Meu Gêmeo Favorito (Versão 1.0)

27 A Coruja Tocadora de Lira


Notas iniciais
Olá pessoas! Tudo bem com vocês? Não vou me alongar muito aqui pois acabei de voltar da minha tortura, vulgo fisioterapia, e minhas pernas morreram. Esse vai ser o último capítulo que eles viajam, POR ENQUANTO. No próximo eles chegarão até SP. Espero que gostem!

Capítulo 27 – A Coruja Tocadora de Lira

Pov. Percy

Resolvemos deixar o carro estacionado naquela vaga do além mesmo. O hotel ficava somente a duas quadras, então dava para ir a pé. Novamente eu e Duncan ficamos em quartos separados, porém não rolou nada entre mim e a Sabidinha, afinal estávamos bem cansados dos acontecimentos passados.

Acordamos relativamente cedo, pois precisávamos levar o carro o quanto antes ao mecânico.

Tomamos café da manhã no restaurante do hotel e logo em seguida Duncan ligou para um guincho. Dez minutos depois o caminhão-guincho chegou levando o carro e a gente embora. Era melhor ficar perto do lugar onde a caminhonete ia estar, assim não era preciso se locomover muito.

O mecânico avisou que houve uma pequena falha no motor, bem normal já que de acordo com Duncan, fazia tempo que aquela caminhonete não saía pra dar um rolê. João, o mecânico, disse que poderíamos passar pela parte da tarde para pegar o carro.

– O que vamos fazer em quanto isso? – perguntei

– Vamos a algum lugar comer. – propôs Annabeth

– Mas acabamos de comer no hotel. – pontuou Duncan

– Sai dessa, eu sei que você é um saco sem fundo e também quer comer. – contrapôs Annie – E você também Percy.

Então andamos sem rumo em busca de uma lanchonete, três quadras depois achamos uma e a adentramos. Sentamo-nos em uma mesa, uma moça veio nos atender e esperamos nosso tradutor, vulgo Duncan, pedir alguma coisa.

– O que você pediu? – perguntei quando a moça se retirou

– Quatro pães de queijo. – respondeu

– Quatro? – indagou Annabeth erguendo uma sobrancelha – Mas somos três.

– Dois pra mim. – disse

– Gordo. – murmurei

– Me chama de gordo agora, pois quero ver quando você comer um e quiser outro. – falou Duncan

– Não sei não. – falei – Pão de queijo não é uma coisa que você fala “nossa que delícia cara”.

– Você diz isso porque nunca provou um pão de queijo feito em Minas.

– Qual a diferença?

– Qual a diferença? Oito palavras, querido: Aqui É A Terra Do Pão De Queijo. Outra: O troço é recheado.

– Já veio aqui antes? – perguntou Annabeth a Duncan, dando por encerrada nossa discussão sobre pão de queijo. – Você fala tão bem o português, parece até que já morou no Brasil.

– Já vim aqui em Minas sim. Um amigo meu mora aqui. – respondeu ele – Sobre eu falar português... Meu pai nasceu em Portugal, morou lá até os cinco anos e depois mudou pros Estados Unidos. Ele acabou me ensinando. Não é totalmente igual ao do Brasil, mas quebra um galho. O espanhol é a mesma coisa, minha mãe nasceu nos EUA mas morou por muito tempo na Espanha. E o francês eu aprendi sozinho.

– Por...? – indaguei

– Porque eu quis. – simplesmente disse

Annabeth iria dizer algo, mas foi interrompida quando a garçonete chegou com nosso pedido.

Mordi o pão de queijo enorme que estava em minha mão.

– Cara, você estava certo. – falei – Esse troço é bom mesmo.

– Eu não te falei?

– Queria voltar para o hotel e dormir. – comentou Annabeth quando havíamos acabado de sair da lanchonete.

– Decorou o caminho até o mecânico? – perguntou Duncan. Annabeth assentiu – Pode voltar então, encontra a gente lá pelas 17 horas.

– Mas eu vou a pé?

– Não. – disse Duncan tirando algo da mochila que carregava – Você vai de skate.

– Mas eu não sei andar nessa coisa. – protestou Annie

– Quer dormir? Se vira. Garanto que é mais fácil que um helicóptero.

– Boa sorte, vai precisar. – falei dando um selinho nela.

Então Annabeth colocou um pé em cima do skate e deu impulso com o outro no chão. Cinco minutos depois desapareceu em uma esquina.

