Meu Grande Amor -LiTor.
25 "Corre Coração''
Notas iniciais
Tudo que podia pensar era no que eu estava ouvindo naquele momento. Alias, o que eu estaria fazendo ali? O que eu pensei? Que ele havia casado de brincadeirinha? Ou que a Mar estava brincando com a minha cara? No mínimo eu esperava que ele estivesse brincando de casinha. O que eu achei? Que ele fosse largar da vida dele pra voltar pra sua paixãozinha adolescente de um ano atrás?
–É? –tentei sorrir como se tivesse ficado feliz. –Vitor papai... Nossa! Acho que sua mulher está realizando melhor os seus sonhos do que um dia eu pude pensar.
–Eu sei que eu sou novo, ela também, mais agente não tinha mais por que esperar. –ele riu.
–Mesmo assim. Quero muito conhecer a pessoa que te faz feliz agora. –sorri irônica. –Confesso, é meio difícil aceitar, intender... Mais agora eu tenho mesmo que ir, de verdade.
–Jura Lia? Aonde você vai ficar, passo lá amanhã. –ele perguntou.
–Bem, eu ainda não decidi onde eu vou ficar, mais eu não tenho dificuldade com essas coisas. Em menos de cinco minutos eu arrumo qualquer hotel.
–Obvio que não! — Nesse momento ouvi uma voz diferente, uma voz feminina, mais que não estava fazendo parte da nossa conversa. Vitor sorriu e eu me virei em direção a porta, onde vi uma mulher. Na verdade, uma moça. Ela devia ser uns dois anos mais nova que o Vitor. –Prazer, Gabrielle. Você deve ser a famosa Lia Martins, não? –ela disse sorrindo.
–Prazer, Lia. –disse a olhando.
–Nossa gente, que isso? Sei que vocês não se conhecem, mais também não precisa ficar esse climão enorme aqui. Vou fazer o jantar, e vocês aproveitam e se conhecem melhor. –disse ele indo para o lado da esposa, e lhe dando um beijo rápido.
–Imagina, eu não quero atrapalhar. Mesmo por que eu tenho que ir agora mesmo. Não avisei pra ninguém que eu vinha pra cá, tenho que ligar para os meus pais, resolver um monte de coisas. –inventei qualquer desculpa. Não poderia, e não conseguiria , me fingir de amiga da mulher do Vitor. Ela tinha cara de ser uma boa pessoa, e ela era, mais era a mulher do garoto que eu ainda não tinha desaprendido a amar.
–Que isso Lia? Eu ouvi falar tanto de você! Estou super curiosa. E amanhã eu tenho que trabalhar, não posso ficar em casa conhecendo ninguém! E eu ouvi você dizendo que não tem lugar pra ficar. A casa é enorme, temos quartos de sobra pra você escolher o que achar mais confortável. Você trouxe suas coisas? –perguntou ela gentilmente.
–Gente eu realmente não quero atrapalhar. Nem sei por que eu vim tão sem avisar. Sai tão correndo que não peguei nada. –eu estava ficando sem graça.
–Pois bem. Você deve estar precisando de um banho urgentemente! Vou pegar umas toalhas, e uma roupa pra você colocar. Tem tudo no banheiro. Aproveite. Depois nós vemos o que fazemos, que quarto você quer. –disse ela já saindo para buscar as ‘’milhares’’ de coisas desnecessárias.
–Ela ama as visitas. –o Vitor riu. –Não se preocupa Lia. Ela sabe que o que vivemos não foi apenas uma paixãozinha de adolescente. E o melhor: entende. Ninguém melhor que a Gabi pra entender as coisas que nem mesmo você entende.
–Chega disso, uma coisa eu não mudei: odeio melação. Tudo bem. Gabrielle love Vitor, Vitor love Gabrielle. Entendi. –eu disse. Não sei se soou sem educação, mais ele já estava me irritando com essa papinho ‘’ Gabi é tudo pra mim’’.
Logo a mulher do Vitor voltou com as coisas que ela disse que eu precisava, e perguntou se eu podia usar o banheiro de baixo, pois o de cima estava com algumas coisas estragadas e a agua quente não pegava. Eu acho que ela já estava fazendo demais por mim, uma pessoa que ela nem conhecia. Isso deveria ser sua imensa consideração pelo marido dela.
