no Homem-Aranha e saltou pela janela de seu quarto, acionando seu sistema de teias em direção aos enormes edifícios de Nova York, com o destino mais desejado a seguir em mente.
Assim que chegou ao prédio de Gwen, o Homem-Aranha tomou impulso para dar um grande salto, onde grudou perfeitamente na parede ao lado da janela do quarto da garota. Ele deu uma leve batida no vidro para chamar a atenção dela, que imediatamente abriu a janela e o acolheu com um abraço forte e carente ao mesmo tempo.
– Que saudade! – exclamou Peter afagando os cabelos loiros e macios de Gwen. Ela imediatamente retirou sua máscara e o beijou docemente.
– Idem – ela respondeu entre beijos e suspiros.
– Como foi seu dia? Eu precisava vir te ver. Aconteceu alguma coisa? Você está bem?
– Calma! Estou bem. – ela respondeu com um riso abafado, interrompendo o mar de perguntas repletas de preocupação vindas com rapidez da boca de Peter.
No entanto, ao olhar nos olhos dela, o Homem-Aranha imediatamente percebeu que ela estava um pouco tensa e que algo havia realmente acontecido.
– O que aconteceu?
– Como assim? Nada. – Gwen tentou esconder, desviando o olhar dele.
– Gwen é sério. – ele tocou suavemente o queixo dela, fazendo com que seus olhares se cruzassem novamente. – Olhe para mim.
– Não foi nada, não precisa se preocupar...
– Claro que preciso! Você é minha vida. Por favor, não tente esconder nada de mim.
Ao ouvir essas palavras, Gwen ficou nervosa. Sentiu seu corpo todo tremer e lágrimas brotarem em seus olhos.
– Eu não quero que fique mal por mim. Tenho medo da sua reação, Peter.
– Ei, você está tremendo! O que houve?
– Ele descobriu. – ela praticamente sussurrou, fechando os olhos e sentindo as lágrimas rolarem por seu rosto. – Norman descobriu que eu o segui na Oscorp.
– O que?! – Peter praticamente gritou, e na mesma hora, Gwen tentou desesperadamente acalmá-lo para que ninguém percebesse que seu namorado frequentava seu quarto logo à noite.
– Por favor, fique calmo...
– Como eu vou ficar calmo? Você está correndo perigo! – ele agarrou com força os braços de Gwen. – Você não devia ter seguido ele. Quando vai me escutar e deixar de ser teimosa?
Gwen não conseguia dizer nem uma palavra. Estava assustada demais para falar qualquer coisa. Apenas sentia seu coração acelerar e as lágrimas queimarem seus olhos.
– Diz alguma coisa! – ele chacoalhou Gwen pelos braços. Peter estava realmente tão revoltado que nem percebeu que já estava machucando a garota que amava. – O que aquele imbecil disse pra você? Fala!
– Peter, você está me machucando! – ela disse em desespero, enquanto sentia-se cada vez mais nervosa com a atitude dele. – Ele não fez nada, apenas chamou minha atenção e disse que posso perder meu emprego...
Peter se sentiu um monstro por agir dessa maneira com Gwen. Tinha prometido a si mesmo que nunca a machucaria, e estava quase quebrando essa promessa agora. Imediatamente ele soltou os braços dela e deitou levemente a cabeça dela em seu ombro, tentando acalmá-la.
– Me perdoe! Por favor, me perdoe.
Eles permaneceram em silêncio por um longo tempo, até que Gwen se acalmasse totalmente. Peter a acariciava e beijava sua testa com carinho. O arrependimento por ter perdido o controle daquela maneira horrível, ainda corroía seu peito.
– Eu vou me cuidar. Não vai acontecer nada, eu prometo. – Gwen acariciou o rosto de Peter, que se segurava para não chorar. – Falei com Mary Jane – ela lembrou.
Peter fitou Gwen. Realmente ficou surpreso com as últimas palavras dela. Em seguida, ela contou a ele sobre como foi a conversa, até mesmo que Mary Jane salvara sua vida, o que deixou Peter ainda mais preocupado. Porém, ela não conseguia mais esconder nada dele. Após conversarem e se entenderem, Peter a beijou.
Trocaram vários beijos e carícias, até que o clima foi se intesificando cada vez mais. E quando viram, já estavam completamente nus, vivendo pela segunda vez a experiência mais prazerosa da vida de ambos, até adormecerem com os corpos completamente envolvidos.
* * *
Ao amanhecer, Peter e Gwen acordaram com o barulho do despertador tocando. Eram 6 horas em ponto. Precisavam ir ao Colégio Midtown, pois estavam em época de provas.
– Bom dia minha Gwendy!
– Bom dia! – Gwen sorriu. Adorava quando Peter a chamava assim. – Vamos levantar? – ela cobriu o rosto dele de beijos.
– Ahn, desse jeito eu não quero mais ir para a aula. – resmungou Peter. – Ei, podíamos faltar hoje né? – ele esboçou uma expressão sedutora, mordendo o lábio inferior. Começou a deitar o corpo de Gwen na cama novamente, enquanto a beijava ferozmente.
– Ei... Ei! – ela interrompeu antes que não conseguisse mais resistir. – Nada disso, Cabeça de Teia. Temos prova de química, esqueceu?
