Meu Gêmeo Favorito (Versão 1.0)
16 Porque Você é Meu Irmão
Notas iniciais
Capítulo 16 – Porque você é meu irmão
Pov. Percy
– O que você pensa que está fazendo? – grita Annabeth.
– Tentando me matar? – responde Duncan.
– Por quê? – pergunta Annie juntando a arma do chão.
– Eu perdi toda a minha família, que se resumia a meu pai e minha mãe. Quem sabe se eu morresse não me encontraria com eles? – respondeu ele com o olhar fixo no chão — E além do mais, ninguém iria sentir falta.
– Como ninguém iria sentir falta? E quanto a mim, Sally, Jason, Reyna e Percy? – indagou Annie se sentando ao lado de Duncan. – Como nós nos sentiríamos?
– Vocês acabaram de me conhecer, logo iriam superar. Pode me dar a arma agora e me deixar acabar com a minha existência insignificante?
– Não – respondeu.
– Por favor, Loirinha – suplicou ele.
– Não Punk Doido. – consegui dar um mínimo sorriso pelo apelido dos dois.
– Por quê? Por favor, eu não sou mais útil aqui.
– Você não vai e ponto. – Falei.
– Por quê? Você não me quer por perto, se pudesse você já teria me matado, deveria estar feliz aproveitando o momento, pois se eu sumisse, seus “problemas” acabariam. Então, por que, se você me odeia? Por quê? – exclamou Duncan.
– Porque você é meu irmão, – respondi – e me sinto um idiota por ter te tratado daquela forma e só ter me tocado agora.
– Eu sempre quis ter um irmão... – sussurrou Duncan.
– Agora você tem. – afirmou Annabeth.
– Eu não posso perder você agora. – falei – Não agora que estou me acertando com você.
– Mesmo que eu continue vivo, minha vida não vai ter mais sentido. Eles... Eles eram tudo pra mim. – disse Duncan em prantos.
Fiz uma coisa que deveria ter feito há muito tempo. Eu o abracei.
No começo ele ficou surpreso, mas depois me apertou com toda sua força e eu retribuí. Ficamos um tempo ali, abraçados.
– Fica forte cara. – falei quando nos separamos.
– É difícil. Não sei se vou conseguir continuar. Provavelmente vou ficar todos os dias, trancado no escuro, encolhido e chorando.
– Não senhor – começou Annabeth. – Você tem 25 milhões de pessoas esperando por uma atualização sua.
– Vou abandonar tudo Annabeth, não consigo. – após uma longa inspirada continuou – Simplesmente não dá.
– Dá sim. E amanhã mesmo, você irá gravar um vídeo dando sinal de vida. – ordenou ela.
– Annabeth, não dá. O quê eu vou dizer pra eles? Que os meus pais morreram e eu não sei como continuar? Vou fechar o canal.
– Você não pode. Não passou pela sua cabeça que existem várias crianças, adolescentes e até mesmo adultos que dependem de você? – perguntou Annabeth – Como você mesmo diz nos seus vídeos “O meu objetivo é alegrar o dia das pessoas, fazê-las rir por nem que seja cinco segundos”.
– Não é mais a mesma coisa. – respondeu ele.
– Como não? Tenho certeza que você já deve ter recebido várias cartinhas de fãs pedindo ajuda com problemas, ou agradecendo por você melhorar o dia dele, ou IMPLORANDO para você NUNCA PARAR com o canal, pois se não saberiam o quê fazer. Estou certa ou não?
– Tinha uma menina... – lembrou Duncan – Malena o nome dela, me mandou uma carta gigante dizendo a vida super problemática dela. E um dia, os pais dela morreram num acidente de avião. Ela queria muito se matar. Ela disse que se “internou no meu canal” e começou a ver que tinha alguma coisa que a fazia sorrir de novo.
“Ela era do Brasil, mas falava inglês fluentemente, e eu de alguma forma queria visitá-la. Então teve um evento de games e eu fui convidado a ir. Por sorte ela disse na carta que estaria lá. Eu encontrei com ela e foi um dos melhores momentos da minha vida. Saber que eu salvei uma vida. Ela não se suicidou por mim.”
– Viu só. Eu sei que é difícil, mas depois de um tempo, as feridas vão fechar. – Falei.
– Mesmo? – perguntou ele – Tenho medo dessas feridas ficarem abertas o resto da minha vida. E se eu não superar?
– Você vai. Eu prometo.
– Pode pelo menos me devolver à arma Annabeth? Era do meu pai.
– Não vai fazer nada certo? – ela pergunta preocupada.
– Não, só quero guardá-la.
– Eu fico de olho nele. – falei.
– Tudo bem. – Disse ela entregando a arma para Duncan.
Após de ele guardar a arma numa caixinha e colocá-la debaixo da cama, Annabeth diz:
– Está meio tarde, eu acho que vou pro meu chalé, vocês vão ficar bem?
– Pode ir. – Respondo.
Depois de dar um beijo na testa de Duncan, Annabeth me dá um selinho demorado e fala:
– Cuida bem dele.
– Pode deixar. – Com isso, ela saiu pela porta. – Me desculpa?
– Pelo quê? – pergunta ele.
– Por tudo o que eu fiz, e o que eu não fiz também.
– Claro. – o abraço novamente.
– Que tal tomar um banho? – perguntei
– Não, eu só quero me encolher e chorar o resto da noite.
– Tudo bem, mas amanhã você não foge, está sujo de sangue e não está cheirando nada bem.
– Obrigado – respondeu ele ironicamente.
– Quero ficar do teu lado o resto da noite. – falei – Deita na minha cama, ela é de casa, pra quando Annabeth vem aqui de vez em quando. – murmurei está última parte.
– Não quero nem saber o que vocês fazem nessa cama.
– Dormimos. – respondi e se não estivesse à situação que estava Duncan estaria gargalhando agora – Sério cara, não fizemos nada ainda.
– Acredito em você, de verdade. – falou ele deitando e se cobrindo até o pescoço.
–Vou deitar junto, têm problema? – perguntei
– Não. Sem problema. – respondeu.
Em seguida, apaguei a luz e me deitei ao seu lado, vi que ele estava agarrado ao cobertor e tive uma ideia.
– Se quiser me abraçar tudo bem, isso soa meio gay e vai ser engraçado porque você é bem maior que eu, mas ajuda.
Ele não respondeu nada, somente se virou e deitou a cabeça em meu ombro. Passei um de meus braços por seus ombros. Se não fossemos gêmeos, provavelmente seria uma cena muito mais gay do que já estava parecendo.
Quando percebi que ele havia parado de chorar e já estava dormindo, resolvi tentar pregar os olhos.
E meu último pensamento foi como eu amava Duncan e nem tinha percebido antes.
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