Entrei no banho, e enquanto me olhava no espelho, pude escutar o que falavam na cozinha. Pareciam mesmo um casalzinho apaixonado. Pela primeira vez não tive duvidas: O Vitor não sentia mais algo muito encantador por mim, por que ele a amava, e eu não poderia voltar do meu sono profundo, achando que eu poderia mudar o que ele sentia por ela. Minha vida não é um filme, e eu não estou dormindo. Eu não vou me deitar e no outro dia acordar de um sonho ou de um pesadelo. Eu tenho que saber que as coisas estão assim agora. Sendo boas ou não para mim. São escolhas que não cabem a mim, e sim a eles. Eles tem um filho pra cuidar. E eu estou aqui fazendo o que? Amanhã depois do meu talvez dia com o Vitor, eu iria embora de uma vez. Hoje eu nem sequer ligaria pra Fatinha. Não deixava de estar chateada e triste com Mar e ela.
–Ela me parece legal. –ouvi a Gabrielle dizer.
–Você vai gostar dela. –o Vitor disse e logo depois o silencio predominou. Eu dei uma olhada no meu celular. Estava congestionado com centenas de mensagens que eu veria depois. Muitas ligações. Eu estava sem carregador, e precisava do celular pra amanhã, então simplesmente desliguei-o e coloquei dentro da minha bolsa dia-a-dia. A única coisa que eu tinha levado. Pronto. Vamos viver esse momento sem interrupções.
...
Estavamos sentados a mesa e o jantar estava servido. O Vitor havia tomado um banho rápido enquanto eu conversava com a mulher dele. Depois ela nem sequer saiu da cozinha. Talvez não quisesse que eu ficasse sozinha com o Vitor.
–Então, vocês tem planos para amanhã? –perguntou a Gabi.
–Temos. Bom, na verdade, ninguém melhor que você pra me dar ideias de lugar para ir. Meu guia turístico preferido. –disse ele a fazendo rir.
–Então, vocês vão ser pais? –perguntei, já que o Vitor não havia aprofundado o assunto quando falamos disso antes.
–Vamos! –disse a Gabi com um sorriso no rosto.
–Já sabem o que vai ser? –perguntei.
–Não! Mais já temos um nome em mente se for menina, e um se for menino! –disse o Vitor também sorrindo.
–Juliana se for menina, Pedro se for menino. Escolhas do Vitor. Ele sempre achou esses nomes lindos. –disse ela sorrindo.
Confesso que tive que me esforçar para não começar a chorar naquele momento. Juliana? Poxa, não tinha um nome mais interessante pra se dar pra uma criança? Não dava pra acreditar. O Vitor teria um dia se arrependido de tudo que fez? Eles continuavam falando, sabe-se lá se comigo. Eu não conseguia mais prestar atenção em uma palavra sequer.
A única coisa que fiz foi sair correndo. Não sei o que pensaram nem o que deixaram de pensar. Só sei que não conseguiria continuar agindo como se nada tivesse acontecido naquele momento. Será que o Vitor não prestava atenção em um nada sequer de tudo aquilo que se passava? Será que ele não percebia que ele tinha terminado comigo, mais eu ainda não havia terminado com ele?
Me tranquei no meu quarto com a pior cara possível. Tudo o que eu mais queria naquele momento era que ninguém viesse bater na porta. Estava tudo ruim desse jeito mesmo.
–Lia, por favor, abre essa porta! –a Gabrielle gritava de fora.
–Para Gabrielle! –gritou o Vitor, aparentemente a segurando.
–Vitor, me solta! Você não pode deixar ela assim. –disse.
–Ela sabe o que ela faz. Quer saber? Eu vou dar uma volta.
–Mais Vitor, você nem terminou o seu jantar meu amor. –disse a Gabi, aparentemente chorando.
–Agente conversa mais tarde, como sempre. –disse ele e logo em seguida eu ouvi uma porta batendo.
Vendo essa simples conversa entre os dois, pude perceber claramente que a relação dos dois não era exatamente aquele mar de rosas.
...
Acordei no meio da noite com uma gritaria vinda do andar de cima.
