Meu Gêmeo Favorito (Versão 1.0)
20 Mestre Quíron
Notas iniciais
Capítulo 20 – Mestre Quíron
Não me lembro de muita coisa. Somente alguns flashes. Lembro de ter acordado e falado com Annabeth. Depois fui até o Acampamento Júpiter e vi uma cena terrível: Octavian beijando Reyna. Cheguei a minha antiga casa. Abri o armário de bebidas. E o resto é um completo e grande borrão.
Em certos momentos ouvi algumas vozes dizendo para pegarem néctar e ambrósia, mas não consegui reconhecer nenhuma das vozes e tampouco conseguia ficar consciente.
Acordei subitamente. Havia magicamente me transportado para minha cama. Não me lembro de ter entrado em um cômodo que não fosse a sala. Levantei-me e uma dor de cabeça absurdamente forte me atingiu. Despenquei na cama novamente.
Olhei para o lado e o relógio no criado-mudo marcava oito e meia da noite. Por quanto tempo eu dormi? Cheguei em casa era de manhã ainda.
Sentei-me devagar dessa vez e encostei-me na cabeceira da cama. Fechei meus olhos. Pendi a cabeça para trás e massageei minhas têmporas. Abri meus olhos e uma figura feminina se materializava em minha frente. E era justamente a pessoa que eu definitivamente não precisava nem queria ver hoje.
– Você finalmente acordou! – disse Reyna sorrindo.
Ela ainda era capaz de sorrir depois do que ela fez?
– O que você está fazendo aqui? – disse rouco, mal reconhecendo minha própria voz – Essa é minha casa.
– Eu, Percy e Annabeth viemos atrás de você. – respondeu se aproximando.
– Não chega perto de mim – falei friamente.
Reyna pareceu vacilar e parou sua caminhada. Pude ver lágrimas se formando em seus olhos. Fiquei quase com pena. Quase. Se não fosse o pequeno acontecimento de antes.
– Chama o Percy e a Annabeth. – ordenei – E se manda daqui.
– Sério mesmo Duncan? – perguntou com lágrimas escorrendo em sua bochecha esquerda – Você acha mesmo que eu queria beijar aquela coisa?
– Se não queria, podia ter se separado um pouquinho antes, que tal? – falei – Ou oferecido mais resistência, talvez?
– Você não está entendendo... – cortei-a antes que ela terminasse a frase.
– Você que não entende. Se você ao menos gostasse de mim, iria oferecer uma resistência maior.
– Ele é muito mais forte que eu, – começou ela – como eu iria conseguir?
– Ele é um frango, Reyna! – exclamei – E outra, você é forte pra cacete. Com toda a certeza você é bem mais forte que ele.
– M-mas... – tentou mais uma vez.
– Mas nada. – vociferei – Chama o Percy e a Annabeth agora e suma da minha frente – falei gritando a última parte.
Mas Reyna não precisou mover um músculo sequer, pois provavelmente Percy e Annabeth ouviram minha gritaria e subiram correndo.
– O que está acontecendo aqui? – perguntou Percy
– Só estou expulsando a traíra. – respondi frio.
– Duncan não fala assim. – disse Annabeth – Não foi culpa dela.
– É cara, não fica assim – falou Percy – É tudo culpa daquele filho da puta do Octavian.
– Eu sabia que ele estava aprontando alguma... – murmurou Reyna secando as lágrimas.
– Mas, mudando um pouco o assunto... – comecei – O que aconteceu comigo? Eu não me lembro de nada.
– Você quase entrou em coma alcoólico. – respondeu Annabeth – Um ser humano normal, teria perdido o fígado inteiro.
– Mas você não é normal, não é mesmo? – Disse Percy – Sorte que a gente tinha néctar e ambrósia, porque se não...
– O seu fígado estaria parcialmente prejudicado. – completou Annie – Depois trouxemos você aqui pra cima.
– Limpamos a sala... – continuou Percy – Limpamos você... – Espera aí. Annabeth havia me visto pelado? Corei com o pensamento. Percy percebeu e consertou – Quer dizer... Eu limpei você.
– Daí Reyna ficou cuidando de você. – disse Annabeth
Um silêncio desconfortável se instalou entre nós e eu fiquei somente olhando para meus pés cobertos pelo lençol.
