Meu Fim
4 Cigarros e um pouco de vodka
Notas iniciais
Acordei e percebi que eu sentia uma dor horrível.
O sol batia no meu rosto, e ardia. Me levantei e percebi que estava totalmente nua.
-O QUE ACONTECEU COMIGO ONTEM A NOITE?! Gritei pra mim mesma, enquanto levantava, tropeçava em meu tênis e caia com a cara no chão, e pelada da silva.
Sim, isso soou muito engraçado, eu sei.
Fiquei no chão tentando recordar do que aconteceu ontem a noite e me lembrei do murro que Lucas havia me dado.
Minha intimidade doía muito, e só de pensar no que poderia ter acontecido, coisa que estava na cara, me deu nojo.
Meu corpo estava todo marcado, meu cabelo estava todo bagunçado, e eu mal conseguia ficar de pé.
Se aconteceu o que eu estou realmente pensando, fico feliz por não estar acordada.
Olhei pro despertador sobre o criado-mudo e eram 12:45, me vesti correndo e sai correndo de casa, eu estava muito atrasada.
Ainda bem que não vi ninguém em casa.
-Você ta atrasada. Caah me disse assim que parei em sua frente
-E porque você não está na escola?
-Vamos dar uma volta, ou você quer mesmo entrar na escola?
-Onde nós vamos?
-Passear.
-Tá, mas nós vamos andar muito?
-Não. Porque?
-É que eu to toda dolorida.
-Dolorida?
-Ontem meu padrasto me deu um murro, eu apaguei e acho que ele abusou de mim.
-E a tua mãe?
-Se tornou uma vadia, não ta nem ai.
-Vamos encerrar isso por aqui e vam’bora.
-É melhor mesmo Caah.
Andamos uns 10 minutos a pé. No caminho Caah comprou uma caixa de cigarros.
-Black, são os melhores... Ela disse acendendo um cigarro preto.
-Parece ser mais caro que os outros... Eu disse a observando enquanto dava uma tragada no cigarro
-É um pouco, mas vale a pena.
-Onde você arranja dinheiro? Fiquei curiosa, até porque tenho quase certeza que ela não trabalha.
-Pego escondido dos idiotas dos meus pais. Você deve estar toda dolorida, fumo um ai. Ela disse me entregando um cigarro.
Acendi-o e traguei, de inicio engasguei um pouco, mas depois passou a ficar gostoso, fumar me distraia de certa forma.
Nos sentamos no banco da praça, numa sombra meio escondida, e fumamos enquanto conversávamos.
Nessa “conversa” se foram quase três caixas de cigarro. Acho que eu fumei mais que ela.
Ficamos durante um bom tempo em silêncio, apenas fumando e olhando pro nada.
Eu estava mergulhada em meus pensamentos, tentando fazer um “balanço” de minha “nova” vida de merda.
Minha mãe se tornou uma vadia chifruda. Meu padrasto me estrupou, mudei para uma escola estadual, onde ninguém tava afim de estudar e nem os professores de dar aula, conheci a Caah, nos tornamos amigas, passei a fumar...
Já que é pra minha vida se tornar um furacão, acho que vou pular de cabeça, pouparei tempo...
Caah comprou uma garrafa de alguma bebida alcoólica, acho que era vodka, e nós bebemos, ou melhor, ela bebeu e riu da minha cara.
Putz! Aquilo descia quase cortando a garganta, mas era muito bom.
Acabei descobrindo que eu não ficava bêbada tão fácil. Cahh já não falava coisa com coisa, eu apenas me sentia “leve”.
Juro que eu podia voar, de tão leve que me sentia depois de beber, mas eu estava consciente, quase totalmente.
Fiquei fitando uma árvore durante muito tempo, Cahh havia apagado do meu lado no banco e umas horas depois, eu também apaguei.
Dormimos na praça, mas eu não sou vagabunda. Que coisa idiota! Acho que to bêbada mesmo, kkk
-Do que vo-você ta rindo Líly? Caah perguntou com um olho só aberto.
-Nada não, vamos dormir?
Ela já havia apagado novamente.
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