–PELO AMOR DE DEUS VITOR, SERÁ QUE VOCÊ NÃO ENTENDE? EU NÃO AGUENTO MAIS ISSO. EU ESTOU GRAVIDA. AGENTE COMBINOU QUE NÃO IMPORTA O QUE ACONTECER VOCÊ NÃO IA VOLTAR MAIS DESSE JEITO GAROTO. EU NÃO AGUENTO MAIS ESSA VIDA. EU NÃO AGUENTO MAIS CHEGAR CANSADA ATARDE, E TER QUE TE AGUENTAR TODA VEZ QUE VOCÊ DECIDE BEBER UM POUCO MAIS VITOR. PARA DE SE ENVOLVER EM CONFUSÕES, POR FAVOR. –disse a Gabrielle, que parecia estar chorando.
–Para pelo menos por um dia Gabi meu amor, eu te amo. –disse o Vitor, que não parecia estar lá em suas melhores condições.
–SAI DE PERTO DE MIM AGORA SEU INCONSEQUENTE. –gritou. –EU VOU DORMIR NA CASA DA MINHA MÃE VITOR. EU ESPERO QUE AMANHÃ DE MANHÃ VOCÊ ESTEJA EM SÃ CONCIENCIA QUANDO EU CHEGAR. OUVIU? NÃO ASSUSTE A LIA. –disse a Gabrielle. Alguns minutos depois, uma porta bateu.
O que o Vitor tinha virado? Na época em que estávamos juntos ele quase nem se envolvia em confusões. Essas coisas não aconteciam sempre. E além de tudo a mulher dele estava gravida.
...
Acordei um pouco tarde na manhã seguinte, mais pude ouvir que já havia alguém acordado. Me lembrei da noite anterior, e uma dor de cabeça imensa me invadiu. Levantei da cama e ainda estava com a roupa que tinha caído nela noite passada.
Apenas o Vitor estava na cozinha e eu já imaginava o porque.
–Bom dia Vitor. –disse parando em frente a mesa, enquanto ele aparentava estar preparando café. A cara dele estava vermelha, e os olhos roxos. Mas procurei não fazer muitas perguntas.
–Bom dia Lia, senta ai. –ele disse tentando ser gentil. –A Gabi saiu e... Hãm... Ela não vai demorar.
Ele pegou um copo de suco, pediu licença e saiu da cozinha. Logo a porta de entrada se abriu, e a Gabi entrou carregando uma toalha de banho branca, sua bolsa, uma peça de roupa, e um sapato nas mãos. Sorriu em minha direção. Seu rosto também estava vermelho. Colocou todas as suas coisas em um canto, e colocou a bolsa sobre a cadeira. Olhou pelo corredor e se sentou.
–Bem eu peço desculpas pela ocorrência na noite passada e...
–Lia. –ela me interrompeu. –Quando o Vitor me contou de você eu já sabia que você voltaria um dia e que quando isso acontecesse eu teria que suportar coisas horríveis. Mais eu gostei muito de você. Te tenho como uma amiga. Não peça desculpas. Mas se servir para que eu consiga o que eu quero, por favor, não suma.
Fiquei surpresa. Eu acho que no lugar dela mandaria a pessoa sair voando. Mas pelo contrario. Ela disse que se sentia feliz em me ter aqui!
–Com tanto que você faça o Vitor se divertir um pouco. –ela disse pegando na minha mão. –Então querida, você não vai sumir, vai?
–Jamais. –eu sorri em retorno.
...
A Gabrielle saiu para o trabalho e eu troquei de roupas. Coloquei um short curto e uma blusinha de manga de frio. Eu sairia para fazer comprar mesmo que fosse sem o Vitor. Depois arrumaria um lugar para ficar. No mínimo passaria mais uma noite na casa do Vitor.
Eu já ia saindo de casa quando alguém segurou meu braço.
–Aonde vai? –era o Vitor.
–Vou sair um pouco. Ficar o dia todo aqui não me agrada. –falei.
–Mais não tínhamos combinado de passar o dia em algum lugar?
–É que eu achei que depois de ontem... –não precisava completar.
–Imagina Lia. –ele sorriu. –Será um prazer te acompanhar em um tour por Brasília. –não pude evitar sorrir.