– Até que ela manda bem no skate. – meu irmão murmurou

Quando demos um passo para começar a andar novamente sem rumo, uma espécie de espinho passou zunindo pela minha cabeça e se cravou na parede a frente. Só podia ser uma coisa: Mantícore.

Puxei Duncan e logo estávamos correndo sem rumo. Corremos sem parar, dobrando aqui e ali, mas do mesmo jeito o monstro não perdia o nosso rastro. De repente, Duncan me empurrou pela porta de alguma loja e entrou junto. Pude ver o mantícore passar reto por nós e desaparecer. Recuperei o fôlego e olhei ao meu redor. Entramos em um estúdio de tatuagem. Um rock qualquer tocava ao fundo.

– Posso ajudá-los? – perguntou uma mulher que deveria ser a recepcionista do lugar.

– Err... – comecei a bolar uma desculpa, mas Duncan me cortou

– Viemos fazer uma tatuagem. – disse ele com firmeza

– Como é? – sussurrei, porém ele me ignorou

– Tem horário marcado? – perguntou a moça.

– Não. – respondeu Duncan – Estávamos passeando quando avistamos o estúdio e resolvemos dar uma passadinha pra ver se tinha algum horário.

– Por sorte não tem ninguém marcado para agora. – disse a recepcionista – Podem entrar nessa porta.

– Obrigado. – meu irmão agradeceu

Passamos pela porta e entramos em uma sala, havia uma cadeira, parecida com aquelas de dentista, no centro, em uma mesa estavam espalhados desenhos e em uma pequena bancada havia várias agulhas. Um homem careca e barbudo que usava óculos de grau e tinha os braços cobertos de tatuagens, estava sentado em frente ao computador e se virou quando entramos.

– Duncan? – perguntou o homem – É você mesmo cara?

– Sou eu. – respondeu – Espera... Dave?

– O próprio. – então Duncan e o homem chamado Dave trocaram um abraço de macho, aqueles com tapas até fortes demais nas costas. – Há quanto tempo!

– Pois é... Já faz tempo que você saiu de São Francisco. – disse Duncan

– Quem é esse cara? – perguntou Dave – É seu clone?

– Digamos que sim. – respondeu – Dave, esse é meu irmão Percy. Percy, este é Dave, um velho amigo.

– Irmãos? Como descobriram?

– Longa história. – falei

– É tipo Casos de Família. – disse Duncan – Muita treta desnecessária por trás.

– Entendo. – disse Dave – Mas e aí? Vão fazer o que? Uma tatuagem? Ou fazer outro furo nessa carinha linda?

– Vamos fazer uma tatuagem. – afirmou Duncan.

– Vamos? – perguntei

– É, vamos. – respondeu – Sabe de alguma coisa que queira tatuar?

– Não.

– Tudo bem, pensa aí que eu faço a minha primeiro. – disse tirando a camiseta.

– Vai ser o que? – quis saber Dave

– Uma coruja tocadora de lira. – respondeu Duncan – Ocupando o braço inteiro.

– Coruja tocadora de lira... Interessante. Posso saber o porquê?

– Meus pais.

– Falando neles como estão?

– Mortos.

– Woow! Sinto muito cara, eu não sabia. – murmurou Dave.

– Não faz mal.

Duas horas se passaram desde que eu me sentei em uma cadeira e observei Dave tatuar o desenho no braço de Duncan. Não pensei em nada que pudesse fazer nesse tempo, só pensei no quanto devia ser doloroso. Ou talvez não, já que eu ainda tinha a Maldição de Aquiles, apesar de que um tempo pra cá ela começou a perder o efeito.

Saí do meu transe quando Dave terminou de enrolar um papel filme entorno da tatuagem recém feita.

– Pensou em algo? – perguntou Duncan enquanto vestia a camiseta

– Na realidade não pensei em nada. – confessei

– Me deixa pensar... – disse ele – Que tal fazer o nome da Annabeth, eu sei que vocês não vão se separar nunca então é tranquilo, ou faça um tridente, representando Poseidon.

– Curte mitologia grega Percy? – indagou Dave

– Curto. – respondi sorrindo

– Que lugares sugere? – perguntei a Duncan

– Se for o nome no bíceps. Se for o tridente no antebraço.

– Beleza. Vou fazer. – concordei

– Qual delas? – perguntou Dave

– As duas. – respondi

– Esse é meu irmão! – bradou Duncan

Notas finais
Vejo vocês nos comentários. Por favor, comentem o que estão achando, é super importante. Por hoje é só! Até o próximo. Beijos