– Não tem nada a dizer pra Reyna, Duncan? – disse Annabeth mais numa espécie de ordem do que uma pergunta. – Duncan?
– Obrigado... – falei em um murmúrio quase inaudível.
– Eu não escutei. – disse Annabeth erguendo uma das sobrancelhas.
– Obrigado... – disse um pouquinho mais alto.
Annabeth me olhou com uma cara que iria ela mesma me matar se eu não falasse um “obrigado” direito.
– Obrigado por cuidar de mim, Reyna. – agradeci verdadeiramente, o que me surpreendeu, olhando nos olhos da morena.
Eu não devia estar bravo por ela não ter resistido à Octavian? Devia. Mas não estava. Estava somente chateado. Será talvez pelo sonho esquisito com aquela menina que eu tive hoje? Talvez.
– De nada, querido. – respondeu Reyna com um sorrisinho de canto.
– Quanto tempo eu dormi? – perguntei
– Encontramos você aqui ontem à noite. – respondeu Percy – Então um pouco mais de 24 horas.
– Caralho! – gritei – Precisamos voltar. Quíron deve estar pirando.
– Está mesmo. – confirmou Annabeth – Falamos com ele hoje de manhã, por Mensagem de Íris.
– E ele precisa de nós o mais rápido possível. – avisou Percy.
– Então o que estamos esperando? – falei me levantando – Vamos agora mesmo!
– Têm certeza? – perguntou Reyna – Está se sentindo bem mesmo?
– Está duvidando de mim, pretora? – perguntei em tom de desafio, chegando perigosamente perto. – Achei que você já tivesse aprendido a não duvidar de mim.
– Eu já aprendi. – murmurou ela – Não se preocupe.
– Vou arrumar as coisas lá em baixo então. – disse Annabeth – Para partirmos agora.
– Eu vou descer junto. – E com isso, o casal desapareceu de minhas vistas.
– Estamos de boa? – perguntou Reyna regredindo um passo.
– É. – respondi – Estamos de boa.
– Amigos? – indagou Reyna mordendo o lábio inferior.
– Tudo o que eu quero é uma amizade com você Reyna. – declarei.
Dei dois passos e a abracei.
– Me desculpa por ser tão idiota agora a pouco? – perguntei
– Com certeza. – respondeu ela agarrando-se em mim.
– Só mais uma coisa. – falei me afastando – Por enquanto só quero a sua amizade, acho que ainda não estou pronto, sabe... – suspirei – É muita coisa pra mim, a morte dos meus pais...
– O que? Seus pais morreram? – perguntou assustada.
– Você não sabia? – ela negou – Pois é. Minotauro. Eles eram semideuses... Enfim... Não quero falar disso agora, tudo bem?
Reyna não disse nada, somente assentiu com a cabeça e me abraçou mais uma vez.
~//~
A primeira coisa que eu, Percy e Annabeth fizemos ao chegar ao Acampamento Meio-Sangue foi entrar correndo na Casa Grande.
– Onde estavam? – perguntou logo de cara Quíron.
– Acampamento Júpiter. – respondi
– Fazendo...? – retornou a perguntar o centauro.
– Eeer... Ficaram umas coisas minhas lá. – falei
– E fomos ajudá-lo a buscar. – respondeu Percy.
Quíron parecia não ter se contentado com a resposta, mas deixou quieto.
– Chamei vocês aqui porque senti uma perturbação com os deuses. – explicou Quíron.
– Você é tipo o Mestre Yoda? – perguntei rindo – Sente perturbações na Força?
Recebi como resposta apenas três caras feias.
– Continue. – falei
– Vocês vão sair em uma missão. – disse o centauro – Duncan, sei que você mal chegou aqui, mas preciso de vocês três. Nesse exato local aqui, – disse Quíron apontando em um mapa – É onde vocês precisam ir e descobrir o máximo de informações que conseguirem.
– Espera... – Falei – Eu conheço esse lugar. Brasil. Pra ser mais específico, São Paulo.
– Isso mesmo meu jovem. – concordou Quíron – Vocês vão para o Brasil. Daqui a três dias. Vão se preparando.
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