O Vitor me perguntou se eu me importaria em sair de moto, e obviamente eu não liguei. Ele não me contou aonde iriamos. Até que depois de mais de meia hora andando, chegamos a uma praia. Descemos da moto e ele me olhou sorrindo. Os machucados eram evidentes, mais ele continuava lindo.
–Por que não onde tudo começou? –ele disse me puxando pela mão até ficarmos de frente para o mar. Ele se sentou e eu me sentei também. –Aqui é uma praia deserta. –ele sorriu.
–Tanta coisa mudou Vitor. Parecemos dois estranhos um para o outro. Você terminou comigo e casou, enquanto eu gostaria de saber se ainda estávamos namorando. –falei sincera. Não queria me iludir com ele.
–Eu sei Lia. Vou contar como conheci ela. Vou contar a história toda. –disse ele. –Bom... Assim que eu soube do seu acidente, várias coisas aconteceram. Problemas com uma tia. Varias e varias coisas. O Sal se tornou um problema. Eu tentava ligar para todas as pessoas para ter noticias suas Lia, porque eu não podia, por motivos meus e do bem das pessoas que eu amo, ir atrás de você. Seu pai ficou revoltado por que eu não tinha ido te visitar. A Fatinha, todo mundo. Só a Mar me dava noticias suas, e é por isso que eu mandava as cartas para ela. Eu fiquei completamente revoltado em não poder sair daqui Lia. Eu comecei a fazer coisas que você não vai querer saber que eu fiz. –ele fez uma cara feia. – Eu voltei a frequentar o colégio daqui por que precisava de alguma coisa para fazer e para ocupar meu tempo. E foi ai que me apareceu a salvação: Gabrielle. Conheci ela em uma festa, enquanto ainda estava sóbrio. Começamos a conversar e eu me apaixonei por ela. Começamos a conversar cada vez mais. Ela me ajudou naquela noite, quando eu passei mal por causa da bebida. Arriscou a pele e passou metade da noite me ajudando. Depois daquele dia ela se tornou minha melhor amiga. Pra ela eu falava tudo. Ela sabe tudo sobre mim. Até que um dia eu fiquei com uma garota, e cheguei nela contando como aquilo tinha me feito bem. Sair um pouco de casa... Ela reclamou que eu havia bebido de novo. Mais eu não havia. Então aconteceu que eu percebi que ela sentia ciúmes de mim com as outras garotas. Pedi ela em namoro. Aquilo virou uma relação dois em um muito logo. Apesar de ela ser mais nova que eu. Porém logo nos casamos, e agora ela está gravida. –ele terminou sorrindo. –Breve resumo. E você?
–Não tenho nada interessante. –falei. –Bom, não dá pra saber muito sobre você pelo seu breve resumo. Mais como a muito tempo agente não conversava eu esperava até saber menos. –ri. –Mais pra ser sincera eu acho que você andou abusando noite passada. –ele me olhou.
–Ah não... Você não... Ah por favor... Não me cobra, não, bem... Eu não consigo Lia, eu não sei mais fazer isso. Eu sei que isso a magoa, mas... –ele se virou.
–Vitor eu não vou te cobrar. Mais ela te ama, e eu vejo isso nos olhos dela. E ela está gravida de um filho seu. Ela não pode pagar pelos seus problemas. Você tem que se esforçar. Você não disse que ela te faz tão bem? Então por tudo que ela te fez.
Ninguém sabe quanto doeu aconselha-lo. Mais eu tinha que fazer isso. Eu o amava mais do que qualquer outro garoto na minha vida.
–Isso não é ruim pra você Lia? Me ajudar? Depois de tudo?
–Eu sei que não foi sua culpa Vitor, eu entendo. Todo mundo vai passar por isso um dia e eu já devia ter me acostumado. Só me surpreendi com a sua velocidade pra me esquecer. Mas você tinha que viver sua vida. E vocês são lindos juntos e...
–Lia...
–Mais eu não vou deixar de te amar de uma hora pra outra e...
–Lia, eu...
–Desculpa Vitor, mas... –eu já estava chorando. Por isso corre, corre, corre coração De nós dois eu nunca fui a mais veloz Leve tudo o que quiser mas não volte atrás –Eu não...
–Lia, quem disse que eu deixei de te amar um dia?
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