– Droga, é verdade...
Então ambos levantaram da cama e começaram a se arrumar. Primeiro tomaram um banho rápido juntos e depois se vestiram. Peter deixara algumas roupas no armário de Gwen, para o caso de dormir com ela em dias de aula. Em seguida, saíram às pressas pela janela do quarto dela, em direção à casa de Peter para pegar os materiais dele.
– Vamos andando para a escola. Ainda temos tempo. – disse Peter após ter pegado sua mochila e se despedido de Tia May rapidamente.
– Mas ainda nem tomamos café da manhã... Tia May vai ficar magoada se não fizermos companhia a ela.
– Eu sei, mas podemos comer alguma coisa no intervalo. É perigoso ir voando. Já é arriscado ele descobrir quem é o Homem-Aranha, imagina se ele descobre que a namorada dele é a garota que o espionou? Vamos andando! – ele entrelaçou sua mão a de Gwen e ambos saíram caminhando pelas ruas de Nova York em direção ao Colégio de Ciências de Midtown.
* * *
Ao chegarem à escola, encontraram Mary Jane. Peter só foi acreditar realmente que as garotas tinham deixado a rivalidade (pelo menos por um tempo) de lado, quando viu que Gwen a cumprimentou normalmente. A ruiva parecia já ter colocado seu plano de investigar mais sobre Norman em ação, pois estava de mãos dadas com Harry Osborn, que ao lado dela parecia o garoto mais feliz do mundo.
A primeira aula foi de matemática, e foi extremamente exaustiva. Como já era mês de outubro e já era a reta final, alguns alunos estavam desesperados para conseguir as respectivas notas necessárias para concluir o terceiro ano tranquilamente, sem precisar fazer recuperação final. O baile de formatura estava próximo e todos estavam ansiosos para esse dia.
A segunda aula foi química, onde Peter e Gwen foram bem, apesar de ainda estarem tensos com a situação que se sucedeu recentemente com relação a Norman e a Oscorp. A terceira foi educação física. Peter jogou contra Flash e ganhou com suas habilidades especiais em mais um jogo de basquete.
Finalmente o intervalo chegou, onde Peter procurou Gwen para irem juntos ao refeitório. Estavam morrendo de fome, pois ainda estavam em jejum. Tiveram sorte, pois a refeição servida foi hambúrguer e refrigerante. Depois do intervalo, as aulas foram mais curtas, e quando viram, já era hora de ir para casa.
– Não se preocupe comigo. – disse Gwen. – Passe mais tempo com tia May.
– Então pelo menos me deixe te levar em casa...
Enquanto conversavam em frente ao portão de Midtown, Peter e Gwen não perceberam que estavam sendo observados por Norman, que estacionara seu luxuoso carro próximo ao colégio para buscar Harry.
– Pai, vamos logo. –disse Harry.
– Então seu amigo Peter namora essa garota?
– Sim. Eles já estão juntos há um tempão. Peter sempre foi apaixonado por ela.
– Interessante... – Norman mantinha os olhos fixos no casal, que começou a se afastar aos poucos de seu campo de visão.
– E como é o desempenho do seu amigo na escola? – perguntou Norman curioso, enquanto seguia-os cuidadosamente com seu carro.
– Peter é muito bom! Ele tira notas impressionantes. É um dos alunos mais inteligentes da sala. O estranho é que ele nunca foi bom em esportes, e de uns tempos para cá ele está detonando. Deve estar treinando bastante...
– Ah, é? – Norman arregalou os olhos, finalmente descobriu onde a garota bisbilhoteira morava. – Interessante... Conte-me mais sobre esse garoto, filho.
* * *
Ao chegar em casa, Peter almoçou e conversou muito com tia May. Gwen tinha razão, ele precisava passar mais tempo ao lado da tia. Percebeu isso quando notou o imenso sorriso que sempre surgia no rosto de May toda a vez que passavam algum tempo juntos.
Após passar bastante tempo ao lado da tia, Peter se arrumou para levar Gwen até a Oscorp. Deixou os problemas da cidade para a polícia resolver. Precisava em primeiro lugar, manter sua amada em segurança.
Fez o trajeto até a casa de Gwen como o Homem-Aranha. Mas quando encontrou a garota, voltou a ser apenas o estudante Peter Parker, e já estava preparado para abrir mão do sistema de teias e caminhar novamente.
– Eu prefiro quando você me leva voando. – comentou Gwen enquanto caminhavam.
– Nada disso mocinha, vamos andando. Para a sua segurança.
Assim que chegaram em frente a Oscorp, Peter fez Gwen esperar alguns instantes, antes de entrar em seu local de trabalho.
– Saiba que eu sou capaz de fazer qualquer coisa por você. Eu amo você mais do que minha própria vida. Eu mataria e morreria por você, Gwen.
– Tudo vai ficar bem. Você é tudo o que importa pra mim, Peter. Minha vida sem você não teria sentido.
– Cuide-se, está bem?
– Vou me cuidar. Prometo. Eu te amo.
– Eu te amo.
Então Peter se afastou e Gwen seguiu em direção à Oscorp para mais um dia de estágio. Porém não perceberam que Norman Osborn estava observando-os de longe mais uma vez, com um imenso sorriso maléfico nos lábios.
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